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			  <title>irmaos.com - Colunet</title>
			  <description>Textos da seção Colunet</description>
			  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?coluna=colunet</link>
			  <language>pt-br</language>
			
				  <item>
				  <title>Gratidão</title>
				  <description>
Na celebração de ontem à noite em nossa igreja fomos desafiados a expressar nossa gratidão a pessoas que foram importantes para nós durante o ano de 2011.

Um após o outro, depoimentos emocionados e espontâneos foram se sucedendo, por um longo tempo. Pessoas expressavam sua admiração, respeito e reconhecimento por atitudes e gestos que foram abençoadores em suas vidas. A atmosfera no local era celestial. A presença de Deus, não mística ou esotérica, mas real e pessoal, pode ser percebida de uma maneira única. A glória de Deus se manifesta através da gratidão do seu povo.

De fato, a virtude da gratidão é algo extraordinário. A capacidade de dizer "muito obrigado" traz consigo um poder liberador e revolucionário da existência humana. Porque quando agradecemos, estamos reconhecendo que não podemos viver sozinhos, isolados em nosso gueto existencial. Precisamos uns dos outros. Não somos uma ilha. Quando ficamos presos nas amarras do orgulho e da ingratidão, somos os mais infelizes de todos os homens.

Comece um novo ano incentivando a si mesmo ao desenvolvimento da gratidão sincera. A Deus, antes e acima de tudo, fonte que é de toda a boa dádiva e de todo dom perfeito. A seus familiares, amigos e irmãos, por formarem o substrato onde sua vida pode florescer. A sua comunidade de fé, que lhe permite viver a vida cristã em todas as suas dimensões, incluindo aquelas que nem sempre são tão agradáveis.

Não permita que a semente da ingratidão encontre solo fértil no seu coração neste novo ano. Este é o segredo para uma vida plena e produtiva.

Assim você será para os outros a felicidade que lhes desejou durante a última semana de 2011.</description>
				  <pubDate>02 Jan 2012 12:48:09 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=8994</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Deus odeia o pecador?</title>
				  <description>
Nos últimos anos, com o surgimento da blogosfera, a prática de polemizar para conseguir notoriedade se alastrou como nunca. Basta uma declaração de efeito e o número de seguidores vai às alturas. Infelizmente, a teologia e a Igreja não ficaram isentas desta prática. A Internet tem sido um dos principais meios de disseminação dos pastores-filósofos neoliberais e seu veneno mortífero. São eles que, direta ou indiretamente negam a autoridade e a inerrância da Palavra de Deus. Criaram dois deuses, um no Velho Testamento, irado contra o pecado e contra o pecador e outro no Novo Testamento, "um velhinho de barba branca", como definiu Ed René Kivitz em um desses fóruns para internautas. Nesse grupo se encontram aqueles que flertam com o Universalismo (crença que assevera um final feliz para toda a humanidade, independente de sua fé em Cristo), com a teologia do processo (ou teísmo aberto ou teologia relacional), que rejeitam a interpretação gramático-histórica, que consideram a volta de Cristo como um "horizonte utópico" etc. Embora não gostem de ser colocados no mesmo saco, todos eles comem da mesma farinha.

Observo, no entanto, o surgimento de outro grupo, conservador, histórico, muito provavelmente comprometido seriamente com a verdade, mas que parece estar incorrendo em erro semelhante. Por achar que a verdade precisa de defesa, estão criando outra verdade. Se os representantes do primeiro grupo ficam aquém da verdade, estes vão além. Um vídeo que tem feito bastante sucesso no Brasil traz um trecho de uma mensagem no missionário norteamericano Paul Washer sobre a ira de Deus. Em dado momento, ele critica a frase "Deus odeia o pecado, mas ama o pecador", considerando-a uma frase "bonita para se escrever em uma camiseta evangélica", mas desprovida de base bíblica. Citando textos como Salmo 5:5, este pregador sugere que Deus não apenas odeia o pecado, como odeia também o pecador. Se isso não fica totalmente claro no vídeo, certamente fez a cabeça de alguns que o assistiram. Transcrevo abaixo algumas frases extraídas da minha timeline do dia 10 de novembro:


"Deus odeia o pecado e ama o pecador." (Heresias 6:45)" // Boa... Hahaha... Basta ler Salmos 5.5 para corrigir esta mentira!

Dizer que Deus ama o pecador, sujo de pecado, é que não é bíblico!


Reagi indignado e, confesso, até com certa rispidez. Na tentativa de enfatizar uma verdade, nota-se que criaram uma terrível e devastadora mentira. Não preciso expor aqui o que penso sobre a ira de Deus contra o pecado, nem mesmo sobre o seu direito de dar e tirar a vida e inclusive sentenciar ao lago de fogo por toda a eternidade aqueles que não aceitam a propiciação do Seu Filho Jesus. Há poucas semanas escrevi sobre isso. Não tenho nenhuma dúvida de que a ira de Deus permanece sobre aqueles que não recebem a Cristo como seu Senhor e Salvador e que este é o destino eterno de todos os que não se arrependerem. Isto não está em discussão aqui. No entanto, dizer que DEUS ODEIA O PECADOR é falso e a refutação a esta bobagem é tarefa simples para qualquer conhecedor primário das Sagradas Escrituras. Primeiro, deixemos que elas mesmas falem sobre o assunto:

        Acaso tenho eu prazer na morte do perverso? diz o Senhor Deus (Ez 18:23)
        Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou Seu Filho... (1 João 4:10)
        Deus sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, estando nós mortos em nossos delitos e pecados, nos deu vida juntamente com Cristo - pela graça sois salvos (Ef 2:4-5)
        Deus prova seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, SENDO NÓS AINDA PECADORES (Rm 5:8).


Não há nestes textos qualquer incompatibilidade com aqueles que mencionam o castigo eterno, a ira de Deus contra os pecadores ou a destruição dos ímpios. Os atributos de Deus podem ser paradoxais, mas não são contraditórios. TODOS os atributos de Deus estão em harmonia plena. Sua ira é real e explícita nas Escrituras e ao longo da História. De novo: isso não se discute. Porém, seu amor também é real e explícito. Seu amor é incondicional, embora seu perdão esteja condicionado à confissão e ao arrependimento. Confundir esses dois conceitos é um erro tão grave e tão primário quanto negá-los.

Ao apresentar os textos bíblicos acima, recebi como resposta:


Peço que o irmão se acalme. Sei que soou estranho, porque as pessoas são acostumadas a esta frase anti-bíblica (Deus odeia o pecado e ama o pecador]). Entendo! :-)


Então, o discurso mudou. Aparentemente defendendo a mesma ideia, eles escreveram:


Após o pecado, existiu a Ira de Deus. Ela ainda existe. Alguém terá que bebe-la. Sabe quem? O pecador, inimigo de Deus!(...)

Mas a ira do Senhor está sobre o pecador. Este fato ninguém muda.

O problema nunca deixou de ser o pecado, mas a ira do Senhor tbm eh sobre os que praticam. N da p/ separar. Estao correlatos

Sim, é terrível. Por isso, precisamos de Cristo. Merecemos, hoje, o inferno; mas temos a oportunidade! É bíblico! ^_^

não entendo. Os textos não contradizem o que dissemos. Jesus morreu por nós para livrar-nos da ira de Deus!


Como já expus acima, estas afirmações não estão em discussão. A questão é aonde elas podem nos levar. A Bíblia ensina que a ira de Deus está sobre o pecador, mas em lugar algum dá sequer uma pequena margem para concluir isso (frases da Timeline, com grifos meus):


Amado, a própria frase é incoerente. Se Deus odeia o pecado, logo deverá odiar o que o pratica! :-)

ok, podemos trocar a palavra odiar por abominar. Mas aquela frase n é verdadeira. Deus n ama o pecador em essência.

O amor dele é isso! Ele odeia o pecado e o que o pratica, por isso morreu para nos dar oportunidade de salvação! ^_^


Estas afirmações ferem o âmago do Evangelho. São uma aberração completa e acabada, sob a capa de uma falsa ortodoxia. Ao questionar sobre o fato de que se Deus odeia o pecador, nós também teríamos que fazê-lo, recebi resposta ainda mais incoerente, baseada numa premissa que após algumas décadas de estudo sistemático das Escrituras, confesso nunca ter visto nelas:


Não. O ódio que eu poderia ter por eles é diferente do que o que Deus tem. O ódio dele é um "ódio-justiça" sobre o pecador!


E então, finaliza com a pior das incoerências:


Mas Deus é bom, gracioso e misericordioso; morreu para que pudéssemos nos achegar a ele!


Ora, um Deus "bom, gracioso e misericordioso" é o Deus que apontei nos versículos citados. Este é o problema: o raciocínio dicotomizado, que coloca Deus de um lado ou de outro: OU ele é justo e santo, e por isso odeia a todos, OU ele é bom, gracioso e misericordioso. A questão é que a Bíblia não apresenta Deus desta forma. Deus é TÃO justo e santo (e por isso odeia o pecado - Hb 1:13 - e está irado contra o pecador) QUANTO é bom, gracioso e misericordioso e ama o pecador, independentemente da sua situação. Isso fica claro, por exemplo, na história do povo de Israel. Mesmo adulterando após outros ídolos, Israel ouviu de Deus as palavras "COM AMOR ETERNO EU TE AMEI, também com benignidade te atraí (Jr 31:3); e "Atraí-te com cordas humanas, com LAÇOS DE AMOR" (Os 11:4).

