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			  <title>irmaos.com - Missão Integral</title>
			  <description>Textos da seção Missão Integral</description>
			  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?coluna=missaointegral</link>
			  <language>pt-br</language>
			
				  <item>
				  <title>A possibilidade de passar pelo sofrimento sem sofrer</title>
				  <description>
Jesus, o Cristo, passou por um sofrimento enorme e sem precedentes, desde que, antes da fundação do mundo, se esvaziou, assumindo a forma de servo (Fp 2.5-7), o que foi manifestado na cruz, por amor de nós (1Pe 1.18-20).

Jesus Cristo passou pelo sofrimento, mas, sem sofrer! Isto é, Jesus passou pelo sofrimento, mas, não conjugou o verbo sofrer.

Quando a gente conjuga o verbo sofrer, a gente traz o sofrimento para o espírito, a gente passa a se definir pelo sofrimento. A dor física e a tristeza, inerente ao sofrimento, passam a ser a identidade da gente. A vida passa a ser uma lamúria e a gente passa a se definir a partir do sofrimento por que passou ou passa, carregando-o para sempre como uma carteira que se mostra quando se quer falar de si.

Jesus nunca se permitiu a isso, diante da tristeza frente à  truculência do sofrimento, e à traição e abandono dos seus alunos,  ele continuava a afirmar que a sua vida ninguém tomava, ele a entregava para a reassumir (Jo 10.17,18).  Era ele quem partia o pão e distribuía o cálice da nova aliança (1Co 11.23-26). Ele, e não o sofrimento a que se submeteu, é que estava como sujeito de sua história.

Jesus, por causa desse protagonismo nunca negociado, pode dizer, no momento de dor e de abandono mais intensos: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." (Lc 23.34) - a frase que sustenta o Universo.

Se Jesus tivesse conjugado o verbo sofrer, amaldiçoaria aos seus algozes e à toda a humanidade. A tentação de conjugar o verbo sofrer, de tornar o sofrimento na sua identidade foi vencida por Jesus o tempo todo; ele sempre manteve a sua identidade fundamentada em seu relacionamento com o Pai: "... sabendo este que o Pai tudo confiara às suas mãos, e que ele viera de Deus, e voltava para Deus, levantou-se da ceia, tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela" (Jo 13.3,4)

Que boa notícia: a dor e a tristeza, inerentes ao sofrimento, não têm, necessariamente,  de tomar o espírito e redefinir a identidade de quem passa pelo sofrimento! E, depois da queda, viver é passar pelo sofrimento, porque este foi, por nós (Gn 3.17), tornado o ambiente onde toda a história se desenrola.

O mais triste, quando o sofrimento se torna a identidade da gente, é que tudo e todos passam a ser julgados ou analisados a partir do que se entende ter sofrido.

A reação da gente passa a ser, sempre, reação àquele sofrimento que sequestrou a identidade da gente, qualquer ser humano, o outro, desaparece, vira algoz ou salvador, mesmo nunca tendo participado do que sofremos, ou, mesmo que tenha sido instrumento de Deus na vida da gente algum dia, inclusive, nos ministrando ou socorrendo no momento do sofrimento. Nada mais isenta o próximo, todo mundo estará sob "júdice" , e, como disse o compositor: "Qualquer desatenção, pode ser a gota d"água." A gente passa a gostar do martírio!

Na Paixão, Jesus, o Cristo, nos demonstra como passar pelo sofrimento mais atroz sem conjugar o verbo sofrer. Nos ensina como sofrimento algum pode nos roubar a identidade, nem tirar de nós o privilégio e a responsabilidade de ser o sujeito da nossa história. Aleluia!</description>
				  <pubDate>31 May 2011 14:28:06 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=7949</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Tanto luto!</title>
				  <description>
Rio de Janeiro, Escola Municipal Tasso da Silveira, jovem, de 23 anos, invade escola, onde estudou, e atira nos alunos, a maioria entre 7 e 14 anos. Mata e fere muitos., até que, atingido por um policial, se suicida.

Quantos matou, quantos feriu? Se fosse apenas uma criança já seria muito, tanto que nenhum número esgotaria. Quantos seres humanos tombam de uma forma ou de outra quando um ser humano é abatido? E quantos, por isso, não terão oportunidade de existir?

Começam as perguntas sobre o porquê. Como um ser humano faz algo assim? E corre-se atrás das explicações.

Como um ser humano pode ser capaz de tal atrocidade? É a pergunta que ecoa. Como? Ouço e me pergunto: do que estamos a falar?

Só os seres humanos fazem isso com a sua própria espécie: franco-atiradores; homens-bomba; Treblinka; Auschiwitz; Guantanamo; Sistema Presidenciario Brasileiro; Carandiru; Torres Gêmeas; Revolução Cultural Chinesa; Política Stalinista; Hiroshima;  Nagasaki; Ruanda; Serra Leoa; Kosovo; Incêndio de Ônibus com passageiros ou Fuzilamento de Seres Humanos colocados dentro de um ônibus! E mais quantas guerras e atrocidades poderiam ser enumeradas? Só seres humanos fazem isso!

Só os seres humanos se sentem seguros, apenas, quando podem matar o próximo. Só os seres humanos chamam a isso de paz.

Quantas doenças ou religiões ou ismos teremos de evocar para dar sentido às barbáries humanas?

O que há por detrás de tanta barbárie? Nós: Seres humanos. Nós!

Ao chorar por essas crianças, choramos também por nós, por todos nós indistintamente. Precisamos perceber que nosso grande desafio somos nós mesmos. Perceber que há maldade em nós. Precisamos cuidar melhor de nós. Precisamos de zelo pela dignidade humana; de acesso a saúde em todos os sentidos, desde sempre: de uma escola onde um garoto estranhamente diferente possa ser ajudado enquanto é tempo.

Precisamos que todo o esforço não seja para, meramente, melhorarmos na vida,  mas, para que a vida melhore em nós.

O que me consola é saber que Deus, segundo Jesus de Nazaré, está lutando por nós, o gênero humano. Que tanto luto não mate a esperança.</description>
				  <pubDate>08 Apr 2011 11:08:30 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=7875</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>A ação social e o conceito cristão de salvação</title>
				  <description>
Ortega y Gasset, filósofo espanhol, disse: "Eu sou eu nas minhas circunstâncias." Se ele está certo, a salvação de um ser humano deve passar, "conditio sine qua non" pelo resgate de seu contexto. Ou seja, a salvação da pessoa importa, necessariamente, no câmbio de seu ambiente. Essa dimensão para a salvação está presente no conceito cristão de salvação.

Tal proposição está refletida no que me parece ser o significado mais profundo da oração: "Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra, como no céu." A salvação do ser humano e de todas as demais criaturas não se completará enquanto o ambiente não for renovado.

Para a fé cristã, um ser humano salvo é alguém que foi arrancado do inferno e teve o inferno arrancado dele, o que significa que triunfou sobre suas fraquezas, vícios, pecados e traumas; foi transformado em alguém semelhante a Jesus de Nazaré, em quem vimos Deus como é e o ser humano como o deve ser, tendo os seus dons e talentos desenvolvidos, e onde exercitá-los com plena liberdade; é plenamente comunitário; desfruta de todos os direitos humanos em todas as áreas: espiritual, psicológica, econômico-financeira, educacional, profissional, social e política. Assim, salvação é ação social no sentido mais profundo porque é o resgate do ser e de suas circunstâncias.

Por onde Deus começou o que chamamos de salvação?

Quando a raça humana rompeu com Deus, rompeu consigo mesma, uma vez que "nele vivemos, e nos movemos, e existimos" (At 17.28) pois, perdeu o "locus" da existência e o direito à mesma. Quando fomos criados o Criador, por coerência, estava moralmente comprometido com a nossa sobrevivência, porém, quando o deixamos, devolvemos-lhe o privilégio à vida. Então, por que continuamos nela? Só o pode ser por desejo do Senhor. 

Seria o desejo do Altíssimo de criar, entretanto, motivo suficiente para infringir o princípio da justiça quebrado, por nós, em nosso ato de rebelião? Não, o seu caráter não o permitiria, logo, algo foi providenciado: "Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram,  mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós."  (1 Pe 1.18-20). O sacrifício do Cristo foi a providência! E aconteceu antes da fundação do mundo.

A Trindade sabia o tempo todo do passo que daríamos, e foi em frente mesmo assim. A criação foi uma ação social, uma vez que a existência de tudo deve-se à insistência divina em criar o que precisaria de salvação. A graça deflagrada a partir do sacrifício prévio, e, que é comum a todos os homens, não só permitiu a nossa criação, como impediu que fossemos dominados pela maldade, inerente ao estado de ruptura com Deus inaugurado por nós, mantendo-nos, assim, na existência, emprestando-nos a bondade de Deus e concedendo-nos prazer de viver:  "O qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria." (At 14.16,17). O que explica a presença de atributos divinos - como: amor, amizade, senso do belo, senso de justiça - em pessoas que nem consideram Deus.  A graça tornou possível a criação e a restauração de todas as coisas, e a irrupção do novo céu e da nova terra, onde a justiça habitará. A graça é Deus em ação social!

