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			  <title>irmaos.com - O Segredo de Deus</title>
			  <description>Textos da seção O Segredo de Deus</description>
			  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?coluna=segredo</link>
			  <language>pt-br</language>
			
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				  <title>E não é que o mundo acabou mesmo!</title>
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Uma grande pedra apresentada em Tabasco, sudeste do México, contendo o calendário maia foi interpretada como um anúncio do fim do mundo marcado para dezembro de 2012. A peça é formada de pedra calcária e esculpida com martelo e cinzel, e está incompleta.

Para os produtores de cinema os fragmentos calcários bastaram para fundamentar o catastrófico "2012" lançado em 2009 com faturamento de 225 milhões de dólares no seu primeiro fim de semana.

Na cultura popular o tal fim do mundo maia causou um rebuliço daqueles! Conhecidos como "preppers" - um neologismo criado nos Estados Unidos a partir da palavra "prepare", que significa preparar ou planejar em inglês - esses indivíduos se prepararam em encontros e redes sociais, compartilharam técnicas de sobrevivência e alimentaram a paranoia apocalíptica. No Brasil, a cidade de Alto Paraíso de Goiás está rindo a toa: segundo escritos antigos, a cidade estaria a salvo de qualquer desastre natural, como o fim do mundo. Por esse motivo, muitas pessoas de diferentes lugares do mundo, buscam este local para morar, buscando a "salvação".

E acredite: até mesmo grupos cristãos históricos embarcaram nesta especulação. Alguns pastores aproveitaram a ênfase na temática para instruir suas igrejas sobre temas escatológicos. Outros aproveitaram a especulação para alavancar as conversões em suas denominações (duvido muito da perseverança destes convertidos de ocasião!).

Mas o mundo não acabou. Será?

A civilização maia foi uma cultura mesoamericana pré-colombiana, notável por sua língua escrita, sua arte, arquitetura, matemática e sistemas astronômicos. Divide muitas características com outras civilizações da Mesoamérica, devido ao alto grau de interação e difusão cultural que caracteriza a região. Avanços como a escrita, epigrafia e o calendário não se originaram com os maias; no entanto, sua civilização as desenvolveu plenamente.

Apesar de seu alto grau de desenvolvimento a civilização maia como tal desapareceu completamente. Devastada pelo império asteca por volta do século XV e, finalmente, subjugada pelos espanhóis a partir de 1519, os maias foram reduzidos a tribos segmentadas na américa central.

Os acadêmicos acreditam agora que, entre vários fatores, as doenças epidêmicas foram de longe a maior causa do declínio populacional dos nativos americanos. As doenças começaram a matar imensos números de americanos indígenas pouco depois de os europeus e africanos começarem a chegar ao novo mundo. A escala das epidemias ao longo dos anos foi enorme, matando milhões de pessoas - cerca de 90% da população nas áreas mais atingidas - determinando "a maior catástrofe humana da história, provavelmente excedendo mesmo o desastre da Peste Negra que matou um terço da população da Europa entre 1347 e 1351".

A doença mais devastadora foi a varíola, mas outras doenças mortais incluíram o tifo, sarampo, a gripe, a peste bubônica, a parotidite (caxumba), a febre amarela e a coqueluche.

Pela guerra ou pela doença, o mundo dos maias acabou. Muito antes do prognóstico do seu calendário a grande civilização se tornou objeto de especulação arqueológica.

Pouco se sabe a respeito das tradições religiosas dos maias: a sua religião ainda não é completamente entendida pelos estudiosos. Como os astecas e os incas, os maias acreditavam na contagem cíclica natural do tempo. Os rituais e cerimônias eram associados a ciclos terrestres e celestiais que eram observados e registrados em calendários separados. Os sacerdotes maias tinham a tarefa de interpretar esses ciclos e fazer um prognóstico profético sobre o futuro ou passado com base no número de relações de todos os calendários. A purificação incluía jejum, abstenção sexual e confissão. Esta purificação era normalmente praticada antes de grandes eventos religiosos. Os maias acreditavam na existência de três planos principais no cosmo: a Terra, o céu e o submundo.

Os maias sacrificavam humanos e animais como forma de renovar ou estabelecer relações com o mundo dos deuses. Esses rituais seguiam ritos rigorosos. Normalmente, eram sacrificados pequenos animais, como perus e codornas. Em ocasiões muito excepcionais (tais como adesão ao trono, falecimento do monarca, enterro de algum membro da família real ou períodos de seca) aconteciam sacrifícios de humanos. Acredita-se que crianças eram muitas vezes oferecidas como vítimas sacrificiais porque os maias acreditavam que essas eram mais puras.

Os deuses maias não eram entidades separadas como os deuses gregos. Também não existia a separação entre o bem e o mal e nem a adoração de somente um deus regular, mas sim a adoração de vários deuses conforme a época e situação que melhor se aplicava para aquele deus.

Podemos tirar algumas lições da história a partir do fim do mundo maia.

(1) Em tempos de progresso as civilizações tornam-se mais antropocêntricas e individualistas. O apóstolo Paulo nos alerta que quanto o homem se torna o fim último de todas as coisas o mundo está mais perto do caos do que da salvação. "Quando disserem: "Paz e segurança", a destruição virá sobre eles de repente, como as dores de parto à mulher grávida; e de modo nenhum escaparão". (1Ts 5:3)

(2) O medo do fim do mundo ou do inferno é metodologia evangelística alheia ao Novo Testamento. As pessoas precisam se converter olhando para a Cruz de Cristo e tendo o coração regenerado pela Graça de Deus. Jesus nos ordena a "lembrar da mulher de Ló" (Lc 17:32). A releitura da narrativa em Gênesis (Gn 19:17-26) nos mostra que a esposa de Ló ignorou a urgência da Graça de Deus: "Fuja por amor à vida! Não olhe para trás e não pare..." O verdadeiro evangelismo anuncia a vitória sobre todo o medo (1 Jo 4:18)porque o cerne de sua mensagem está na Providência Graciosa de Deus por nós (Jo 3:16).

(3) A ira de Deus e o inferno são biblicamente inegáveis. Deus jamais anula sua justiça, pois a justiça é um atributo da Sua própria natureza. Não podemos esquecer que somos, por natureza, merecedores da ira de Deus (Ef 2:3), mas que além de Justo, Deus também é misericordioso e "a misericórdia triunfa sobre o juízo" (Tg 2:13). Jesus sofre a penalidade do meu pecado (2 Co 5:21) e satisfaz perfeitamente a justiça de Deus. Através de Cristo, portanto, a misericórdia pode triunfar sobre o juízo (Fp 3:7-9).

(4) Os salvos da ira divina não vivem para aguardar o fim do mundo. "Nós, porém, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e uma nova terra, nos quais habita a justiça." (2 Pd 3:13) Somos salvos para viver uma vida santa e piedosa aqui neste mundo (11); em paz, imaculados e irrepreensíveis (14).

O mundo maia acabou mas nós estamos aqui, e enquanto aguardamos somos exortados a "viver": "Não importa o que aconteça, exerçam a sua cidadania de maneira digna do evangelho de Cristo, para que assim, quer eu vá e os veja, quer apenas ouça a seu respeito em minha ausência, fique eu sabendo que vocês permanecem firmes num só espírito, lutando unânimes pela fé evangélica," (Fp 1.27)</description>
				  <pubDate>22 Dec 2012 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=9451</link>
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				  <item>
				  <title>O Menino, o Rei missionário, o Ancião glorioso</title>
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O MENINO

 "Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz." Isaías 9:6

Um Menino (yeled) o relaciona com seus ancestrais; filho expressa que é um varão e possui uma ascendência monárquica. Salomão (cfr. sobre v. 3) foi o único dentre os filhos de Davi que teve o nome escolhido por Deus. Davi, restaurado a paz com Deus, chamou ao menino &scaron;el&#333;m&#333;h, "o homem de paz"; o Senhor o chamou Jedidias, "o amado de Jeová". Desta maneira, este menino é o novo Salomão, o herdeiro legitimo de Davi.

Nesta qualificação quádrupla do rei, os primeiros dois elementos se relacionam com o nome Emanuel, e os dois seguintes definem os efeitos da sua ação. Maravilhoso Conselheiro significa literalmente "conselheiro de maravilhas" e "maravilhoso" significa algo semelhante a "sobrenatural". As duas possibilidades de tradução ficam assim: um "conselheiro sobrenatural" ou "alguém que da conselhos sobrenaturais". 

As decisões de um rei sustentam ou destroem um reino. Ademais, um reino que se supõe ser eterno requer do governante uma sabedoria como a do Deus eterno. Neste caso, o rei deve ser como Deus, sendo ele o próprio Deus, Deus forte (&#702;&#275;l gibbôr), título aplicado ao próprio Senhor em Is 10:21. 

Pai Eterno e Principe da Paz são as qualidades de Deus para garantir a preservação do seu povo (sabedoria) e sua libertação (fortaleza do príncipe guerreiro). Pai é um título comum aos reis no Antigo Testamento. Em referência ao Senhor, aponta Seu interesse pelos indefesos (Sl 68:5) e sua responsabilidade pelos seus filhos.

Pai Eterno (ou "da eternidade") é um título indubitavelmente aplicado exclusivamente a Jeová. Quando o povo pediu a Deus um rei, tinham em mente uma instituição governamental que oferecesse maior estabilidade que o governo episódico dos juízes. A segurança completa e duradoura, porém, exige mais do que um mero governo monárquico temporal - só pode ser alcançada por um rei cujo reinado não esbarre nos limites do tempo.

Príncipe da paz significa mais do que alguém que ponha fim as guerras. Em nível pessoal, paz supõe plenitude; "morrer em paz" significa ter vivido uma vida plena, tendo completado a vocação dada por Deus (p.e. Gn 15:15, 2Rs 22:20). Paz significa também bem-estar (Gn 29:6) e libertação da angustia (1Sm 1:17). Nos relacionamentos é boa vontade e harmonia (Êx 4:18), o oposto da guerra (Lv 26:6). Em relação a Deus, paz aponta para o pleno cumprimento dos seus propósitos (Nm 6:26), a "paz com Deus" (Nm 25:12, Is 53:5; Ml 2:5-6). Estes significados para paz guardam íntima relação com o termo &radic;&scaron;&#257;l&#275;m "ser pleno/completo". O Príncipe da paz é o homem completo, a unidade, perfeitamente integrado com Deus e com a humanidade.

Mas mesmo com toda esta interpretação profética não podemos esquecer que este Rei nasceu de fato! Um bebê comum que precisava mamar ao seio materno, ter suas fraldas trocadas, dar os primeiros passos segurando as mãos dos pais. É difícil entender as naturezas humana e divina de Jesus. Creio plenamente na divindade de Jesus Cristo. Creio também em sua plena humanidade. Ele foi gente de verdade, capaz de rir, de chorar. Passou por perplexidades e que aprendeu muita coisa gradativamente como as outras pessoas. Creio que ele era verdadeiro Deus e verdadeiro homem, embora eu não tenha todas as respostas para as perguntas levantadas pela doutrina das suas duas naturezas.

Paulo, discorrendo sobre o privilégio e honra que Jesus merecia, e que temporariamente abriu mão, dizia que, "sendo rico, se fez pobre por amor de vocês" (2Co 8.9), por nós. "Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens" (Filipenses 2.5-7). 

Não existe dúvida que imitar Jesus faz parte da vida cristã. Há diversas passagens bíblicas que nos exortam a fazer isto. No Novo Testamento encontramos por várias vezes o Senhor como exemplo a ser imitado. Todavia, é bom prestar atenção naquilo em que o Senhor Jesus deve ser imitado: em procurarmos agradar aos outros e não a nós mesmos (1Co 10:33 - 11:1), na perseverança em meio ao sofrimento (1Ts 1:6), no acolher-nos uns aos outros (Rm 15:7), no andarmos em amor (Ef 5:23), no esvaziarmos a nós mesmos e nos submeter à vontade de Deus (Fp 2:5) e no sofrermos injustamente sem queixas e murmurações (1Pe 2:21).

O que Jesus tinha para se "apegar" que poderia ser obstáculo a sua missão? Sua Glória. Jesus se esvaziou da sua glória assumindo a forma de "servo" sendo, afinal, glorificado. "Não será assim entre vocês. Ao contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, (Mateus 20:26 NVI)" E eu? Do que eu preciso me esvaziar? Como não temos glória para nos apegar, sugiro que nos esvaziemos dos nossos pecados favoritos para que a glória de Cristo venha ocupar seu lugar de direito. Prepare um trono para Jesus no seu coração.

O REI MISSIONÁRIO

"Alegre-se muito, cidade de Sião! Exulte, Jerusalém! Eis que o seu rei vem a você, justo e vitorioso, humilde e montado num jumento, um jumentinho, cria de jumenta. Ele destruirá os carros de guerra de Efraim e os cavalos de Jerusalém, e os arcos de batalha serão quebrados. Ele proclamará paz às nações e dominará de um mar a outro, e do Eufrates até os confins da terra." Zacarias 9:9-10

O verso 9 é sem duvida o mais conhecido de Zacarias e um dos mais recitados no Antigo Testamento. A chave para a interpretação desta passagem é a compreensão da identidade do "Rei" - visto aqui entrando em Jerusalem montado num jumento sob gritos de jubilo. Os versos 1-8 do capitulo 9 deixam claro que é Deus que está vindo para Jerusalem - é Deus quem está sendo aguardado. Mas a figura de Deus montado num jumento é incongruente - para dizer o mínimo! - a menos que este Rei seja também um homem - um homem intimamente ligado com Deus.

Este rei incorpora pessoalmente a justica de Deus; Ele é seu perfeito representante. Ele é o agente através do qual a salvação será possível. A vinda de Jesus como Messias é a vinda do próprio Deus ao mundo!

Ao entrar em Jerusalem o Rei assumia sua missão. Mas Ele escolhe assumir sua missão de modo pacifico (Is 53). Ele foi anunciado como Rei (Is 9), mas um rei de paz.

O livro de Juízes nos conta a historia de Jair (Jz 10:3-5). Não sabemos muito sobre sua identidade ou como conduzia seu oficio de juiz. Sabemos que ele tinha "trinta filhos que montavam trinta jumentos". No contexto bíblico, famílias numerosas (trinta filhos!) eram sinal de prosperidade e de benção divina. Alem disso, aquele que cavalga em jumento ao invés de cavalo de guerra era portador de paz.

Os juízes eram responsáveis por promover a justiça numa época de grande instabilidade social. Jair é um exemplo de um homem que "levantou-se (1)" e cumpriu sua missão agindo como um pacificador. Você está preparado para assumir a missão de Deus para sua vida? Como você quer encarar esta missão? Deus é ao mesmo tempo justo e justificador de todo aquele que crê em Jesus. Mesmo nos tempos do Antigo Testamento já se sabia que a misericórdia e a verdade podem caminhar em harmonia - a justica e a paz podem concordar.

Quais as armas do cristão para cumprir sua vocação no mundo onde o caos do pecado impera? "Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas.  Ponham em prática tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim. E o Deus da paz estará com vocês." (Filipenses 4:8,9 NVI) Você quer cumprir a vocação de Deus montado num cavalo de guerra, destruindo e conquistando, ou montado num jumentinho, caminhando numa jornada rumo a Jerusalem?

O ANCIÃO

Voltei-me para ver quem falava comigo. Voltando-me, vi sete candelabros de ouro  13 e entre os candelabros alguém "semelhante a um filho de homem" com uma veste que chegava aos seus pés e um cinturão de ouro ao redor do peito. Sua cabeça e seus cabelos eram brancos como a lã, tão brancos quanto a neve, e seus olhos eram como chama de fogo. Seus pés eram como o bronze numa fornalha ardente e sua voz como o som de muitas águas. Tinha em sua mão direita sete estrelas, e da sua boca saía uma espada afiada de dois gumes. Sua face era como o sol quando brilha em todo o seu fulgor. Apocalipse 1:12-16

Antes de ver a Cristo exaltado, ele vê a igreja. O mundo vê Cristo através da igreja e no meio da igreja. Isso significa que ninguém verá a Jesus em glória senão por meio da sua igreja aqui na terra. Você precisa da igreja. O que é a igreja? Ela é a luz do mundo. Por isso, ele é candeeiro e estrela. A luz da igreja é emprestada ou refletida, como a da lua. Se as estrelas têm de brilhar e as lâmpadas luzir, elas devem permanecer na mão de Cristo e na presença de Cristo.

Cristo está não apenas entre a igreja, mas a têm em suas próprias mãos. Essas duas figuras, portanto, são um símbolo incomum para representar o caráter celestial e sobrenatural da igreja, seja através dos seus membros, seja através dos seus líderes.

O Rei - que agora sabemos tratar-se de Jesus - é visto por João com um Ancião. Naquela época a expectativa de vida não era muito alta. Os anciãos eram considerados pessoas que haviam cumprido sua missão e mereciam reconhecimento por isso. Na sua glória, Jesus é visto como alguém que não deixou nada referente a sua missão para trás. Ele toca e fala. A mesma mão que segura (v. 16), é a mão que toca e restaura (v. 18). O mesmo Jesus que acalmou os discípulos muitas vezes, dizendo-lhes, não temas, agora diz a João: Não temas. A revelação da graça de Jesus o põe de pé novamente para cumprir o seu ministério.

Nossa vida também está destinada a maturidade. E esta não acontece somente com o passar dos anos. Ao contrario dos programas da TV, envelhecer bem não depende so de você! Maturidade ocorre quando nosso caráter (manifestado em nosso modo de viver e pensar) é transformado a semelhança do nosso Rei: (1) como uma criança, despindo-se da sua gloria (Is 9); (2) como um servo de paz, disposto a cumprir sua missão (Zc 9); (3) e enfim, como luzeiro, refletindo a gloria do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores (Ap 1).

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				  <pubDate>18 Dec 2012 15:02:18 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=9452</link>
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				  <title>Dois anos e suas Tanatologias: 1963 e 2011</title>
				  <description>
A Tanatologia de 1963 [1]

Precisamente no dia 22 de novembro de 1963, três grandes homens morreram com intervalo de poucas horas um do outro: C. S. Lewis, John F. Kennedy e Aldous Huxley. O primeiro era irlandês de nascimento, tendo passado a maior parte da sua vida na Inglaterra. Os demais eram americanos.

Lewis e Huxley eram escritores. Suas obras influenciaram sua geração. Lewis é famoso por sua série As Crônicas de Nárnia, sua Trilogia Espacial e outros de caráter teológico-filosófico. Publicado em 1932,  Admirável Mundo Novo (Brave New World na versão original em língua inglesa) é a apoteose de Huxley.

John F. Kennedy foi eleito aos 43 anos de idade 35.º Presidente dos Estados Unidos numa eleição disputadíssima com Richard Nixon, com uma diferença de 0,2% de votos. Muitos atribuem a vitória de Kennedy a forma como aparecia na recente televisão, o carisma e a jovialidade eram passados com convicção. Durante a pré-campanha para sua reeleição foi assassinado em carro aberto num desfile ao lado da sua esposa Jackie Kennedy.

Todos estes personagens criam, de diferentes maneiras, que a morte não representava o fim da vida humana. Estes três homens representam as três filosofias de vida mais importantes de sua época: o antigo teísmo ocidental (Lewis), o moderno humanismo ocidental (Kennedy) e o antigo panteísmo oriental (Huxley).

Estes três homens representavam também as três versões mais influentes do cristianismo em nossa cultura moderna: o cristianismo tradicional, mais disseminado ou ortodoxo (que Lewis chamava de cristianismo puro e simples ou "mero cristianismo"), o cristianismo moderno ou humanístico (Kennedy), e o cristianismo orientalizado, ou místico (Huxley).

Lewis aceitava o cristianismo de forma pura, ou simples. Ao invés de reinterpretá-lo à luz de qualquer outra tradição, antiga ou moderna, oriental ou ocidental, ele interpretava essas tradições à luz do cristianismo. Assim, a exemplo dos filósofos cristãos medievais, ele usava muito da antiga cultura ocidental, especialmente Platão e Aristóteles, para firmar sua apologética cristã.