Sobraram, então, algumas perguntas, às quais a Bíblia responde com tanta clareza, que surpreende alguém não saber a resposta ainda:


(Se) Deus ama o pecador, por que existe o inferno? Por que precisamos da Salvação de Cristo? Somos seus inimigos! ^_^


O inferno (creio que eles se refiram aqui ao lago de fogo eterno, destino dos que não se arrependem e crêem no Evangelho) foi preparado originalmente "para o diabo e seus anjos", segundo aquele que tem a chave da morte e do inferno, Jesus Cristo (Mt 25:41). Para lá também vão todos aqueles que "não obedecem o Evangelho" (2 Ts 1:8-9). Não existe inferno porque Deus odeia o ser humano que ele criou, mas porque "toda transgressão e desobediência recebeu justo castigo" (Hb 2:2). Isto responde também à segunda pergunta, "por que precisamos da salvação de Cristo". De fatos somos inimigos de Deus e separados dele por causa do nosso pecado. A salvação de Cristo é a maior prova do amor de Deus por um mundo pecador.

Esta é justamente a grande riqueza do Evangelho. Efésios 2, já citado, apresenta o homem como sendo "por natureza filhos da ira como também os demais". Não deixe de observar a expressão "filhos da ira", que é o centro desta discussão. O versículo seguinte, no entanto, afirma que por causa do grande amor com que NOS amou. Isto é o que nos diz Paulo. Não o Washer, mas o apóstolo inspirado pelo Espírito Santo: DEUS AMOU OS FILHOS DA IRA. E por isso podemos ser salvos.

Falta a qualidade de bereanos a muitos navegantes da blogosfera. Qualquer um que aparece falando qualquer coisa logo amealha os incautos que não se dão ao trabalho de ler as Escrituras por si mesmos.

Por isso, adianto aos que se sentirem ofendidos por esta postagem que ao discordar, por favor, apresentem os textos bíblicos e suas respectivas interpretações dos mesmos. Em matéria de fé e prática, não aceito outra coisa a não ser a autoridade da Palavra de Deus. Ainda creio somente nela. 

Clique aqui para assistir ao vídeo mencionado.</description>
				  <pubDate>15 Nov 2011 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=8205</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Atos de bravura</title>
				  <description>
O livro de Atos é o melhor tratado sobre a vida prática da Igreja que jamais foi escrito.

Nada supera o valor e a inspiração destas páginas. Se uma igreja em nosso tempo realmente quer ter sucesso, ela necessariamente terá que se debruçar sobre este livro e ouvir a voz de Deus falando de maneira inconfundível. Ouvimos os gurus eclesiásticos enquanto podemos beber direto da fonte.

Atos não é uma coletânea de histórias motivacionais. Também não é um manual de crescimento da igreja, como tantos que estão sendo escritos e abarrotando nossas prateleiras. Não é uma fórmula secreta para a plantação de megaigrejas. É muito mais do que isso. É a história dos Atos do Espírito Santo agindo através de improváveis discípulos. Conta como foi possível cumprir a Grande Comissão a partir de um grupo de 120 pessoas, que cresceu a ponto de incomodar o Império Romano.

Em tempos de pragmatismo e estatísticas, muitos se voltam para o mais recente modelo de gestão eclesiástico e seus infalíveis métodos orientados para resultados. Entenda-se "resultado" da mesma forma como uma empresa enxerga seus consumidores. Mais gente "na parada", contribuindo, aplaudindo, tornando os nomes de seus líderes célebres. Quem olhar para o livro de Atos esperando mais um desses vai se decepcionar. Não encontraremos ali um case de sucesso em propaganda e marketing. Houve problemas e falhas. Houve acidentes de percurso. Há relatos de racismo, de exclusivismo, de falsas conversões, de charlatanismo e mentiras, tudo isso no seio da igreja.

Além disso, houve perseguições e privações. Encontramos dois apóstolos sem dinheiro até para uma esmola. Houve apedrejamentos e execuções contra os líderes. Em momento algum Atos relata uma vida mansa por parte daqueles que estavam comprometidos com o projeto em execução.

E nunca houve, em toda a História do Cristianismo, uma época como aquela. Por isso o Espírito Santo inspira Lucas para registrar aqueles acontecimentos. E por isso, logo cedo os pais da Igreja reconheceram este livro como Escritura. Seu valor é inestimável. Se não é uma "receita de bolo para fazer nossa igreja funcionar", é uma referência para a Igreja em todos os tempos e culturas. A Igreja Primitiva é uma espécie de padrão a partir do qual todas as demais podem ser aferidas, em todas as áreas. Aprendemos até com suas falhas.

Temos muito a ganhar ao estudar a Igreja do Século 1 para compará-la à Igreja do Século 21. Aprenderemos lições importantíssimas do que é a Igreja que agrada, que ouve e que anda de mãos dadas com o seu Senhor.

Atos é leitura obrigatória para quem ama a Deus e à sua Igreja. Mas é preciso ter coragem para conhecer os atos de bravura dos nossos primeiros irmãos. Porque nenhum cristão sério vai conseguir permanecer impassível diante do que vai ver em suas páginas. As sementes ali plantadas precisam continuar florescendo.

E então, está pronto para aceitar o desafio?

O curso Panorama de Atos onde você pode obter uma visão geral do contexto histórico, da vida e ministérios dos apóstolos e do início da Igreja, está disponível na área de ensino a Distância da SEPAL.

Clique aqui para conhecer o curso.</description>
				  <pubDate>30 Sep 2011 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=8150</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Esse amor!</title>
				  <description>
Não existe nada parecido com o amor de Deus. Diferente de qualquer área do conhecimento ou da atividade humana, quanto mais você experimenta dele, menos consegue explicá-lo. Quanto mais o sente, menos o conhece.

Os relacionamentos humanos são totalmente insuficientes para expressar completamente o amor de Deus. Podemos falar do amor de uma mãe por seus filhos. Mas encontraremos situações de abandono e maus tratos. Podemos cantar, como fazem os poetas, o amor apaixonado entre um homem e uma mulher. Mas haverá momentos rudes, dias de discórdias e afastamento. Podemos celebrar o amor fiel entre amigos antigos, mas ainda entre eles poderão surgir rixas e desentendimentos.  A beleza do amor humano, comparada ao amor de Deus,  é como a névoa da manhã, que se dissipa ante a luz do sol.

Pensar em Deus amando a Adão e Eva no Éden é relativamente fácil. A obra-prima da sua Criação perfeita. Deus olhava para os dois e podia dizer: "isso que eu fiz é muito bom". Nunca tive essa experiência, mas penso que não seria difícil amar alguém perfeito. Sem decepções. Sem traições. Sem palavras duras. Apenas o amor, a camaradagem, o companheirismo, a comunhão plena.

Mas saber que Deus continuou a amá-los mesmo depois de pecarem complica a nossa imaginação. Como conciliar isso com a sentença de morte e separação que entrou em vigor no exato instante que comeram o fruto do conhecimento do bem e do mal? Amor e punição nos parecem completamente incongruentes. Quem ama não pune, pensamos. Quem ama faz vistas grossas ao pecado.

Bobagem. A história da humanidade prova exatamente o contrário. Deus não diminuiu seu amor por Adão e Eva em 1 mm (ou 1kg ou seja lá a medida que se queira usar) depois da queda. É por isso não compreendo o amor de Deus. Ele continua nos amando e provando isso a cada dia, mesmo que não seja possível para ele, por ser tão puro de olhos, ver o mal que está em mim (Habacuque 1:13). Ele não pode conviver com isso. Não suporta o pecado. Mas continua amando.

Não é injusto em condenar-me por causa do meu pecado. Mas porque me ama, providencia um meio para que nossa comunhão seja restaurada. Esta é a história da redenção.  Um Deus de toda graça provendo recursos para satisfazer completamente sua justiça e santidade.

Sem nunca deixar de me amar. </description>
				  <pubDate>22 Sep 2011 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=8142</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>A recompensa da fé</title>
				  <description>
Há décadas surgiu no meio da igreja cristã a teoria da prosperidade. Entre brados de vitória e declarações triunfalistas, passou-se a considerar o Evangelho e a fé como senhas secretas para acessar o mundo de benesses celestiais. Bênção de Deus passou a ser sinônimo de riqueza, prosperidade, saúde e luxo. Seja fiel e Deus vai te abençoar.

No entanto, esta teoria não encontra eco nas Escrituras. Deus nunca prometeu nem insinuou que seremos abençoados em função dos méritos da nossa fidelidade. Ele nos ensina a sermos fieis por nosso temor a Ele, nunca de olho no benefício.

O que dizer das pessoas que perderam a própria vida por sua fidelidade? É que ensina, por exemplo, Hebreus 11:35-39.  Não receberam em troca, nesta vida, a bonança e a prosperidade material. Bem diferente disso, diz o texto que:

    Foram torturados
    Passaram por escárnios, açoites, algemas e prisões
    Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos ao fio da espada
    Andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras
    Foram necessitados, afligidos e maltratados.


E não. Não passaram tudo isso porque não eram dizimistas fieis ou porque não sabiam fazer a confissão positiva. O texto prossegue dizendo que "o mundo não era digno deles", tamanha a grandeza do seu testemunho de fé.

O Senhor não nos abençoa por causa de nossa fidelidade, mas por causa de sua graça. A grande questão talvez esteja no nosso conceito de "bênção". Se ele não estiver ligado com o conceito de Deus, sempre teremos dificuldade com nosso sistema de mérito e obras. </description>
				  <pubDate>17 Sep 2011 10:59:47 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=8137</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Terrorismo evangélico</title>
				  <description>
Falar no inferno agora é chamado de "terrorismo evangélico". Esta crença em um céu real e um inferno real, tão contestada pelo homem pós-moderno chegou também aos púlpitos e livros cristãos. Seja na negação aberta e descarada, seja na sugestão de entrelinhas.

Ed René Kivitz, em seu livro sobre o Eclesiastes, afirma-se "tentado a concordar" com Madre Teresa de Calcutá, que dizia que "o inferno existe, mas está vazio". Esta é uma alusão ao universalismo, falsa doutrina que ensina que no final Deus vai exercer um último ato de graça e salvar a todos da condenação eterna. Não que ele não pudesse ou não tivesse direito de fazer isso, mas nesse caso a Bíblia que temos nas mãos seria uma completa farsa. Pois é ela que afirma não apenas a existência real do lago de fogo como também o apresenta como o destino inexorável daqueles que não crêem no Evangelho da graça de Deus. Não pode haver lugar no coração de quem diz crer na Bíblia e viver para pregá-la para aceitar uma aberração como esta. Nenhuma pessoa séria flerta com tamanha bobagem.