Ação social é o movimento em favor do resgate da dignidade do ser humano, o que implica, necessariamente, no câmbio das circunstâncias onde o ser humano é. Uma ação social conseqüente levará à instituição de um estado de bem-estar para todos. Para além da transformação espiritual da pessoa, fruto do encontro com o Cristo, e que é ato pessoal, inalienável e intransferível. Deus é o patrono disso.

 </description>
				  <pubDate>28 Oct 2010 11:17:31 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=5014</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Força para viver</title>
				  <description>
Viver é muito perigoso... Porque aprender a viver é que é o viver mesmo... Travessia perigosa, mas é a da vida. Sertão que se alteia e abaixa... O mais difícil não é um ser bom e proceder honesto, dificultoso mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até o rabo da palavra.

Viver é muito perigoso, dizia Guimarães Rosa pela boca do memorável Riobaldo. A vida tem mesmo seus altos e baixos e, além da dificuldade de saber a direção, falta a cada um a força e a competência de seguir em frente. Os obstáculos se multiplicam. A vida é contingente: cheia de imprevistos e surpresas, boas e ruins. Uma proposta para morar longe, um diagnóstico inesperado, a chegada de um bebê, um assalto, um desmoronamento, o cancelamento do vôo, a festa de aniversário, os amigos ao redor da mesa e a demissão inesperada. Além disso, a doença da mãe, o imposto de renda, as aventuras dos filhos e o sobrepeso, obesidade mesmo, denunciada pelo espelho e pela calça que já não se usa mais. E tem também a teimosia dos vícios, as dores da alma, a insegurança emocional, os conflitos relacionais, a culpa, o medo, a ansiedade e a síndrome do pânico - ai que medo. Tem que arrumar o quarto, buscar a roupa na lavanderia, votar para presidente e superar o divórcio. O show não pode parar. E porque viver é muito perigoso, aprender a viver é imperativo.

Como enfrentar a travessia? Já que navegar é preciso e viver não é preciso, como dizia o poeta português. Viver é necessário. É preciso viver, não há que desistir da vida. Mas viver é perigoso, justamente porque não é preciso - não é exato. Não é possível singrar a vida como quem corta os mares. A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar, mas eis que chega a roda viva e carrega o destino pra lá, disse o Chico brasileiro.

Acho que foi por isso que o sábio Salomão começou a escrever seu Eclesiastes. Queria aprender a viver. Dedicou o coração para saber, inquirir e buscar a sabedoria e a razão das coisas. E concluiu que a verdade está no distante e profundo. A vida é mistério. Viver continuará sendo sempre perigoso.

Então apareceu Jesus. Não negou a contingência da vida, nem iludiu os seus com promessas falsas e fantasiosas. Mas apontou um caminho. Apresentou seu Pai aos homens e os homens ao seu Pai. Autorizou todo mundo a buscar, usar e abusar de seu Pai.

Jesus disse a todos: Chamem pelo Abba. Ele os ouvirá. Falem com ele em meu nome. Batam na porta. Busquem. Peçam. Gritem. Importunem meu Pai, de dia e de noite. A porta se abrirá. Vocês acharão o meu Pai. Vocês receberão respostas. Serão recompensados pela sua busca, jamais ficarão sem galardão. Meu Pai é atento e cuidadoso. Meu Pai é bom. Meu Pai é amor. Não tenham medo dele. Não se escondam dele. Não fujam dele. Corram para os braços dele. Ele cuida de flores e passarinhos. Vai cuidar de vocês. Sigam os meus passos. Foi o que fiz. Fechem a porta do quarto e façam suas orações. Eu atravessei a vida de joelhos. E venci. Eu venci o mundo, eu venci o mal, eu venci a morte. E vocês também poderão vencer. Não desistam. Não tenham medo. Viver é perigoso. Mas a graça do meu Pai é maior que vida.</description>
				  <pubDate>05 May 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=4797</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Em que mundo você vive?</title>
				  <description>


Como você completaria a frase "eu vivo num mundo..."?

Não sei em que mundo você vive. Talvez o seu mundo seja descrito com palavras como belo, maravilhoso, perfeito. Ou, quem sabe, palavras como caótico, assustador, injusto. Não sei em que mundo você vive. Mas eu vivo em um mundo marcado pelo sofrimento humano.

Deus tem uma resposta para esse mundo marcado pelo sofrimento, e a resposta de Deus é a igreja de Jesus Cristo. A primeira resposta de Deus não é uma explicação teórica, teológica ou filosófica. A resposta de Deus é uma ação. Primeiro, enviando Jesus - "não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele" João 3.16,17, e, depois, enviando a igreja, nas palavras de Jesus: "Assim como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo" João 17.17; João 20.21.

Esta é a razão porque Jesus adverte seus discípulos a respeito da possibilidade da irrelevância da igreja. É por meio da igreja que Deus atua no mundo que se decompõe e apodrece - a igreja é sal da terra. É também por meio da igreja que Deus ilumina um mundo em trevas - a igreja é luz do mundo. Mateus 5.13-16.

A igreja é o sinal histórico do reino de Deus. Isto é, é por meio da igreja que Deus está presente no mundo. Mas a igreja pode fracassar em sua vocação. Pode ser um sal que perdeu o sabor e pode ser uma luz escondida. A advertência de Jesus é estímulo para a reflexão. A pergunta que devemos fazer é: de que maneira a igreja se torna sinal do reino de Deus?

A igreja é necessariamente uma comunidade de doadores. A igreja é a comunidade cujo requisito essencial para ingresso é a conversão ao Evangelho de Jesus Cristo ou, se preferir, à própria pessoa de Jesus Cristo. Isso significa que a condição imprescindível para que alguém faça parte da igreja é a experiência de negar a si mesmo. Isso significa que a igreja é essencialmente a comunidade daquele tipo de gente que não vive mais para si mesma Mateus 16.24-26; 2 Coríntios 5.14,15.

Diante da vulnerabilidade que é viver em um mundo marcado pelo sofrimento, onde ninguém está blindado contra a tragédia, as contingências e infortúnios da vida, a segurança possível não está na posse de riquezas e na vida egoísta, individualista e centrada em si mesmo. A segurança de que precisamos para viver em um mundo marcado pelo sofrimento está em Deus. Mas também está na comunidade dos seguidores de Jesus, aquele universo de pessoas que vive, não mais para si mesmo, mas para a comunhão, em que todos se ajudam mutuamente a superar o mal e a atravessar o dia do sofrimento com dignidade. Na igreja, a comunidade dos seguidores de Jesus, encontramos socorro e consolo, pois a igreja, a comunidade da solidariedade e da compaixão, é a resposta de Deus para um mundo marcado pelo sofrimento.


 </description>
				  <pubDate>28 Apr 2010 11:47:47 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=4796</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>O céu pode se abrir</title>
				  <description>
"Por essa razão, ajoelho-me diante do Pai, do qual recebe o nome toda a família nos céus e na terra. Oro para que, com as suas gloriosas riquezas, ele os fortaleça no íntimo do seu ser com poder, por meio do seu Espírito, para que Cristo habite no coração de vocês mediante a fé; e oro para que, estando arraigados e alicerçados em amor, vocês possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus. Àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós, a ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre! Amém!" Efésios 3.14-21

Orar é colocar-se de joelhos "diante do Pai, do qual recebe o nome toda a família nos céus e na terra", e clamar pela ministração do seu poder. Orar é buscar a força do poder para fortalecer nosso ser interior. Orar é um ato de rendição ao poder de Deus que atua em nós. Orar é clamar pela manifestação da "incomparável grandeza do poder de Deus [...] Esse poder ele exerceu em Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o assentar-se à sua direita, nas regiões celestiais" Efésios 1.19,20. A oração, portanto, é o momento quando estão em perspectiva a sexta-feira da paixão, o sábado de aleluia e o domingo da ressurreição.

A sexta-feira da paixão de Cristo representa o momento máximo da prepotência humana, que opta por "matar Deus", encarcerar as possibilidades da vida numa cruz sanguinolenta e cruel e aprisionar o universo nos limites estreitos e funestos das capacidades da criatura, em detrimento dos horizontes eternos do Criador. A sexta-feira da morte de Jesus na cruz do Calvário aponta para um mundo em plena e total escuridão. O inferno está em festa e o mundo condenado ao sofrimento e ao horror dos poderes da morte e da destruição. O mal mostra suas garras e os poderosos deste mundo tenebroso assumem o controle do mundo e da vida-morte.