Kennedy, conquanto não fosse um filósofo ou teólogo, provavelmente era, de forma geral e vaga, um cristão humanista, no sentido em que esse termo foi definido atrás. Embora não expressasse publicamente suas convicções religiosas pessoais (o que é, em si, uma atitude mais humanista que tradicional: confinar a religião à vida particular), temos provas suficientes para o classificarmos como tal.

O fato de ser Lewis protestante (anglicano) e Kennedy católico é  irrelevante aqui. Cristãos tradicionalistas e modernistas podem ser encontrados nas duas igrejas, e as diferenças existentes entre eles é muito mais importante do que a diferença entre o protestantismo e o catolicismo.

Nosso terceiro homem, Aldous Huxley, expressou suas crenças religiosas mais profundas em uma antologia de sabedoria mística, The Perennial Philosophy ("A Filosofia Perene"), embora seja mais conhecido pelos romances que escreveu. Como Kennedy, ele às vezes usava categorias cristãs para conter uma substância diferente, ao invés de fazer como Lewis, que usava categorias gregas ou modernas para conter substância cristã. No caso de Huxley, a substância era o panteísmo, e ele reinterpretou o cristianismo como uma forma de filosofia universal, "perene", do panteísmo. 

A Tanatologia de 2011

Julho de 2011 também ficará marcado como o mês da morte de duas personalidades (coincidentemente inglesas). No dia 23 de Julho morre em Londres a cantora Amy Winehouse, aos 27 anos. Alguns dias depois, em 28 de Julho de 2011 morre John Stott - um dos maiores teólogos e escritores cristãos da atualidade - aos 90 anos.

Considerada a responsável pelo ressurgimento da soul music - que perdera lugar para o pop louco e para a discomusic - em 2003, uma nova cantora, simples e sem aspirações de diva trouxe de volta as paradas o soul. Com sua voz grave e seu estilo eclético, Amy Winehouse, de 27 anos, foi comparada a cantoras de peso, como Nina Simone e Sarah Vaughn (BBC).

Numa carreira explosiva, Winehouse ganhou 22 premiações das 29 indicações que teve durante sua carreira. Sua escalada de sucesso que já havia lhe rendido US$ 33 milhões. Tanto para fazer músicas, uma expertise que, a despeito de todas as polêmicas que a envolviam, ajudou a vender mais de 12 milhões de discos e a acumular cinco prêmios Grammy, quanto para vender produtos. O sucesso transformou-a em diva e it girl (categoria de mulheres que têm o dom de influenciar muitas outras, com seu estilo de vida e seu guarda-roupa) da noite para o dia. Essa capacidade foi capitalizada pela marca britânica de roupas esportivas, Fred Perry, que a convidou para desenhar uma linha de roupas, no ano passado. A cantora criou vestidos, blusas, saias e acessórios inspirados em seu próprio estilo, identificado principalmente por um indefectível penteado armado no alto da cabeça e olhos marcados pelo uso abundante de delineador.

John Stott nasceu em 1921. Cresceu na igreja All Souls - no coração financeiro de Londres - e dedicou mais de 60 anos de seu ministério a ela. Ele estabeleceu a reputação da igreja como uma comunidade dinâmica e evangélica dentro da igreja da Inglaterra, com um compromisso sólido na Pregação e o Ensino Bíblico como algo claro, vivo e relevante. Foi indicado como pároco de All Souls bem no final da Segunda Guerra mundial. Em 1950 foi nomeado diretor, na surpreendente idade de 29 anos. Os diretores de All Souls eram nomeados pela coroa inglesa e John Stott trabalhou muitos anos como um dos capelães da rainha Elizabeth II. Do púlpito de All Souls, Stott pregou sistematicamente sobre muitos livros da Bíblia e fixou um padrão de exposição bíblica que influenciou o mundo inteiro. Dos seus sermões também retirou material para seus muitos comentários publicados e outros livros. Escreveu mais de 40 livros.

Stott enxergou em primeira mão o fenomeno do crescimento explosivo da igreja nos continentes do sul e do extremo oriente. Mas também observou que este crescimento não tinha profundidade - quer dizer, era um crescimento numérico mas não em maturidade. Encabeçou várias iniciativas para capacitar os líderes destas novas igrejas, estabelecendo escolas internacionais, cursos a distância e doação de material didático. Todos os direitos autorais dos livros de Stott são direcionados para a Langham Literature, uma fundação criada para oferecer literatura para líderes em países em desenvolvimento. Foi nomeado uma das 100 pessoas mais incluentes do mundo pela revista Times em 1995.

Assim como a morte do trio de 63 nos faz refletir sobre a secularidade, a espiritualidade e a alienação, creio que a morte desta dupla de Julho de 2011 nos faz refletir sobre vocação e desejo.

Nenhum de nós chega no mundo completo e nenhum de nós é sábio e forte suficiente para criar-nos por nós mesmos. Nós crescemos e amadurecemos em resposta ao que está dentro e for a de nós. Antes da "morte de Deus" este era o pensamento predominante. Celebrada como a libertação do homem da tirania da religião estas filosofias antropocêntricas acabaram por dar a luz a uma geração cujo principal objetivo na vida é ser feliz. Inclusive há até um projeto de Lei no Congresso Brasileiro chamado PEC da Felicidade de autoria do Senador Cristóvam Buarque que altera o art. 6º da Constituição Federal para incluir o direito à busca da felicidade por cada indivíduo e pela sociedade.

De acordo com esta filosofia antropo-centrada (chamo filosofia todas estas idéias que estão difundidas nas artes, na política, na religião e não pode ser rotulada isoladamente) o fim principal do homem é a busca da sua própria felicidade. Qual a relação de John Stott e Amy Winehouse com este espírito da nossa época?

John Stott foi um homem entusiasmado por Jesus Cristo. Essa relação pessoal com o Senhor começou em fevereiro de 1938 quando Stott abriu seu coração para Jesus, com a idade de 17 anos. Para ele, Jesus "é o nosso destino e também o nosso predecessor, nosso acompanhante e a nossa senda". Em Jesus, a cruz deixa de ser símbolo de uma forma de execução para ser símbolo do evangelho da salvação. O símbolo do cristianismo poderia ser a manjedoura (para salientar a encarnação), a carpintaria (para salientar a dignidade do trabalho manual), ou a toalha (para salientar o serviço humilde). No entanto, esses símbolos foram ignorados em favor da cruz!

Os livros de Stott são absolutamente Cristo-cêntricos. Christopher J.H Wright, Diretor da Langham Partnership International cita uma frase que demonstra bem o caráter de John: "Deus permita que me glorie somente na Cruz do Senhor" (grifo meu).

O maior competidor da devoção a Jesus é o serviço prestado a Ele. Nós amamos nosso trabalho e, virtualmente, adoramos o que fazemos, mas corremos o risco de retirar Jesus do centro daquilo que fazemos. Colocamos a ênfase no serviço, ou na utilidade, ou na produtividade para o Reino de Deus - as custas de que? Não fazemos isto para provar nossa própria importância no Reino? Para mostrar nossa própria capacidade de fazer diferença no mundo?

Stott sabia que nós não somos chamados primariamente para fazer alguma coisa ou ir para algum lugar; nós somos chamados para Deus. A chave para a compreensão da nossa verdadeira vocação é nos envolver num profundo relacionamento com o próprio Deus. Quando nosso desejo se alinha ao chamado de Deus, a jornada da nossa vida é endireitada. (Isaías 40:3; Mateus 3:3; Marcos 1:3; Lucas 3:4; João 1:23)

No entanto, quando desejo e vocação traçam rotas por caminhos distantes de Deus, nossa jornada passa a ser marcada por confusão e desespero. "O workaholic, como o alcoólatra, é indiscriminado na sua compulsão. Ele tenta buscar significância pelo trabalho."

O Budismo trata a questão do desejo no enunciado básico de seu fundador:


    A vida é sofrimento.  
    Ter o que não se quer ter, e não ter o que se quer ter, isso é sofrimento.
    A causa do sofrimento é o desejo. 
    Lit. tanha: ambição, vontade, egoísmo
    A maneira de acabar com o sofrimento é eliminar o desejo.  
    Tal estado é o Nirvana (extinção)
    A maneira de eliminar o desejo é o caminho da redução do ego.



Pode-se pensar que é possível extinguir o desejo ao alcançar o objeto desejado. No entanto, não é o objeto desejado que causa o sofrimento, mas o desejo em si. No seu quarto ponto o budismo nos convida a deixar de desejar - na prática, porém, nem o próprio Sidarta Gautama (Buda) alcançou plenamente este estado.

Amy Winehouse não era budista. Nasceu em uma área suburbana de Southgate, bairro de Londres, numa família judia de quatro pessoas e de tradição musical ligada ao jazz. Seu pai, Mitchell Winehouse, era motorista de taxi e sua mãe, Janis, farmacêutica. Amy tinha ainda um irmão mais velho, Alex Winehouse. Ela cresceu em Southgate, onde fez os estudos na Ashmole School.

Bem antes de seu sucesso na mídia seu histórico com drogas e álcool já  era um problema. No Jornal do Brasil é possível encontrar uma sequência de fotografias que mostram como o abuso de entorpecentes fez com que Amy, aos 27 anos parecesse uma pessoa velha e cansada[2].

Sua morte, na expressão do jornalista Marcos Losekann (ao vivo na GloboNews) era uma tragédia anunciada.

Amy foi um gênio da música. Mas não era feliz. Amy teve tanto dinheiro que podia escolher qualquer tipo de droga para se desligar do desejo... mas sempre que o efeito passava, o desejo voltava....

Preciso concluir esta breve reflexão, e não posso fazê-lo sem citar dois pregadores. Um do cânon Bíblico e outro do cânon da Literatura universal.


"Ele fez tudo apropriado ao seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim ele não consegue compreender inteiramente o que Deus fez." Eclesiastes 3:11


"Todo Homem carrega dentro de si um vazio do tamanho de Deus" Dostoievsky


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				  <pubDate>17 Aug 2011 12:31:13 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=8094</link>
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				  <title>O tição tirado do fogo</title>
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Zacarias 3:1-10

Uma reflexão sobre o amor de Deus e a Obra da Salvação

Um breve contexto histórico

Zacarias foi um profeta pós exílico. Foi contemporâneo de Ageu. Estes profetas exerceram seu ministério na província de Yehud. A província de Yehud foi o que sobrou do reino de Judá. Era uma pequena província com 55Km de norte a sul e 65Km de leste a oeste (Meyers &amp; Meyers 1987)

Havia uma tensão constante entre aqueles que haviam retornado do exílio e aqueles que não haviam sido exilados. Cada grupo pensava ter razões próprias para achar que era superior ao outro grupo: o "verdadeiro" remanescente através do qual Deus manteria sua aliança.

Tudo indica que a vida em Yehud era difícil. Seus habitantes viviam diariamente o doloroso contraste entre as glórias do passado e as humilhações do presente. Muito pouco do que os anistiados experavam avidamente havia se concretizado.

A mensagem de Zacarias e Ageu está fortemente alicerçada na pregação do arrependimento. Na compreensão destes profetas, arrependimento era algo que não deve acontecer somente na mente do indivíduo, ou na "igreja-enquanto-corporação".  Na mensagem destes profetas, se o arrependimento precisa acontecer, deve acontecer em todas as esferas da vida, nas casas, nos mercados, nos tribunais, nas câmaras públicas.  Arrepender-se significa, nestes contextos, reconhecer o SENHORIO de DEUS.

Centralidade da Mensagem

Neste contexto, arrependimento era tanto uma exigência quanto um dom. Tanto uma responsabilidade humana como um ato da soberania de Deus. Zacarias tinha a responsabilidade de pregar e os ouvintes de praticar.

O livro de Zacarias termina nos mostrando que há um tipo de arrependimento mais profundo e verdadeiro - o tipo que realmente o Senhor demanda no Reino. E este é, enfim um milagre que somente o próprio Deus pode operar.

Assim como Isaías, ele entendeu que o Reino de Deus viria, finalmente, somente através da morte expiatória do Messias (a expressão "simbolizam coisas que virão" no texto base é claramente messiânica). Somente desta forma o povo de Deus poderia ser purificado do seu pecado totalmente e definitivamente, e ser encontrados aptos para entrar na herança no dia final. (-) Somente após o sofrimento, morte e glorificação do Servo Sofredor o perdão é livremente oferecido para todos os que vierem a Deus para recebê-lo. (Isaías 53; Is 55).  Tanto Isaías quanto Zacarias (14:16-21, especificamente 20-21) terminam com os povos de todas as nações, um novo Povo de Deus adorando a Deus como Rei na Nova Jerusalém.


1 Depois disso ele me mostrou o sumo sacerdote Josué diante do anjo do Senhor, e Satanás, à sua direita, para acusa-lo.


Há aqui pelo menos três personagens apresentados: (1) O Sumo-sacerdote Josué, (2) o anjo do Senhor, e (3) o acusador. Há, incidentalmente, um quarto personagem na profecia, representado pelos "companheiros de Josué" (v.8)


2 O anjo do Senhor disse a Satanás: "O Senhor o repreenda, Satanás! O Senhor que escolheu Jerusalém o repreenda! Este homem não parece um tição tirado do fogo?"


O anjo do Senhor repreende o acusador. Algumas pessoas acham que esta repreensão é o centro do versículo e tentam fazer desta frase um tipo de amuleto contra as ciladas do inimigo. Mas a repreensão do anjo apenas abre espaço no palco para a apresentação de Josué. Este é apresentado como um pedaço de lenha que havia sido tirado do fogo.

Um tição tirado no fogo é um naco de pau que já foi posto parar queimar numa fogueira e é retirado antes de queimar completamente.  Podemos considerar pelo menos três coisas sobre este "tição tirado do fogo":


a. Antes de ir para a fogueira: era madeira de pouco ou nenhum valor (lenha);

b. Depois de chamuscado: seu valor irrisório e sua utilidade duvidosa seriam reduzidos ainda mais.

c. Seu destino inevitável: virar cinzas.


O anjo apresenta um homem -  Josué, que era ao mesmo tempo um "tição tirado do fogo", isto é, alguém sem valor, cujo destino de virar cinzas já estava em curso ("tirado do fogo"). O anjo apresenta Josué desta maneira, porque era preciso mostrar Josué como ele era espiritualmente.


3 Ora, Josué, vestido de roupas impuras, estava em pé diante do anjo.


A reconstrução do templo foi designada pelo imperador persa Ciro II. No ano 539 a.C., Ciro apodera-se da Babilônia e ordena o repatriamento dos judeus mantidos em cativeiro e a reconstrução do seu templo, que, segundo o livro de Esdras (capítulo 1, versículos 1 a 4), terá tido lugar sob Zorobabel, sendo apoiada pelo funcionário Esdras e pelos profetas Zacarias e Ageu.


a. O Templo representava a presença/o relacionamento de Deus com Seu povo.


O primeiro templo foi destruído por Nabucodonosor em 586A.C. durante o reinado de Ezequias após anos de pregação profética e chamada ao arrependimento. Impureza, pecado não confessado, injustiça social, corrupção moral, prostituição com cultos abomináveis foram as grandes causas do juízo que culminou com o exílio e a destruição do primeiro templo.


b. Josué estava designado como o Sumo Sacerdote do novo templo que estava em construção.


Agora o templo estava sendo reconstruído. O relacionamento com Deus tinha uma nova oportunidade de ter uma representação. E mais: o povo que não foi levado cativo e os anistiados, haviam recebido a oportunidade de reconstruir sua nação e, consequentemente seu relacionamento com Deus.


c. (conflito) Será que os habitantes de Judá iriam repetir os mesmos erros que provocaram a queda do primeiro templo?


QUE ABACAXI!

Eis o abacaxi que os anistiados tinham que decidir: retomaremos a adoração no novo templo de qualquer maneira? Faremos vista grossa para os nossos pecados? Repetiremos os erros dos nossos antepassados?


4 O anjo disse aos que estavam diante dele: "Tirem as roupas impuras dele". Depois disse a Josué: "Veja, eu tirei de você o seu pecado, e coloquei vestes nobres sobre você".


Mas Deus sabe descascar abacaxis!

    Tirem as roupas impuras dele
    Eu tirei de você o seu pecado


Perceba a bondade que é manifesta durante toda  a ação: Deus tira um naco de lenha já chamuscado pelo fogo e realiza neste ser sem valor uma limpeza cerimonial, tornando este ser sem valor apto para ser usado a Seu serviço.

DEUS VÊ E VALORIZA O QUE EU E VOCÊ PODERÍAMOS CONSIDERAR DESCARTÁVEIS.

A construção gramatical do versículo não deixa dúvida de que a referência às roupas impuras de Josué significavam seu próprio pecado. Também podemos afirmar pelo menos duas outras coisas sobre estas vestes:


a. Não foi Josué que tirou suas vestes impuras;

b. Foram suas roupas, definitivamente, que o colocaram no fogo anteriormente;


Portanto,


b1. São os meus pecados que nos separam de Deus

a1. É só Deus que pode remover de nós a mancha do pecado


"Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo" (Romanos 5:1)

"Respondi: Senhor, tu o sabes. E ele disse: "Estes são os que vieram da grande tribulação e lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro." (Apocalipse 7:14)


    coloquei vestes nobres sobre você


A obra de purificação de Josué  aproxima-se da sua conclusão e o resultado final já pode ser visto: Deus havia transformado aquele "tição tirado do fogo" num "sacerdote" - uma obra de arte de onde só se esperava lixo.


"Ouçam, meus amados irmãos: Não escolheu Deus os que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos em fé e herdeiros do reino que ele prometeu aos que o amam?" (Tiago 2:5)


Além de tirar nossos pecados, Deus nos reveste com vestimentas nobres. Isto significa que Deus nos atribui valor. A nossa salvação, bem mais do que um seguro contra o fogo eterno, é uma obra em que Deus toma um ser completamente sem valor e nos transforma numa obra de arte (um poema, como Paulo diz em Efésios 2:8-10).


5 Disse também: "Coloquem um turbante limpo em sua cabeça". Colocaram o turbante nele e o vestiram, enquanto o anjo do Senhor observava.


"A cabeça" é vista na Bíblia como representação de autoridade. O Novo Testamento diz, por exemplo, que Jesus é o Cabeça da Igreja, indicando que Ele detém toda autoridade sobre a igreja. O turbante limpo na cabeça de Josué indicava que a partir daquele momento o próprio Deus passaria a reinar sobre os pensamentos de Josué.

Ao colocar o turbante na cabeça de Josué o Anjo, além de deixar claro que a purificação do seu pecado havia concluído, o investe de autoridade como sacerdote escolhido por Deus. Autoridade não tem nada a ver com poder sobre os outros, mas com submissão a Deus num relacionamento onde nossos pensamentos e atitudes são completamente dirigidos por Ele.


"Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Antes vocês nem sequer eram povo, mas agora são povo de Deus; não haviam recebido misericórdia, mas agora a receberam." (1 Pedro 2:9-10)


6 O anjo do Senhor exortou Josué, dizendo: 7 "Assim diz o Senhor dos Exércitos: ´Se você andar nos meus caminhos e obedecer aos meus preceitos, você governará a minha casa e também estará encarregado das minhas cortes, e eu lhe darei um lugar entre estes que estão aqui.


Quando o processo parece acabar, é só o começo:

    Assim diz o Senhor dos Exércitos: "Se você



a. andar nos meus caminhos e > andar nos caminhos é viver (diariamente) na JORNADA do relacionamento com Deus

b. obedecer aos meus preceitos > obedecer é aprender a tomar decisões morais fundamentados nos preceitos da Palavra de Deus


    você governará a minha casa"


Josué seria reconhecido entre o povo como alguém chamado por Deus e capacitado por Deus. Isto nos lembra do chamado de Moisés - assim como aquele homem gago e relutante precisou de uma capacitação sobrenatural, Josué recebe a promessa de que seu ministério seria autenticado pela sua obediência e pela sua conduta diária.