Muitos criticam aqueles que foram salvos por medo de ir para o inferno. O ideal, dizem eles, é que eles tivessem vontade de ir para o céu. Agora, pensem bem: se uma pessoa está prestes a ser tragada pelas corredeiras de um rio furioso, já sem forças para alcançar a margem, o que você acha ocupa a sua mente? Escapar da morte ou sentar-se calmamente com a família para um almoço de domingo? Você acha mesmo fora de propósito que diante da evidência da morte trágica um ser humano queira simplesmente safar-se?

Terrorismo evangélico é não avisar às pessoas da realidade do inferno. A mensagem do Evangelho é o poder de Deus para a salvação. Mas que salvação é necessária para aqueles que não estão conscientes do perigo que correm? Será mesmo melhor para eles que troquemos os avisos do risco a que estão expostos pelo blá-blá-blá da autoajuda, da filosofia humana ou da terapia de Freud?</description>
				  <pubDate>06 Sep 2011 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=8110</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>“É assim que Deus disse?”</title>
				  <description>
Entre as manias que assolam a igreja na nossa geração está a mania de questionar a Palavra de Deus.

Não é aquele questionamento genuíno, interessado em aprender, a investigação sincera de quem não sabe, mas quer descobrir. É a síndrome do comichão, tão bem denunciada por Paulo em 2 Timóteo 4:3-4. Não se trata de quem pergunta para entender, mas de quem pergunta para colocar em xeque.

São muitos os "pastores" e "ensinadores" que enveredam por esse caminho. Alguns são bem rebuscados. Sua senha de acesso são expressões como "precisamos ler a Bíblia com outros óculos", "a gente não pode ter medo de fazer perguntas" e "será que é isso mesmo"?

Alguns, por medo de perder suas bases, ainda se afirmam "conservadores". Mas não acreditam na Bíblia. Tratam-na como objeto de mera pesquisa. Para eles, a verdade não é absoluta. Ainda pregam, escrevem, dão entrevistas. Mas tem medo da verdade. Pergunte a eles o que acham de histórias como a de Jonas, dos milagres, das profecias ainda não cumpridas. Peça para que lhes responda sem rodeios se acreditam em um céu literal e um inferno literal. Peça uma resposta clara e objetiva sobre como uma pessoa pode ser salva ou sobre a segunda vinda de Cristo. Eles desviam. Mudam de assunto. Dizem (como já ouvi) que "esta não é a pergunta a ser feita".

O primeiro teólogo liberal do mundo surgiu muito antes do que se imagina. Foi o diabo, no Éden, que lançou a moda de colocar em dúvida o que Deus fala. "É assim que Deus disse?" (Gênesis 3:1), sugeriu ele à Eva. O resto da história conhecemos bem.

Várias vezes tenho ouvido a mesma pergunta nos blogs, chats e fóruns por aí afora. A pergunta que tenho a fazer não é dirigida a Deus, mas a esses: de que lado vocês estão?</description>
				  <pubDate>29 Aug 2011 12:29:51 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=8109</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Você ainda não acredita em mula sem cabeça?</title>
				  <description>
Não é lenda nem folclore nacional. A mula sem cabeça existe. Ela, inclusive, está na Bíblia. É verdade! Está no Salmo 32:9: "Não sejam como o cavalo ou a mula, que não têm entendimento mas precisam ser controlados com freios e rédeas, caso contrário não obedecem".

Já conheceu alguém que não se submete a nada e a ninguém? Que se considera livre, porque ninguém tem o direito de dizer o que é certo ou errado? Que acha esse negócio de pecado uma coisa superada? Que acha que obedecer não é uma resposta de amor, mas um subproduto da opressão? Pois esta é, precisamente, a mula sem cabeça: a pessoa que insiste em viver do jeito que acha melhor. Não que lhe falte cérebro: falta-lhe entendimento.

São pessoas assim que veem Deus apenas como um Provedor sobrenatural, cuja graça nos dá o direito de viver nossa vida de acordo com nossos mais desvairados (des)caminhos.  Não precisam do conselho de Deus, porque essa coisa de regras e de mandamentos já está superada. Segundo eles, um Deus que exige não é um Deus legal. A gente quer um Deus "mano", um Deus "maneiro", um Deus "da hora", que nos dê do bom e do melhor, sem exigir nada em troca. Porque essa coisa de "devoção" é muito legalista. Gente "cabeça" é gente que pensa e pensa o que quiser, do jeito que achar melhor.

Na verdade, quem pensa assim é gente sem-cabeça. Se esqueceram de ler o que Deus falou antes disso: "se eu instrui-lo e você seguir o meu conselho, então saberá o caminho que deve tomar" (Salmo 32:8, parafraseado).

Então, ainda não acredita? Fique esperto, ela pode estar mais perto do que você imagina. De repente ela acaba de ler este artigo...</description>
				  <pubDate>06 Jul 2011 10:59:07 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=8062</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Rui Barbosa, analfabeto!</title>
				  <description>
Amigos, uma das maiores inteligências deste país foi, sem dúvida, Rui Barbosa. Alcançou notoriedade internacional ao discursar brilhantemente em Haia, sendo por isso mesmo apelidado de "O Águia de Haia". Escritor, senador, homem brilhante, no final da vida foi perdendo gradativamente a visão. Um dia, tentava enxergar o letreiro do bonde que descia rua abaixo e, mesmo com muito esforço, não conseguia decifrar o destino do coletivo. Perguntou, então, a um homem que estava ao seu lado: "O senhor poderia me dizer para onde vai aquele bonde?" O homem respondeu incontinenti: "Desculpe, amigo, eu também sou analfabeto, igual ao senhor"...

É brincadeira? Chamar o grande Rui Barbosa de analfabeto, só porque ele não conseguiu ver o letreiro? Pois é, é a velha mania de julgar os outros pelo seu próprio contexto. Achar que todo mundo padece dos mesmos males que a gente. Se ele não consegue ler, é porque não sabe ler. Dedução rápida, lógica, porém absurda, especialmente naquele caso.

Não é assim que agimos, com frequência? Não é verdade que julgamos os outros baseados em nossas próprias atitudes, preconceitos e idiossincrasias? O marido infiel sempre desconfia da esposa, mesmo que ela lhe seja fiel. Por quê? Porque acha que ela está agindo como ele age quando está sozinho. O desonesto sempre vê perigo quando negocia. Por quê? Porque pensa que todos são trapaceiros como ele. O mentiroso desconfia da palavra de todo mundo, porque acha que todos mentem como ele. Quem costuma dar indiretas, acha que todo mundo está mandando recado para ele. E assim por diante. Muitas vezes, com a base falsa da nossa própria realidade falida, emitimos julgamentos precipitados, que podem, inclusive, denegrir e até destruir a reputação e a honra de uma pessoa.

Seria melhor que antes de darmos nosso "veredicto" sobre uma pessoa, a gente tivesse um pouco mais de maturidade. Às vezes pode ser que o nosso "mundinho", o curral apertado onde confinamos nossa experiência de vida, é pequeno demais, é mesquinho demais. Por isso, quando reduzimos os outros aos mesmos padrões de mediocridade e estagnação que nós (simplesmente porque não se conformaram com um universo tão restrito para suas vidas), cometemos tremendas injustiças no julgamento.

Acabamos achando que o Rui Barbosa é um iletrado.</description>
				  <pubDate>10 Jun 2011 11:52:35 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=7970</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Controle</title>
				  <description>
Nota: Depois de 10 anos de parceria, por decisão própria, o autor Marcos Soares não é mais colunista de irmaos.com, ou seja, ele não tem mais o compromisso de enviar artigos semanais para sua coluna aqui no site, mas continuará mantendo o blog Fazendo Discípulos onde fala de assuntos relacionados ao discipulado e esporadicamente alguns de seus textos de lá serão replicados por aqui, como este que segue.



________

Para muita gente, o sonho de controlar outras pessoas chega a ser uma verdadeira obsessão. Seja em casa ou na empresa, no trânsito ou na escola, na comunidade religiosa ou na fila do banco. Ninguém gosta de estar por perto de uma pessoa assim. Só o que não percebemos é que pode ser que essa "pessoa" pode eventualmente ser eu ou você! Queremos conquistar o mundo e controlar a humanidade. Mas esquecemos de começar com o controle de nós mesmos.

Por isso, o alerta do homem mais sábio do mundo, o grande Salomão, cai como uma luva. Se você não domina a si mesmo, ainda que consiga dominar os outros (pela imposição, pela força, pelo poder do cargo que ocupa, pela ameaça ou até mesmo pela competência ou carisma), qual é o valor disso?

Olho pela janela do escritório e vejo a extensão da bela Piracicaba. E se eu conseguisse controlar por um instante tudo o que se passa em cada uma dessas casas, fábricas, lojas e estabelecimentos governamentais que meus olhos visualizam? E se pudesse determinar o que cada um desses motoristas que passam com pressa deve fazer?

Ainda assim não seria nada, se antes disso não puder controlar o meu próprio "eu".
</description>
				  <pubDate>02 Jun 2011 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=7950</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Viver do passado</title>
				  <description>
Amigos, alguns dias atrás encontrei dois amigos com quem não falava há tempos. Nesta oportunidade, como seria normal em situações assim, falamos de muitas coisas do passado. Problemas, circunstâncias, "causos" diversos. Lembrar do passado pode ser bom, mas também pode ser deprimente. Falar de certas coisas que aconteceram com a gente em determinados momentos de nossas histórias de vida nos levam a vales e dias escuros, que Salomão avisou, seriam muitos. 

