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16/03/2007
Ramos que correm sobre o muro


por Aninha Chaves

Continuando minhas considerações sobre a história de José, em Gênesis 49:22, Jacó, seu pai, prestes a morrer, elogia José dizendo que ele era um ramo frutífero, cujas raízes estavam junto à fonte, o que o fez crescer a ponto de seus ramos correrem sobre o muro. Jacó acompanhou a história de seu filho:

Quando jovem, Deus era com José – José começa a ter sonhos nos quais ele domina sobre seus irmãos. Estes, porém, movidos de inveja, não davam crédito às suas profecias (Gn 37: 6 a 10) e chegaram ao ponto de vender o próprio irmão para ser escravo no Egito.

No Egito, Deus era com José – Ele foi comprado por Potifar e este o fez mordomo de sua casa. José tinha total autonomia na casa de Potifar, sendo-lhe somente proibido se envolver com sua mulher. Mas essa mulherzinha (no sentido mais pejorativo que você consiga imaginar) viu a beleza de José (Gn 39:6b) e o tentava seduzir. No entanto, o compromisso de José com Deus o motivou a cumprir o compromisso que fizera com Potifar (Gn 39:9) e ele não se deixou seduzir. Porém, ninguém acreditou que José não tinha se envolvido com a mulher; nem mesmo Potifar, que o mandou para a prisão.

Na prisão, Deus era com José – Deus revelou em sonho o que aconteceria com dois de seus colegas de cela: o padeiro-mor morreria; e o copeiro-mor viveria. Mais tarde esse sonho se realizou, mas José não foi lembrado pelo copeiro, mesmo tendo lhe revelado seu futuro. Com esse “ministério de interpretação de sonhos”, José ganhou a sua liberdade ao interpretar corretamente um sonho de Faraó; conquistou-lhe a confiança e por isso recebeu o cargo de governador do Egito.

Como governador do Egito, Deus era com José – As terras vizinhas ao Egito passaram por uma grande fome, de modo que muitas pessoas vinham comprar mantimento na região que estava sobre administração de José e os seus irmãos também vieram. José, como governador, poderia usar de seu poder e negar auxílio para seus irmãos que o venderam, mas ele não agiu assim (Gn 42:19). Deus usou de misericórdia com José durante a sua vida para que ele fizesse o mesmo com seus irmãos. Assim como José recebeu a misericórdia de Deus sem merecer, seus irmãos receberiam sua misericórdia também sem merecimento algum.

Os irmãos de José não o reconheceram e achavam que estavam recebendo alimento das mãos de um estranho, o que já lhes devia ser muito suspeito. Imagina o que eles sentiram quando José decidiu abrir o jogo e dizer que aquele governador que lhes dava alimento era o irmão que no passado venderam! José não disse isso para humilhá-los ou mostrar seu poder, mas para que vissem o plano de Deus com toda aquela situação (Gn 45: 5 a 7). José sabia que o juízo pertencia a Deus (Gn 50:19).

Ramos que correm sobre o muro – um elogio bastante razoável a alguém com o gabarito de José. José foi bem sucedido não porque era bonzinho, soube perdoar ou foi humilde. Até porque ele sempre foi o queridinho de Jacó, seu pai, e fazia questão de narrar seus sonhos, mostrando aos outros que Deus lhe revelava coisas exclusivas e especiais. José não foi perfeito, mas foi bem sucedido porque DEUS ERA COM ELE! Quantas vezes essa expressão aparece na narrativa bíblica? Sinceramente, não pretendo contar, talvez até perdesse as contas, pois seriam muitas!

É maravilhoso entender que, assim como foi com José, Deus está conosco nos pastos verdejantes, mas também no vale da sombra da morte. Porém, o que mais me causa admiração nessa história é que Deus mudou os rumos da vida de José, seu servo fiel, mas também a de pessoas mesquinhas como seus irmãos! Salvou a vida de José quando este foi para o Egito, mas também a vida de seus irmãos quando estavam passando fome! Não sei por que Deus agiu assim, mas percebo que na Sua balança o que pesa mais é a misericórdia e não os pecados. Misericórdia esta acessível a justos e injustos.

Eu quero sobre mim a misericórdia de Deus e quero ter ramos que não limitam seu crescimento diante das adversidades da vida, mas que, por estarem ligados à Fonte, recebem dela tantos nutrientes que crescem, crescem, invadem muros, invadem vidas e chegam ao céu. E isso eu também desejo a você!



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