SUCESSO DO MINISTÉRIO NÃO DEPENDE DA CAPACIDADE HUMANA, MAS DA SUBMISSÃO A DEUS


8 " ´Ouçam bem, sumo sacerdote Josué e seus companheiros sentados diante de você, homens que simbolizam coisas que virão: Trarei o meu servo, o Renovo.


A purificação pela qual Josué  passou não deveria ficar restrita somente a Josué.  Todos os demais sacerdotes sob a liderança de Josué deveriam ser purificados, pois eles (todos eles!) seriam símbolos de coisas que virão.

Como vimos anteriormente, na Nova Aliança todos os cristãos são sacerdotes e, portanto, esta advertência também se estende a nós, porque o Sacerdócio apontava para (ou simbolizava) o RENOVO - aquele que viria e que exerceria o sacerdócio de modo perfeito. Eles simbolizariam aquele que viria no futuro. Nós representamos Aquele que veio de uma vez por todas.


"Quando Cristo veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes ele adentrou o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem, isto é, não pertencente a esta criação. Não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santo dos Santos, de uma vez por todas, e obteve eterna redenção." (Hebreus 9:11-12)


9 Vejam a pedra que coloquei na frente de Josué! Ela tem sete pares de olhos e eu gravarei nela uma inscrição´, declara o Senhor dos Exércitos, ´e removerei o pecado desta terra num único dia. 10" ´Naquele dia´, declara o Senhor dos Exércitos, ´cada um de vocês convidará seu próximo para assentar-se debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira´ ".


Tá aí um trecho difícil de interpretar! Mas podemos tentar.

    Uma pedra significa um marco, um sinal externo de um acontecimento memorável. Era comum no oriente antigo erguer memoriais de pedras para lembrar acontecimentos marcantes.
    
    
também pode ser um indicador: Numa estrada, uma pedra obriga o viajante a mudar de direção; indicando a necessidade de endireitar o caminho;
    
    
    
Os olhos são a janela da alma, representam os cinco sentidos, através dos quais nós percebemos o mundo ao nosso redor.
    
    O número sete indica completude, perfeição.


    Sete pares de olhos nos transmite a seguinte mensagem: o SENHOR vê a totalidade dos nossos pecados, inclusive os que nós não conseguimos enxergar. (Conf. Provérbios 15:3 - "Os olhos do Senhor estão em toda parte, observando atentamente os maus e os bons.")


    
    
Também podemos inferir que esta pedra estava num local visível a outras pessoas (público), portanto,
    
    A inscrição entalhada na pedra poderia ser lida por qualquer pessoa e o seu conteúdo completa a visão dos sete olhos: o SENHOR vê a totalidade do nosso pecado e está disposto a removê-lo!


Esta pedra pode bem representar o Evangelho de Deus: A notícia que Deus nos vê por completo. Ele conhece o "tição tirado do fogo" que existe em mim. E mais: que Ele está disposto a mudar a sorte deste "tição tirado do fogo"  transformando-o num sacerdote da Nova Aliança.


"Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo de uma vasilha. Ao contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus." (Mateus 5:14-16)


E o acusador?

Satanás permanece calado todo o tempo.

Ele veio para acusar, mas não precisou acusar - as vestes impuras de Josué já o denunciavam.

O acusador permanece ali para testemunhar a ação de Deus.


"Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica." (Romanos 8:33)


Pare e pense

Diante de:

    Madeira sem valor
    Rumo à destruição


Deus vem e:

    Tira do fogo
    Limpa a sujeira
    Atribui valor
    Separa para uso próprio
    Escolhe para ser espelho do Seu próprio Filho



"como escaparemos, se negligenciarmos tão grande salvação?" (Hebreus 2:3)


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				  <pubDate>11 Aug 2011 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=8089</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>A Jornada, um sonho Bunyano</title>
				  <description>
Sonhei, e em meu sonho encontrava-me perdido numa terra árida, cheia de pedregulhos. As  montanhas estavam nuas, não havia árvores - talvez alguém as tivesse arrancado. No horizonte o sol frio e preguiçoso parecia querer se por antes da hora.

Perdido que estava, saí a procura de um caminho. Afinal, viajar com esperança é melhor que chegar - assim eu pensava. Passei a caminhar pelo que parecia uma antiga e sinuosa trilha.

Logo no início da caminhada avistei duas figuras empurrando uma a outra, gesticulando muito, como se estivessem brigando. Pensei: talvez sejam marido e mulher resolvendo suas desavenças durante a caminhada. Seria prudente interrompê-los? Ao me aproximar deles duas coisas ficaram claras: (1) tratava-se mesmo de um casal; (2) eles se pareciam muito um com o outro, apesar da diferença de costumes pareciam irmãos; (3) a arenga deles era contínua.

- Tradicionalismo, você não percebe que está caduco? O tempo passou e você está por fora. A melhor maneira de alcançar a Ilha-que-desce-dos-céus é através do que há de mais moderno. A tecnologia está aí para te substituir.

- Novidade, minha irmã, como você é ingênua. As gerações que, antes de nós buscaram a Ilha nos deixaram seus passos exatamente para os repetirmos.

- Olá. Algum de vocês sabe me dizer qual o caminho para a Ilha-que-desce-dos-céus?

- Como você ouviu falar da Ilha? Você frequentou algum catecumenato?

- Claro que foi pela internet - interpelou  Novidade.

- Nem por um nem por outro caminho. Simplesmente acordei neste lugar árido e percebi que não pertenço a este lugar. Comecei a caminhar e os ouvi mencionando a tal Ilha-que-desce-dos-céus. Será que eu não pertenço a este lugar?

- Você não tem certeza? Disse  Tradicionalismo.

- Não. Apenas tenho um bom palpite aqui dentro.[1]

- Mas você não pode permanecer na dúvida. Se repetir os passos dos nossos antepassados...

- Não sairá do lugar! Interrompeu  Novidade. O negócio é pesquisar tudo de novo que saiu sobre a Ilha. Conheço um ótimo professor a distância - ele se chama  Google. É praticamente onipresente e não tenho dúvidas que está bem próximo da onisciência.

- Mas quem são vocês?

- Somos Novidade e Tradicionalismo. Apesar de parecermos diferentes somos filhos de Zeitgeist. Nosso pai é o espírito da época. Nós conduzimos a maioria das pessoas que estão interessadas em ir para a Ilha.

- Que bacana! Então vocês já estiveram na Ilha?

- Não. Nós apenas mostramos o caminho. Minha irmã insiste que o caminho é a modernidade, o intelectualismo, o psicologismo e a busca pessoal pela felicidade. Eu insisto que o caminho está em repetir os passos dos nossos ancestrais tão perfeitamente quanto eles mesmos.[2]

- Isto significa que vocês não me acompanharão na jornada?

- Não. Você deve escolher entre um de nós.

Estava anoitecendo. O uivo do vento frio cortava por minhas roupas de pano cru. Novidade e Tradicionalismo avistaram uma mureta, como um ponto de ônibus e decidiram que ficaraiam ali. Tinham ainda muito a discutir durante a noite. Aqueles dois pareciam que nunca chegavam a nenhum acordo!

Precisava descansar, e aquele ti-ti-ti estava atrapalhando minha cabeça... Me desculpei com os amáveis filhos de Zeitgeist e fui descansar do outro lado da estrada, no relento mesmo. A noite voou.

Ao amanhecer não os vi mais. Será  que eles voltaram a caminhar? Corri adiante da estrada mas não os encontrei. Será que eles haviam retornado? Mas eles não podiam andar pra trás... A Ilha-que-desce-dos-céus... O vazio no meu coração...[3]

Decidi que não procuraria mais por eles. Seguiria a estrada. Mesmo sem saber ao certo como chegar na tal Ilha, nem mesmo se ela existia, decidi seguir adiante.

Meus passos eram ora firmes, como quem sabe exatamente para onde vai. As vezes vacilantes (afinal, pra onde estou indo...)

Bem adiante na estrada avisteu outra dupla, desta vez de mãos dadas, mas não como os namorados costumam fazer. Eles caminhavam com passos firmes, seu tom de voz era amistoso e gentil, apesar de eventualmente pausarem a caminhada para uma conversa gesticulada, mas que surpreendentemente terminava num abraço cuja silhueta naquele sol preguiçoso era lindo de ver!

Não corri até eles. Estava meio traumatizado com meus conhecidos do dia anterior. Assim mantive meu ritmo de caminhada. Não percebi que tinha sido visto por eles que, discretamente reduziram seu ritmo para nos encontrarmos poucos metros adiante.

- Olá. Meu nome é Relevância e este é meu irmão Tradição. Somos filhos da Sabedoria Divina.[4]

- Ora ora, ontem conheci dois irmãos com nomes parecidos com os de vocês. Por acaso não são parentes?

- Não. Conhecemos bem esta dupla, mas eles não são do nosso país. Nós somos da Ilha que vem dos céus.

- Não diga! Então vocês conhecem o caminho para lá? Me digam então: o que preciso para chegar nesta Ilha? Novidade me ofereceu um GPS. Tradicionalismo me ofereceu uma velha cartilha cheia de traças. Eu não consegui me decidir entre eles. O que vocês me dizem? A quem eu devo me agarrar para chegar a Ilha?

- À Verdade. Ambos responderam em uníssono.[5]

- Mas quem é este?

- A Verdade é a única capaz de preencher o vazio do nosso coração à procura da Ilha. A  Verdade é relevante, porque não está sujeito a destruição do tempo. A Verdade também se manifesta na história e todas as  Suas pegadas devem ser seguidas na tradição.[6]

Um abatimento veio sobre meu rosto.

- Por que você ficou abatido de repente?

- Achei que vocês me dariam uma fórmula, um clichê, alguma coisa para me apegar... Aí eu ficaria mais seguro.

- Você não acha esse caminho perigoso? E se esta segurança não fosse verdadeira?[7]

- Como assim?

- E se a sua segurança não estiver garantida pela Verdade?

- Então certamente estes apegos não me levariam à Ilha-que-desce-dos-céus.

- Correto. Por isso nós queremos convidá-lo a seguir viagem conosco.[8]

- Os outros disseram que eu deveria seguir sozinho. Vocês querem que eu vá com vocês?

- Claro!

- Finalmente decidi. Não seria seduzido por Novidade e por Tradicionalismo. Decidi que o que nortearia minha jornada seria unicamente a busca pela Verdade. Venha ao meu encontro Verdade bendita que conduz aos céus!</description>
				  <pubDate>16 Jul 2011 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=8072</link>
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				  <item>
				  <title>Orgulho, o vício inefável dos tolos</title>
				  <description>
Eclesiastes 2:1-11

Introdução

O orgulho, também chamado de soberba é o maior dos pecados.

No século IV, Evagrius Ponticus, um monge do deserto, desejoso de descobrir as mais profundas origens do pecado na alma humana, enumerou sete grandes pecados, intitulados os sete pecados capitais. A lista dos sete pecados capitais não é encontrada em nenhuma parte da Bíblia, mas seus efeitos e consequências são bem descritos, bem como as armas para vencê-los. Os sete pecados capitais não são tratados como situações estanques, mas como fator desencadeador de todos os demais pecados dos homens.

Frequentemente o orgulho é associado ao diabo. Este foi o pecado original de satanás. O orgulho também foi o pecado original de Adão (o nosso pecado), o desejo de ser como Deus, acima da Lei ao invés de sob ela.

O orgulho é o principal pecado porque é a violação do primeiro e grande mandamento.

O orgulho põe o eu na frente de Deus. Na história do fariseu e do publicano Jesus ilustra bem a atitude do orgulhoso. Ele se olha no espelho e admite para si mesmo que pode dizer com sinceridade que não é uma má pessoa: "Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens - ladrões, corruptos, adúlteros. O fariseu ressalta suas virtudes próprias e varre seus pecados para debaixo do tapete, não só para que os outros não vejam, mas para que, se possível, ele próprio não veja, e siga se achando justificado. Ele aprendeu a desenvolver seu senso de valor baseado em sua própria bondade.

Na Grécia antiga, Aristóteles chamou o orgulho de a maior das virtudes. O cristianismo o chamou de o maior dos pecados.


O problema é que o orgulho de cada um compete com o orgulho de todos os demais. Ou seja, o orgulho é essencialmente competidor; o orgulho não sente prazer em possuir algo, mas apenas em possuir mais do que o próximo. Dizemos que alguém tem orgulho de ser rico, ou de ser inteligente, ou de ter boa aparência, mas não é assim. A pessoa tem orgulho de ser mais rica, mais inteligente, ou de melhor aparência do que os outros (...) (P. Kreeft)


Agostinho via a soberba como o mesmo sentimento que levou Satanás a se afastar de Deus. Em sua raiz, a soberba é o desejo de desprezar todas as outras pessoas, ou em outros termos, é negar-se a reconhecer e admitir a presença, a igualdade ou mesmo a superioridade de qualquer outro.

O prazer de ser louvado não é orgulho. "Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel... (Mateus 25:21)"; você está muito bonito hoje, você cantou muito bem. O mal começa quando nos comprazemos em nossa própria realização. É pensar: "é mesmo, como sou bom! Já que agi assim".

Categorias de Blaise Pascal

1. Algumas pessoas consideram que são a causa das suas realizações e talentos.

2. Outras reconhecem que estas qualidades vem de Deus, mas crêem que as merecem.

3. Existem aqueles que ostentam qualidades que não tem.

4. O quarto grupo despreza os outros que não tem as qualidades que eles possuem - eles chamam a atenção para sua própria singularidade - sua exclusividade. Nós frequentemente não reconhecemos que o orgulho é um vício. Isto porque é difícil admitir que somos menos dignos que imaginamos ser, e porque nossa cultura valoriza a auto-estima elevada e falha em apreciar a humildade ou mesmo a modéstia.

Discussão

Vamos dar uma olhada no nosso texto e aprender com o Pregador através da descrição de sua própria experiência.


[1] Disse comigo: vamos! Eu te provarei com a alegria; goza, pois, a felicidade; mas também isso era vaidade. 2 Do riso disse: é loucura; e da alegria: de que serve?


Comigo, isto é, com o meu coração (heb. leb), meu homem interior; minha vontade, meu caráter.

A motivação maior do orgulhoso é satisfazer o seu próprio coração.

Rapidamente, porém, ele esbarra no "paradoxo do hedonismo":

quanto mais se busca o prazer, menos ele é encontrado. 


[3] Resolvi no meu coração dar-me ao vinho, regendo-me, contudo, pela sabedoria, e entregar-me à loucura, até ver o que melhor seria que fizessem os filhos dos homens debaixo do céu, durante os poucos dias da sua vida.


A NVI traduz loucura como extravagânciamas também pode ser entendida como futilidade. O orgulhoso não mede esforços para satisfazer seu próprio desejo. Vale tudo para chegar ao prazer máximo. O orgulhoso entende a espiritualidade como mais um meio para ser feliz, no entanto, é promíscuo ao admitir que outros meios também podem trazer sentido à vida.

Sucesso profissional


[4] Empreendi grandes obras; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas. 5 Fiz jardins e pomares para mim e nestes plantei árvores frutíferas de toda espécie. 6 Fiz para mim açudes, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores.


O êxito profissional por si só não constitui pecado. O Pregador mostra que foi um grande empreendedor, soube aproveitar todas as oportunidades que teve. Fez mestrado, doutorado, PhD; foi vereador, prefeito, deputado, governador, senador e presidente com excelência; Cuidou do seu próprio futuro e aprovisionou recursos para a geração seguinte.

Prosperidade financeira


[7] Comprei servos e servas e tive servos nascidos em casa; também possuí bois e ovelhas, mais do que possuíram todos os que antes de mim viveram em Jerusalém. 8 Amontoei também para mim prata e ouro e tesouros de reis e de províncias; provi-me de cantores e cantoras e das delícias dos filhos dos homens: mulheres e mulheres.


Mais uma vez o Pregador investe em algo legítimo: fez investimentos certos, poupou recursos financeiros. Um indício de que tratava bem os seus funcionários é que eles engravidavame se multiplicavam - o Pregador investiu em projetos altamente rentáveis.

Cultura e sensualidade


[8] (...) provi-me de cantores e cantoras e das delícias dos filhos dos homens: mulheres e mulheres.


A cultura é um bem de consumo imaterial bastante necessário. Todos gostamos de música, cinema, TV, jornais, revistas - as mulheres querem conhecer as últimas tendências da moda; os homens, da tecnologia. Pela primeira vez aparece algo não muitop louvável - a entrega à sensualidade, ou ao prazer sem barreiras.

Fama e popularidade


[9] Engrandeci-me e sobrepujei a todos os que viveram antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.


Quem não deseja ser conhecido e louvado pelo que faz? O Pregador não se priva do desejo da publicidade. Ele espalha out-doors com seu rosto e sua logomarca por toda a cidade. Contrata grandes bandas populares para tocar nas suas inaugurações nababescas, se bem que as vezes não é preciso nem banda, tamanho é o carisma alcançado pelo sucesso dos empreendimentos do Pregador.

Sucesso profissional. Prosperidade financeira. Cultura e sensualidade. Fama e popularidade.

Ele se torna o dono do mundo. O dono do próprio mundo.

Observe que o Pregador gaba-se de ter criado um mundo só para si. Um mundo criado para atender ao apetite do seu próprio coração. Não houve limites para criar essa estrutura (v.10). E o objetivo desta gênese era um só: trazer prazer ao coração do Pregador. O Qohelet tenta competir com Deus. Ele não está satisfeito com o mundo que o Senhor criou para ele.O orgulho é mortal porque tenta competir com Deus.

O resultado desta competição pode ser visto no versículo 11:


[11] "Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol."


Após satisfazer todos os apetites do seu coração e contemplar todo o pequeno universo criado pela sua mão, o Qohelet sente-se frustrado. A pior coisa que pode acontecer ao orgulhoso é ter exatamente o que ele quer: ser o melhor, estar acima de todos, ser melhor do que qualquer outra pessoa, sentir-se no pleno direito de desprezar todas as pessoas, ali em seu castelo, cercado de seus troféus, completamente sozinho.

O contraponto da soberba - "Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus." Mateus 5:3

As virtudes são oponentes dos pecados capitais. Os vícios são o resumo da miséria do mal (a excelência no pecado); as bem-aventuranças resumem a excelência do Reino de Deus.


"Foi a soberba que transformou os anjos em demônios, mas é a humildade que torna os homens em anjos". Agostinho


A virtude da humildade é, talvez, a que mais se distancia do arquétipo pregado pela cultura secular. Os pobres de espírito (os humildes) são chamados "bem-aventurados"não porque sua pobreza lhes conceda alguma condição meritória, mas porque precisamente apesar disso e em meio a sua sempre deplorável condição o reino dos céus lhes traz a redenção pela graça de Cristo.

A soberba nunca nos deixará ser servos; ela sempre fará com que queiramos ser senhores de nossa própria sorte, reis de nosso próprio destino, sem devermos nada a ninguém. A humildade do cristão inspira-se em Deus e encontra sua segurança no fato de ele ter sido criado, amado e perdoado por Deus. O único caminho para se tornar humilde é admitir que é orgulhoso. É como se eu me considerasse um jarro cheio com qualquer coisa minha e eu decidisse esvaziar esse jarro e enchê-lo com outra essência.

O mundo é falho em entender o poder que há em esvaziar-se de nós mesmos. Se formos a Deus com as mãos vazias, ele as encherá.

Se chegarmos a Deus com as mãos cheias, ele não terá lugar para colocar-se. Nossa receptividade é nossa esperança.

Atitudes que me ajudam a vencer a soberba

Numa sociedade que recompensa a humildade exterior (é de mau tom parecer arrogante), algumas pessoas imitam comportamentos típicos de uma humildade típica. O maior perigo espiritual, no entanto, é a tentação da pessoa que é verdadeiramente humildade cair na armadilha do pecado, paradoxalmente, se tornar orgulhosa da sua humildade.