O sábado chamado de aleluia é o dia seguinte da morte de Deus. Mas é também o dia anterior da ressurreição do seu Cristo. Os discípulos de Jesus são comunidade da esperança: aguardam a ressurreição. Mas uma comunidade encerrada entre as paredes do medo, da covardia e da morte da utopia, razão suficiente para sua passividade. No mundo sem Deus a esperança não tem vez nem voz.

Mas o sol se levanta no domingo da ressurreição. E com ele se ergue das cinzas o Deus que "é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos". Ninguém imaginaria ou conceberia algo assim: o frágil e humilhado homem de Nazaré era mesmo Deus. Nem mesmo o inferno imaginou que seu pseudo poder seria desmascarado justamente ao se mostrar absoluto, pois caso soubesse que na cruz de Jesus pendia o Cristo de Deus, jamais se atreveria a tal afronta [1Coríntios 1.8]. Na cruz do Calvário se manifesta o mistério da redenção, nas palavras de John Owen: "a morte da morte na morte de Cristo", pois na ressurreição de Jesus "tragada foi a morte pela vitória", e agora podemos cantar: "Onde está, ó morte, a tua vitória. Onde está, ó morte, o teu poder de ferir?" 1 Coríntios 15.54,55.

A oração é fala de quem acredita que as nuvens tenebrosas se dissipam no ar. É declaração de quem crê que o inusitado pode acontecer, o inesperado pode irromper, o novo pode surgir a qualquer momento. Orar é acreditar que a história pode encontrar caminho de vida. A oração é a palavra final de quem, juntamente com Cristo, amanheceu no domingo da ressurreição.</description>
				  <pubDate>21 Apr 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=4778</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Passagem para a vida</title>
				  <description>
Corria o ano de 1983 e eu cursava o terceiro ano do curso de bacharel em teologia oferecido pela Faculdade Teológica Batista de S. Paulo. A disciplina era Religiões, seitas e heresias, e o programa constava de levarmos representantes das tais seitas e religiões para que nos apresentassem suas heresias, de modo que, após sua explanação, pudéssemos argui-los e, depois, já com os preletores ausentes, promovermos a correção das ditas heresias. Naquela noite recebemos um padre católico para nos apresentar a Teologia da Libertação. O padre foi breve e simples. Riscou uma linha de alto a baixo, dividindo o quadro negro em duas metades. Escreveu as palavras vida e morte, uma em cada metade. Depois, propôs uma brincadeira, como se todos os alunos fossem de primeira série. Disparou uma série de palavras e pediu que indicássemos onde deveriam ser escritas: no lado da vida, ou no lado da morte. As palavras foram mais ou menos as seguintes: aborto, fome, emprego, saúde para todos, violência, prostituição infantil, terra para plantar, inferno, moradia, doenças, perdão de pecados, amor, opressão econômica, graça, tráfico de drogas, vingança, ódio, reconciliação, pão, criança de rua, família, divórcio, favela, esgoto a céu aberto, medicina, educação, e assim por diante. Quando o quadro estava preenchido dos dois lados, recitou em voz alta as palavras de Jesus Cristo: "Eu vim para que tenham vida, e vida completa". Encerrou com um comentário: "Jesus veio para nos oferecer tudo o que está escrito no lado vida, e nos convocar para lutar contra tudo o que está escrito no lado morte. Isso é Teologia da Libertação".

Naquela noite me converti ao que mais tarde vim a conhecer como Cristianismo de Libertação, na expressão de Michel Lowy. Uma compreensão do Evangelho que engloba diferentes leituras teológicas, como, por exemplo, a Teologia da Libertação e a Teologia da Missão Integral, que surgiram nas décadas de 60 e 70 na América Latina, mas também os movimentos avivalistas e missionários, como, por exemplo, o ocorrido na Inglaterra de John Wesley e na Morávia de Nicolau Von Zinzendorf. O Cristianismo de Libertação é não dualista, isto é, não separa espírito e matéria, corpo e alma, tempo e eternidade. No Cristianismo de Libertação, a salvação em Cristo implica a vitória sobre a morte em todas as suas dimensões, desde a história para a eternidade - o reino de Deus que foi inaugurado aqui e se consumará ali.

Foi também na minha juventude que ouvi um pregador afirmando que "quando o selo do absoluto romano foi rompido no domingo da ressurreição, ficou decretado que, não apenas a morte, como também todos os agentes promotores e mantenedores da morte, haviam sido definitivamente vencidos pela erupção da vida".

Assim celebro, desde a minha juventude, a vida abundante prometida por Jesus a todos os que se abrem para o sopro da vida do Espírito Santo de Deus. Vida que se derrama sobre todos e cada um, bem como sobre todas as casas, vilas e cidades, e também nações, fazendo com que a terra se encha do conhecimento da glória do Senhor como as águas cobrem o mar. </description>
				  <pubDate>11 Apr 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=4761</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>A família</title>
				  <description>
E aí... Esperando o Messias? Perguntou o Samaritano.

Claro! Respondeu o Sacerdote.

Então, vem aí o Messias para por Israel sobre tudo e sobre todos? Provocou o Samaritano.

A maioria pensa assim, meu amigo, mas estou chegando a outra conclusão, disse o Sacerdote.

Opa! Você saiu da caixa, mesmo! Instigou o Samaritano.

Exato! Eu estou retomando a questão da Imagem de Deus, disse o Sacerdote.

Ah sei! A Thorah[1] ensina que fomos feito à Imagem e Semelhança de Deus. Inclusive, parece que isso tem a ver com o fato de que: como Deus, somos seres racionais e cônscios de nós e do outro, assim como moralmente responsáveis, por causa da permissão que temos para decidir sem restrição. Por isso Deus nos julga e julgará, emendou o Samaritano.

Eu também pensava assim, mas estou mudando de ideia, disse o Sacerdote.

Como? Você acha que tem mais do que isso? Questionou o Samaritano.

Veja! Essas qualidades, que você alistou, os anjos também têm. Também são racionais, basta acompanhar os diálogos angélicos encontrados no texto sagrado, também têm consciência de si e do outro e há anjos do mal, o que implica em que houve algum tipo de julgamento, porque perderam o seu estado natural. E, se houve julgamento, são, também, seres moralmente responsáveis! Acrescentou o Sacerdote.

Então, a gente tem de ter algo que eles não têm, afirmou o Samaritano.

Exato! Você sabe dos dois conceitos que há, na língua hebraica, que, embora traduzidos por um, único, ou unidade, em outras línguas, no hebraico têm diferença entre si? Perguntou o Sacerdote.

Sim, conheço, as palavras "echad" e "yachid". A gente usa "yachid" quando quer falar de peça única, como em uma pedra, e usa "echad" quando quer falar de unidade necessariamente acompanhada de outras, como em um cacho de uvas, por exemplo, completou o Samaritano.

Pois, você já notou que quando Moisés fala que Deus é único, no chamado à adoracao no Deuteronomio 6.4, ele usa a palavra "echad"? E que, quando fala, no Gênesis 1.24, que Deus disse que o homem deve deixar pai e mãe e se unir à sua mulher, e que, quando isso acontece, se tornam uma só carne, também usa a palavra "echad" para designar o efeito da comunhão entre homem e mulher? Perguntou o Sacerdote, denotando emoção.

Rapaz! Isso é de impressionar! Você está a dizer que é na constituiçãoo da família que nos tornamos imagem de Deus? Diz o Samaritano.

Não ao nos constituirmos família, mas, no fato de sermos família. A gente não pode esquecer que Moisés nos ensinou que somos uma família, nós, todos os seres humanos, de todas as nações, viemos de um único casal: somos uma só família. Estou dizendo que somos imagem e semelhança de Deus, porque somos uma só família. E, cada um de nós, o é, porque nasceu nessa família, dessa família e para viver por essa e nessa família, completou o Sacerdote.

Sim, pode até ser, mas isso se perdeu! Veja o nosso caso, somos de nações irreconciliáveis! Aliás, nem na família a gente vê isso! Anotou o Samaritano.

Pois é! Isso que eu penso que o Messias fará: conciliará todas os seres humanos e todas as nações, fazendo ressurgir a família humana, assim a imagem e semelhança de Deus reaparecerá! Exclamou o Sacerdote.

Lindo! E isso é muito mais do que restaurar a Israel! Todos seremos contemplados! Mas, você, ao dizer isso, não está dizendo que Deus, também, é uma família? Inquiriu o Samaritano.