Cada vez que remexemos nosso passado corremos um grande risco: o de ficarmos atrelados a ele, travando nossa vida de uma tal maneira que não conseguimos tocar a vida adiante. Só existe uma razão para olharmos para o que já foi: tirar lições e evitar repetir os erros cometidos. Não há vantagem alguma em ficar remoendo histórias, ressentindo mágoas, buscando culpados, exigindo coisas, nem mesmo quando a gente tinha razão. O passado ensina, mas também machuca. Até mesmo os dias de glória podem ser uma fonte impressionante de desmotivação, se os deixarmos cair na vala do saudosismo improdutivo.  Aquela coisa de "Ah! Naquele tempo é que era bom!" tem um poder impressionante de drenar a energia de que precisamos para as ações necessárias para hoje, qualquer que seja a área da vida. 

Existem pessoas que tiveram uma vida terrível. Ontem ouvi uma entrevista com o roqueiro Lobão, que acaba de lançar um livro com suas memórias. Admiro sua coragem de assumir o que fez de errado na vida, apesar de não demonstrar nenhum arrependimento por isso. Não recomendo em absoluto a leitura do seu livro, mas confesso que fiquei com pena dele. Um homem inteligente, brilhante até, mas recalcado e repisado por seus traumas, medos, revoltas, desentendimentos, carregando o peso de uma vida sem sentido e sem limites, completamente dominado por um ódio indisfarçável de pessoas que lhe prejudicaram de uma forma ou de outra. Segundo ele, o lançamento de seu livro serviu para colocar para fora o que ele vinha segurando sozinho desde algumas décadas. Já tinha começado a escrever esta coluna quando vi suas declarações e não pude deixar de fazer uma conexão imediata. Uma pessoa mal resolvida com seu passado não tem chance de ser bem resolvida com o seu presente. E o futuro de alguém assim é tenebroso. 

Por outro lado, lembro de Robin Giles, uma cantora do Brooklyn Tabernacle Choir, que em um vídeo conta seu testemunho sobre como Deus reverteu seus traumas de abuso, desprezo e violência na infância e deu-lhe uma perspectiva nova pela Sua graça. Esquecer o passado, para ela, não é apagar a fita, deletar os arquivos e nunca mais lembrar de nada. Não é bem assim que funciona. Mas é conseguir superar seus temores, angústias e ódios, de modo que não seja necessário perpetuar a tristeza que ela mesmo viveu. Desse modo, ela pode ser mãe, esposa e amiga, iluminando seu mundo com a vida de Deus ao invés de fazer da vida de todos ao seu redor uma verdadeira sucursal do inferno. 

Entendo como sinal de maturidade o momento em que conseguimos falar de nossas feridas sem nos ferir novamente. Quando podemos colocar os acontecimentos idos na perspectiva correta, sem permitir que os maus determinem nossa felicidade e afetem a paz do nosso novo dia. Aprender com o que se foi, mas nunca nos deixar engolfar pelo passado. Todos tivemos nossos dias maus. Todos nós um dia confiamos em alguém que alguma maneira nos traiu ou nos deixou na mão. Já tivemos expectativas frustradas, sonhos desfeitos, relacionamentos pulverizados. Paciência. Não vai resolver nada remoer indefinidamente essas memórias, porque a vida continua. A fila anda e a calendário muda. Aliás, muda todo dia. A nós cabe simplesmente virar a folhinha e continuar.

Dou graças a Deus porque Ele nos permite viver um novo dia.  Dou graças a Deus porque Ele nos dá a chance de deixar para trás da nossa existência aquilo que não deu certo, mesmo quando fomos nós os responsáveis pelos fracassos que colecionamos. Desta vez, reafirmei uma decisão que já estava tomada, mas que valeu a pena ratificar: não quero viver atrelado ao passado, como se dele dependesse para alguma coisa.  Verdade é que muitas coisas que fizemos terão cá suas conseqüências deste lado da existência. Verdade é também que precisaremos resolver pendências que ficaram, tal como Jacó e sua briga com Esaú. Mas caso não seja para isso (e convenhamos, nem sempre isso é possível, porque não depende só de nós), não há vantagem nenhuma em repisar nossos momentos sombrios. Bastou termos que vivê-los. Revivê-los é pedir para sofrer de novo. Não vale a pena. 

Não permita que as cordas do passado sejam amarras que sufoquem sua vida. Isto não seria justo com você mesmo, não vai lhe ajudar em nada e não vai fazer com que sua vida brilhe da maneira como ela foi projetada para brilhar. Um dia desses alguém ironicamente me perguntou se eu achava que havia um "complô" contra mim. Pensei um pouco sobre isso e concluí o seguinte: ainda que haja e que o mundo inteiro estivesse voltado contra mim, jamais poderia permitir que este motivo suficiente para me tornar amargo, desanimado ou triste para sempre. 

Porque num novo dia nos é concedido a cada manhã, no mesmo instante em que as misericórdias de Deus se renovam sobre nossas vidas. 

Vivo por elas. </description>
				  <pubDate>09 Feb 2011 11:06:15 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=7691</link>
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				  <item>
				  <title>O limite do mal</title>
				  <description>
Amigos, um dia ou outro na vida você deve ter assistido a esses programas de TV que dramatizam crimes passionais. A história se repete como num clichê: um homem dizendo-se perdidamente apaixonado por uma mulher que o rejeita, vai enchendo a medida de sua ira e perversidade até que acontece a tragédia: assassina a esposa ou ex-esposa (que em geral demora muito tempo para se afastar dele, temendo o pior, que acaba acontecendo). É o chamado "amor patológico", que prefiro chamar de covardia e egoísmo. Quase sempre, um sentimento de posse gera um ciúme doentio, de onde provém um sentimento de vingança pela perda: "se você não for minha, não será de mais ninguém". A pessoa, então, dominada por esses terríveis sentimentos que cabia a ela controlar, age impulsivamente e é capaz de fazer loucuras. Ameaça, agride verbalmente, depois fisicamente, mata, tenta o suicídio. Em geral, para mostrar que não é assim tão doido, o autor descontrolado escapa. Afirma que não poderia viver sem ela, mas fica vivinho da Silva para continuar sua vida, enquanto destruiu a da esposa e seus familiares. 

Cada vez que nos deparamos com esta situação, e são lamentavelmente bem comuns, ficamos a pensar como é possível que um ser humano chegue às raias da insanidade, da estupidez e da inconseqüência por estar de tal maneira controlado por sentimentos tão vis e desprezíveis. Do que é capaz uma pessoa que age por instintos egoístas, levando em conta apenas a sua vontade pessoal, seus gostos ou caprichos? 

Ontem, enquanto assistia a mais uma dessas histórias, me ocorreu um pensamento inquietante, mas esclarecedor. É que sentimentos como o ciúme, a inveja, a cobiça, se não tratados adequadamente, transformam-se mesmo em bombas-relógio de altíssimo poder de destruição para qualquer um de nós. Isso não acontece só no caso de maridos mal-amados. Acontece até nas igrejas. Você nunca viu um caso de uma pessoa que falou besteira, que fez coisas inacreditáveis, que tomou atitudes que nem um descrente teria coragem, só por que alguém fez sombra para ele? Já viu gente jogando tudo para o alto porque sua opinião foi descartada? Digo mais: ciúme de um homem por uma mulher já é perigoso e nojento, mas você não imagina o que é capaz de produzir o ciúme de um homem por outro homem. Quando isso acontece, pode se esperar de tudo. Ciúme de homem é uma arma de destruição em massa!

Pior ainda, o ciúme a inveja quando exercidos por alguém que tem ou julga ter poder nas mãos, seja o poder econômico, político, pastoral (poder pastoral???) ou de qualquer outra sorte, sempre produz trágicos, porque tal a influência, maior o alcance. Vidas são destruídas, reputações são jogadas na lata do lixo, campanhas sórdidas são empreendidas, via telefonemas na calada da noite, produção e distribuição farta de boatos por e-mails, cartas, publicações etc. Não se poupa ninguém. Nem família, nem filhos, nem ministério nem nada. Quando o ciúme e a inveja produzem seu fruto diabólico, o inferno é o limite. Só quem já passou por isso sabe do que estou falando.

Não apenas o ciúme faz isso. Você pode já até ter sido vítima de alguém que se sentiu ferido no seu orgulho. Por exemplo, existem pessoas na igreja que não admitem que eles não sejam procurados antes de qualquer outra pessoa quando alguém precisa de um conselho. Sentem-se preteridas e começam a alimentar um desejo cego de vingar-se dos que recebem maior credibilidade do que eles. Nunca pararam para se perguntar por que isso ocorre. Se foi pela traição da confiança de outros no passado, se foi porque eles nunca conseguiram cuidar nem mesmo de seus próprios e mal resolvidos passados, se foi porque não conseguem aplicar adequadamente os conceitos bíblicos à realidade e assim por diante. 

A inveja também mata e faz matar. É por causa dela que uma pessoa copia o que os outros fazem e depois reproduz como se dela fosse. Na tentativa amalucada de conseguir o prestígio que supõe ter os outros, são capazes de fazer qualquer coisa. É a inveja que os leva a caluniar, depreciar o caráter e as intenções dos que são melhores do que eles. Nem uma heresia é mais satânica do que isso. 

E assim, aqueles homens que foram colocados à frente do rebanho para cuidar, apascentar, alimentar, socorrer e conduzir os filhos de Deus na dura lide desta vida, acabam se tornando, na verdade, seus algozes. É inimaginável o que é capaz de fazer uma pessoa que se deixa levar e dominar por esta maldade. Não é difícil encontrar quem age assim tentando se justificar com a Bíblia na mão, citando textos fora de contexto para dizer que fizeram a coisa certa.