Confissão. Humildade requer de nós que sejamos brutalmente honestos conosco mesmo que a honestidade não nos deixe felizes. Humildade requer honestidade e integridade, que são incompatíveis com a interpretação de papéis e fachadas que assumimos na nossa vida diária. A auto-revelação servirá de antídoto para o orgulho. A pessoa humilde realmente admite a culpa e pacientemente ouve a reprovação e a raiva dos seus inimigos.

Servir. "Humildade é pensar menos em si mesmo" (C.S. Lewis). Não é dizermos para nós mesmos que somos inúteis, que não servimos para nada, que seria melhor se estivéssemos mortos e assim por diante. Na maioria das vezes, isso é autopiedade. Como posso ser humilde se estou sempre prestando atenção só em mim mesmo - se toda minha ação tiver como objeto o meu próprio prazer? O humilde nunca se engaja em atividades para angariar honra ou glória mas é motivado pela benevolência e a glória de Deus.

Se eu fizer isso, sem dúvida, um trono ficará vazio no meu coração, e é vital que eu tome uma boa decisão quanto a quem deveria ocupar esse trono. Ocupá-lo com outra pessoa, uma paixão por um time de futebol ou uma ambição profissional ou acadêmica não vale a pena. Ocupar este trono com uma atividade religiosa irrefletida, que não visa a glória de Deus, é engano satânico. Você está disposto a confessar a soberba ou é orgulhoso demais para admitir que não precisa do perdão de Deus?

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				  <pubDate>08 Feb 2010 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=3418</link>
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				  <title>Felicidade</title>
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Olá.

Aproveitando a ocasião em que o assunto sobre o sofrimento está sendo debatido no podcast irmaos.com, gostaria de sugerir o excelente texto para a edificação de todos sobre a Felicidade produzido pelo Dr Peter Kreeft, filósofo e apologeta cristão, escritor de vários livros maravilhosos com destaque para Buscar sentido para o Sofrimento (Loyola) e Sócrates Vs Jesus - O debate (Vida). Que o Senhor possa nos fazer crescer em Intimidade a cada dia e possamos compreender que Alegria não é um estado subjetivo, mas uma situação Objetiva. Alegria é Graça. Jesus é a Graça encarnada. O Evangelho é Graça anunciada.

Forte abraço. Curtam a leitura.

 

FELICIDADE

Por Peter Kreeft

Áudio em inglês disponível em: http://www.peterkreeft.com/audio/06_happiness.htm

Meu assunto hoje é o conceito que Jesus tem da felicidade. E temos que começar pela mais simples e necessária preliminar, definindo esse termo.

Quase todo mundo, de Aristóteles a Freud, concorda que todos buscamos a felicidade. E que nós a procuramos como um fim, não como um meio. Ninguém procura a felicidade por qualquer outra razão. Nós argumentamos sobre outras coisas, mas não sobre a felicidade. Podemos dizer "de que vale a riqueza se ela não te faz feliz", mas não diríamos "de que vale a felicidade se ela não te faz rico".

Isso está claro, para os antigos, como Aristóteles, e também para os modernos, como Freud. Mas há uma diferença bastante significativa entre o significado tipicamente antigo e o significado tipicamente moderno de felicidade. Palavras antigas para a felicidade, como "eudaimonia", ou "macarios", em grego, ou "beatitudo", em latim, significam verdadeira e real bem-aventurança (ou seja, uma pessoa abençoada).

A palavra moderna em inglês, happiness, normalmente significa tão somente uma satisfação ou contentamento subjetivo. Então, no inglês moderno, se você se sente feliz, então você é feliz! Não faz o menor sentido, no inglês moderno, dizer a alguém: "você pensa que é feliz, mas não é". Mas esse é exatamente o assunto principal do livro mais famoso da história da filosofia, "A República", de Platão. Que a justiça, a virtude que abrange todas as outras, sempre é proveitosa, ou seja, capaz de tornar feliz, e a injustiça nunca é. Portanto, o homem justo, como Sócrates, mesmo se ele não tem mais nada, é feliz. E o homem injusto não é, mesmo se ele tiver tudo o mais, como Gollum, com seu anel de poder e invisibilidade. Portanto, devemos distinguir o antigo conceito, que é realmente bem-aventurança (ser abençoado) do moderno, que é realmente contentamento. Eu estarei falando sobre bem- aventurança aqui.

A bem-aventurança (ou ser abençoado) difere do contentamento de quatro maneiras. Todas elas podem ser vistas analisando-se a palavra grega "eudaimonia". Primeiro, começa o prefixo "eu", que significa "bom", implicando, portanto, que você tem que ser bom, moralmente bom, para ser feliz. Em segundo lugar, "daimon" significa "espírito", implicando, portanto, que a felicidade é uma questão da alma, não do corpo e de suas fortunas e bens externos. Já "happiness", ao contrário, vem da antiga palavra inglesa "hap", que significa precisamente, fortuna, sorte, ou chance, que foi a única categoria de pensamento pagão que o cristianismo suprimiu, em todos os outros casos o cristianismo adicionou aos paganismo. Como disse G.K. Chesterton, resumindo toda a história espiritual em apenas três frases, "O paganismo foi a maior coisa do mundo. O cristianismo foi ainda maior. E tudo o mais desde então tem sido comparativamente menor".

Se a bem-aventurança, o "ser abençoado" é espiritual, ele é livre. Você é responsável por sua "edaimonia". Mas a "happiness" (felicidade) simplesmente "happens" (acontece). Em terceiro lugar, "eudaimonia" termina em "ia" que significa um estado duradouro, algo permanente. O contentamento é momentâneo. A bem-aventurança, ou o ser abençoado é para a vida toda. Tanto é assim que Aristóteles, em sua "Ética a Nicômaco", não pôde chegar a uma conclusão se concordava ou não com a frase "só se pode chamar um homem de "feliz" depois de sua morte". Ou seja, espere pelo final da história, para julgar. Em quarto lugar, e mais importante de tudo, o estado de "eudaimonia" é objetivo, enquanto o contentamento é subjetivo. Quando falamos a palavra "felicidade", geralmente confundimos esses dois sentidos, o antigo e o novo. E isso não é totalmente errado. Porque dentro do conceito antigo de felicidade também está presente o novo, de modo secundário. A necessidade de algum contentamento, paz de espírito, prazer, e ao menos um pouco do dom da fortuna. Bem, dentro do conceito moderno de felicidade, ou seja, dentro do contentamento subjetivo, também está presente, de modo secundário, um sentimento de necessidade de algo do ingrediente tipicamente antigo, a necessidade de pelo menos alguma virtude. O sentimento da felicidade ser profunda e duradoura, ou ser real, e merecida, ou verdadeira felicidade, seja lá o que for isso. Estamos prestes a explorar o conceito de Cristo da felicidade. Ele é tipicamente antigo - bem- aventurança, ser abençoado -, mas ele também inclui a ambiguidade mostrada acima, ou duplicidade de significado, satisfação subjetiva e perfeição objetiva.

Vejamos, primeiramente, o nosso conceito de felicidade. Quando eu falo de "nosso" conceito de felicidade, quem é esse "nós"? É a nossa cultura, o panorama mental em que todos nós habitamos, mesmo quando nos sentimos como alienígenas aqui. De modo geral, o ocidente moderno pós-cristão, mas, sendo mais específico, os Estados Unidos contemporâneo, como apareceria em pesquisas de opinião.

Se uma pesquisa de opinião pedisse aos americanos que listassem os nove ingredientes mais importantes para a vida feliz, eles provavelmente dariam uma resposta bastante parecida com a seguinte.

O primeiro, o mais óbvio, embora não o mais profundo ingrediente seria o bem-estar. Se você nota que seu amigo está com um grande sorriso no rosto hoje, provavelmente você diria para ele: "O que aconteceu com você, acabou de ganhar na loteria?". Se é isso que você diria, é porque isso seria o que colocaria o maior sorriso no seu rosto. E, vamos ser sinceros, o dinheiro pode comprar tudo que pode ser comprado com dinheiro, o que engloba muitas coisas.

O segundo seria, talvez, o sucesso mais notável de nossa cultura, a conquista da natureza e da riqueza através da ciência e tecnologia, permitindo a cada um de nós ser um "Alexandre, o Grande, conquistador do mundo".

O terceiro provavelmente seria a ausência de dor. Sinto que poucos de nós discordariam que a invenção mais valiosa de toda a história da tecnologia foram os anestésicos. O quarto provavelmente seria a auto-estima, o supremo bem, de acordo com praticamente toda a nova classe de profetas de nossa cultura, os psicólogos.

O quinto talvez seja a justiça, assegurar os direitos de alguém. Justiça e paz resumem os ideais sociais da maioria dos americanos. Os ideais que eles querem para si e para o resto do mundo. Em sexto, se formos sinceros, temos que incluir o sexo. Para muitos americanos, essa é a coisa mais perto do céu na terra, ou seja, êxtase, transcendência mística do "eu" - a não ser que sejam surfistas.

Sétimo - nós adoramos ganhar, seja na guerra, nos esportes, em jogos de azar, nos negócios, ou até mesmo em nossas fantasias. Nossa auto-estima positiva requer a crença de que somos vencedores, não perdedores. Queremos ser bem sucedidos, não derrotados. O oitavo - nós queremos ser honrados, aceitos, amados, compreendidos. Em nossa sociedade igualitária moderna, somos venerados não por ser superior, mas por ser mais um na multidão. Em sociedades mais antigas, era honrado quem era diferente, melhor, superior, excelente. Mas nós ainda temos sede de reconhecimento. Alguns chegam a querer ser famosos. Todos querem ser aceitos.

Nono - nós queremos vida. Uma vida longa, e uma vida saudável. Thomas Hobbes com certeza está certo em dizer que o medo de uma morte violenta, especialmente uma morte dolorosa e precoce, é muito poderoso. Sua vida não é feliz se ela lhe é tirada, obviamente. Isso tudo parece tão óbvio e tão sensato, que parece estar acima de qualquer argumento. Ideais superiores a esses são questionáveis, alguns o perseguem, outros não. Mas esses nove parecem ser firmes e inatacáveis, universais e necessários. Quem negasse que eles formam uma parte da felicidade seria um tolo. Quem afirmasse que a felicidade consiste no oposto seria insano.

Vamos agora fazer um exercício de pensamento fantasioso. Vamos supor que houve, em algum momento, um pregador que ensinou precisamente essa insanidade, ponto por ponto, deliberadamente e especificamente. Talvez você não consiga levar sua imaginação tão longe. Mas eu vou pedir que você vá ainda mais longe. Imagine esse homem se tornando o mestre mais famoso, amado, reverenciado, respeitado e acreditado da história do mundo. Imagine quase todas as pessoas do mundo, mesmo aqueles que não se classificam como seus discípulos, reverenciando ao menos sua sabedoria, especialmente sua sabedoria moral, especialmente o sermão mais famoso e amado que ele pregou, o "sermão da montanha" - o resumo de sua sabedoria moral - que começa com sua virada de 180 graus desses truísmos. Talvez você ache que isso é incrível demais para ser imaginado. Seria um milagre mais difícil de acreditar do que Deus se tornar um homem. Já é difícil o suficiente acreditar que uma pessoa possa crer na estranha noção cristã de que um certo homem - que iniciou sua vida como bebê, que teve que aprender a falar, e terminou executado como um criminoso, sangrou até a morte numa cruz, e nesse meio tempo se cansou, teve fome e sede, e sofrimento - é Deus, eterno, não-criado, imortal, infinitamente perfeito, onisciente, todo-poderoso, o Criador. Mas é ainda mais difícil acreditar que uma pessoa possa crer em seus paradoxos completamente devastadores sobre a felicidade.

Talvez, no final das contas, nós não acreditemos mesmo. Talvez nós acreditamos que acreditamos. Talvez tenhamos fé na nossa fé, ao invés de ter fé em seus ensinamentos. É claro que estou me referindo às oito bem-aventuranças de Cristo, que abrem o seu "sermão da montanha", o sermão mais famoso já pregado, e a única parte do Novo Testamento que ainda é mantida como essencial, e válida, e verdadeira, e boa, e bela, mesmo pelos dissidentes, heréticos, revisionistas, desmitologizadores, céticos, modernistas, teólogos liberais, e qualquer um que não conseguem crer nas outras verdades do Novo Testamento ou do ensinamento da Igreja. Essas pessoas filtram o mosquito, mas engolem o camelo! Então, vamos examinar o camelo que eles engolem. Talvez eles só façam de conta que engolem. Talvez eles engulam somente sua própria saliva.

Para o nosso desejo de bem-estar, Cristo diz: "Abençoados são os pobres em espírito". Para o nosso desejo de ausência de dor, Cristo diz: "Abençoados são os que choram". Para o nosso desejo de conquista, Cristo diz; "Abençoados são os mansos". Para o nosso desejo de contentamento para conosco mesmo, Cristo diz: "Abençoados são aqueles que têm fome e sede de retidão". Para o nosso desejo de justiça, Ele diz: "Abençoados são os misericordiosos". Para o nosso desejo de sexo, Ele diz: "Abençoados são os puros no coração". Para o nosso desejo de vitória, Ele diz: "Abençoados são os que promovem a paz". Para o nosso desejo de aceitação, Ele diz: "Abençoados são os perseguidos". E para o nosso desejo por mais vida, ele oferece a cruz. E então, esse homem, carregando sua cruz para o Calvário, chega ao ponto de ousar nos dizer que "meu jugo é suave e meu fardo é leve". Dizemos que somos abençoados, como indivíduos ou como nação, quando temos bem estar. Ele diz: "Não, somos abençoados quando somos pobres". Pobres não somente na conta bancária, mas até mais que isso - não menos - pobre até as profundezas do coração, pobres em espírito, desapegado das riquezas. Quando a Universidade de Harvard convidou Madre Teresa para fazer um discurso na cerimônia de formatura, ela chocou a todos comentando o convite que lhe mandaram, referindo-se a ela como "a maior pessoa do mundo, na nação mais pobre do mundo, discursando para a nação mais rica do mundo". Ela disse: "Não. A Índia não é uma nação pobre. Índia é uma nação muito rica. Ela tem uma série de riquezas, riquezas verdadeiras, riquezas espirituais. E os Estados Unidos não são uma nação rica. É uma nação pobre. Na verdade, uma nação desesperadamente pobre. Ela mata suas próprias crianças não nascidas. Por que? Porque as mães temem que essas crianças venham a ser pobres, ou que lhes tornarão pobres. Porque a mãe teme não ser capaz de sustentar essa criança, como se crianças fossem como carros, ou computadores, itens calculáveis no orçamento familiar; bens de consumo, ao invés de consumidores. Objetos, ao invés de sujeitos. Parte do círculo, ao invés de centro do círculo".

A suposta insanidade do discurso de Cristo, então, acaba se tornando uma ilusão de perspectiva, em um hospício, do ponto de vista do doente mental, é a pessoa sã do exterior que é insana. Como é útil ter um suprimento contínuo de externos, os santos, para nos lembrar de onde vivemos, ou seja, em um asilo de loucos. Cristo nos dá um mapa para mostrar o quanto nos afastamos do Éden. O pobre em espírito, obviamente, não é o fraco de espírito. Eles são exatamente o oposto, eles são fortes o suficiente para se desapegar das riquezas, ou seja, do mundo todo. Eles são aqueles que são fortes o suficiente para não se tornarem escravos de seus próprios desejos pelas coisas desse mundo.

Bem, o que Cristo, afinal de contas, queria dizer com sua segunda beatitude? O lamento e o choro certamente não são uma expressão de contentamento, do estado de ausência de dor que todos nós desejamos como parte integrante da felicidade. Ainda assim, Cristo nos diz que os que choram são abençoados. Como é ridículo que algumas traduções da Bíblia traduzam "macarios" por "happy" (feliz) nesse verso. Em uma sociedade para a qual "felicidade" é simplesmente satisfação subjetiva, ou contentamento, essa tradução faria Cristo dizer: "Os que choram são contentes", o que não é um paradoxo significativo, mas uma contradição sem sentido. O choro é a expressão do descontentamento interior, do abismo entre desejo e satisfação, ou seja, do sofrimento.

Buda fundou toda uma religião sobre o problema do sofrimento, ou "duka", e sua causa, "tanha", ou cobiça, desejo, e sua cura, o nobre caminho que leva ao "nirvana", a abolição do sofrimento e de sua fonte. Ao contrário de Buda, Cristo veio não para nos livrar do sofrimento, mas para transformar seu sentido, para torná-lo salvífico. Ele veio para nos livrar do pecado, e Ele fez isso precisamente abraçando o sofrimento e a morte que são o resultado do pecado. Deve soar tão um absurdo para um budista dizer que o sofrimento é redentor, como soaria a um Cristão dizer que o pecado é redentor. Uma religião deve acusar a do erro mais prático e radical, confundindo o problema com a solução. A razão que Cristo deu para declarar os que choram abençoados, é que "eles serão confortados". Pois, na esperança, esse futuro se torna presente. É verdade que todos vamos para o mesmo fim, seja caminhando para ser coroado rei, ou para ser pendurado na corda do traidor. Mas o destino futuro da jornada faz toda a diferença na própria jornada. Não apenas acidentalmente, mas essencialmente. E não apenas extrinsecamente, mas intrinsecamente. Uma jornada para ser enforcado é trágica, mesmo se for em um veículo confortável. Uma jornada para ser gloriosamente coroado, mesmo se for em um veículo desconfortável, é gloriosa. Santa Teresa dizia que, "Visto do ponto de vista do céu, a vida terrena mais terrivelmente dolorosa será não mais do que uma noite mal dormida em uma hospedaria desconfortável". E Cristo tem o ponto de vista do céu! Cristo é o ponto de vista do céu. Cristo é o céu. Ao nos doar a si mesmo, Ele nos deu o céu, e o ponto de vista do céu, que é o seu ponto de vista.

Os mansos, que herdarão a terra, a quem Cristo chama abençoados, quem são eles? Eles não são conhecidos. Eles não desejam honra, fama ou glória. Eles normalmente não possuem isso. Todos queremos ser conhecidos. Mas Deus, que é supremamente abençoado, é anônimo! Ele trabalha através da natureza, na maior parte do tempo. Ele reluta em fazer milagres. Ele se esconde, ao invés de mostrar continuamente sua Glória. Ele veio como um bebê, e morreu como um criminoso executado, e deixou-se ser ignorado. Ele se deixa servir de alimento diariamente, naquilo que parece um pequeno pedaço de pão. Ele é completamente manso, e completamente abençoado. Se formos completamente mansos, seremos completamente abençoados. Se formos parcialmente mansos, seremos parcialmente abençoados. Se não formos mansos, não seremos abençoados, pois Deus é a fonte de todas as bênçãos. Deus é manso! O efeito não pode ser o oposto da causa. A mansidão que Cristo chama de abençoada na sua terceira bem-aventurança está em profundo e claro contraste com o desejo de conquistar a natureza que Francis Bacon declarou ser o novo summum bonum (bem supremo), o novo sentido da vida na terra. E, ao desejo de conquistar a fortuna, que foi o novo bem supremo de Maquiavel. Mas não é o contraste que o mundo imagina. Não é uma bênção para os tímidos, afeminados, reservados ou nerds. Os mansos são aqueles que não causam prejuízo, que não vêem a vida como competitiva, porque eles entendem as duas premissas a partir das quais essa conclusão logicamente deriva. Primeiro, que as melhores coisas da vida são coisas espirituais, não materiais, e que o sentido da vida deve ser encontrado na sabedoria, no amor e na criatividade, em compreensão, santidade e beleza, ao invés de no dinheiro, no poder, fama ou terras, ou conquistas atléticas militares. E eles compreendem o segundo princípio também, de que as coisas espirituais não são competitivas. De que elas se multiplicam quando compartilhadas, enquanto as coisas materiais se dividem quando compartilhadas.

