Análise: A Cabana

COMO EU ASSISTI “A CABANA”

Um mês antes do meu casamento, comecei a ver a série How I Met Your Mother. Não precisou de muito para que eu identificasse os preparativos nupciais de Marshall e Lily, personagens da série, com o momento que eu e minha noiva passávamos. Eles tinham um namoro longo, como eu e ela; sonhavam em ter filhos, como nós; acreditavam em romance verdadeiro e tinham certeza de que eram o melhor casal do mundo, certeza que também tínhamos sobre nós. Mas qualquer um que nos conhece sabe que não temos nada a ver com Marshall e Lily. Não somos tão malucos quanto eles, não tivemos os mesmos perrengues que eles tiveram, não tínhamos um estilo de vida tão independente quanto os dois. Isso para não mencionar que o Gigante Gentil Marshall em nada lembra meus 1,67m de altura. Mesmo assim, o relacionamento dos dois me inspirava, me fazia pensar, mas, acima de tudo, me dava mais e mais vontade de correr para os braços da minha noiva definitivamente. Não era para os braços da Lily que eu queria correr. Não. Era para os da Natália (que hoje, graças a Deus, é a minha esposa).

Semana passada eu li o livro A Cabana de William P. Young. No sábado eu assisti a adaptação cinematográfica. A obra fala de um encontro de um homem chamado Mack com a Trindade Divina numa cabana no meio do nada nos EUA. A trindade é representada por uma mulher que se chama de Elousia ou Papai (o Pai), um rapaz de trinta e poucos (o Filho) e uma moça chamada de Sarayu (o Espírito). O livro foi polêmico em 2008 e os debates foram “requentados” agora.

Alguns amigos meus têm dito que o deus dA Cabana não é o Deus bíblico. Pra esses amigos eu só posso dizer uma coisa: vocês têm absoluta razão! O Deus da Bíblia é muito mais completo e complexo que aquele da Cabana. Assim como o Martin Luther King Jr. de Selma não é o MLK original e a Margaret Thatcher de Iron Lady não é nem metade da Dama de Ferro que governou a Inglaterra (por melhor que Meryl Streep seja para interpretá-la). A cabana escorrega em conceitos importantes, principalmente no que tange às obras de cada pessoa da Trindade. Isso não é pouca coisa. A Doutrina da Trindade está entre as mais importantes e mais incompreendidas do cristianismo. Por isso devemos admirar todo o zêlo que pastores e mestres têm tido em abordar criticamente essa obra. Mas da mesma forma que os protagonistas de Selma e Iron Lady guardam correspondência com seus personagens históricos, o deus de A Cabana apresenta algumas boas e bíblicas características de Deus e do seu relacionamento com os homens.

E foi assim que eu assisti esse filme. Vi o amor imenso de Papai por Mack na cabana e só pensei no imenso amor de Deus por mim. Lembrei-me de quando Ele me ajudou a perdoar quem eu não queria perdoar. De quando eu estava absolutamente perdido e sozinho e ele se apresentou a mim. Lembrei-me da vez que fui impactado profundamente por sua disciplina e consciente de meu pecado roguei que transformasse a minha vida. Lembrei-me das vezes em que, sozinho no meu quarto, fui despertado por meu Deus e comecei a conversar com Ele pela madrugada. E também me lembrei de todas as pessoas incríveis e maravilhosas que se tornaram minha família pela obra de Jesus Cristo na cruz. Deus nunca fez um cozido pra mim, mas tive inúmeras refeições divinas com meus irmãos nas mais diferentes mesas. Uma delas logo antes do filme, na “Cabana da Pizza” (Pizza Hut) no shopping em que aguardávamos nossa sessão com um casal de amigos. Tenho convicção de que nesses momentos o próprio Deus se assenta e ri conosco.

Assim como assistir How I Met Your Mother me dava vontade de me encontrar com a minha amada, assistir A Cabana me deu vontade de me encontrar com meu Deus. E talvez você tenha tido o mesmo sentimento. Se for assim, eu acho que posso te ajudar com algumas lições que aprendi nesses anos:

Primeiro, eu não sei qual é o seu relacionamento com Deus, mas eu posso te dizer onde eu me encontrei com Ele. O lugar desse encontro foi a Bíblia. Ali eu descobri a riqueza desse Senhor e o caminho para me achegar a Ele. Ali descobri uma nova vida, que é a Vida dEle em mim. Sim, porque se encontrar com Deus é mais do que estar no mesmo lugar que Ele. É se tornar o lugar em que Ele está. Louco, né?

Segundo, não leve suas ideias pré-concebidas. Imagina se eu exigisse da Nati que ela fosse mais parecida com a Lily de How I Met Your Mother? Nosso relacionamento não teria muito futuro. Não pense que o Deus verdadeiro é o deus da Cabana. Não leve essa imagem para o seu encontro. Ainda que você esteja encantado com essa narrativa, não lance essa expectativa sobre Ele. Eu não digo isso porque temo que Ele não dê conta da imagem que você fez. Pelo contrário. Eu digo isso porque nenhuma ideia sua será tão incrível quanto a realidade. Veja, nenhuma virtude da Lily chega perto das maravilhas da minha esposa. O que dirá de Deus? Não o compare com uma ficção. Ele é muito mais que isso.

Terceiro, encontre uma família nEle. Um dos grandes acertos da obra de Young é a de representar deus como uma comunidade satisfeita em si. Mas a história da Cabana é o sonho do solitário. Encontrar três pessoas perfeitas, infinitamente agradáveis, plenamente altruístas e sábias é tudo o que nós queremos. Não queremos ter o trabalho de nos relacionar com pessoas imperfeitas, que pisam no nosso calo e de vez em quando são egoístas e falsas. Mas preciso te dizer que é justamente nessas pessoas que o aspecto comunitário de Deus se revela a nós. Em outras palavras, se você quer ter um relacionamento tão incrível e prazeroso com Deus como Mack teve no fim de semana do filme, procure uma igreja. A pergunta subsequente seria “Qual igreja devo procurar?” Não vou te dar uma resposta direta, mas vou te dar uma dica: procure uma igreja em que a Bíblia tenha lugar central. Foi nela que eu me encontrei com Deus, é nela que você vai se encontrar com Ele também.

Espero que esse texto tenha sido útil e que você se encontre hoje mesmo com Ele. E espero que um dia nos assentemos juntos a uma mesa (se é que ainda não fizemos isso). Se não der tempo nessa vida, tenho certeza de que teremos um banquete ainda melhor na outra. Ali sim O veremos como Ele é.

  • Welington Leal

    Cacau é muito generoso. Eu nem li e nem verei esse filme. Mas que bom que gostaram. O problema quando irmãos fracos acreditam em tudo que veem e tomam esses filmes mais como verdade doq a Bíblia.

  • Vanessa Duarte

    Gostei do que Li, acho que o filme tem pontos positivos como em sua narrativa, e me fez relembrar de como Deus tem sido bom para comigo, o filme tem algumas parte que viaja, mais a messagem central acredito que conseguiu passar, que é o Amor de Deus e que não podemos ser o Juiz, de qualquer forma fica o contra ponto.