Então, quando você for perseguido, caluniado, desprezado, expulso, afastado ou até ameaçado por alguém, analise primeiro a sua consciência, a ver se não deu algum motivo. Se concluir que o problema é que você brilha mais do que os outros gostariam, dê de ombros e siga a vida. Se preciso, afaste-se de quem age assim, antes que você se fira. 

E bola pra frente. Não vale a pena conviver com assassinos, seja dos que são capazes de dar um tiro ou dos que são capazes de não amar a seu irmão (1 João 3:15).</description>
				  <pubDate>01 Feb 2011 00:26:57 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=7673</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Ainda sobre o ano novo</title>
				  <description>
Amigos, já estamos na terceira semana de 2011. Não se fala mais de novas resoluções, dos alvos para o ano novo. As férias vão terminando, as filas no pedágio da Imigrantes começam a diminuir e a rotina recomeça. E assim, naturalmente tudo ou quase tudo volta para onde estava em dezembro. Aquele regime, aquela caminhada, aquela matrícula no curso de inglês, entre outras decisões de menor ou maior envergadura, peso, prioridade e consequências, podem ter sido sumariamente esquecidas depois da noite de reveilllon.

Então resolvi escrever esta coluna para dar um cutucãozinho em meus prezados leitores e suas decisões de final de ano. Se você está  em dia com seus alvos, muito bem. Caso contrário, este artigo é  para lhe lembrar que alvos que não saem do papel, não importa quão nobres ou elevados possam ser, de nada valem. A não ser para atestar a nossa incompetência e falta de disciplina.

Sempre deixamos para depois o que deveria ter sido feito hoje. Aliás, é bem possível que algumas coisas ficaram para agora justamente porque estavam na pauta do ano anterior mas foram postergados. Desculpas foram apresentadas, justificativas habilmente criadas. Já tinham sido inadiáveis um dia e mesmo assim foram adiadas.

Então, mais uma vez é hora de tomar vergonha e atitude. Comece hoje mesmo a leitura cronológica da Bíblia. Retome hoje mesmo sua atividade física abandonada há semanas. Ligue para aquele seu amigo ou amiga com quem ficou de começar o programa de discipulado. Termine logo aquele livro que ficou pela metade. Arrume as gavetas que estão em condição lastimável. Evangelize aquele seu vizinho com quem você trocou algumas palavras sobre a dificuldade de criar filhos. Marque aquela visita com o cliente potencial que ficou de pensar na proposta. Passe na Associação dos Jornalistas para registrar seu diploma. Já se passaram três semanas desde que o ano começou. Ele não vai ficar esperando você se mexer. O calendário segue sua marcha implacável. Daqui a pouco estamos no Carnaval e em seguida na Páscoa. Até os Estaduais já começaram de novo. E quando menos você esperar, estaremos novamente fazendo resoluções para o ano das Olimpíadas de Londres.

Só há um dia que nos pertence: é o dia que se chama "hoje". Ontem já passou. Amanhã não sabemos se será nosso. Então, é para hoje mesmo. Não é que seja tudo para hoje. Não daria. Nos deixaria exaustos e frustrados. É só para começar hoje. Só para tirar da prancheta. Neste que será o primeiro dia do resto de nossas vidas, faça alguma coisa. Não deixe que esse finalzinho de ano se torne improdutivo. Se tiver alguma coisa para resolver, que comece já.

Adiar sempre nos parece ser a melhor opção. Isso porque sempre achamos que vai haver um "depois". Contamos que uma melhor oportunidade nos será concedida. É uma pena que nem sempre acontece. E como sempre tenho dito nesta coluna, a única coisa que você jamais consegue recuperar é o tempo perdido. Dinheiro, saúde, relacionamentos, tudo isso se ganha de novo. Mas tempo não. O que passou, passou. Nem mesmo os dezoito dias deste ano que mal começou podem voltar a acontecer. Por isso, se já começou errado, corrija enquanto é tempo. Quer dizer, não há mais tempo de corrigir. O lance é ter que usar o hoje melhor do que usou o ontem.

Remir o tempo, mandamento de Paulo apóstolo inspirado por Deus, é uma arte. É bem mais fácil gastá-lo mal do que bem. Todos nós, ricos ou pobres, cultos ou ignorantes, altos ou baixos, gordos ou magros, bonitos ou mais bonitos, brasileiros ou argentinos, recebemos a mesma cota todos os dias: 24 horas. São as mesmas, no Chile, no Havaí ou em Angola. Ninguém pode reclamar que lhe falte ou que alguém recebeu a mais. Só os mais sábios é que são capazes de fazer com que o mesmo período de tempo entre um dia e outro produza mais e seja mais digno de ter sido vivido. O que diferencia uma pessoa eficiente de outra não é o tempo que ela tem disponível, mas o que ela é capaz de fazer com ele.

Então, antes que fique tarde demais, dê um jeito na vida. Pare de dar desculpas e comece a ir atrás de soluções.</description>
				  <pubDate>19 Jan 2011 00:10:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=7641</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Deus fica bravo?</title>
				  <description>
Amigos, há um número relativamente grande de pessoas que defende uma tese antiga: Deus é um velhinho de barba branca e comprida, sempre afagando crianças que pega no colo e sempre correndo desesperadamente atrás do homem pecador. Este Deus caricato nunca fica bravo. Nunca se irrita, nunca fala alto e em hipótese nenhuma faria qualquer coisa para desalojar o ser humano do seu trono antropocêntrico. Nem é preciso dizer que um Deus como esse jamais criaria uma coisa tal como um inferno de fogo, onde pecadores impenitentes passariam a eternidade. Um lugar como esses não faz o menor sentido para os que crêem num Deus como esse. Durante toda a minha vida ouvi esse lenga-lenga: Deus sempre arruma um jeitinho para nos livrar das encrencas em que nos metemos.

A questão é que sempre ouvi isso de pessoas que não conheciam a Deus, nem a revelação que Ele faz de si mesmo nas Escrituras. Eram pessoas que não tinham a iluminação do Espírito Santo, mas ainda permaneciam escravizadas às suas crendices religiosas. Elas tinham ouvido falar certas coisas sobre Deus e, uma vez que era exatamente o que lhes interessava, repetiam exaustivamente até que, pelo menos para elas, aquilo se tornasse verdade. A solução para tais pessoas era sempre a mesma: o Evangelho da graça, que aponta para realidades mais amplas sobre Deus e sobre a condição do ser humano afastado dele.

O que espanta hoje em dia é que esta mesma ladainha agora faz parte também do cardápio que é distribuído de cima dos púlpitos dos que se autoproclamam "evangélicos". Já vi gente que se diz inclusive "conservador" (não sei bem o que isto quer dizer atualmente) dizer que toda tentativa de apresentar um Deus irado contra os pecadores, com prerrogativas de contra eles tomar vingança, punir e botar ordem na casa, é um retrocesso histórico e cultural. É "fruto do puritanismo norteamericano", dizem. Há "pastores" e "mestres" que não hesitam em mandar brasa: "não acredito num Deus que destrua ou mate; se eu descobrir um Deus como este, não apenas o rejeito como me disponho a lutar contra ele" foi a frase ouvida num seminário evangélico por um grande e confiável amigo meu, proferida da boca de um desses.

Nunca acreditei em apologética no sentido de "defender a verdade". Digo isso porque penso que Deus não precisa de defesa. Ele nunca se preocupou em arrazoar científica ou filosoficamente com os intelectuais. Simplesmente ele entra em cena e acabou. Para aqueles que crêem, mesmo sem condições de compreender tudo o que lhe diga respeito, dada a limitação natural de ser humano, Deus faz sentido por si só. Agora, gostaria que os defensores do "Deus velhinho de barba branca", que não têm coragem de chamar a atenção nem a uma mosca, pudessem explicar alguns textos que estão na minha Bíblia e insistem em lá permanecer (apesar de jeitosamente esquecidos na pauta dos pregadores de hoje). Se Deus é só amor, só paixão e compaixão, se ele só quer saber mesmo é de morrer de amor e jamais se ira a ponto de se indignar e tomar atitudes drásticas contra o pecado e os pecadores, como explicar Sodoma e Gomorra? Como explicar o dilúvio? Como explicar a invasão e destruição dos cananeus? Como você encaixa o "Velhinho-de-Barba-Branca" no Salmo 2:5: "Na sua ira lhes há de falar, e no seu furor os confundirá", a respeito do que Deus vai fazer com os povos que desprezam a Jesus, o Ungido do Senhor?

Ah, pois não. Esse é o Deus do Velho Testamento. É o Deus dos puritanos. É o Deus dos fundamentalistas, atrasados, ultrapassados. Quando veio Jesus, tudo isso mudou. Agora é tudo paz e amor. Pois sim. Inegavelmente, a cruz de Cristo é a maior expressão de amor e graça de que este mundo teve notícia. Mas você já leu o que Deus diz a respeito daqueles que não aceitam esse amor demonstrado pela morte do Senhor por eles? Os adeptos do "Deus paz-e-amor" já leram, por exemplo (e note que agora estamos no Novo Testamento, já na era pós-encarnação e pós-morte de Jesus), Hebreus 2:2,3:




"Pois se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu justo castigo, como escaparemos nós, se descuidarmos de tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi- nos depois confirmada pelos que a ouviram."




Ainda em Hebreus12:28-29:

"Pelo que, recebendo nós um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e temor; pois o nosso Deus é um fogo consumidor."

E o que dizer de 1 Tessalonicenses 2:

"... quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder em chama de fogo, e tomar vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus; os quais sofrerão, como castigo, a perdição eterna, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder."

E 2 Pedro 3:5-8:

"Pois eles de propósito ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste; pelas quais coisas pereceu o mundo de então, afogado em água; mas os céus e a terra de agora, pela mesma palavra, têm sido guardados para o fogo, sendo reservados para o dia do juízo e da perdição dos homens ímpios."