Já que a felicidade depende de compreender as melhores coisas da vida, e já que as melhores coisas da vida são espirituais, e já que as coisas espirituais não diminuem quando compartilhadas, e já que as coisas que não diminuem quando compartilhadas não podem ser conquistadas pela competição, e já que a competição é a alternativa à mansidão, portanto, a mansidão leva à felicidade. Não devemos nos surpreender se Cristo, o "Logos", é pelo menos tão lógico quanto Sócrates. Ou de que nós não somos. É por isso que suas pras razões parecem tão paradoxais para nós. Como disse Chesterton (é impossível parar de ler Chesterton, é como parar de comer batata frita), "é porque nos sustentamos pela cabeça que a filosofia de Cristo nos parece de cabeça para baixo". Estamos olhando para a terra e nos rebelando contra os céus.

A quarta beatitude de Cristo - abençoados são os que têm fome e sede de retidão - atinge profundamente o coração do mundo moderno. Mostra uma diferença marcante entre a nossa cultura e todas as outras, especialmente nossa própria história nossa própria cultura no passado. Solzhenitsyn disse, em seu chocante discurso na cerimônia de formatura de Harvard em 1978, "Nada nos distingue mais claramente do que nossa falta de coragem, nossa falta de paixão". Você vê isso claramente quando vive em outra cultura, ou mesmo ao ler os escritos de outra cultura, como a da Idade Média ou do Antigo Israel. Kierkegaard disse, "Deixe que os outros reclamem que nossa época é má, minha alegação é de que ela é miserável, pois lhe falta paixão. Os pensamentos dos homens são delicados e frágeis como laços. Eles próprios são dignos de pena, como os que fazem o laço. Os pensamentos de seus corações são muito insignificantes para serem pecaminosos. Pois a verme pode-se culpar por ter tais pensamentos, mas não a um ser feito à imagem de Deus. Mesmo suas concupiscências são tolas e lentas, suas paixões adormecidas. Elas cumprem suas funções essas almas, mas acham que mesmo se Deus mantivesse um cuidadoso arquivo de livros, eles ainda poderiam enganá- lo um pouco. Essa é a razão pela qual minha alma sempre se volta para o Novo Testamento e para Shakespeare. Os que falam lá ao menos são seres humanos. Eles odeiam, eles amam, eles matam seus inimigos e amaldiçoam os que os perseguem por gerações. Eles pecam!". O maior bem, de acordo com os principais profetas de nossa sociedade, é a auto-estima, a auto-satisfação. Cristo nos choca, abençoando a insatisfação. Não a insatisfação com nosso lugar no mundo, não a ambição mundana, o motor do "sonho americano", sedento de honra, glória, fama, poder, bem estar ou sucesso, mas a fome e sede de retidão! De santidade! Insatisfação com nossos pecados. Desejo apaixonado por uma santidade que sabemos que não temos, e sabemos que temos que ter. Há uma coisa na vida de todos os santos, que nos afasta e retira de nós a arma de evangelização mais efetiva do arsenal da Igreja - usar a vida dos santos - e essa coisa é a insistência apaixonada dos santos de que eles são grandes pecadores, e sua insistente paixão pela santidade. Não é que não admiremos a santidade, é que não admiramos a paixão pela santidade, a fome e sede por retidão. O que Cristo abençoa, nós amaldiçoamos como fanatismo, o pior insulto de nossa cultura sofisticada e relativa. Mas isso é a bênção de Cristo! Mais do que uma bênção, é um requerimento! É o que Nosso Senhor requer que tenhamos, a fim de sermos dEle., ou seja, a fim de sermos um santo, ou seja, um fanático. Amar uma só coisa infinitamente, apostar todas as nossas fichas nisso. Há uma só pérola de grande preço. Ele usa uma palavra chocante para nosso "bom-mocismo". "Porque não sois quentes nem frios, eu os vomitarei de minha boca". Ele só está contente conosco quando estamos descontentes conosco mesmo.

Freud escreveu que o sucesso de nossa civilização em procurar o contentamento produziu, ao contrário, grande descontentamento. Uma questão profunda. Mas ele não sabia a resposta do porquê. Acho que foi a coisa mais profunda que ele escreveu. Ele ficou a apenas um passo, apenas um passo da grande resposta de Sto. Agostinho: "Nossos corações estão inquietos enquanto não descansam em Deus". Pascal, por outro lado, sabia porque. Pois seu paciente, ao contrário de Freud, foi ele mesmo. E seu psicoanalista, ao contrário de Freud, não foi ele próprio, mas Cristo. E, portanto, ele sabia porque multiplicamos nossa paixão por pequenas coisas, e diminuímos nossa paixão pelas grandes coisas. Porque multiplicamos desvios e cultivamos a indiferença, especialmente com relação à morte e nosso destino eterno. Ele sabia de onde vinha essa doença. Ele escreveu, "O fato de que existem homens que são indiferentes à perda de todo seu ser na perdição de uma eterna danação vai contra a natureza. Com tudo o mais eles são bem diferentes. Eles temem as coisas mais simples, eles as prevêem e as sentem. O mesmo homem que gasta muitos dias e noites em fúria e desespero por ter perdido um emprego, por uma afronta imaginária à sua honra, é o mesmo que sabe que vai perder tudo com a morte, mas não sente ansiedade nem emoção. É uma coisa monstruosa ver o mesmo coração, tão sensível para com coisas menores, e tão estranhamente insensível para com as maiores. É um feitiço incompreensível, um torpor sobrenatural, que aponta para um poder sobrenatural como sua causa.

Muitos pensadores escreveram frases que começam assim: "Há apenas dois tipos de pessoas", ou "Há apenas três tipos de pessoas". Na verdade, uma versão diz que, "Há apenas dois tipos de pessoas, aqueles que acreditam que só há dois tipos de pessoas, e os que não acreditam". Mas a versão de Pascal é a melhor que eu já ouvi. Ele escreve: "Há apenas três tipos de pessoas. Aqueles que procuram a Deus e o encontraram, esses são sábios e felizes; aqueles que buscam a Deus mas ainda não o encontraram, esses são sábios e infelizes; e aqueles que vivem sem procurar nem encontrar a Deus, e esses não possuem sabedoria e são infelizes". Veja que é o procurar, é a "fome" e a "sede" que faz toda diferença. Na verdade faz uma diferença eterna. Jesus disse, ainda com mais sucesso que Pascal - Jesus falou mais sucintamente do que qualquer um jamais falou - "Procurai e encontrareis", o que implica que os que não procuram não acham. Os fariseus eram do tipo de pessoas que não procurava, assim como os psicólogos, cheios de auto-estima. Portanto, Ele disse que veio ao mundo para salvar a todos, menos a eles. Ele disse, "Os que estão doentes precisam de médico, não aqueles que estão bem. Eu vim chamar não os justos, mas os pecadores. Sócrates disse a mesma coisa, no nível intelectual, de que "Há apenas dois tipos de pessoas: tolos que se dizem sábios, e sábios se dizem tolos". Pascal disse que há dois tipos de pessoas: "Pecadores que acreditam ser santos, e santos que acreditam ser pecadores". Jesus disse que os tolos e os santos estão certos. E o teste empírico claro para a diferença entre eles é a "fome e a sede", a paixão, o descontentamento. Quando Cristo diz que aqueles que têm fome e sede de retidão, ou seja, de santidade serão saciados, queria dizer que serão saciados apenas na próxima vida? Eu penso que Ele quis dizer que eles começarão a se saciar ainda nesta vida. Já nesta vida os santos têm uma paz e uma alegria que o mundo não pode dar. Eles são, ao mesmo tempo, insatisfeitos e satisfeitos. Como Romeu com Julieta. Como você ouvindo uma grande sinfonia, ou vendo um grande tempestade no mar. Por um maravilhoso paradoxo, a recusa de aceitar a auto-estima acaba se tornando a maior das auto-estimas. Aceitar o título "pecador" significa que você é o filho do rei, agindo como um macaco. Recusar esse título, e aceitar a si mesmo como é, significa que você é somente um macaco esperto, bem sucedido e desenvolvido, mesmo quando age como um príncipe. Que privilégio é dizer "Oh, graça admirável, quão suave é que tenhas salvo um miserável como eu". Nenhum macaco, por mais desenvolvido que seja, pode subir ao patamar de dignidade de ser um miserável. Somente uma pessoa destinada ao infinito, eterno e inimaginável êxtase do matrimônio espiritual com Deus pode ousar ter a dignidade de ser um miserável. Somente quem está prometido em matrimônio é miserável até que se una com o Esposo.

Quinto. Nós queremos nossos direitos. É por isso que, se somos morais, trabalhamos pela justiça, pelo direito dos outros. Estaremos praticando a regra de ouro, o imperativo categórico. Isso é justiça. Cristo não a condena, mas Ele não chama isso de "abençoado". Porque isso é apenas um mínimo, não um máximo. Isso é apenas o começo, não o fim. A fundação, não a casa. Não é suficiente. A justiça, sozinha, não pode garantir a paz. No mundo, na família ou nas amizades. Apenas a misericórdia pode. Nossa esperança não deve essa vontade de obter justiça. Meu Deus, que seria de nós se fosse. Nossa esperança está na misericórdia. Foi a misericórdia que nos criou. Como poderíamos sequer merecer a dignidade da existência, se nós não existíamos? Foi a misericórdia que nos redimiu, poupando-nos da justiça que merecíamos por causa de nossos pecados. E é a misericórdia que vai, gratuitamente e graciosamente, nos levar mais alto que os anjos, unindo-nos à natureza divina. Cristo não se tornou um anjo, e nenhum anjo vai se tornar hipostaticamente unido com Deus. Uma pessoa que com certeza sabia o que dizia, nos disse que "é maior bênção dar do que receber". O simples ato de dar, necessariamente é melhor, incluindo o ato de conceder misericórdia. Nós não concedemos misericórdia a fim de obter misericórdia. Isso é a justiça, não a misericórdia. Nós damos misericórdia a fim de que os outros possam receber misericórdia. E somente assim, somente dando, sem a intenção de receber misericórdia é que nós podemos receber misericórdia. Não dos humanos para os quais a concedemos, mas de Deus, que começou essa troca de doadores de misericórdia, pela misericórdia da Criação, e terminando com a misericórdia da redenção e glorificação. O livro do Apocalipse não deve ser chamado de "julgamento final", mas de "misericórdia final".

Sexto. Quando ouvimos a palavra "pureza", na bem-aventurança "Abençoados são os puros de coração", nós imediatamente pensamos na pureza sexual. Talvez Cristo tivesse isso em mente, talvez não. Mas nossa reação nos diz algo de significativo sobre nós, qual seja, que o sexo é o novo deus de nossa sociedade, o novo absoluto. Tudo é feito, tolerado, sacrificado, justificado, santificado ou glorificado por esse deus. Um terço de nossas mães americanas mata seus próprios filhos não nascidos em sacrifício a esse deus. É óbvio que o aborto é por causa do sexo. A única razão para o aborto é ter sexo sem bebês. O aborto é uma contracepção tardia. Ou, olhe para a aceitação do divórcio. Família, a célula constitutiva absolutamente necessária de qualquer sociedade é destruída por esse deus. Metade dos cidadãos americanos comete suicídio por esse deus, pois o divórcio é o suicídio da "uma só carne" que o amor havia criado. Ninguém justifica mentir, enganar, trair, quebrar promessas, devastar e prejudicar estranhos, mas nós justificamos, nós esperamos, nós toleramos fazer isso com a única pessoa a quem nós prometemos mais seriamente ser fiéis para sempre. Nós justificamos o divórcio! Ninguém justifica abuso de crianças, a não ser por sexo. O divórcio é o abuso de crianças para obter sexo. Mesmo todas as igrejas justificam o divórcio, exceto uma. Uma que não alega ter autoridade para corrigir Cristo, e ela é acusada de ser autoritária. Porque a pureza de coração é abençoada? Não parece ser. Bem, porque a concupiscência dá uma sensação imediata de prazer, a bem-aventurança de Cristo, que diz que abençoados são os puros de coração, ou seja, pureza de desejos, nos atinge como um paradoxo. Mas tudo que é natural é mais feliz, e mais abençoada em sua condição pura e natural. São Tomás de Aquino deduz, a partir desse princípio, que o prazer sexual era muito maior antes da queda do paraíso. Quando Cristo especifica a recompensa como "verão a Deus", não quer dizer somente na próxima vida. Ele não quer dizer simplesmente que vamos ganhar camarotes ao invés de sentar na arquibancada de cimento no estádio do céu, como uma justa recompensa por ter pago ingressos mais caros aqui na terra. A recompensa pode ser experimentada nessa vida. O próprio São Tomás de Aquino exemplifica. Sua maravilhosa clareza de idéias veio parcialmente de sua pureza de coração. Um dom que lhe foi sobrenaturalmente concedido em um ponto específico de sua vida, quando ele resistiu às tentativas de seu irmão de seduzi-lo para sair da ordem Dominica com um prostituta. Então sua mente estava livre das paixões, livre para a grande vocação que Deus havia planejado para ele. Muitos leitores modernos ficam muito surpresos ao descobrir que todos os doutores da Igreja, incluindo Santo Agostinho, São Tomás e São João da Cruz localizam o principal dano da luxúria (ou concupiscência) no obscurecimento da razão, um notável encurtamento da visão, da perspectiva. Certamente há uma íntima conexão entre a impureza do desejo da maioria dos estudantes modernos e a impureza de sua motivação para a educação. Entre o declínio do amor sexual pelo outro por causa do outro, e do amor intelectual da verdade por causa da verdade. Uma conexão entre o pensamento contemplativo e respeito para com as mentes feitas verdade, e o pensamento contemplativo e respeito para com os corpos. Amar a verdade, primeiramente por causa dela mesmo é uma coisa. Amá-la primeiramente por causa de si próprio, para um fim pessoal posterior, utilitário, instrumental e pragmático é outra coisa. Essa é uma forma de impureza do coração. Uma espécie de prostituição intelectual. E isso tem amaldiçoado a filosofia moderna desde Bacon.

A bênção que Jesus promete aqui é verificável nessa vida, na experiência, embora vá ser aperfeiçoada na próxima. Quantos teólogos falham em ver Deus, em compreender puramente, por causa de desejos impuros. Quase todas as discordâncias teológicas em nossa era - dissensão costumava-se chamar heresia - incrivelmente são focadas na moralidade sexual. Suspeitam ser, parecem como viciados obcecados pela sua droga, e não ligando muito para mais nada. É por isso que as homilias são tão confusas, e por isso nunca ouvimos uma homilia sobre moralidade sexual, embora esse seja o assunto mais controverso e causador de divisões em nossa Igreja e em nossa cultura hoje. Será que a falta da bênção de compreender Deus, e o fato de que nossas crianças sofrem com a falta quase completa de uma educação teológica básica é porque os educadores, os escritores desses livros incrivelmente tolos não possuem o puro desejo pela verdade que Cristo especifica como a virtude que concede essa recompensa? Se analisarmos o sangue que é bombeado para seus cérebros, talvez o encontremos misturado com líquidos dos órgãos baixos. Será que nossa linguagem litúrgica, e especialmente nossa música litúrgica é tão fascinantemente tola, e brilhantemente estupidificada, e apaixonadamente ineficaz é porque as paixões dos liturgistas estão desordenadas? Sétimo. Cristo abençoa não a paz, mas os promotores da paz. Os promotores da paz não são pacifistas. Os promotores da paz são guerreiros. Mas eles são guerreiros espirituais. Guerreiros que lutam contra a guerra. Algumas vezes a guerra só pode ser conquistada pela guerra. Todo mundo fala bem de promover a paz, como então isso pode ser contra cultural - exceto para os terroristas? Porque a paz que Cristo prega é uma paz que o mundo não pode dar. Não é a paz que o mundo pode dar. É paz com o próximo, consigo mesmo e com Deus. Não com o mundo, a carne e o demônio. Não é paz com cobiça, luxúria e orgulho, mas a paz que vem com a pobreza, a castidade e a obediência, três das virtudes mais contra-culturais. Esses dois tipos de paz estão, na verdade, em guerra um com o outro. Os promotores da paz do nosso mundo conciliarão sua paz com a paz de Cristo, mas só enquanto não tiverem que abdicar da paz mundana, só se não tiverem que lutar por ela. Portanto, paradoxalmente, nos falta a verdadeira paz porque relutamos em guerrear contra os inimigos da paz. E também porque não colocamos os três ingredientes da paz de Cristo na ordem correta. Falamos incessantemente sobre estar em paz com o próximo, mas raramente sobre estar em paz com Deus. Thomas Merton nos lembra dessa ordem necessária em três sentenças maravilhosamente simples. Ele diz, "Não estamos em paz uns com os outros porque não estamos em paz conosco mesmo, e não estamos em paz conosco porque não estamos em paz com Deus". Cristo faz o mesmo, colocando o primeiro Mandamento da Lei em primeiro lugar, como fez Moisés. Precisamos reaprender a lição número um.

Cristo abençoa os promotores da paz, mas quando você está em guerra, você só pode fazer a paz se engajando na guerra e vencendo-a. O cristianismo é julgador, e repressivo, e negativo, pois o cristianismo diz para nós que estamos em guerra desde um certo incidente acontecido no Éden, e a guerra julga o inimigo (é por isso que uma guerra é declarada, porque um juízo foi feito sobre um inimigo) e reprime o inimigo (esse é o conceito de defesa, reprimir o ataque do inimigo) e nega o inimigo, destrói o inimigo - essa é a definição de ataque, destruir a defesa do inimigo. Nossos inimigos são reais, tão reais como a carne e o sangue. Eles são principados e potestades. Eles não são homens, eles são demônios. E há também os nossos próprios pecados. Nosso Senhor nos disse que veio ao mundo para nos trazer a espada, para lutar e vencer essa guerra. A espada é uma cruz. A felicidade não consiste em pacifismo, a felicidade consiste em paz. E a paz só pode ser conseguida lutando e vencendo uma guerra para fazer a paz. A cruz é como uma seringa, ela nos dá uma transfusão de sangue. É o oposto de uma espada normal. O que Cristo faz é exatamente o oposto do que Drácula faz. Drácula, assim como os demônios, tira nosso sangue, nossa vida. Cristo nos dá uma transfusão de sangue. Estamos em um campo de batalha entre Cristo e Drácula.

Quando Cristo diz que os promotores da paz são abençoados porque eles serão chamados filhos de Deus, Ele não quer dizer que promover a paz é a causa e ser um filho de Deus é o efeito, mas o contrário. Apenas os filhos de Deus podem fazer a paz de Deus, fazer o trabalho de Deus. Promover a paz é o efeito. Mas os promotores da paz são chamados filhos de Deus, eles são conhecidos como filhos de Deus porque nós reconhecemos a causa através do efeito. A oitava bem-aventurança ou beatitude abençoa não a dor ou o sofrimento, mas a perseguição. Ou seja, o sofrimento imposto pela rejeição e pelo ódio. Essa é a única das bem- aventuranças que Cristo repete, tanto para enfatizá-la como a beatitude mais horrível de todas, como para enfatizar que não é apenas a dor, mas é a rejeição, a injúria, a calúnia que é abençoada. Mas como pode ser isso? Todo mundo quer ser amado. Como o fato de ser odiado pode ser abençoado? Uma possível explicação é completamente inconsistente com Cristo. Uma espécie de desdenhosa superioridade, como se fosse abençoado dizer àqueles que nos odeiam, "Eu não iria querer amor de tolos inúteis como vocês". Certamente é uma grande pena que os perseguidores sejam tolos. É claro que eles não são tolos inúteis, se fossem, não haveria razão para termos pena deles. E, portanto, a lástima de nossa parte, por eles não serem abençoados é real, se amamos nossos inimigos, como Cristo faz, e nos manda fazer: "Amai vossos inimigos". Note que Ele não diz, "Não use a palavra "inimigo", não fica bem". Nós temos inimigos, mas devemos amá-los. A recompensa que torna a perseguição abençoada é a mesma que torna a pobreza abençoada: o Reino dos Céus. A perseguição tem a mesma bênção da pobreza, porque a perseguição é uma forma de pobreza. Pobreza não de dinheiro, mas de amor, ou seja, de ser amado. Tanto o dinheiro quanto o amor só são abençoados quando são dados, pois há mais bênção em dar do que em receber.