É. Ou, no mínimo, unidade acompanhada, necessariamente, de outra ou outras. Eu percebo que Moisés insistiu em falar de Deus no plural. Assim como insistiu em dizer que nós, humanos, somos uma só criação, porque Deus só manipulou o barro uma vez, e só soprou uma vez, e que Adão, disse ele no Gênesis 5.1-2, era o nome do casal e não do macho, de modo que, quando Deus passeava no jardim, e chamava por Adão, o casal se apresentava a Ele, disse o Sacerdote.

Você está a dizer que Deus é uma família? Insistiu o Samaritano.

Bem... Acho que ainda não consigo dizer isso, mas estou profundamente incomodado com essa possibilidade[2], replicou o sacerdote.

Bom, meu amigo, você já me deu muito para pensar; a gente se vê. E saiu o Samaritano.

 </description>
				  <pubDate>09 Apr 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=4755</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>As marcas da institucionalização da Igreja (2)</title>
				  <description>
A igreja tem duas dimensões: organismo e organização, corpo místico de Cristo e instituição religiosa, que convivem e se misturam enquanto fenômeno histórico e social. O grande desafio é fazer a dimensão institucional diminuir para deixar o organismo espiritual crescer. O que se observa hoje, entretanto, é um movimento contrário, onde muitas comunidades cristãs caminham a passos largos para a institucionalização, sem falar naquelas que estão com os dois pés fincados no terreno da religiosidade formal. No artigo anterior foram apresentadas cinco marcas da institucionalização da igreja. Seguem mais cinco:

6. Exagerados apelos financeiros. Consequência de toda a estrutura necessária para sua viabilização, os ministérios institucionalizados precisam de dinheiro, muito dinheiro. As pessoas, aos poucos, deixam de ser rebanho e passam a ser mala-direta, mantenedores, parceiros de empreendimentos, associados. 

7. Rede de relacionamentos funcionais. A mentalidade "massa sem rosto" somada ao apelo "mantenedores-parceiros de empreendimentos" faz com que as relações deixem de ser afetivas e se tornem burocráticas e estratégicas. As pessoas valorizadas são aquelas que podem de alguma forma contribuir para a expansão da instituição. Já não existe mais o José, apenas o tesoureiro; não mais o João, apenas o coordenador dos projetos Gideão, Neemias, Josué, ou qualquer outro nome que represente conquista, expansão e realizações. 

8. Rotatividade de líderes. Não se admira que muitos líderes ao longo do tempo se sintam usados, explorados, mal amados, desconsiderados e negligenciados como pessoas. O desgaste de uns é logo mascarado pelo entusiasmo dos que chegam, atraídos pela aparência do sucesso e êxito ministerial. Assim a instituição se torna uma máquina de moer corações dedicados e esvaziar bolsos de gente apaixonada pelo reino de Deus. O movimento migratório dos líderes de uma igreja para outra é feito por caminhões de mudança carregados de mágoas, ressentimentos, decepções e culpas. 

9. Uso e abuso de conteúdos simbólicos. A institucionalização é adensada pelos seus mitos (nosso líder recebeu essa visão diretamente de Jesus), ritos (nossos obreiros vão ungir as portas da sua empresa) e artefatos (coloque o copo de água sobre o aparelho de televisão), enfim, componentes de amarração psíquica e uniformidade da mentalidade, onde o grupo se sobrepõe ao indivíduo e a instituição esmaga identidades particulares. Os símbolos concretos (objetos, cerimônias repetitivas, palavras de ordem) afastam as pessoas do mundo das ideias. Quanto mais concretos os símbolos, mais amarrado e dependente o fiel. 

10. Falta de liberdade às expressões individuais. Ministérios institucionalizados, personalistas, dependentes de fiéis para sua manutenção financeira e psicologicamente amarrados pelos conjuntos simbólicos não são ambientes para a criatividade e a diversidade. Todos brincam de "tudo quanto seu mestre mandar, faremos todos" e, inconscientemente, acabam se vestindo da mesma maneira, usando o mesmo vocabulário, gestos e linguagens não verbais. Seus rebanhos são compostos não apenas por "massa sem rosto" e "mantenedores-parceiros de empreendimentos", mas também por "soldadinhos uniformizados", o que aliás, é a mesma coisa.

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				  <pubDate>04 Apr 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=4748</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>As marcas da institucionalização da Igreja (1)</title>
				  <description>
A igreja tem duas dimensões: organismo e organização, corpo místico de Cristo e instituição religiosa, que convivem e se misturam enquanto fenômeno histórico e social. O grande desafio é fazer a dimensão institucional diminuir para deixar o organismo espiritual crescer. O que se observa hoje, entretanto, é um movimento contrário, no qual muitas comunidades cristãs caminham a passos largos para a institucionalização, sem falar naquelas que estão com os dois pés fincados no terreno da religiosidade formal. Senão, observe o que eu chamo de marcas da institucionalização da igreja. 

1. Liderança personalista. Quando a comunidade acredita que algumas pessoas são mais especiais do que outras, abre brecha para que alguém ocupe o lugar de Jesus Cristo e se torne alvo de devoção. Ocorre então uma idolatria sutil e, aos poucos, um ser humano vai ganhando ares de divindade. Líderes que confundem a fidelidade a Deus com a fidelidade a si mesmos se colocam em igualdade com Deus e, em pouco tempo, pelo menos na cabeça dos seus seguidores, passam a ocupar o lugar de Deus. Eis a síndrome de Lúcifer. 

2. Ênfase na particularidade do ministério. Uma vez que o projeto institucional se torna preponderante, a ênfase não pode recair nos conteúdos comuns a todas as comunidades cristãs. A necessidade de se estabelecer como referência no mercado religioso conduz necessariamente à comunicação centrada nas razões pelas quais "você deve ser da minha igreja e não de qualquer outra". Torna-se comum o orgulho disfarçado dos líderes que estimulam testemunhos do tipo "antes e depois de minha chegada nesta igreja". 

3. Ministração quase exclusiva à massa sem rosto. Ministérios institucionalizados estão voltados para o crescimento númerico e valorizam a ministração de massa, que se ocupa em levar uma mensagem abstrata a pessoas que, caso particularizadas e identificadas, trariam muito trabalho aos bastidores pastorais. Parece que os líderes se satisfazem em saber que "gente do Brasil inteiro nos escreve" e "pessoas do mundo todo nos assistem e nos ouvem", como se transmitir conceitos fosse a única e mais elevada forma de dimensão da ministração espiritual. Na verdade, a proclamação verbal do evangelho é a mais superficial ministração, e deve ser acompanhada de, ou resultar em, relacionamentos concretos na comunhão do corpo de Cristo. 

4. Busca de presença na mídia. Mostrar a "cara diferente", principalmente com um discurso do tipo "nós não somos iguais os outros, venha para a nossa igreja", é quase imperativo aos ministérios institucionalizados. A justificativa de que "todos precisam conhecer o verdadeiro evangelho", com o tempo acaba se transformando em necessidade de encontrar uma vitrine onde a instituição se mostre como produto. 

5. Projetos ministeriais impessoais. Ministérios institucionalizados medem seu êxito pela conquista de coisas que o dinheiro pode comprar. Pelo menos no discurso, seus desafios de fé não passam pelos frutos intangíveis nas vidas transformadas, mas em realizações e empreendimentos que demonstram o poder das coisas grandes. Os maiores frutos da missão da Igreja são a transformação das pessoas segundo a imagem de Jesus Cristo e da sociedade conforme os padrões do reino de Deus, e não a compra de uma rede de televisão ou a construção de uma catedral.

Continua</description>
				  <pubDate>03 Apr 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=4747</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>O perdão</title>
				  <description>
A paixão de Cristo foi a demonstração, na história, limitada pelas dimensões da história, do que aconteceu, por necessidade, antes da história.  A paixão de Cristo demonstra, limitada pela história, o castigo que a Justiça impôs a Deus, a comunidade eterna, por decidir perdoar o transgressor.  Custou muito mais caro do que na história se pôde demonstrar.

A paixão de Cristo fala do custo do perdão.  Nenhuma das criaturas perdoadas tem o direito de não perdoar.  Todo perdão que é proferido está incluso na conta que Cristo pagou e que sua paixão demonstrou.

Porque tudo o que necessita de perdão é suficiente para que a existência sofra solução de continuidade, porque fere a Justiça.  Justiça não é um "deus", é uma demanda ética da qual o Deus triúno, por força do seu caráter, não pode se furtar.

Sem a paixão de Cristo nenhum perdão poderia ser proferido.  Por causa do demonstrado pela paixão de Cristo nenhum perdão pode deixar de ser proferido.