E o livro de Apocalipse, com toda a tenebrosa descrição do juízo que será despejado aos baldes sobre a terra e seus moradores rebeldes, é ficção? É poesia?

A crítica que ouço é que "os puritanos gostam mais desses versículos do que daqueles que falam do amor de Deus". Muito bem. Antes de mais nada, não sou puritano e sei que a ênfase que foi dada a este aspecto das Escrituras pode ter sido desproporcional. Não nego isso, mas também não estou discutindo isso. A questão em tela é que este ensino não é "dos puritanos". É da Bíblia. Tem o mesmo peso e o mesmo valor de "Deus prova o seu amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós sendo nós ainda pecadores" ou "Nada pode nos separar do amor de Deus" ou "Deus amou o mundo de tal maneira que Deus seu Filho unigênito para que todo o que nele crê tenha a vida eterna". Embora cada um de nós possa, por diversos motivos, identificar-se mais com este ou com aquele texto, nenhum de nós tem o direito de omitir ou se esquivar daquilo que foi deixado para nossa advertência. Não temos que dar nem mais nem menos ênfase a este ou àquele atributo da divindade. Labora em erro quem faz qualquer uma dessas coisas.

Existe um Deus que ama e ama de verdade. Tanto que nos enviou Seu Filho amado para fazer-se carne, habitar entre nós e resolver o problema do pecado definitivamente. Este mesmo Deus é um Deus totalmente santo, tão puro de olhos que não pode ver o mal, segundo Habacuque 1:13. É o mesmo Deus a quem pertence a vingança e que retribui o mal feito, segundo Romanos 12:19. Não são "Deuses" diferentes. Um não é o Deus puritano e o outro neo-liberal e pós-moderno. Um não é o Deus da "religião" e o outro da "liberdade de uma espiritualidade mais descolada". Só existe um Deus, que convive equilibradamente com estes aspectos, de tal maneira que nenhum deles pese de forma desproporcional ou injusta. O que passar disso vem do maligno.

Não  é de admirar que quem ainda não O conhece duvide de que isto é possível. Quem anda com o Deus verdadeiro pela fé não tem dúvida a respeito disso.

De que lado você está?

 </description>
				  <pubDate>10 Jan 2011 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=7630</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Não há limites para a criatividade</title>
				  <description>
Amigos, nos anos 90 tive uma livraria evangélica. Foi um tempo muito interessante, que de certa maneira modificaria minha vida para sempre. Muitas reflexões, novos horizontes abertos, tempo de aprender coisas novas, especialmente a convivência com irmãos e irmãs preciosos que tinham outra história na sua caminhada de fé. Descobri, para meu espanto, que havia vida fora dos meus arraiais. Foi, a meu juízo, a época mais marcante na minha vida com Deus até hoje. Hora de firmar meus próprios conceitos e valores, de investigar o que cria e as razões porque cria. Para confirmar algumas teses e para rejeitar outras. Para encontrar algumas respostas e para fazer um monte de outras perguntas. Algumas até hoje sem resposta, diga-se de passagem.

O mercado literário evangélico começava finalmente a desabrochar, com muitos autores brasileiros e uma leva nova de estrangeiros sendo traduzida para o português. Como tudo na vida, saía muita coisa boa e veio junto muita porcaria também. Foi, por exemplo, o auge da teologia da prosperidade. Vieram os dentes de ouro, o cair no Espírito e diversas outras maluquices. Cheguei a ver em Rio Claro, onde morava na época, espetáculos de hipnose gospel. Tudo, é claro, super em nome de Jesus.

Aquela década foi pródiga na produção de uma geração a que costumava chamar de "crentes de congresso". Nada de compromisso com ninguém. Começou ali o questionamento sobre a necessidade de se manter vínculo formal com uma comunidade especifica. Houve, por isso, uma proliferação de eventos evangélicos, alguns de proporção gigantesca, que serviam a todos os gostos e tendências teológicas. Para cada assunto, um Encontro. Para cada tema, um Congresso. Para cada preferência, uma revista. E assim foram se multiplicando seminários para homens, para líderes, para mulheres, workshops de louvor e adoração, dança, pintura e sapateado, congressos de Ação Social, de Missão Integral, triangular, quadrangular, quadrada e redonda. Tinha de tudo para todos. Nunca se vendeu tanto livro, tanto VHS (só depois viriam os DVDs). Houve um verdadeiro boom de novas editoras e uma corrida quase desenfreada das existentes na busca de fenômenos de venda. Autores até então desconhecidos viraram celebridades. Passaram a escrever por encomenda. Uma loucura. Bíblias de estudo, então, foi uma festa. Só faltou a Bíblia do Corintiano. As outras, tinha.

Foi quando a mídia eletrônica começava a despontar e assistimos à formação de líderes exóticos, outros mais bem apessoados, intelectuais, com um discurso revolucionário, mas filosófico, tentando apontar caminhos e soluções para males antigos e encalacrados no seio da igreja brasileira. A Internet engatinhava por aqui, mas a TV e as rádios comunitárias viravam febre. Com todo esse arsenal, sem comparação com a atual, foi possível notar a erupção de líderes e tendências nacionais, que gostavam de falar em nome dos "evangélicos". Nada muito original, porque sempre acabamos virando sucursal de antigas teses revisitadas com roupagem verde-e-amarela. Alguns desses líderes caíram, outros desistiram e outros começaram a inventar respostas para as perguntas que eles mesmos tinham feito.

Deixei o ramo no ano 2000. Fiquei uma década meio afastado desse burburinho. Acompanhei à distância algumas novas barbaridades e delírios. Parece que a década passada foi mais afeita a unções e apostolados. E agora, no início da nova, a moda são os teólogos de blogs, vlogs e Twitter. Surgiram novos nomes, novas "bolas-da-vez". Os tsunamis e terremotos abalaram mais do que a crosta terrestre. Abalaram a fé de alguns, que andam lendo mais Niestzche, Sócrates e Platão do que a Bíblia. A onda do momento entre os intelectualoides de plantão é flertar com repisadas heresias, bem antigas e empoeiradas por sinal, mas para quem come pela mão dos outros, uma grande novidade: agora, Deus não é mais onisciente, ele não pode tudo, ele está limitado a isso ou aquilo. O Evangelho da Bíblia não serve mais do jeito que está. Foi reduzido a algo como "tradição judaico-cristã". O Cristianismo é uma religião como qualquer outra, que apenas se arvora num livro supostamente autoritativo, mas que, convenhamos, não pode ser assim tão absolutista, porque isso não combina com a mente do homem pós-moderno. Nada de coisas muito definitivas. Cada um pode ter a sua teologia, já que a verdade é relativa.

Acima de tudo, há um verdadeiro fascínio na pregação atual pelo "outro". É "outro evangelho", "outra teologia", "outra espiritualidade", "outro Deus", "outra leitura das Escrituras". Agora é lindo colocar em dúvida o que Deus falou. Essa é a moda atual. Vamos questionar. Vamos começar de novo. Tudo está errado. É tudo interpretação puritana. Bem, não é de hoje que se faz isso. Aliás, o primeiro teólogo que veio com essa conversa de "é assim que Deus disse?" foi a serpente no jardim do Éden. Pode parecer muito descolado, intelectual, articulado e moderno. Mas é tão antigo quanto o diabo, porque na verdade tem a mesma origem.

Pode parecer incrível, mas não é surpreendente, uma vez que já tínhamos sido avisados por Paulo, é que essas teorias cheias de discussões que saem do nada e chegam a lugar nenhum, tentando explicar o inexplicável, colocar fim ao problema do mal, reduzir a um tubo de ensaio a preexistência de Deus, sempre encontrariam espaço. Foi a respeito de supostos mestres como esses que Paulo alertou a Timóteo na sua primeira carta. Chamou a atenção a seu filho na fé para não perder tempo com discussões insensatas, que se baseavam (preste bem atenção no termo) em OUTRA DOUTRINA, ocupando-se de "fábulas  e genealogias sem fim, que antes promovem discussões do que o serviço de Deus na fé." (1 Tm 1:3-4). Esses homens do tempo de Paulo, à semelhança dos atuais, sempre encontram ouvidos dispostos a considerá-los. Não lhes faltam ouvintes nem seguidores. (2 Tm 4:3). O que lhes falta não é plateia, mas assunto e simplicidade bíblica. Falta-lhes a coragem de dizer, como Jó, ao final da sua saga de busca e sofrimento: "Na verdade, eu falei de coisas que não entendia, coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia" (Jó 42:3). Porque muito pior do que não conseguir explicar é querer falar daquilo que não sabe.

Não os inveje. É preferível ser uma voz que clama no deserto, mas com uma mensagem que venha da parte de Deus, do que uma multidão de gente a lhe aplaudir enquanto os diverte com filosofias humanistas que vieram e que voltarão para o fundo do inferno.

Pouco se me dá se você acha meu discurso pouco elaborado, pouco intelectual ou abaixo da crítica. Quem não concorda com eles é "fundamentalista". Quem crê no Evangelho da Bíblia, agora está crendo em "teologia norte-americana". Rotule à vontade.

Prefiro crer na verdade, ainda que com muitas dúvidas, do que, cheio de convicções, acreditar na mentira.</description>
				  <pubDate>04 Jan 2011 14:33:06 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=7620</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Conselhos bacanas para 2011</title>
				  <description>
Amigos, chego ao fim de mais um ano com uma novidade totalmente inesperada. Fui quase que compelido a entrar na onda do Twitter. Cedi à pressão. Confesso que me sinto desconfortável e até um tanto envergonhado, mas é assim que é. Então, despeço-me dos meus queridos leitores usando a tática que estão me obrigando a aprender: tentar dizer alguma coisa que faça sentido usando frases pequenas, de no máximo 140 espaços.  

Mando, então, meus singelos conselhos para o ano próximo. É possível que eles serão válidos para o resto de sua vida. Mas o contrato de originalidade me obriga a nunca mais dizê-los desta forma. Por isso, guarde-os com carinho. São seis apenas. E para não cansar nessa época de tantas coisas para fazer, serei breve. Estilo blog. Lá vão.  