Nós ansiamos desesperadamente pelo amor do mundo. Mas o mundo não é Cristo, o mundo é decaído, ele caiu no conhecimento do bem e do mal. O mundo, portanto, tem medo de Cristo, como a cárie tem medo do dentista, ou como o mentiroso tem medo da luz. Eu uso "mundo" aqui no sentido das escrituras, não como o planeta, "gaia", a matéria, que Deus criou boa, mas como a palavra "eon" que designa o tempo do pecado, o reino do demônio.

A perseguição não é, por si mesma, abençoada. Mas se torna bênção se for perseguição por causa da retidão, por causa de Deus, não apenas explicitamente, mas também implicitamente, ou seja, se você for perseguido por ser aquilo que Deus é, por ser como Deus, por ser reto. Portanto, o pagão que é justo, como Sócrates, também é abençoado quando ele é mal- compreendido, odiado, rejeitado, perseguido e morto, como Cristo.

Assim como sua promoção da paz é um sinal de que você é filho de Deus, e, portanto, abençoado, também ser perseguido por causa de sua retidão é um sinal de que você é um membro de Seu Reino, e, portanto, abençoado. A bênção vem apenas do que é bom, e a perseguição, a pobreza etc não são bons em si mesmo, Cristo não é um estóico, um hindu ou um budista. A bênção não vem do desprezo das coisas boas desse mundo, que Deus criou, nem de ver esse mundo como uma ilusão, nem do esperto dispositivo da eutanásia espiritual, onde os nossos desejos pelas coisas são cortadas, de modo a evitar o sofrimento que elas trazem. Não, o cristão conhece algo real e bom por si mesmo, que o estóico, o hindu e o budista não conhecem, embora eles talvez implicitamente o busquem, e talvez até encontrem, no final. E essa coisa é, simplesmente, Jesus Cristo. Ele torna abençoados até mesmos os pregos de sua cruz, e apenas Ele os faz abençoados.

Nosso nono desejo é pela vida. E a nona bênção é a morte! A morte contém todos os outros paradoxos. Cristo nos ensina essa bênção ou bem-aventurança da morte não em palavras apenas, mas também com atos, com sua cruz, que resume todas as beatitudes (bem- aventuranças). E a cruz revela a fonte secreta de todas as oito bem-aventuranças. O fato histórico, não o princípio abstrato, de que Deus, por completo amor por nós, encarnou-se, morreu e ressuscitou para nos salvar do pecado e da morte. Como diz Dorothy Sayers, "O dogma é o drama". Por esse dramático acontecimento, a própria morte foi transformada em um instrumento para a vida. Então quando a enchente da vida infinita de Deus entrou em nosso mundo, não apenas conquistou a morte, mas tornou a própria morte do instrumento mais poderoso da vida. Nas palavras de uma antiga oração, "Tu fizeste a morte gloriosa e triunfante, pois através de seus portais entramos na presença do Deus vivo". Nós antecipamos essa morte final e sua bem-aventurança final em todas as nossas pequenas mortes agora. Nossa participação nas oito bem-aventuranças de Cristo são essas pequenas mortes. Não apenas a antecipamos, mas na verdade participamos dessa morte final com essas nossas pequenas mortes. As mortes reais, pequenas e ordinárias que fazemos todos os dias. E nós também antecipamos, e na verdade participamos na bem-aventurança ou bênção final - a presença do Deus vivo - toda vez que abrimos nossos olhos e vemos quem é Aquele que está realmente presente ali. Onde nossos olhos vêem o mais não-dramático bocado de pão branco, veja só quem está presente. Que absurdo que achemos mais fácil nos levantar quando estamos de joelhos, do que nos ajoelhar se estamos em pé.

A felicidade secreta é muito simples. É Jesus! Não apenas a filosofia de Jesus, mas Jesus, Sua presença Real. Ele de fato vem a nós nos veículos mais inesperados, como a pobreza, a dor, a perseguição. Ele tem veículos de gosto duvidoso. Ele entrou em Jerusalém em um jumento. E quando Ele vem, Ele age, com poder, embora normalmente com sutileza, não com espalhafato. Ele de fato realiza Sua obra! Eu sou perseguido pelo fantasma das minhas memórias de umas poucas horas preciosas em companhia dos dois grupos de pessoas mais felizes que já vi na minha vida. Em ambos os casos, era fui para falar para elas. Em ambos os casos elas falaram para mim, em pouquíssimas palavras, como Madre Teresa, como Jesus. Um grupo foi, realmente, de irmãs da congregação de Santa Teresa, no pior cortiço de Boston. Outro foi em um convento de carmelitas contemplativas em Denver, Massachussets. O que elas disseram para mim, simplesmente sendo quem são, foi inconfundível: "Veja como sou feliz! Veja como Jesus me faz feliz!". É assim que a felicidade acontece (how happiness happens). Não é tanto ensinada, como a matemática, mas capturada.

A Igreja atua na propagação da boa infecção, e isso é a nova evangelização. E é também a velha evangelização, que ganhou o mundo há dois mil anos. E vai ganhar de novo, pois não há argumento contra a verdadeira felicidade. Os sorrisos dos santos são o argumento que vão ganhar o mundo para Cristo de novo. Eles são indiscutíveis, contra eles não há argumento. Só uma coisa, então, é necessária para criar um mundo de felicidade, do pólo norte ao pólo sul. E não é fazer as muitas coisas boas que Marta fez, mas fazer a única coisa que Maria fez, apenas sentar aos pés de Jesus. Apenas estar em Sua presença, conhecer o Seu amor, todo dia. Esse é o único segredo escandalosamente simples da felicidade.

Obrigado por escutarem esse purgatório que foi essa longa palestra, agora vamos para o céu das perguntas.

Eu não disse nada muito criativo, original, ou acadêmico, eu sou um "hobbit", "hobbits" gostam de dizer coisas que conhecem várias e várias vezes. Tenho certeza que já sabem de tudo que falei, mas, de qualquer modo, vocês podem ter questões sobre isso.</description>
				  <pubDate>16 Apr 2009 00:00:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=2671</link>
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				  <item>
				  <title>"Falar de Jesus"</title>
				  <description>"Acaso, não foram os etíopes e os líbios grande exército, com muitíssimos carros e cavaleiros? Porém, tendo tu confiado no SENHOR, ele os entregou nas tuas mãos. Porque, quanto ao SENHOR, seus olhos passam por toda a terra, para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele; nisto procedeste loucamente; por isso, desde agora, haverá guerras contra ti." 2Crônicas 16:8-9
Conheci o Luiz quando era criança. Não entendia bem qual era a função dele na igreja. Ele vinha de Vitória (ES) para Resplendor (MG) - cerca de 200 Km quase todos os finais de semana de trem. Sempre ficava hospedado na casa de algum irmão da igreja. Passava o dia todo visitando alguns irmãos. De vez em quando se juntava a algum irmão e, juntos, iam passando visita nos irmãos da zona rural da nossa pequenina cidade.
Meio doido aquele cara! Se ficasse na fila da estação de trem para comprar passagem, antes de chegar a sua vez, ele falava de Jesus para os três caras da frente e para os dois de trás!
Uma ou duas vezes por ano ele me levava para participar de um acampamento em Vitória organizado por uma das igrejas locais. Ele se responsabilizava com meus pais pela minha segurança e, graças à sua tutela, conheci muitos irmãos de várias igrejas fora do meu pequeno nicho.
Certa vez ele me disse que queria ser missionário na Albânia. Estava orando para que o Senhor lhe abrisse as portas e ele pudesse entrar naquele país até então completamente fechado para o Evangelho. Eu nem sabia onde ficava a tal Albânia.
Nossa família se mudou de Resplendor em 1991. Algum tempo depois (não sei precisar bem), Luiz atendeu o chamado do Senhor. Deus não o enviou para a Albânia. Sua missão estava reservada junto aos povos indígenas. Ingressou na Missão Novas Tribos do Brasil, submetendo-se a vários anos de treinamento em missiologia, teologia, lingüística e enfermagem para "falar de Jesus" aos índios.
Antes de partir, casou-se com Cleide, uma enviada do Senhor com um chamado missionário semelhante, companheira idônea. Tive o privilégio de presenciar o casamento deles em Vitória da Conquista (BA). A partir de então eles partiram para a tribo da etnia Ka´apor em Santa Luzia do Paruá (MA). A proposta é que eles permaneceriam na tribo e teriam férias a cada cinco anos. Freqüentemente recebia e-mails com notícias do campo missionário onde o Luiz relatava as lutas, ressaltando as conquistas, glorificando a Deus pela provisão que sempre se mostrou presente em todo este tempo.
Na última semana, porém, recebi um e-mail do meu pai dizendo que o Luiz estava doente. Após um período súbito de emagrecimento, diarréia e dores abdominais, Luiz foi investigado por um médico em Teresina (PI). Luiz está com um tumor no intestino grosso com vários implantes secundários (metástases) no fígado. O e-mail pedia as orações dos irmãos e também que pudéssemos levantar uma oferta para cobrir a cirurgia que aliviaria o trânsito intestinal no valor de treze mil reais.
Tive dó. Fiquei indignado. Confesso. Não queria ligar pra lá. Não queria falar com ele. Não. Meu discipulador, o cara que me ensinou como estudar a Bíblia, que me ensinou como me comportar em um acampamento de jovens com uma doença tão terrível!
Amados, o amor de Cristo nos constrange verdadeiramente. O Senhor falou profundamente ao meu coração ao ler aquele email. Não era pelo pedido de oração ou pelo desafio da oferta. Mas o desejo intenso de honrar aquele irmão pela sua imensa dedicação à Causa do Mestre. "Falar de Jesus" é tudo o que o Luiz quer!
"Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." Mateus 25:37-40.
Liguei para ele para me inteirar da doença (cujos detalhes vou me abster de contar aqui neste espaço) e orar com meu amigo. Conversei muito com ele. Como já trabalhei com pacientes oncológicos, conheço um pouco sobre as expectativas de vida de tumores como o dele. Disse a ele que depois da cirurgia ele seria submetido a sessões de quimioterapia para controlar as lesões tumorais. Sem rodeios ele me perguntou quanto tempo teria de vida caso todo o tratamento tivesse êxito. Respondi a ele que a expectativa de vida livre de doença no caso dele, quando o tratamento é bem realizado é em torno de três a cinco anos.
Preciosos irmãos, meu coração disparou ao ouvir a resposta deste servo do Senhor: "Fabrício, então você acha que eu poderei "falar de Jesus" ainda por mais três anos? Isto está muito bom!!"
EU SOU mostrou sua força e certamente está sendo glorificado através deste servo fiel a quem presto grata homenagem neste humilde artigo. As ofertas financeiras são necessárias, mas não quero falar delas para que não se pense que estou aqui choramingando por um pobre coitadinho. NÃO. Estou aqui prestando honra a um homem que entregou-se inteiramente ao Senhor, nisto procedendo loucamente (2Cr 16:8-9), porém alcançando eterno peso de glória e testemunho fiel do Evangelho de Cristo Jesus.
"Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!" Romanos 11:36.

Amém
Para ajudar
Luiz Antônio Severino
(77) 3084-1565 (pais da Cleide)
(77) 8803-9846
Banco do Brasil,
Agência: 2314-0,
Conta-corrente 12.191-6
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				  <pubDate>12 May 2008 13:07:12 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=1935</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Tomou doril... sumiu!</title>
				  <description>"Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza." Tiago 4:9
 
Quem tem a minha idade certamente vai lembrar dos fatos seguintes. Nos anos 80 e 90, um analgésico brasileiro ganhou fama e popularidade graças a uma campanha publicitária vitoriosa. Seu slogan era simples: "Tomou doril, a dor sumiu". A frase simples, com rima primária transmitia um pensamento igualmente simples, mas de modo eficaz: se você está sentindo uma dor, temos o analgésico para você! O slogan deu tão certo que "tomar doril" acabou virando sinônimo de "sumiu". Por onde anda tal pessoa? Não o vejo há muito tempo! Tomou doril!
 
A brutalidade do caso Nardoni comanda o noticiário há quase um mês. E a epidemia de dengue no Rio de Janeiro? Tomou doril. Os preços dos alimentos dispararam no mercado internacional e a Europa diz que a produção de biocombustíveis é a responsável. O aquecimento global? Tomou doril. Um padre saiu voando em um monte de balões e fica perdido sem saber usar o próprio aparelho de GPS. Deu até na CNN. Dois bispos denunciam pedofilia e prostituição infantil no norte do Brasil e têm suas vidas ameaçadas. A divulgação do caso? Tomou doril.
 
Antes de seguir lendo este artigo entenda: não tenho sangue de barata - também fiquei comovido com a morte da Isabella. Penso que utilizar milho para fazer etanol é uma imbecilidade. Sair voando em balões não tem nada a ver com protesto - é querer aparecer! Portanto o leitor já sabe bem quais são as minhas opiniões a respeito dos assuntos. Meu ponto neste texto é: até que ponto nós cristãos temos dado atenção à notícia da moda e "dado doril" para outras notícias que não nos interessam discutir?
 
Já ouvi muito discurso teológico sobre se o sustento do obreiro ou missionário deve ser ou não um valor fixo mensal (como se fosse um salário). Ouvi muitas alegações de que o missionário não deve ter um salário senão ele não vai "viver pela fé". Mas poucos pregadores persistem no estudo das Escrituras e apontam como "a fé" precisa gerar responsabilidade nas lideranças eclesiásticas em prover o sustento daqueles que são enviados para o campo missionário. Aliás, "viver pela fé" pode ser pregado. "Responsabilidade com os obreiros" tomou doril.
 
Meu ouvido já deu calo de ouvir sobre comprimento de saia, uso de brinco, se pode usar violão na Ceia ou bater palma na reunião de mocidade. Quanto à maledicência, desonestidade e sonegação fiscal os pregadores preferem tratar do assunto no "âmbito individual".
 
Recentemente um pastor iniciou uma série de pregações sobre o livro de Atos. Sugeri que ele abordasse algumas escolas de pensamento, principalmente quando tratasse sobre o ministério do Espírito Santo. Ele me disse que na pregação não havia tempo para isso e que o estudo das escolas de pensamento seria feito na Escola Dominical. O que aconteceu na prática é que na Escola Dominical a aula (meramente expositiva) só ratificou a única interpretação dada na pregação, deixando os ouvintes surdos para as outras escolas de interpretação, como se o povo de Deus fosse incapaz de ouvir várias linhas de interpretação e deixar a cargo do Espírito Santo o discernimento daquelas dignas do preceito da plausibilidade. "Na minha época, teria tempo, mas vocês vivem em meio a tanto progresso..."[1]
 
"Tomar doril" desliga o alerta da dor no nosso corpo. Mas se o corpo está alertando não seria porque existe alguma coisa de errado? Não seria mais prudente e inteligente procurar e solucionar o problema antes de desligar o alerta?
 
"Afligi-vos, lamentai e chorai." Esta é a atitude que se espera do povo de Deus diante do pecado individual e coletivo. Se tivesse que traduzir estas expressões no contexto deste artigo, diria assim: "não tome doril". Não deixe sumir a dor causada pelo pecado até que ela produza arrependimento, mudança de atitude redundando em fruto para a vida eterna. Ignorar a dor não é o mesmo que não ter um problema. Assumir responsabilidades, portanto, implica em tomar atitudes mais dolorosas e chorosas do que os sorrisos de programações animadamente alienadas na igreja.
 
Portanto, meus irmãos, quando diante de dificuldades ao nosso redor, precisamos resistir à tentação de simplesmente "tomar doril", apesar desta via nos parecer a mais cômoda.
 
Forte abraço!!!
 
OBS.: Espero não "tomar doril" desta coluna nos próximos 10 anos de irmaos.com!!! Me alegro muito por fazer parte desta família.</description>
				  <pubDate>27 Apr 2008 03:08:00 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=1921</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Demônios do Templo (4)</title>
				  <description>Leia antes:
Demônios do Templo (1)
Demônios do Templo (2)
Demônios do Templo (3)

Prezados irmãos, perdoem-me a narrativa tão dramática (não gosto do gênero narrativo) e rebuscada. Romanceei para vocês uma história que um grande professor de Neonatologia contou certa vez. Ele falava da importância dos pais terem uma ideação adequada do filho e o quão importante é para o médico estar sensível a isto. Este caso isoladamente trouxe o ensinamento que nem sempre aquilo que idealizamos consegue ser remendado. Às vezes é preciso matar o idealizado para permitir-se formar um ideal novo, reformulado.

Tim Stafford escreveu Deixe Deus, e não a sua consciência, ser o guia[1]. Os bípedes[2] somos seres que temos a habilidade da imaginação. A ideação ocorre na nossa cabeça sempre que precisamos traçar uma estratégia para enfrentar uma situação a curto, médio ou longo prazo. Muitas pessoas sofrem quando idealizam possibilidades que cujo conteúdo prevê dor e um caminho difícil. Outros ganham na ideação um auxílio para encontrar forças para trabalhar hoje (p.e. como se faz ao sair do aluguel para entrar em um financiamento pensando em garantir segurança patrimonial).

Acompanhe este trecho de Tim Stafford[3]:Uma velha história resume essa mensagem melhor que qualquer outra que conheço. Ela fala de um homem que se envolveu em um padrão de comportamento pecaminoso a ponto de não mais se importar com suas conseqüências. Quantas vezes ele confessou esse pecado desprezível a Deus, prometendo que nunca mais o repetiria? E agora, lá está ele novamente, confessando a mesma coisa:
— Senhor, estou morrendo de vergonha. Tenho feito essa mesma coisa vez após outra. Eu a confesso a ti e prometo que nunca mais farei isso de novo. Por favor, me perdoe.
Do céu chegam as seguintes palavras:
— Eu o perdôo. Tudo está esquecido. Você está purificado para começar de novo.
O homem sente-se maravilhosamente livre. Deus o perdoou. (...) Durante toda a tarde ele celebra  a crença de que nunca mais reincidirá nesse pecado. E então, naquel a mesma noite, a tentação acontece e ele fracassa.(...)
Bem, ele mal consegue orar(...)
— Deus, estou tão constrangido que mal posso falar contigo. Fiz aquilo de novo.
— Fez o que?
— Aquele pecado. Conversamos sobre ele hoje de manhã.
— Engraçado. Não me lembro de pecado nenhum.Perdemos muito tempo da nossa vida tentando remendar planos que deram errado. Mesmo quando planejamos algo nobre ou até mesmo espiritual e nosso plano toma outros rumos precisamos entender que Deus está no controle de todas as coisas. Em nossa consciência humana caída, a frustração conduz à culpa que alimenta ainda mais a frustração e acaba por paralisar o indivíduo em um ciclo frustração-culpa. Confiar em nossa consciência para determinar o que é certo e errado é confiar em algo apodrecido pelo pecado. Precisamos ter um padrão de pureza.

Chamado a retratar-se de suas idéias, o Reformador Lutero declarou o seguinte: "A menos que eu seja convencido pelas Escrituras e pela razão pura e já que não aceito a autoridade do papa e dos concílios, pois eles se contradizem mutuamente, minha consciência é cativa da Palavra de Deus. Eu não posso e não vou me retratar de nada, pois não é seguro nem certo ir contra a consciência. Deus me ajude. Amém" (grifos meus). Observe que ele alia as Escrituras e a razão para produzir o que ele denomina consciência. Penso que Lutero não pretendia seguir sua própria consciência natural, mas a nova consciência — confrontando a falsa culpa e tentando absorver padrões bíblicos de certo e errado. Nossa consciência não é a voz de Deus. É uma resposta emocional que Deus plantou em nosso funcionamento psíquico. Lutero era pecador e sabia disso. Tentou encontrar alívio para sua culpa no pagamento de indulgência. Encontrou frustração, apesar de ter obtido um papel com um título de perdão pelos pecados. Sua consciência encontrou paz quando fez-se cativo, um escravo da Palavra de Deus.