Não é mais a justiça que norteia o relacionamento entre as criaturas que foram perdoadas.  Nem é mais a justiça que norteia o relacionamento entre Deus e as criaturas que perdoou.</description>
				  <pubDate>18 Mar 2010 01:56:18 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=4733</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Vinho novo, odres novos</title>
				  <description>
Não sem motivo, a crítica às igrejas chamadas tradicionais cresce a cada dia. Por igrejas tradicionais me refiro àquelas vítimas do tradicionalismo (aqui sempre fizemos as coisas desse jeito!), legalismo (aqui as boas doutrinas e o bom comportamento valem mais do que as boas pessoas, até porque, exceto nós, não existem boas pessoas!) e do formalismo (silêncio, você está na casa do Senhor!). A resposta que se dá a esse cenário é múltipla. Há os que abandonam a vida comunitária e passam a caminhar sozinhos, de roda em roda e de bar em bar, chamando de igreja qualquer reunião de chopp entre dois ou três cristãos, ou tentando cultivar a piedade na virtualidade por meio de mp3, podcasts, cultos online e afins. Há também os que escolhem formar grupos informais, que se reúnem regularmente, por exemplo, no cyber-espaço, nas lanchonetes, pátios de universidades, auditórios alugados para fins de semana e, principalmente, nas casas dos cristãos, que funcionam como mini-auditórios para enc ontros informais ao redor da mesa.

A maioria dessas pessoas, ou teve uma experiência negativa com as igrejas chamadas tradicionais ou dela foram banidas contra a sua vontade e, por esta razão, buscaram novos jeitos de ser igreja. Poucas fizeram uma opção deliberada de rompimento justificado pela busca de uma espiritualidade mais autêntica e mais profunda. O fato é que, independentemente das razões pelas quais se reúnem fora dos horizontes institucionais tradicionais, há algo que precisa ser sublinhado: a maioria dessas pessoas é vítima de uma mentalidade religiosa nociva e obsoleta. Do lado de fora das igrejas tradicionais existe um contingente imenso de pessoas que, com a mesma intensidade com que busca a Deus, rejeita a incoerência, a hipocrisia e os desmandos das estruturas de poder eclesiástico.

Por outro lado, há também uma característica comum a esses grupos informais: a maioria acredita que o fato de estarem fora das igrejas chamadas tradicionais implica a natural participação e experiência do que Jesus chamou de "odres novos". Não devemos confundir odres novos com novas formas de igreja. O odre novo capaz de conter o vinho novo do evangelho é a nova mentalidade, gerada pela experiência da graça de Deus, e não uma nova instituição ou nova forma de organização de pessoas. Qualquer forma e sistema que se pretenda oferecer para conter o vinho novo do Evangelho da graça será um odre velho, pois o vinho novo está derramado sobre todos os que foram feitos livres pelo sopro do Espírito de Deus, que sopra onde quer. O vinho novo, portanto, está presente em, e por meio de, todos os que nasceram da água e do Espírito, e se manifesta em todo lugar, todo tempo, por meio de tudo o que fazem, qualquer que seja a instituição, estrutura eclesiástica ou forma organizacional em que estejam.

Ouço muita gente dizer que os "odres novos" são equivalentes a estruturas organizacionais mais leves, ágeis, flexíveis, não engessadas e assim por diante. Mas a questão é que qualquer estrutura é odre velho, pois o Evangelho não visa a gerar novas instituições, mas pessoas novas. O "odre novo", meu irmão, minha irmã, é você, sua cabeça e seu coração. O que passa disso é ilusão e destruição, pois, de fato, "ninguém põe vinho novo em odre velho; se o fizer, o odre rebentará, o vinho se derramará e odre se estragará. Ao contrário, põe-se vinho novo em odre novo; e ambos se conservam".</description>
				  <pubDate>15 Mar 2010 15:42:50 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=4728</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Mas Deus (Efésios 2)</title>
				  <description>
 Efésios Capítulo: 2

1 Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados,

A humanidade se desconectou de Deus: nosso espírito morreu, e nossa vida se tornou um estado de delito e de quebras da lei de Deus. Mas Deus, aos que crêem, ressuscitou o espírito e reconectou consigo.

2 nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência,

A queda não nos emancipou, ao contrário, criou um ambiente de sofrimento, chamado de "o mundo", que foi colocado sob influência dum espírito rebelde, que continua a atuar nos que, ainda, não voltaram. Mas Deus, aos que voltaram para o estado de obediência (crer é voltar para o estado de obediência), libertou do domínio e, mesmo, da influência desse rebelde.

3 entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais.

Esse estado de coisas era universal. Todo mundo espiritualmente morto e orientado para o mal. Todo mundo provocando a ira divina.

4 Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,

Mas Deus tomou uma iniciativa em nosso favor. Em vez de seguir a ira, seguiu o desejo de manter viva a humanidade e o amor que nutria por nós.

5 estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),

E Deus fez um favor: pôs os que crêem: os que voltaram para a obediência, dentro do Cristo, quando Cristo foi vivificado, estes o foram com ele. Receberam a mesma vida que ele.

6 e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus,

Os que crêem: os que voltaram a obedecer, foram ressuscitados com Cristo, e, como Cristo se mudou para a dimensão chamada de celeste, os que crêem foram, com ele, para a mesma dimensão.

7 para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, pela sua bondade para conosco em Cristo Jesus.

Mas Deus fez isso para demonstrar o quanto Ele pode fazer por favor, por causa de sua bondade para com os que crêem: as pessoas que Ele colocou em Cristo Jesus.

8 Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus;

Os que crêem: que voltaram para a obediência, só conseguem crer e, portanto, voltar a querer obedecer, porque Deus lhes fez um favor: Deus lhes deu a capacidade de crer nele e no que Ele fez através do Cristo. É um presente.

9 não vem das obras, para que ninguém se glorie.

Os que crêem: que voltaram a obedecer, não fizeram nada para conquistar essa capacidade de crer. É um presente!  Eles não fizeram por merecer. Receberam um presente.

10 Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas.

Os que crêem: que voltaram a obedecer, são assim, porque foram recriados dentro de Cristo, essa recriação é como um poema de Deus. E Deus os colocou num novo ambiente chamado de  boas obras. Embora eles continuem fisicamente no ambiente de sofrimento, chamado de "o mundo", eles passaram a viver a partir do novo ambiente, chamado de "boas obras". Jesus de Nazaré foi o primeiro a viver no ambiente "mundo", a partir do ambiente "boas obras". E Deus recriou os que crêem para viverem assim, também.

11 Portanto, lembrai-vos que outrora vós, gentios na carne, chamados incircuncisão por aqueles que se intitulam circuncisos, na carne, feita pela mão dos homens,

Os circuncisos achavam que essa possibilidade de crer: de voltar a obedecer a Deus, não estava ao alcance dos que não se circundavam, como Deus orientou a Abraão, e ao seu povo, que fizesse.

12 estáveis naquele tempo sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos pactos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.

Isso deixava os incircuncisos sem perspectiva.

13 Mas agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.

Mas Deus colocou no Cristo, sob a unção do Cristo (a palavra Cristo significa ungido - algo como receber uma designação e o poder para executá-la) também, os incircuncisos. Portanto, a libertação dos incircuncisos foi, também, posta na descrição do alcance da designação do Cristo. Quando o Cristo, derramou o seu sangue na cruz, ele tornou possível aos incircuncisos, o que foi avisado para os circuncisos.

14 Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade,

Mas Deus fez mais: pacificou os circuncisos com os incircuncisos, e vice-versa, deixando claro, a ambos, de que precisaram do Cristo para voltar da morte, de modo que, na prática, o que parecia vantagem dos circuncisos sobre os incircuncisos, desapareceu.

15 isto é, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um novo homem, assim fazendo a paz,

E Deus fez mais: criou, dos dois, um novo homem, ou seja, um homem colectivo, uma nova sociedade; já que o ponto de contato deixou de ser a lei e os mandamentos que os circuncisos conheciam, e passou a ser o Cristo, de quem ambos necessitavam.

16 e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade;

E o Cristo, ao cumprir a sua missão, reconciliou os circuncisos e os incircuncisos com Deus, e Deus, no ato do Cristo, os fez uma comunidade só, a quem Ele chamou de: O Corpo do Cristo.

Interessante notar que os circuncisos achavam que eles já estavam reconciliados com Deus, mas, descobriram que, também, dependiam do triunfo do Cristo.

17 e, vindo, ele evangelizou paz a vós que estáveis longe, e paz aos que estavam perto;

Bem... Os circuncisos estavam perto, mas, mesmo assim, precisaram da boa notícia de que era possível estar em paz com Deus.

18 porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito.

E, graças ao trabalho do Cristo, o Espírito, uma das três pessoas da Trindade, pôde vir habitar nos seres humanos, circuncisos ou incircuncisos, que o favor da Trindade incluiu no Cristo. E é só da habitação do Espirito Santo que é possível ter acesso ao Pai

19 Assim, pois, não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus,

Pronto! Os incircuncisos estão dentro! Não como convidados, mas como membros da família, da comunidade corpo do Cristo, do homem coletivo.