    Pague todas as suas contas, mas fique devendo amor.
    Assuma suas responsabilidades, mas não se deixe sufocar por elas.
    Ria muito, divirta-se, mas não se permita ser frívolo por um só  segundo.
    Trabalhe bastante, mas deixe espaço para desfrutar do seu resultado.
    Conquiste e prospere, mas nunca deixe de lado a generosidade e o bem.
    Creia em Deus, ainda que em meio a muitas dúvidas.


Feliz ano novo.  

Daqui a pouco a gente se vê em janeiro.</description>
				  <pubDate>29 Dec 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=5149</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Retrospectiva</title>
				  <description>
Amigos, chega a época dos programas especiais na TV para rever tudo o que foi importante ou notícia, mesmo que sem importância, durante o ano que passou. É hora de relembrarmos as tragédias, os Tiriricas, os Felipes Melos, os Dungas, o Sem-Ter nada do Corinthians, os Hugos Chavez, os mineiros do Chile, os terremotos, as inundações e outros momentos marcantes, pelo sim ou pelo não. Para dizer a verdade, sou fã desses programas. Não sei exatamente explicar qual é a atração que estas reprises exercem, mas no mundo inteiro elas são sucesso absoluto de audiência.

Um bom exercício seria se a gente fosse capaz de ir filmando nossa vida de maneira que depois do Globo Repórter especial de dezembro cada um de nós pudesse rodar seu próprio roteiro e lembrar de tudo o que aconteceu. Não para comparar com ninguém. Apenas para chegarmos à conclusão sobre se saímos de 2010 melhores ou piores do que entramos.

Do ponto de vista financeiro, isso é fácil. Ao fazer sua declaração do exercício presente, em março do ano que vem, você vai perceber claramente se seu patrimônio ficou maior ou menor, se acabaram as grandes dívidas ou se elas ainda permanecem. Se o carro ficou mais novo ou mais velho. Assim por diante. Mas existem coisas que não são medidas assim tão facilmente. E para falar a verdade, são as coisas mais importantes. São aquelas que ficam para sempre.

Por exemplo, já imaginou se pudéssemos saber se aumentamos o nosso amor, nossa gentileza, nosso companheirismo, nossa camaradagem e nossa solidariedade? Já pensou se no filme que rodamos, nos quais cada um de nós é o ator principal, a gente ficasse sabendo que em janeiro ganhamos mais dois amigos de verdade, que em fevereiro reatamos aquele relacionamento interrompido no ano anterior por uma desinteligência qualquer, que em março nos tornamos pais mais atenciosos e em abril, mais do que chocolate, demos atenção a pessoas que dela precisavam?

Não  é desse jeito que funciona, eu sei. Mas dentro dessa imagem, posso imaginar o sorriso no rosto de Deus à medida que o filme vai correndo. Ele já sabia de tudo, ele não precisa de memória, mas certamente ficaria muito feliz. E como ele não é o Papai Noel, que só traz presente para pessoas boazinhas e riquinhas, mas o Papai do Céu, que trata a todos por meio da Sua graça, ele iria perceber em cada uma daquelas atitudes um pouco da Sua própria natureza. Veria que o tempo não nos foi vão. Que crescemos, que soubemos aproveitar as oportunidades, que conseguimos refletir um pouco melhor a sua imagem e semelhança. Que nosso caminhar como discípulos de Jesus fez alguma diferença: ficamos mais parecidos com Ele.

E isso seria usado para explicar aos céticos e inquiridores a respeito de como é que Deus faz para combater o mal: multiplicando o bem através de pessoas transformadas pela graça eterna e divina, manifesta um dia numa cruz no Calvário, escândalo para uns, loucura para outros, mas para aqueles que crêem, a única esperança de salvação.

Se por acaso, e certamente haveria de ter, surgissem pedaços impublicáveis, cenas censuradas ou até mesmo filmadas com raiva, sem foco, difusas e tremidas, que nos trariam vergonha só de olhar, penso que Deus balançaria o rosto pensativo. Não disposto a fazer de conta que não tinha acontecido nada, mas esperando muito que a edição pudesse ser feita. Nada que uma confissão sincera, um arrependimento genuíno e um pedido honesto de perdão não iria consertar, apagando para sempre.

Faça esta análise. Entre na próxima década de pé direto, de pé  esquerdo, de pé quebrado ou até sem pé. Mas entre de alma lavada.

No sangue do Cordeiro.

Feliz 2011!</description>
				  <pubDate>28 Dec 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=5131</link>
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				  <title>Então é Natal!</title>
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Um choro de bebê corta a noite escura. É o nascimento mais esperado da História da humanidade. Um menino nos nasceu. Não apenas a seus pais, mas a todos nós. Um Filho se nos deu, posto que já  existia desde a eternidade. Foi gestado por nove meses no ventre de uma mulher virgem, mas era esperado e anunciado por milênios.

Era, como se cuidava, filho de Maria e de José. Mas seus pais sabiam a história inteira. A verdadeira versão é inacreditável aos céticos, simplista aos intelectuais, alienante aos filósofos, assustadora aos poderosos, descabida aos religiosos. Não é questão de ser Natal, é questão de ser Jesus.

O menino é Emanuel. Deus Conosco. O Eterno e Todo-poderoso Criador e Sustentador do Universo agora está envolto em panos, deitado numa cocheira em um desconhecido estábulo na periferia na insignificante Belém de Judá. Sua mãe daqui a pouco vai amamentá-lo. Vai trocar suas fraldas. Vai dar banho e depois mimá-lo com canções infantis, embalando seu sono. Quem poderia imaginar um Deus Soberano cabendo num pequenino corpo humano em desenvolvimento? Suas pequenas mãozinhas de recém-nascido contraem-se num espasmo típico. Um dia, elas sustentarão o peso dos pecados do mundo inteiro. Mas nessa noite, elas ainda dependem totalmente dos cuidados de Maria.

E o menino é tomado nos braços pelo homem piedoso e conhecedor dos desígnios de Deus: "Agora posso morrer em paz, porque meus olhos viram a tua salvação". Não era apenas mais um garotinho judeu cumprindo o ritual sagrado da religião dos seus antepassados; Ele é o Sol nascente das alturas. Enquanto tantos ainda buscam nos astros a direção para suas vidas, ele é o Criador que ilumina e energiza todo o Universo.

E o menino cresceu. Da manjedoura foi ao Egito, do Egito a Nazaré. Aprendeu o ofício de seu pai e até os 30 anos tornou-se um reconhecido carpinteiro. Todos queriam seus serviços, porque ele era profissional do tipo que não engana, não enrola, não mente e cobra o justo. Nunca houve erro nas suas palavras nem nos seus atos.

Então, o menino já homem feito, passa a manifestar o verdadeiro sentido e propósito da sua vida. Ele, que tinha tudo para se tornar uma celebridade, fazer fama e sucesso, torna-se um Mestre revolucionário para pessoas simples. Seus ensinos não são como o dos demais rabinos de sua época. Ele tem autoridade no que fala, porque vive o que prega. Sua pregação exige um alto padrão de comprometimento: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue; dia a dia tome a sua cruz e siga-me". Nada menos do que isso. Para seguir Jesus ou você aceita-o por completo e se envolve totalmente, ou você não serve.

Chega o dia. Ele veio para dar vida em abundância. Mas para isso, ele tem que dar a sua própria vida. Falar do Natal sem falar da Cruz é  o mesmo que contar a história de qualquer outro ser humano. Porque se Ele tivesse nascido como nasceu, vivido como viveu, mas não tivesse morrido como morreu, não haveria esperança, nem salvação, nem futuro para a raça humana.

E o homem Jesus foi crucificado num monte chamado Calvário. Foi submetido à vergonha, à zombaria, ao desprezo, às dores indescritíveis. Mais ainda, foi desamparado pelo Pai, com quem teve desde sempre ampla, geral e irrestrita comunhão e amizade. Entregou seu espírito. Morreu. Foi baixado da cruz e colocado num túmulo novo.

Mas esse também não era o fim da história. Ao terceiro dia, Jesus ressuscitou. Quebrou as cadeias da morte e saiu vitorioso daquele lugar, que absolutamente não combinava com o Autor da vida. Ele está vivo. Deus o coroou e o fez Senhor e Cristo. Ao nome de Jesus todo joelho tem que se dobrar, nos céus, na terra e debaixo da terra. Não há outro nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos.

É tempo de celebrar. Não o Natal. Não os presentes e as festas. Nem mesmo o menino deitado numa manjedoura.

Mas o Salvador.</description>
				  <pubDate>22 Dec 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=5123</link>
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				  <title>Estamos ganhando tempo</title>
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Amigos, o que escrever num final de ano que saia do lugar-comum? Como não falar do balanço do período findo e projetar novos propósitos para o seguinte? Como escapar da constatação de que mais um ano está acabando, que tudo passa rapidamente e nós voamos? Então, se não há outra coisa que se possa fazer para deter a marcha do tempo, vamos a ela.

Deus é eterno. Para ele não existe passado ou futuro. Ele não precisa de relógio nem de calendário. Sua infinitude descarta o tempo. Nós  é que precisamos dele. Não foi por outra razão que ele estabeleceu luzeiros no firmamento, "para fazerem separação entre o dia e a noite, para serem eles para sinais, para estações, para dias e anos" (Gênesis 1:14). Estava criado o sistema que usamos até hoje para contar o tempo. Em linguagem leiga, diríamos que uma volta da Terra em torno do seu próprio eixo e temos um dia. É a tal rotação. Uma volta da Terra em torno do Sol e temos um ano. É a abençoada traslação. De acordo com a inclinação do eixo de rotação da Terra, temos as estações. Que beleza! Não faltei às aulas de Física do Cosenza... Como não há nada de novo debaixo do sol, tem-se que desde que foram criados, pela Palavra de Deus, estes astros estão em perfeita sincronia. Salvo o dia em que a Terra parou para Josué acabar o serviço que estava fazendo, sempre acontece a mesma coisa. Todos os dias têm 24 horas, todas as semanas têm 7 dias, todos os meses têm 4 semanas e todos os anos têm 12 meses. Por que, então, a cada fim de ano a gente acha que o tempo está passando mais depressa ou que nosso dia precisaria ter 28 horas?