1João 3:18-20: “Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade. Assim saberemos que somos da verdade; e tranqüilizaremos o nosso coração diante dele quando o nosso coração nos condenar. Porque Deus é maior do que o nosso coração e sabe todas as coisas.”

Prezado irmão, quero convidá-lo a um breve momento de introspecção. Às vezes  me pego lembrando dos planos que eu fiz e que deram certo. Quantas programações na igreja eu elaborei, ajudei, coordenei... Quantas pessoas foram atingidas... Aí me lembro que estou usurpando a Glória que é do Senhor. O que eu estou fazendo ocupando o centro dos meus pensamentos? Noutras ocasiões fico idealizando como seria se repetisse esse ou aquele plano... funcionou no passado, pode funcionar de novo... e esqueço que o Senhor faz novas todas as coisas e quem faz dar certo ou não é Ele. Ainda os momentos quando os pecados do passado vêm assombrar nosso coração colocando em dúvida o perdão do Senhor. Por fim, quando a nossa mente nos assalta nos prendendo em uma constante introspecção, nos impede de seguir pensando, planejando e submetendo nossa mente à Vontade Soberana do Senhor.</description>
				  <pubDate>11 Mar 2008 15:34:09 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=1789</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Demônios do Templo (3)</title>
				  <description>Leia antes:
Demônios do Templo (1)
Demônios do Templo (2)

— Senhora Cláudia e Senhor Adilson, o seu filho sofreu um quadro infeccioso grave. A sepsis neonatal precoce é um evento não muito comum que acontece quando uma bactéria ascende por via vaginal e encontra uma brecha para infectar o bebê através da placenta. As manifestações são graves e precoces. A infecção foi tratada com antibióticos que exterminaram a bactéria do corpo do bebê. Antes da cura, porém, a infecção produziu danos...

O casal temia ouvir a palavra “seqüela”. Tinham conversado um pouco sobre isso, mas as emoções ainda estavam muito inflamadas para pensar no que fariam caso o tão sonhado bebê tivesse alguma seqüela da infecção.

— A tomografia mostra um sangramento difuso no cérebro que afetou principalmente a região responsável pelos movimentos do bebê; esta é a razão por que ele ainda precisa tomar medicações anti-convulsivantes. Ainda não é possível saber qual será a extensão do dano motor. Nosso oftalmologista, Dr Wagner, fez um exame rápido no fundo de olho que mostrou um sangramento na retina do lado direito fora da área de melhor visão e do lado esquerdo um descolamento total da retina. O ecocardiograma está normal. Os demais órgãos e sistemas não apresentam, até o momento, alterações sensíveis.

— Doutor, quais limitações o bebê vai ter?

Médicos não gostam de falar em seqüelas. Contar sobre possíveis limitações físicas e-ou mentais é duro para quem fez uma longa faculdade de medicina mais outros duros anos de residência com a finalidade de trazer a saúde. O médico escolheu bem as palavras para não fazer rodeios ou incutir falsas esperanças.

— O bebê não sofreu dano cardiológico e isto é bom. Existe uma possibilidade de no futuro de ser asmático como conseqüência tardia da respiração mecânica. No olho esquerdo não há visão. Há possibilidade dele enxergar com o olho esquerdo mas a visão pode ser sub-normal.

Os pais choravam, mas recebiam as informações com resignação. Será que não acaba? Pensou Adilson esboçando um planejamento da nova estratégia familiar. O médico prosseguiu.

— Quanto à lesão cerebral não é possível dizer qual é a extensão do dano. Alguns pacientes ficam com seqüelas extensas que jamais se curam. Outros pacientes, após extenuante trabalho de fisioterapia e exercícios, conseguem adquirir alguma autonomia motora. Além disso, existe também a possibilidade de algum dano neuro-comportamental. Vocês serão encaminhados para um serviço multidisciplinar da Universidade Federal e serão assistidos por uma equipe. A alta do bebê já está assinada.

Os pais receberam o bebê nos braços, colocaram a melhor roupa que tinham comprado, enrolaram numa mantinha e saíram pela porta da frente do hospital cientes de que suas vidas jamais seriam as mesmas. Passaram no Hospital Universitário para agendar a primeira avaliação que foi programada para duas semanas após a alta.

Dois dias depois de sair do hospital, entretanto, Cláudia foi ao posto de saúde onde fez o pré-natal. Os funcionários do posto tinham sabido do caso porque uma das auxiliares era plantonista no Hospital à noite.  Cláudia levou o bebê ao posto para apresentá-lo ao médico.

— Belo bebê, Cláudia. Parabéns! Ficamos preocupados com o que aconteceu. Toda a equipe do posto queria saber notícias de vocês. Como você está?

— Estou bem, obrigada. Ainda tentando entender, aceitar, não sei bem nem como falar sobre o assunto. Só sei que amo meu filho e quero cuidar dele.

— Então, você veio aqui hoje para se consultar ou a consulta será para o Pedro? Lembro bem que este era o nome que você havia escolhido.

— Na verdade, doutor, estamos bem; não viemos consultar. Só preciso que o senhor troque a receita do remédio anti-convulsivante para que a farmácia do posto possa me fornecer. E este não é o PEDRO, seu nome é JONAS.

— Pois não, permita-me conferir a dose do remédio e trocar a receita para você. Mas agora você me deixou curioso. Você trocou o nome que havia escolhido? Lembro que você falava com excitação sobre como seriam as variações de Pedro, Pedrinho, Pepê...

— Não troquei o nome. Durante nove meses eu gerei na minha mente e no meu coração o PEDRO PAULO. Adilson e eu fizemos planos, pintamos o quarto, minha tia lá de Passa Quatro fez um quadro bordado em ponto cruz com o nome PEDRO PAULO. Quando conheci o filho que tinha dado à luz eu o amei imediatamente. Me apaixonei pelas bochechas, pela barriguinha... Ficava olhando pela incubadora durante muito tempo. Aquele era meu filho e eu o amava. Queria levá-lo pra casa e cuidar dele. Mas não era PEDRO PAULO, pelo menos não do jeito que eu o gerei na minha mente. Quando saímos da maternidade pedi ao meu marido que o registrasse como JONAS.

Semanas depois, Cláudia, Adilson e o pequeno Jonas seguiram para o Hospital Universitário onde o pequeno passou a ser tratado.

Conclusão: Demônios do Templo (4)</description>
				  <pubDate>03 Mar 2008 10:01:29 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=1784</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Demônios do Templo (2)</title>
				  <description>Leia antes: Demônios do Templo (1)

— Boa tarde. O senhor é o marido da Sra Cláudia dos Santos Tibúrcio? 

— Sim, sou eu. O que está acontecendo?

— Sua esposa deu à luz há pouco mais de uma hora. Minutos após o nascimento o recém-nascido começou a apresentar uma dificuldade que o impedia de respirar por si só. Também observamos que seu coração estava muito acelerado e seu tônus muscular ficou flácido. Foi trazido para a UTI Neonatal pelo pediatra de plantão. Nós o colocamos em uma máquina para respirar, iniciamos antibióticos pela veia umbilical. Há 15 minutos atrás ele apresentou um quadro de convulsão generalizada. A hipótese diagnóstica pra ele é...

— Onde está Cláudia?

— Choque séptico. Perdão?

— Onde está minha esposa? Ela está bem? Sofreu algum dano?

— Não sei lhe dizer. Sou plantonista da UTI Neonatal. Creio que o senhor poderá encontrar-se com a esposa logo.  Concluindo meu relatório...

— Doutor, obrigado pela atenção. Confesso que não entendi quase nada do que o senhor falou, mas entendi que o bebê teve um negócio grave e está respirando com um aparelho. É isso? E vocês estão cuidando dele para nós?

— Sim, estamos cuidando dele. Vá ter notícias da sua esposa e mais tarde conversamos novamente.

— Obrigado.

Adilson saiu da porta da UTI e retornou ao posto de enfermagem. Uma auxiliar gorda e desajeitada preparava algumas medicações para aplicar nas pacientes. Afoito, perguntou em que quarto estava a esposa.

— Cláudia da Silva?

— Não, Cláudia dos Santos. Por favor, em qual enfermaria ela está? 

O 520B ficava no fim do corredor. Uma sala ampla, construída para ser almoxarifado do andar, foi transformada em enfermaria. Cláudia estava no último leito, bem perto da janela de onde se podia avistar a linha do trem. Deitada, ainda com algumas contrações de acomodação no pós-parto, meio desconfortável com os pontos que começavam a doer, avistou Adilson na porta e o chamou para si.

Adilson beijou-lhe a testa e sentou-se na cadeira ao lado para conversar. Com o coração miúdo, relatou para Cláudia que o bebê estava na UTI em um estado não-muito-bom mas que estava sendo cuidado. Seu tom de voz tentava esconder sua apreensão para transmitir segurança para a esposa. Seguraram as mãos e oraram.

Dois dias depois, Cláudia, já sem dores recebeu alta do hospital. Recebeu livre acesso ao quinto andar para visitar o bebê. O hospital Ana Neri foi o pioneiro na iniciativa “Hospital amigo da criança” cujos princípios preconizam a humanização, inclusive do tratamento intensivo, permitindo às mães visitarem seus bebês, desde que bem orientadas quanto às medidas sanitárias.

O recém-nascido piorou muito nas horas seguintes ao parto. Sofreu uma parada cardíaca no mesmo dia do nascimento por volta das 23 horas. Foi reanimado com massagem cardíaca. No dia seguinte foi introduzida uma droga para aumentar a força dos batimentos cardíacos que, devido à infecção, estavam enfraquecidos. Dois dias depois, durante uma crise convulsiva, o tubo de respiração saiu da traquéia, o que ocasionou novo procedimento de intubação.

Ao final da primeira semana de vida o recém-nascido permanecia no respirador. A infecção estava sob controle e a droga cardiológica começou a ter sua dose desmamada. A fração inspirada de oxigênio que inicialmente era 100% começou a ser lentamente diminuída até aproximar-se da fração do ar ambiente (21%). Os pulmões davam sinais que estavam melhorando. No final de semana seguinte os parâmetros do aparelho respirador estavam mínimos indicando que em breve a criança seria extubada.

Exatos quinze dias de internação desde o nascimento, o recém-nato recebeu alta para a Unidade Intermediária — uma espécie de unidade semi-intensiva — para ganhar um pouco de peso e proceder investigações adicionais. A única medicação em uso era o anti-convulsivante, introduzido por ocasião da primeira crise convulsiva, mas que seria modificado para outro por via oral.

O médico da Unidade Intensiva solicitou alguns exames. Uma tomografia de crânio, um exame de fundo de olho e um ecocardiograma para avaliar possíveis seqüelas da sepsis.

Durante todo esse tempo Cláudia e Adilson visitavam o bebê diariamente. Cláudia ai pelo menos três vezes ao dia na UTI e outras duas no banco de leite para retirar o leite materno que era dado ao bebê na UTI. Adilson vinha de manhã e à noite nos horários de visita.

Três dias depois de ir para a UI o casal foi informado que o bebê receberia alta. Antes, porém, o médico da UI queria ter uma conversa com o casal.

Continuação: Demônios do Templo (3)</description>
				  <pubDate>26 Feb 2008 16:16:58 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=1779</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Demônios do Templo (1)</title>
				  <description>Cláudia e Adilson vêm para mais uma consulta de pré-natal no posto de saúde próximo da sua casa, a quarta desde o início da gravidez. A triagem infecciosa do primeiro trimestre era negativa, as medidas uterinas normais para a idade gestacional, os batimentos cardíacos e movimentos fetais presentes e dentro dos limites da normalidade. Fora um ligeiro excesso de ganho de peso, Cláudia estava muito bem. 

— Cláudia, sua gestação está indo bem. Preciso que você cuide mais da sua alimentação. Apesar da gravidez aumentar seu apetite, não recomendo que você engorde demais para não prejudicar a sua própria saúde. Adilson, vocês já escolheram um nome para o bebê? 

— Pedro Paulo — disse orgulhosamente o pai que, apesar de trabalhar muito como operário em uma indústria de embalagens plásticas, não deixou de participar de nenhuma consulta da esposa.

Adilson e Cláudia tinham três anos de casados. Moravam no subúrbio, em casa própria. Dois quartos pequenos, sala conjugada com a cozinha. Uma janela nos fundos dava vista para um terreno baldio. Na fachada, somente a janela do quarto do casal — que permanecia fechada quase o tempo todo para não entrar a poeira da rua — e a porta de entrada que dava para a sala conjugada. Apesar de pobres, Adilson e Cláudia eram caprichosos. As paredes internas e externas eram rebocadas e pintadas de branco. O piso de cerâmica foi uma conquista! Tiveram que economizar o 13º de ambos para comprar o material. Um amigo da família fez um preço camarada desde que Adilson fosse o “ajudante”. Passaram um final de semana todo assentando e rejuntando aquele piso. 

O jovem casal decidiu, então, que era hora de ter um bebê. Cláudia suspendeu o anticoncepcional que tomava no mês de junho. Pensavam que seria melhor nascer no verão, temendo que o frio e a poluição da metrópole atrapalhassem a respiração do recém-nascido. Cláudia tinha bronquite e sabia bem o que era sofrer com falta de ar no inverno quando o ar fica pesado e frio. Na primeira semana de agosto Cláudia começou a ficar nauseada. Empolgada foi na farmácia e comprou um PregTest urinário. Positivo. 

— Pessoal, estamos na 36ª semana de gestação. A barriga da Cláudia está muito grande. Evitem esforços intensos. Não queremos uma contusão lombar nesta altura do campeonato. Você vai notar algumas contrações esporádicas que apesar do desconforto não são contrações de parto. Qualquer situação anormal vocês devem retornar ao posto.

Cláudia era operária numa fábrica de pastilhas cerâmicas. Em conversa com a gerente de RH da firma acertou que nas últimas semanas da gravidez ficaria com um serviço menos pesado. Desde a 35ª semana mudou para a função de esmerilhadeira. Numa bancada procurava pequenas imperfeições nas pastilhas selecionadas para montagem de mosaicos.

Adilson, por sua vez, tomou uma atitude diferente. Tinha direito a cinco dias de folga quando o bebê nascesse. Programou suas férias a partir do sexto dia — tudo para ficar o maior tempo possível com Cláudia e o pequeno Pedro.

Enfim o mês de maio. Era um domingo, o primeiro domingo. Cinco da manhã Cláudia despertou do sono e observou que a cama estava molhada. A seguir sua barriga começou a endurecer a intervalos mais ou menos semelhantes. Pegaram o fusca da família e foram para a maternidade. Demoraram um pouco porque nas duas primeiras maternidades que entraram não havia vagas. Finalmente foram admitidas na Maternidade Ana Neri. Não porque tivesse vagas, mas porque era a maternidade localizada no fim da linha do trem, última trincheira de esperança. Cláudia permaneceu internada e Adilson foi para a sala de espera da maternidade.

O trabalho de parto correu rapidamente e sem atropelos. Cláudia era durona. Tinha visto na TV que quando o bebê nasce de parto normal tem menos problemas para respirar e para sugar ao seio, além da recuperação da mãe ser muito mais rápida. Ao meio-dia o residente sênior do pré-parto informou que estava na hora. Às 12:13h Cláudia deu à luz o seu bebê. Ele chorou um pouco e foi logo recepcionado pelo pediatra de plantão que foi dar os primeiros cuidados.

— APGAR 7 e 9 — disse o pediatra para a mãe cinco minutos depois do nascimento.

— Que que é isso? APGAR?

— É a nota do bebê. No primeiro minuto ele estava meio flácido, com um choro fraquinho e reflexo meio apagado, mas depois da estimulação ele recuperou-se do choro e do reflexo. Ainda está meio molinho, mas está tudo bem.

Enquanto a mãe recebia os cuidados finais — retirada da placenta e sutura na episiotomia — na sala ao lado o bebê dava sinais de que não estava tão bem assim. Começou a apresentar gasping[1]. A flacidez muscular foi aumentando. O coração disparou. O pediatra solicitou imediatamente a transferência do recém-nascido para a UTI Neonatal com hipótese diagnóstica de Sepsis[2] Neonatal . A vaga na UTI demorou um pouco para sair — assim como as outras maternidades da metrópole, a UTI do Ana Neri também estava lotada. Projetada para 20 crianças, estava com 28. Enquanto a vaga não estava liberada, o pediatra intubou o recém-nascido que neste momento já não conseguia mais respirar espontaneamente e permaneceu em estreito monitoramento. Após vinte longos minutos, o recém-nascido em uma incubadora aquecida, intubado com oxigênio suplementar, foi transportado para a UTI Neonatal que ficava no mesmo andar do Centro Obstétrico, mas do outro lado. Atravessar o longo corredor era uma operação que exigia coordenação de toda a equipe. Finalmente na UTI, o bebê foi colocado em ventilação mecânica e iniciada a administração de antibióticos imediatamente.

Cláudia não soube de nada até ser levada para a enfermaria. A enfermeira-chefe — uma mulher sisuda, porém gentil — comunicou-lhe em poucas palavras que seu bebê tinha sofrido um problema respiratório ainda no Centro Obstétrico e foi conduzido para a UTI.  A puérpera estupefata ficou desorientada. Grunhiu algo como “ele está bem?” mas não recebeu resposta. Sentiu solidão. Adilson ainda não tinha sido liberado para subir até a enfermaria.

Demorou cerca de uma hora até o marido de Cláudia conseguir autorização para subir até o quinto andar da maternidade. Ao sair do elevador foi primeiramente conduzido pela enfermeira-chefe até a porta da UTI Neonatal onde alguém falaria com ele. Confuso, sentou-se no sofá de alvenaria na porta da UTI. Alguns minutos depois um médico em roupas verdes, cabelo despenteado e com uma voz firme se apresentou.

Continuação: Demônios do Templo (2)</description>
				  <pubDate>21 Feb 2008 23:24:19 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=1776</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Língua solta</title>
				  <description>Mas Pedro e João responderam: “Julguem os senhores mesmos se é justo aos olhos de Deus obedecer aos senhores e não a Deus. Pois não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos”.[1]

Nunca fui fã de rádio. Ultimamente, no entanto, devido ao corre-corre da rotina, tenho preferido ouvir o noticiário pelo rádio (assim posso chegar em casa e fazer outras coisas). Fiquei surpreso ao ver a excelente cobertura radiofônica do caso “Renan Calheiros”. Desde a denúncia da jornalista e o subseqüente processo de apuração, culminando com o julgamento do último dia 12 de Setembro, a imprensa divulgou indícios, fatos e versões dos envolvidos no escândalo.

Uma denúncia desencadeia um processo como esse. O endosso da denúncia deve ser feito com provas materiais e contra-provas que contam com a fé pública, além do depoimento de testemunhas que fundamentam ou desqualificam a denúncia (a Thaíse pode me corrigir se estiver errado!).

Logo após o pentencoste, os discípulos foram tomados de um notável fervor evangélico e se puseram a pregar o nome de Jesus para testemunho em toda a microrregião de Jerusalém. Seguiram-se vários sinais e milagres inegáveis e tais fatos incomodaram o alto Sinédrio judeu. Uma CCI – Comissão Clerical de Inquérito – resolveu investigar o conteúdo dos supostos “fatos” proclamados por Pedro e João. Com autoridade para prender e interrogar, a CCI ordena a prisão de Pedro e João para interrogatório.

Começa o interrogatório. À primeira pergunta, os simples homens do populacho dão uma resposta eloqüente – frases firmes em um testemunho sólido e consistente. “Que faremos com esses homens?”.[2] A reação dos clérigos denuncia que a resposta dos discípulos de fato possuía credibilidade, não só pela firmeza das afirmações, como pela prova material – afinal, o homem curado por eles estava ali no momento do interrogatório.

Numa quebra de decoro clara, os clérigos ordenaram aos discípulos que não ensinassem sobre a ressurreição no Nome de Jesus, ao que corajosamente responderam: Não podemos deixar de falar do que ouvimos!