20 edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina;

Essa comunidade corpo do Cristo, homem coletivo, é, também, um edifício. Um edifício que tem o Ungido como pedra alicerce, mas é o Ungido, conforme anunciado pelos profetas e descrito e ensinado pelos apóstolos. 

21 no qual todo o edifício bem ajustado cresce para templo santo no Senhor,

O objetivo dessa comunidade corpo, desse homem coletivo, desse edifício, é ser uma catedral: um lugar onde Jesus, o Cristo, como Senhor, seja reconhecido como o modelo, o guia e o motivo e o objetivo para todos os movimentos da humanidade.

22 no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito.

Quando esse edifício alcançar a essa altura, quando a interação entre essa sociedade e o Cristo for plena, a Trindade vai morar nesse edifício.</description>
				  <pubDate>02 Mar 2010 17:17:13 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=4711</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>É pau, é pedra</title>
				  <description>
É um resto de toco, um caminhão basculante, um monte de areia no asfalto. Um carro em fila dupla, alguém saindo do supermercado. Alguém procurando vaga fugindo do estacionamento. É o buraco na rua, é o recapeamento, pedestre na faixa, é alguém fechando o cruzamento. É motoqueiro por todo lado, motoboy atabalhoado. É a sexta-feira de chuva, é o ônibus quebrado. É a avenida interditada, a Vinte e Três de Maio parada. É a Marginal entupida, é o bueiro destampado, a kombi velha encalhada. É o idoso atravessando a rua, o menino correndo atrás da bola, a perua voltando da escola. O marronzinho na esquina, o rodízio em andamento, um carro de porta aberta com um marido ciumento. É a pista bloqueada, a feira no meio do caminho, é o homem lavando a calçada, um vira-lata correndo sozinho. É a fumaça do escapamento, um chato com o dedo na buzina. É a Eletropaulo na esquina, o zelador de bicicleta, é a caçamba de entulho da obra que faz barulho. É o caminhão da Comgás, a obra da Sabesp, o buraco do Metrô e o poste da Telesp. É a mulher com o cachorrinho, é a galera na rua, as mesinhas do barzinho. É a blitz no viaduto, a sirene da ambulância, a manobra tão sem jeito atrapalhando a circunstância. É o apressado atrasado, o velhinho atrapalhado, o domingueiro no volante. É a hora, é o horário, a greve dos metroviários. É o atropelamento gerando cento e setenta quilômetros de congestionamento.

O trânsito de São Paulo bem pode ser uma metáfora da vida. Ou pelo menos de fases da vida. Abaixo da fotografia a legenda resume tudo: não flui. Bem que gostaríamos que a vida fosse uma free way, uma auto-estrada de alta velocidade. Correríamos rumo aos destinos desejados sem embaraços nem obstáculos. Chegaríamos rapidamente, sempre, sem imprevistos, sem desvios ou atrasos. Transitaríamos por ruas e avenidas sem buracos ou interdições, não precisaríamos desviar de ninguém e nada atrapalharia nosso caminho. Logo pela manhã ou no início da semana faríamos o planejamento de atividades, e um de cada vez iríamos cumprindo os compromissos agendados. Sem correria, sem contratempos, sem stress. Mas a vida não é assim. Independentemente de nossas vontades ou desejos, somos obrigados a parar, esperar e mudar de caminho. Algumas vezes precisamos aceitar os atrasos e de vez em quando nos resignar, admitindo que não chegamos ao destino desejado.

Não temos alternativas, senão a lembrança do que nos ensinaram nossos avós: "o que não tem remédio, remediado está". Ajustar as expectativas à realidade, por os pés no chão e seguir na estrada, cuidando para guardar o coração em paz, sem perder a delicadeza, a elegância, a paciência e a generosidade. O segredo está revelado pelo poeta bíblico: quem anda com Deus não tem medo de más notícias, pois as estradas do seu coração estão livres e aplanadas (Salmo 84). A vida abundante não depende de circunstâncias. Está do lado de dentro, no coração de quem tem Jesus por companhia.</description>
				  <pubDate>23 Feb 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=4702</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>O deserto florescerá</title>
				  <description>
Quanto menor o seu mundo, maiores os seus problemas, mais intenso seu sofrimento, e menor o seu Deus. Nos últimos dias os horizontes do meu mundo foram estendidos. Alcançaram Casablanca e Marrakech, no Marrocos, e Dakar, no Senegal. Tudo agora tem outra densidade e outro tamanho. A vida é uma questão de proporções, e as proporções, evidentemente, dependem dos termos de comparações. O que vi e ouvi me obriga a reorganizar valores e medidas.

O Marrocos é um país com 36 milhões de habitantes, mas com apenas pouco mais de 1.000 cristãos, congregados em aproximadamente 50 igrejas que se reúnem nas casas e grupos não maiores de 20 pessoas. Conversei com um dos principais líderes cristãos do país e percebi que ele não sabe muito bem quem foram Agostinho, Lutero, Tomás de Aquino. Perguntei quais eram suas referências pastorais e ministeriais, onde ele se baseava para liderar sua igreja e a resposta foi "Atos 2". Ao final de nossa conversa disse-me que a igreja em seu país é uma semente que carece de cuidados para que não morra antes de se tornar uma árvore frondosa capaz de oferecer sua sombra aos cansados.

No Senegal existem Marabus, mestres do Alcorão que escravizam, abusam sexualmente e torturam milhares de meninos, os talibês, que lhes são entregues por pais que acreditam que seus filhos estarão servindo o Islã. Na chamada África Negra aproximadamente 20% das mulheres são submetidas à excisão e ou infibulação, a mutilação da vagina, feita sem anestesia, por instrumentos como uma lâmina de barbear, uma faca de lâmina flexível ou mesmo tesouras. A excisão mínima é a retirada do capuz do clitóris. A infibulação, também chamada de excisão faraônica, consiste na amputação do clitóris e dos pequenos lábios, seguido do corte dos grandes lábios, que depois são aproximados e suturados, sendo deixada uma minúscula abertura necessária ao escoamento da urina e da menstruação. Esse orifício é mantido aberto por um filete de madeira, que é, em geral, um palito de fósforo.

O primeiro ímpeto é pedir a Deus que me faça esquecer rápido o que vi e ouvi. A vontade que dá é de balançar a cabeça para que as imagens se dissolvam e sejam substituídas. Mas considero a possibilidade de pedir a Deus exatamente o contrário: que jamais me deixe esquecer as imagens da barbárie, explícita na violência praticada contra mulheres e crianças, a pobreza mais extrema das ruas de Dakar, e a escassez quase absoluta da Igreja no Marrocos. A melhor solução é pedir a Deus que me ajude a lembrar o que pode trazer esperança: a face de cada um dos missionários que dedicam suas vidas a servir o povo da África Ocidental, a serenidade valente do pastor marroquino, a energia alegre e o futuro possível da centena de meninos da escola de futebol, o potencial do centro médico e a espontaneidade da adoração dos poucos africanos na igreja de Dakar.

O deserto florescerá, disse o profeta. Os desertos do Marrocos e do Senegal me ajudam a colocar em perspectiva minhas terras secas. A promessa de Deus me enche de esperança e renova as minhas forças para continuar a semear. O mundo voltará a ser um jardim. </description>
				  <pubDate>19 Feb 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=3384</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Ensaio sobre a visão</title>
				  <description>
Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego. Esta expressão costura o enredo de Ensaio sobre a cegueira, a obra onde José Saramago sugere que num mundo onde todos estão cegos, a visão passa perto de ser uma maldição. Quem enxerga se torna responsável. E o peso da responsabilidade aos poucos vai se tornando insuportável. Só não é mais insuportável que o peso da própria cegueira.

A Bíblia Sagrada fala da experiência espiritual cristã como "passagem das trevas para a luz" e anuncia a irrupção do reino de Deus na pessoa de Jesus dizendo que "o povo que estava em trevas viu uma grande luz", e por esta razão aqueles que seguem a Jesus "não andam em trevas". Quem nasceu de novo, isto é, recebeu o toque do Espírito Santo e acolheu o reino/reinado de Deus em sua vida foi iluminado e passou a ver: "eu era cego, agora vejo".

Jesus diz que seus discípulos também são a luz do mundo, mas os adverte dizendo que "o olho é a lâmpada do corpo. Portanto, se você tiver um olho bom, todo o seu corpo será repleto de luz; mas se tiver um olho mau, todo o seu corpo estará repleto de escuridão. Caso a luz que está em você seja escuridão, quão terrível será essa escuridão".