Pense bem em quantas coisas temos hoje à nossa disposição que supostamente foram criadas para nos permitir economizar um tempo lascado. Alguns de vocês nem se lembram mais disso, mas já houve época em que para fazer uma ligação interurbana era necessário tirar o fone do gancho (meu Deus, o que é isso??), pedir linha para uma telefonista e dizer o número para o qual você queria ligar, em geral composto de 3 dígitos. Se fosse interurbano, você pedia a ligação e esperava algumas horas para que ela fosse completada. Eu me lembro quando em viagem aos Estados Unidos na década de 90 presenciei pela primeira vez na minha vida uma ligação a um celular, em plena estrada. Parecia ficção científica. Hoje, bem, hoje você não só fala, como faz uma infinidade de coisas com um aparelho celular na mão. Pode fazer tanta coisa que acaba perdendo tempo com uma série de atividades completamente frívolas e sem proveito que servem somente para um coisa: perder tempo. No mínimo paradoxal.

Há não muito tempo, se você quisesse escrever alguma coisa a um amigo, namorada, esposa, se estivesse viajando e quisesse contar como estava o passeio, você teria que sentar, escrever, colocar em um envelope, ir até o correio e enviar. Agora, basta digitar uma frase de 140 caracteres e clicar. Seu amigo recebe vídeo, foto, frases mal escritas, mas frases etc. Muito mais rápido. Mas como isso é tão legal, tão fascinante, tão moderno, acabamos ficando o dia inteiro fazendo só isso. E, para nosso espanto, descobrimos que não temos mais tempo de visitar nossos amigos. No mínimo patético.

Sem contar que houve coisas que criamos para ganhar em tempo que nos fizeram perder em outras coisas. Por exemplo, há algum tempo, se quisesse experimentar uma boa e saudável refeição, teria que usar alimentos frescos e cozinhá-los de maneira relativamente lenta, num fogão de 4 bocas. Claro, isso é coisa definitivamente do passado. Agora é só abrir um daqueles empanados de frango (que de frango mesmo só tem o nome, as penas, bicos e toda a titica que sobrou depois de retiradas as partes nobres), colocar no microondas e pronto. Ou então ir a uma praça de alimentação e se empanturrar de fast-food, acompanhado de uma bela dose de refrigerante aguado. Engula rápido e volte para o ringue, companheiro. Você ganhou tempo no almoço, mas para quê? No mínimo, doentio.

Se você quisesse fazer amigos, tinha que estar disposto a conhecer pessoas, conviver com elas, descobrir quem elas eram de verdade. Isso levava tempo. Meses, anos, décadas até. Agora não. Não temos tempo. Tem um jeito mais fácil e rápido. Crie um apelido, esconda sua verdadeira identidade e passe a falar o que vem na sua cabeça. Dispute ferrenhamente quantos seguidores você tem no Twitter ou quantas visitas foram feitas ao seu blog. Muito mais rápido. Muito mais simples. Muito mais instantâneo. Muitos "amigos virtuais". Mas para quê? No mínimo, preocupante.

O fato concreto é que acabamos ficando escravizados justamente pelas coisas que prometiam nos libertar. Estamos ganhando tempo enquanto, perdemos a vida.

Feliz ano novo.</description>
				  <pubDate>20 Dec 2010 00:19:16 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=5118</link>
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				  <title>Espiritualidade para o ano que vem</title>
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Amigos, entramos no derradeiro mês da primeira década do Terceiro Milênio. Para aqueles que achavam que tudo acabaria no ano 2000, nota-se que as previsões terão que ser refeitas. Na verdade, nada impede que esta era acabe ainda antes do fim deste ano. Se isto acontecer, o fim do mundo estará mais próximo e, para nós, cristãos, a fatura estará quitada. Se não acontecer e Deus nos conceder que ainda vivamos neste Planeta por mais algum tempo, talvez seja prudente reavaliar nossa agenda e redefinir nossas prioridades.

Percebo que alguns temas entraram definitivamente na pauta dos cristãos evangélicos. Tenho dito a amigos próximos que temos feito excelentes perguntas, mas talvez estejamos endereçando nossas dúvidas às pessoas erradas. Filósofos sabem fazer perguntas, mas raramente conseguem dar respostas convincentes. Não tenho dúvidas de que foi por este motivo que o apóstolo Paulo recusou-se a dar aos gregos o pretenso saber que tanto buscavam. Igualmente não quis entrar na pilha dos judeus místicos, que queriam sinais e maravilhas. As duas pontas são instáveis e não podem constituir a base da nossa fé.

Vejo com apreensão uma tentativa de embrulhar o Evangelho com um papel bonito e atraente, para torná-lo palatável e relevante à mente do homem pós-moderno. Há um engano fatal neste empreendimento. Uma coisa é compreender a mente do homem atual e endereçar a mensagem de forma inteligente a este homem. Outra coisa, completamente diferente, é tentar amoldar o Evangelho inegociável de Jesus às filosofias e tendências que freneticamente assolam a mente humana. Quando os únicos a aplaudir o que dizemos são aqueles que deveriam se opor a ele, alguma coisa está errada. Não há nenhuma necessidade de buscar uma "nova espiritualidade", como propõem os iluminados redescobridores da roda, que ocupam o espaço supostamente progressista do povo evangélico da atualidade. Alguns, aliás, consideram-se grandes pensadores, mas estão mascando bobagens antigas e repisadas. Nem são originais. Quem lê inglês, vai saber de onde tiram cada linha que cospem por aqui, antes que alguma editora resolva traduzir e publicar.

O grande diferencial do Cristianismo sempre foi exatamente sua capacidade de ser uma mensagem de confronto absoluto. Você nunca vai ouvir qualquer dos apóstolos tentando mostrar a compatibilidade entre o Evangelho da Cruz e a filosofia, o misticismo ou qualquer outra teoria humana. Simplesmente porque eles representam água e óleo. Não se misturam. Não têm nada em comum. Inglória é a tarefa daqueles que querem manter o pé em duas canoas. Mais cedo ou mais tarde vão cair no lago, para vergonha e miséria deles e de seus seguidores.

Acontecem dois problemas fundamentais na mente de quem aplaude esses abutres da teologia: primeiro, eles não conhecem o Evangelho. Conhecem alguns fatos isolados, mas não conhecem a essência da mensagem apostólica. Se conhecessem, não aplaudiriam tão entusiasticamente aqueles que, usando a Bíblia, propõem uma união de forças, reduzem o cristianismo verdadeiro a uma religião (ainda que, para tentar justificar sua posição, afirmem que é uma religião "diferente"). Se conhecessem, não veriam nada de positivo naquilo que Deus rejeitou. Esta postura só se justifica por aqueles que querem agradar gregos, troianos e diabólicos. Quem quer agradar a Deus não pode se preocupar em "ser respeitado" nem em "ser aceito" por quem quer que seja. Segundo, aplaudem porque estão ouvindo o que querem ouvir. Estão doidos para ter o que consideram o melhor dos dois mundos: querem a salvação de Deus, sem ter o compromisso com Deus. Querem viver suas vidas do jeito que acharem melhor, sem ter ninguém que os possa deter. Esta mensagem rala que vem sendo pregada traz no seu bojo exatamente esta proposta.

Lamento profundamente que haja tantos holofotes voltados para estes safados travestidos de pastores. Lamento que se chame de "espiritualidade" esta mistura nojenta e incompatível, que tenta colocar no mesmo caldeirão a Bíblia (que é chamada por esta corja imunda de "autoridade máxima", ao mesmo tempo em que é sorrateiramente negada como verdade absoluta), a filosofia, a sociologia, a psicologia, o capitalismo e a tolerância - aliás, tolera-se tudo, menos os absolutos da Palavra de Deus. Coloca-se tudo no mesmo nível. O discurso é ortodoxo. Quem escuta o que eles dizem até acham que eles acreditam mesmo na Bíblia como a revelação maior e autoritativa da parte de Deus. Mas quando você vai olhar por baixo da casca, você vai perceber que não é bem assim. Para essa gente, não importa se a vela está acesa para Deus ou para o diabo. O que importa é acender a vela. Esta é a espiritualidade que interessa a eles. É isto que os fascina. Nem chegam a cogitar que Deus abomina a vela também. Mas, que importa? Não podemos falar nisso, porque isso, para estes falsos mestres, nada mais é do que "uma insensata discussão religiosa".

Quero buscar uma espiritualidade para o ano que vem que não mude depois do ano que vem. Que tenha referências seguras. Que seja uma âncora para a alma. Quero experiências novas com Deus, que possam ser vividas a cada dia, mas não quero ficar ao sabor das tendências dos teólogos de blog, que são craques na comunicação, mas que são uma lástima no conteúdo. Não surpreende que tenham tantos admiradores. Vivemos a época em que vale mais o número de seguidores no Twitter do que o conteúdo que tenham a oferecer. Enquanto Paulo se revoltou com a idolatria ateniense, pastores atuais voltariam de lá pregando "a beleza da diversidade cultural grega".

Chegou a hora de decidirmos que caminho vamos seguir. Embora tenha certeza de ser minoria, não me importo em deixar bem claro que sigo outra estrada, bem diferente desta que vem sendo proposta. Eu a rejeito com todas as minhas forças, ainda que vá sozinho.</description>
				  <pubDate>10 Dec 2010 12:42:46 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=5102</link>
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