No judaísmo, "ter um olho bom", um "ayin tovah", significa "ser generoso", e ter "um olho mau", um "ayin ra´ah", significa "ser mesquinho". A cegueira é comparada ao egoísmo; a visão, à solidariedade, à compaixão e também à auto-doação voluntária e ao serviço abnegado. Ser cego é ser auto-centrado e indiferente. Enxergar é morrer para si mesmo e assumir com Cristo o peso da cruz, sofrendo com Ele as dores do mundo, o que necessariamente implica e resulta viver para Ele e para os que são dEle. Enxergar é servir. Andar na luz é praticar as boas obras, preparadas de antemão para que andássemos nelas e sem as quais a fé é morta.

Contrariando o dito popular que afirma que o pior cego é aquele que não quer ver, podemos crer que a pior cegueira é a cegueira da cegueira. Quem transforma a fé em Cristo numa crença inconseqüente, é cego que pensa que vê, é cego de sua própria cegueira, é o pior dos cegos. A distância entre a cegueira e a visão é a mesma que separa a indiferença do engajamento. Quem recebe a graça de ver, recebe a missão de servir.</description>
				  <pubDate>10 Feb 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=3383</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Isso é comunidade!</title>
				  <description>
> Leia antes a primeira parte deste artigo

Efésios 1


[15] Por isso também eu, tendo ouvido falar da fé que entre vós há no Senhor Jesus e do vosso amor para com todos os santos,


Bom ter uma fé, em Jesus, que dá o que falar: fé que acredita que ele resolveu tudo o que tinha de ser resolvido com o Pai. Assim, não há bruxas a caçar, não há culpados para punir, tudo está resolvido, então, é correr para o abraço, qualquer débito com Deus já está pago, agora é a mutualidade em ajudar que cada um chegue à estatura do Filho. Fé que acredita que Jesus está no controle do Universo, sustentando tudo (Hb 1.3), daí não há maldição que atrapalhe.

Bom ter um amor mútuo que dá o que falar: onde a comunhão impera, isso começa por só falar o bem, um do outro, e cresce até um estar pronto para sacrificar-se pelo outro. É fruto dessa fé: tudo está resolvido com Deus, logo, tudo está resolvido entre nós, somos unidade de novo, e, como tal, devemos viver.

Isso é comunidade!


[16] não cesso de dar graças por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações,


 Bom ser uma comunidade por quem só há o que agradecer. Uma comunidade que entendeu o que é ser Igreja.

Isso é comunidade!


[17] para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele;


Bom ser uma comunidade a quem o Pai dá espírito de sabedoria, não é o surgimento de muitos sábios, é uma comunidade de sabedoria, por ser uma comunidade cujo relacionamento a torna em condições de compreender melhor como Deus, a Trindade, vive. E a comunidade vai aprendendo com a Trindade, por revelação, como se vive em comunidade.

Isso é comunidade!


[18] sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos,


Bom saber para onde estamos caminhando como comunidade, e que é em comunidade que caminhamos, que caminhamos para ser tudo o que Deus queria que fossemos como unidade humana, como humanidade, e como isso é extremamente rico.

Bom, que isso é fruto de expansão da afeição, não é saber mais, por saber, é saber mais para gostar mais e para incluir mais o outro. É a construção da nova identidade, a identidade que define uma pessoa e uma comunidade como cristã. Uma identidade onde a ética é estética, isto é, o que leva alguém ou, a comunidade, a fazer ou não, seja o que for, é se é amável ou não. E o ser humano é sempre amável.

Isso é comunidade!


[19] e qual a suprema grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, 


Bom saber quão grande é o poder que ele pôs à nossa disposição; por crermos em Jesus, e para saber isso, basta ver como esse poder agiu...


[20] que operou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar-se à sua direita nos céus,


Boa ação desse poder: ressuscitou ao Cristo!

Bom que esse poder colocou no poder aquele que sabe o que é sacrifício, pois, foi ao Cristo que deu autoridade sobre tudo e todos: estar assentado à direita, não é estar num espaço geográfico, é ter recebido autoridade sobre tudo: a Trindade governa por meio do Cristo.

Bom! Só quem sabe o que é esvaziar-se deve ocupar o poder. Que comunidade... Essa! Sobre quem atua o poder que ressuscita o desprezado, e empodera o que se sacrifica!


[21] muito acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro;


Bom! Tudo é tudo mesmo: no espaço, nas dimensões física e metafísica, no tempo e fora do tempo!


[22] e sujeitou todas as coisas debaixo dos seus pés, e para ser cabeça sobre todas as coisas o deu à igreja,


Bom que tudo está debaixo dos pés daquele que não esmaga e que, portanto, não deixa esmagar.

Bom esse jeito de governar: A Trindade governa através do Cristo e o Cristo governa através da Igreja: a comunidade da inclusão, da afeição e do empoderamento do que serve à custas da própria vida!

Bom... O governo do Cristo se dá pelo amor; pelo perdão; pela restauração do ser humano, em todos os seus relacionamentos; pela intercessão e pelo serviço!

Isso é comunidade em ação pelo governo do Cristo!


[23] que é o seu corpo, o complemento daquele que cumpre tudo em todas as coisas.


Bom que essa comunidade complementa aquele que está sobre tudo: ele continua a agir a partir do seu esvaziamento, embora esteja pleno de toda a sua glória.

Bom que adoração não é o mero des?lar de elogios, mas o ministrar serviço àqueles a quem o governador, que se sacri?cou, quer libertar; às sociedades, às quais, o governador quer resgatar do competição para a solidariedade; às nações, às quais, o governador quer ver desenvolvendo políticas públicas que resgatem o faminto, o sedento, o desabrigado, o segregado, o enfermo e o emprisionado.

Bom que essa comunidade o complementa, não por que nele falte algo, mas, porque a Trindade decidiu governar através dela, de modo que história e os atos humanos, finalmente, ganhem sentido.

Assim é que se ora pela comunidade da fé, e assim deve orar, por fé, a comunidade!

Isso que é comunidade! Essa comunidade prova que a humanidade é amada por Deus!</description>
				  <pubDate>08 Feb 2010 11:40:53 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=3422</link>
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				  <item>
				  <title>Leitura de Efésios</title>
				  <description> 

Efésios 1


[1] Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus:


Nada como saber quem é. Nada como saber com quem fala. Jesus revela a identidade estabelecida por Deus.

Apóstolo é missionário. Santo é gente com dedicação exclusiva. Fiel é quem vive pelo que acredita.

Nada como saber que a gente o é não pelo que faz, mas pelo lugar em que está. Estar em Jesus, o Ungido para nos salvar, é ser tornado gente com dedicação exclusiva a Deus, e gente que tem o que crê, o que fazer, e que não se enxerga mais de outra forma.


[2] Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.


Nada como saber o que Deus tem para nós: favor que a gente não merece e paz que a gente sabe, mas não compreende.

Nada como saber que Jesus, o Ungido, onde estamos, manda em tudo e tudo pode.


[3] Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo;


Nada como saber que tudo o que a gente precisa, para ter identidade plena, nos foi dado em Jesus, não porque a gente fez por merecer, mas porque a gente foi posto no lugar certo, ou melhor, na pessoa certa.

É como relacionamento: a gente não ama o perfeito, ama o que invadiu o nosso coração, todo relacionamento é afetivo, mesmo quando não parece, tratamos todos a partir do lugar que ele ocupa em nosso coração, mesmo o absolutamente estranho, pois, ainda que como conceito, ele ocupa um lugar em nossa afeição: respeitar é ter afeição, ainda que mínima, pelo com quem nos relacionamos, ainda que seja pelo que a pessoa significa.

Nada como saber que estamos no lugar da afeição plena de Jesus. Isto é que faz toda a diferença em nós, e que nos faz totalmente diferentes.

Essa foi o favor que Deus, o Pai de Jesus Cristo, em quem estamos e de quem somos. Falemos bem de Deus, como os querubins que Isaías viu e descreveu no capítulo 6 de seu livro.


[4] como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;


Nada como saber que quem está ou estará no Cristo, já estava antes! E já estava para ser! E foi colocado no Cristo para ter identidade. Para ser reconhecido, por ele, como gente totalmente dedicada a ele, e, em quem, ele não teria o que censurar, por causa da forma como amaria. Caímos, nos perdemos, mas não fomos perdidos.

Ser gente totalmente dedicada a ele é ser gente que ama como ele ama, sem considerar a presença, ou a ausência de mérito na pessoa amada, e, mais, onde amor é afeição, de tal monta, que, necessariamente, inclui o sacrifício pelo ser amado.


[5] e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,


Nada como saber que estávamos para vir a ser, e para um relacionamento familiar. Deus nos quis como filhos, antes que o quiséssemos como Pai. E somos filhos de quem sempre quis ser nosso Pai.


[6] para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado;


Nada como saber que Deus nos vê como o prémio que o seu favor a nós conquistou para ele. Favor que nos foi trazido, independentemente de nossos méritos, por aquele que agora amamos.


[7] em quem temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça,


Nada como saber que todas as possibilidades do favor do Pai, foram manifestas na redenção que o Cristo nos proporcionou. Tudo o que a gente é e fez de errado, demonstrava que Deus havia perdido a gente, mas o favor, que Deus nos fez, à custa do ato do Ungido, foi o de nos adquirir de novo para ele.

Nada como saber que o Cristo é a encarnação do favor do Pai.


[8] que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência,


Nada como saber que todos os movimentos do Cristo, todo o seu percurso para chegar e para fazer o que veio para fazer, principalmente, no que tange a forma como o Ungido veio: como homem humilde, faz parte de um plano executado com a sabedoria que sabe o melhor momento para cada ação, e a ação para cada momento.

Nada como saber que Deus respeitou o arbítrio sem perder o propósito.


[9] fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que nele propôs


Nada como saber o que Deus quer, e que, Deus, o quer por prazer! Deus age por um prazer que quis ter.


[10] para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra,


Nada como saber que o prazer do Pai, é, no seu devido tempo, fazer com tudo o que exista tenha o Ungido como seu centro, e propósito, e senhor.


[11] nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade,


Nada como saber, que estar no Cristo é ser o que o Pai vai receber por direito, e que fomos, antes de sermos, antes de existirmos, destinados para ser a herança que o Pai receberia, e que isso era o propósito do Pai, e que, para isso, o Pai nos pôs no Cristo, antes de tudo, e que assim é porque o Pai decidiu que assim seria. Antes de tudo o Pai decidiu que seríamos dele: os que estão e os que estarão no Cristo, no Ungido.


[12] com o fim de sermos para o louvor da sua glória, nós, os que antes havíamos esperado em Cristo;


Os judeus foram os primeiros, como etnia, a receber esse conhecimento, e entender a sua identidade e propósito.


[13] no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa,


Os não judeus, à medida que ouvem as boas notícias da salvação, e crêem, recebem a mesma consciência de sua identidade e propósito, e o que o demonstra é o fato de receberem o mesmo derramamento, que os judeus, como etnia, receberam no Pentecostes, o batismo do Espírito Santo.


[14] o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória.


Nada como saber, que a presença do Espírito Santo em nós é a certeza de que, também, estávamos no Cristo desde antes da fundação do mundo, e que receberemos a mesma herança prometida aos judeus, e a herança que receberemos é o privilégio de ser parte da herança que o Pai receberá, como prémio por sua bondade.

> Leia também a continuação desta análise</description>
				  <pubDate>05 Feb 2010 11:39:07 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=3415</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Presente que serve</title>
				  <description>

Quando é que nós recebemos um conforto e um consolo real? Quando alguém nos ensina como pensar ou como agir? Quando recebemos um conselho para onde ir ou o que fazer? Quando ouvimos palavras tranqüilizadoras e de esperança? Algumas vezes, talvez. Porém, o que realmente importa é que em momentos de dor e de sofrimento alguém esteja ao nosso lado. Mais importante do que qualquer ação particular ou de qualquer palavra de aconselhamento é a simples presença de alguém que se interessa por nós. Quando alguém nos diz, no meio de uma crise que passamos: "Eu não sei o que dizer ou o que fazer, mas quero que compreenda que estou ao teu lado, que não te deixarei sozinho", nós temos um amigo através do qual podemos encontrar consolo e conforto. Numa época tão repleta de métodos e de técnicas destinados a mudar as pessoas, a influenciar o seu comportamento e a fazer com que elas façam coisas novas e tenham idéias novas, nós perdemos o dom simples, porém difícil de estarmos ao lado dos outros.

Perdemos este dom porque fomos levados a acreditar que a presença precisa ser útil. Nós pensamos: "Por que devo visitar esta pessoa? De qualquer forma, nada posso fazer por ela. Nem sequer lhe ser útil!". Enquanto isso, esquecemos que muitas vezes é na presença humilde, despretensiosa e "inútil", um ao lado do outro, que sentimos consolo e conforto. O simples fato de estarmos com alguém é difícil, porque isto exige de nós que compartilhemos a vulnerabilidade com esse alguém, que com ele ou com ela entremos na experiência da fraqueza e da impotência, que nos tornemos parte da incerteza e que desistamos do controle e da autodeterminação. No entanto, quando isso acontece, nasce nova força e nova esperança. Aqueles que nos oferecem conforto e consolo, ao permanecerem ao nosso lado em momentos de doença, de angústia mental ou de trevas espirituais, muitas vezes estão tão ou mais próximos a nós como aqueles com quem temos laços biológicos em comum. Eles mostram a sua solidariedade para conosco ao penetrarem de boa vontade nos espaços escuros e desconhecidos da nossa existência. Por essa razão, eles se tornam aqueles que nos trazem nova esperança e nos ajudam a descobrir novos rumos na vida.

(Henri Nouwen)


O pragmatismo é uma praga do nosso tempo. Vivemos em um mundo em que tudo tem que funcionar, e o que não funciona deve ser consertado ou descartado e substituído - que não funciona nada vale. Sem perceber trazemos esse pragmatismo para as nossas relações: as pessoas e os relacionamentos são classificados como funcionais e disfuncionais, e aos poucos vamos acreditando que devemos fazer com que as pessoas funcionem. Isso explica porque estamos sempre tentando fazer algo adequado, dizer algo interessante ou dar alguma coisa útil.

Mas a verdade é que as pessoas, as relações humanas e a vida são complexas o suficiente para nos levar ao limite de nossas possibilidades: cedo ou tarde nos deparamos com a absoluta carência, quando não sabemos o que dizer, o que fazer, o que dar. Chegamos então ao momento quando tudo quanto se espera de nós é que estejamos presentes: a presença é o maior presente, pois quando dois ou três estão reunidos em nome de Jesus, Deus está conosco. Na presença de Deus estamos livres não apenas da obrigação de "fazer a coisa funcionar", como também livres para a surpreendente provisão da graça. </description>
				  <pubDate>05 Feb 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=3382</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title> Parece, mas não é!</title>
				  <description>
Há textos estranhos nas escrituras sagradas.

Que pairam sobre nós, qual espada de Dâmocles, como um desafio e uma advertência.

Conclamam-nos à sabedoria e à admissão de nossa incompetência como juízes.

Os textos abaixo, por exemplo, poderiam ser classificados de: parece, mas não é!

1 Co 3.15: "Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o tal será salvo, todavia, como que pelo fogo."

Aqui o foco é o ministério, não a pessoa.

Paulo fala de um ministro que parece ser joio, mas não é.

Fala de ministros que edificam, ainda que sobre o fundamento certo, com madeira, palha e feno, elementos que o fogo da história facilmente destrói.

Madeira, palha e feno são os elementos fornecidos pela sabedoria humana, vs. 19 e 20. É ensino que gera divisão, perda da consciência de corpo e da natureza da fé.

O ensino vira corrente filosófica e o dogma ideologia.

Ou leva a Igreja da fé para as obras, da graça para o mérito, da devoção para a mágica, de Deus para o ser humano, transformando este em semideus.

O ministro é um falso mestre, mas será salvo.

O ensino dele será condenado, mas ele não.

Gente que será salva, mas não vive como discípulo.

A gente deve reprovar os seus ensinos, mas não deve fazer considerações sobre a sua salvação.

Hb 6.4-8: "Porque é impossível que os que, uma vez, foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e os poderes do mundo vindouro, e depois caíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; visto que, quanto a eles, estão crucificando de novo o Filho de Deus, e o expondo ao vitupério. Pois a terra que embebe a chuva, que cai muitas vezes sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção da parte de Deus; mas se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada."

Nesse texto, o foco é a pessoa e não o ministério.

O escritor fala de uma pessoa que parecia ser discípulo, mas não era.

Tudo parecia bem com ela, mas um dia ela caiu.

Cair não é um problema insolúvel, porém, essa pessoa não encontrou o caminho do arrependimento.

E isso aparece nos frutos que ela passou a produzir.

Tal como uma terra, que apesar de ser regada e lavrada muitas vezes, apenas consegue produzir espinhos e abrolhos.  O seu fim é a rejeição!

Portanto, a questão aqui, não é a queda, em si, mas no que a pessoa, que caiu, se tornou.

Seus frutos indicam que o caminho do arrependimento não foi abraçado. Ela tornou-se agente do mal.

A gente não tem autoridade para emitir qualquer juízo, mas não custa nada discernir e ficar esperto!</description>
				  <pubDate>04 Feb 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=3399</link>
				  </item>

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