Esta passagem bíblica também me fez pensar no evangelista John Bunyan (1628-1688), pastor e escritor puritano inglês. Nascido em um lar pobre, ele adquiriu o domínio da língua inglesa através da leitura da Bíblia. Após lutar na Guerra Civil, filiou-se a uma igreja independente do tipo batista e pouco depois começou a pregar, o que era proibido a quem não pertencia à igreja oficial. Por esse motivo, as autoridades o lançaram na prisão. Seu encarceramento se estendeu de modo intermitente por doze anos (1660-1672). Nesse período, ele escreveu a sua obra prima, O Peregrino. Esse clássico, publicado em 1678, foi um dos livros mais lidos de todos os tempos. No final da vida, Bunyan continuou a pregar e a evangelizar em sua região[3].

A autoridade humana não suporta a soberania de Deus e resiste a ela. A ortodoxia nos usos e costumes e o culto do ritual litúrgico tentaram calar a chama da Boa Nova do Reino de Deus. Bunyan seguiu pregando o evangelho, tendo produzido sua obra prima enquanto estava na prisão. Os apóstolos João e Pedro enfrentaram com a autoridade da Verdade os clérigos munidos com armas e um exército[4].

Prezados, não precisamos temer a Verdade, muito menos tentar melhorá-la, pois é através dela (pregada como de fato é) que Deus opera no homem a regeneração para a Vida Eterna. 

No mundo da CPI, votações secretas podem escusar indivíduos de arcar com as responsabilidades da verdade. No Reino de Deus, a Verdade não esconde o erro, mas pela Verdade há perdão e restauração. (...) “lembrem-se disso: Quem converte um pecador do erro do seu caminho, salvará a vida dessa pessoa e fará que muitíssimos pecados sejam perdoados”.[5]

Que o Senhor nos dê ousadia para testemunhar, “Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!” [6]</description>
				  <pubDate>13 Sep 2007 23:31:28 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=1570</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>O que nos faz irmãos: Sola Gratia</title>
				  <description>Leia antes:
» Introdução
» Capítulo 1 - Exórdio
» Capítulo 2 - De Jesus a Cristo
» Capítulo 3 - A centralidade da cruz de Cristo

Capítulo 4

“Pois é pela graça de Deus que vocês foram salvos, por meio da fé que vocês têm. Vocês não salvaram a si mesmos. A salvação vem de Deus como um dom, e não como o resultado das obras que alguém fez, para que assim ninguém se orgulhe. Nós somos criaturas de Deus. Ele nos criou em Cristo Jesus para que passássemos a nossa vida fazendo as boas obras que Ele já tinha preparado.”[1]

O papa vem aí. Assisti recentemente a uma entrevista com um grupo de romeiros gaúchos que estão preparando uma grande caravana para acompanhar de perto a visita do papa. Questionado pelo repórter sobre as perspectivas em relação à visita papal, o coordenador da viagem disse esperar na melhor das hipóteses poder dar um abraço no papa e rogar-lhe uma graça para si próprio, para sua família e para sua cidade. 

Certamente o termo graça encerra também o sentido de uma mercê, ou uma dádiva concedida. Os devotos de Frei Galvão (nosso futuro santo tupiniquim) crêem que ao dirigir-lhe preces fervorosas e consumirem pequenas pílulas de papel serão presenteados com uma graça especial.

Apesar de discordar com as práticas acima, devo reconhecer que o sentido original da palavra graça, isoladamente, não se perdeu de todo na nossa sociedade. Mesmo aqueles que invocam as graças de Frei Galvão ou do Bispo Ratzinger reconhecem que o que recebem precisa vir de uma fonte externa.

O que os cristãos universalmente aceitam é que a Graça (esta com letra maiúscula) salvífica é um favor, uma dispensação exclusiva que compete unicamente a Deus. Homem nenhum, mesmo os comissionados por Jesus Cristo para ser dirigentes da igreja universal, é capaz de imputar a graça de Deus. 

Refletir sobre a graça é compreender que, em Cristo, Deus nos alcança para a salvação. Não existe ato qualquer humano envolvido no processo da salvação porque ela parte da Graça. Até mesmo a fé, que é o instrumento que Deus escolheu para nos imputar a salvação, é um presente de Deus por graça, pois a natureza pecaminosa que herdamos em Adão nos impossibilita até mesmo de exercer a fé para a salvação. Compreender a Graça não se trata de abraçar a Fé em Cristo Jesus, mas permitir ser abraçado por providência tão maravilhosa e absolutamente indigna.

Os irmãos em Cristo são agremiados por esta graça e não precisam recorrer a outros homens para alcançá-la pois já a têm em Cristo Jesus.</description>
				  <pubDate>16 Apr 2007 23:57:59 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=1477</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>O que nos faz irmãos: A centralidade da cruz de Cristo</title>
				  <description>Leia antes:
» Introdução
» Capítulo 1 - Exórdio
» Capítulo 2 - De Jesus a Cristo

Capítulo 3

O impressionante filme 300 trata de uma página interessante da história universal. Os habitantes de Esparta, na Grécia, prestes a ser conquistados pelos exércitos do persa Xerxes, decidem lutar pela sua liberdade. No melhor estilo hollywoodiano, a batalha de esparta retrata a luta de uma sociedade de homens livres contra um império comandado por um rei-deus. Sim, Xerxes, o imperador Persa se auto-denominava rei-deus.
A figura divina entrando na história da humanidade consta da mitologia de praticamente todas as sociedades. As diversas encarnações do dalai-lama e buda... o sol determinando o ciclo de saúde-doença, fartura-escassez... Os antropo-deuses gregos interagindo no mundo mortal... 
Somente o cristianismo, contudo, sustenta sua soteriologia alicerçada  em umsímbolo de aparente derrota, como a Cruz. Todo o sistema cristão baseia-se no fato que Cristo padeceu em uma cruz romana.A escolha que os cristãos fizeram da cruz como símbolo da sua fé é tanto mais surpreendente quando nos lembramos do horror com que era tida a crucificação no mundo antigo. Podemos compreender por que a mensagem da cruz que Paulo pregava era "loucura" para muitos (1 Coríntios 1:18, 23). Como poderia uma pessoa de mente sadia adorar como deus um homem morto, justamente condenado como criminoso e submetido à forma mais humilhante de execução? Essa combinação de morte, crime e vergonha colocava-o muito além do respeito, sem falar da adoração.
Os gregos e os romanos se apossaram da crucificação que, aparen¬temente, fora inventada pelos "bárbaros" que viviam à margem do mundo conhecido(...) Ao adotarem a crucificação, os ro¬manos a reservaram para assassinos, rebeldes, ladrões, contanto que também fossem escravos, estrangeiros ou pessoas sem posição legal ou social. (...)[1]O ícone não teria qualquer significado se Jesus não tivesse sido submetido à sua crueldade. Nem tampouco haveria significado se o Jesus da cruz não fosse o Filho de Deus, absolutamente inocente, sofrendo, na cruz, o salário por um pecado que não cometera. 
Após a inauguração da igreja, os apóstolos passaram a enxergar na cruz uma maneira de lembrar-se de Jesus. De fato, a cruz se tornou o ícone da Vitória de Jesus – marco definitivo da intervenção de Deus na história do homem. 
Compreender a Centralidade da Cruz para o cristianismo é entender o cerne das Boas novas. “Antes de tudo eu ensinei a vocês o que eu também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, como dizem as Escrituras”[2]. A vitória sobre a morte, o pagamento do preço para a expiação, a satisfação da justiça de Deus são explicações exegéticas preciosas para entender a Cruz de Cristo (recomendo o comentário “A Cruz de Cristo” de John Stott para aprofundamento). Sou desafiado, porém, a compreender que o exigido de mim a respeito da Cruz de Cristo é crer que nela [a cruz]Deus, em Cristo Jesus, estava  nos conciliando consigo mesmo e fora dela não existe salvação.Vi Cristão marchando por uma estrada que, de ambos os lados, era protegida por duas muralhas, chamadas Salvação (Isaías 26.1). É certo que ia caminhando com muita dificuldade, por causa do fardo que levava às costas, mas o seu passo era rápido e seguro; vi-o chegar a um pequeno monte onde se erguia uma cruz, junto à qual, e um pouco mais abaixo, estava uma sepultura. Ao chegar à cruz, soltou-se-lhe o fardo, instantaneamente, de sobre os ombros, e, rolando, foi cair na sepultura, donde não tornará jamais a sair.

Quão aliviado e jubiloso ficou Cristão! Bendito seja Aquele que, com os seus sofrimentos, me deu descanso, e com a sua morte me deu a vida! Exclamou ele, e ficou por alguns momentos como extático, ao ver o grande benefício que a cruz acabava de fazer-lhe; olhava para um e para outro lado, cheio de assombro, até que o seu coração se expandiu em abundantes lágrimas (Zacarias 12.10).[3] » Capítulo 4 - Sala Gratia</description>
				  <pubDate>05 Apr 2007 17:05:45 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=1472</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>O que nos faz irmãos: De Jesus a Cristo</title>
				  <description>Leia antes:
» Introdução
» Capítulo 1 - Exórdio

Capítulo 2

A tradição cristã, ao longo dos séculos, tenta traçar um perfil para a personalidade de Jesus e até mesmo para sua aparência. Lembro-me recentemente de uma foto computadorizada que circulou na internet que mostrava como seria a face típica de um palestino do século I. Pele parda, grandes olhos castanhos centrados na face, nariz largo, eminências malares bem protuberantes; constituição magra. Assim os arqueólogos imaginam que seria a aparência de Jesus.

Os evangelhos são ricos ao relatar o nascimento, a doutrina, os atos de Jesus, sua morte e ressurreição, mas notadamente não encontramos qualquer texto descritivo sobre sua aparência física nos Evangelhos. A referência bíblica que poderia servir a este propósito não se encontra no evangelho, mas no livro de Isaías - (“Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos.”- Isaías 53:2) -  e, longe de exaltar quaisquer atributos físicos, deixa claro que o messias não seria admirado pela sua beleza cosmética. 

Os cristãos crêem que o que torna Jesus mais do que um ordinário homem, explica-se por sua natureza. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Colossenses, diz que “nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2:9), deixando claro que Jesus posuía natureza plena da divindade. De igual forma, o escritor aos Hebreus comenta: “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo” (Hb 2:14); evidenciando também a plena natureza humana existente em Jesus.O cristianismo bíblico afirma que Cristo possui duas naturezas, que ele é tanto divino quanto humano. Ele existe junto com Deus Pai na eternidade como a segunda pessoa da Trindade, mas tomou a natureza humana na ENCARNAÇÃO. O que resulta disso não compromete nem confunde, seja a natureza divina, seja a humana, de modo que Cristo era totalmente Deus e totalmente homem, e permanecerá nessa condição para sempre.[1]Quando Jesus se tornou homem, ele acrescentou à Sua natureza divina pré-existente, a natureza humana, ou seja, o conjunto de atributos que definem o homem. Na encarnação, a natureza divina não foi humanizada, nem a humana divinizada. Jesus de fato possuía duas naturezas distintas em si mesmo. 

Cremos que Jesus Cristo é Deus desde a Eternidade, nascido da virgem Maria na cidade de Belém como um ser humano pleno de seus atributos.

Quanto ao ministério de Jesus, ele foi caracterizado pela pregação, ensino e cura:Jesus foi por toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas deles, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças entre o povo. (Mateus 4.23)

Jesus ia passando por todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças. (Mateus 9.35)

Mas ele disse: “É necessário que eu pregue as boas novas do Reino de Deus noutras cidades também, porque para isso fui enviado”. (Lucas 4.43)

Embora a concepção virginal testifique que ele não era um ser humano ordinário, por si mesma ela era insuficiente para proteger a criança de toda contaminação. Portanto, a impecabilidade de Cristo não pode ser devido à concepção virginal somente, mas foi o decreto soberano de Deus de que nenhuma culpa seria imputada sobre Cristo e que nenhuma corrupção seria herdada por ele. O “poder do Altíssimo” não somente causou a concepção de Cristo sem um pai humano, mas também guardou a criança tanto da culpa legal de Adão como da natureza corrupta resultante do pecado. Isso foi assim para que a criança pudesse ser corretamente chamada de “o santo” (Lucas 1.35).[2]Como ser humano literal e físico, Jesus também sofreu uma morte literal e física. No entanto, pelo fato de não ter pecado (releia o comentário de Cheung acima), sua morte na cruz lhe concede crédito expiatório para imputar seus méritos e, assim fazendo, salvar tantos quantos se acheguem a Ele por meio da fé.

» Capítulo 3 - A centralidade da cruz de Cristo</description>
				  <pubDate>21 Mar 2007 13:59:36 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=1460</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>O que nos faz irmãos: Exórdio</title>
				  <description>Leia antes:
» Introdução

Capítulo 1

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.” [1]

Há ainda os que pensem que o natal teve sua origem nas festividades de dezembro. Outros, um pouco mais intelectualizados, pontuam o nascimento carnal de Jesus, ocorrido na Judéia antes do século I a.D. como sendo a origem do natal. 

Mateus inicia seu relato traçando uma genalogia ligando o recém-nascido de Belém à Davi e à Abraão, ligando-o definivamente às profecias judaicas messiânicas. João, no entanto, vai mais além. Ele estabelece a ligação definitiva entre Jesus Cristo e o Deus veterotestamentário. O Evangelho de João traça uma cronologia[2] que encontra seu início na Eternidade (“E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” [3]), deixando claro que o menino de Belém – posteriormente, o rabi Ieshua – era Deus. 

A irmandade dos cristãos crê que Jesus Cristo é o Filho de Deus, nascido da Virgem Maria, em Belém da Judéia, anunciado pelo arcanjo Gabriel, nascido sob o império romano. Homem de homem, Deus de Deus. O contexto temporal do nascimento de Jesus é bem expressado por Philip Yancey como se segue:Aos leais súditos romanos, Augusto oferecia paz, segurança e entretenimento: em duas palavras, pão e circo. A Pax Romana garantia que os cidadãos tivessem a proteção contra os inimigos de fora e desfrutassem dos benefícios da justiça e do governo civil romano. Enquanto isso, uma alma grega enchia o corpo político romano. As pessoas por todo o Império se vestiam como os gregos, construíam seus prédios no estilo grego, jogavam os desportos gregos e falavam a língua grega. Exceto na Palestina.

A Palestina, o caroço que a anaconda não conseguia digerir, exasperava Roma até o fim. Contrariando a tolerância romana para com muitos deuses, os judeus apegavam-se tenazmente à noção de um Deus, o seu Deus, que lhes revelara uma cultura diferente de Povo Escolhido. (...) Herodes, o Grande, ainda reinava quando Jesus nasceu. Comparativamente, a Palestina permaneceu sossegada sob o seu braço de ferro, pois as longas guerras haviam drenado ambos, o espírito e os recursos dos judeus. Um terremoto em 31 a.C. matou 30 mil pessoas e muito gado, causando mais penúria. Os judeus chamavam tais tragédias de “aflições do Messias” e imploravam a Deus por um libertador.[4]Sob o ponto de vista cósmico, porém, o que melhor consegue captar a essência dos acontecimentos da Belém rural parece ter sido Simeão: “Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, Segundo a tua palavra; Pois já os meus olhos viram a tua salvação” [5].O cristianismo bíblico afirma que Cristo possui duas naturezas, que ele é tanto divino quanto humano. Ele existe junto com Deus Pai na eternidade como a segunda pessoa da Trindade, mas tomou a natureza humana na encarnação. O que resulta disso não compreende nem confunde, seja a natureza divina, seja a humana, de modo que Cristo era totalmente Deus e totalmente homem, e permanecerá nessa condição para sempre.[6]A Bíblia diz que o que vem a Deus deve crer que Ele existe.[7] (“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.” [8]). Desta forma, a primeira virtude que nos faz cristãos, é a crença na existência absoluta em Deus. Tal crença pode se apoiar em argumentações filosóficas, ontológica, cosmológico, teleológico, moral, transcedental ou dogmáticas. No entanto, os irmãos em Cristo não necessitam de tais argumentos para se chamarem assim[9], crendo em Deus sustentados unicamente pela crença [10] ou fé.

O exórdio da encarnação é a pré-existência eterna de Jesus e sua entrada na história. Deus não existe porque cremos em sua existência. Cremos porque Ele existe (é).Hoje em dia, um bom número de pessoas diz: "Acre¬dito em Deus, mas não num Deus pessoal." Elas pres¬sentem que o mistério por trás de todas as coisas deve ser maior que uma pessoa. Os cristãos concordam com isso. Porém, os cristãos são os únicos que oferecem uma idéia de como seria esse ser que está além da persona¬lidade. Todas as outras pessoas, apesar de dizerem que Deus está além da personalidade, na verdade conce¬bem-no como um ser impessoal: melhor dizendo, como algo aquém do pessoal. Se você está em busca de algo suprapessoal, algo que seja mais que uma pessoa, não se verá obrigado a escolher entre a idéia cristã e as outras idéias, pois a idéia cristã é a única existente no mercado.[11]» Capítulo 2 - De Jesus a Cristo</description>
				  <pubDate>07 Mar 2007 11:54:37 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=1435</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>O que nos faz irmãos</title>
				  <description>“Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.” [1]

2007 é o ano do Encontro irmaos.com. Sobre esta plataforma, gostaria de convidá-los a lançar um olhar sob a superfície analisando os principais fatos que fazem do cristianismo, uma congregação de irmãos. Aliás, é bom definir logo a terminologia à utilizar: irmão; Do lat. germanu. Filho do mesmo pai e da mesma mãe, ou só do mesmo pai (irmão consangüíneo) ou só da mesma mãe (irmão uterino), em relação a outro(s) filho(s).

Deixarei claro que nos textos desta série você não encontrará argumentos para decidir se tornar presbiteriano, católico, batista, metodista, assembleiano, irmãos unidos ou outra denominação cristã. Tampouco falarei a respeito de aspectos pontuais particulares de cada grupo. Assim, receio que alguns presbiterianos ficarão frustrados que eu não enfatize as doutrinas calvinistas, os pentecostais provavelmente ficarão chateados por não designar um capítulo específico aos dons carismáticos, os católicos incomodar-se-ão da não-menção mariológica nos artigos da série, exceto ao mencionar o nascimento virginal de Jesus Cristo.

Decidi escrever esta série para salientar o que de essencial existe no cristianismo. Citando palavras de John Stott[2]:Nós nos separamos uns dos outros por assuntos pouco importantes. Algumas das questões que nos dividem são teológicas; outras temperamentais. Teologicamente, por exemplo, podemos discordar na relação exata entre soberania divina e responsabilidade humana, na”ordem”  e ministério pastoral da igreja (se deve ser episcopal, presbiteriano ou independente) e até onde os crentes podem envolver-se numa “mistura” denominacional sem que se comprometam a si mesmos e a fé que  professam; nas relações Igreja-Estado; em quem está qualificado para ser  batizado e no volume de água a ser usado; em como interpretar profecia, em  quais dons espirituais estão disponíveis hoje e quais são os mais importantes.  Estas são algumas das questões nas quais crentes igualmente dedicados e  bíblicos discordam entre si. São questões que os reformadores chamam de  “adiaforia”, questões “indiferentes”.A maior ameaça ao cristianismo na atualidade não se encontra nos púpitos das igrejas ou no expansionismo do islã, mas no comportamento dos cristãos que dia-a-dia se tornam mais seculares, preterindo a vida cristã autêntica e simples às particulares interpretações e pontos de vista individuais.“Pois “mundanismo” não é  apenas uma questão (como fui ensinado a acreditar) de fumar, beber e dançar,  nem tampouco aquela velha questão sobre embelezar-se, ir a cinemas, usar  minissaias, mas o espírito do século. Se absorvemos sem qualquer exame os  caprichos do mundo (neste caso, o existencialismo), sem que primeiro  sujeitemos isto a uma rigorosa avaliação bíblica, já nos tornamos crentes  mundanos.” [3]Não faço mistério a respeito das minhas particulares posições, porém, opto nesta série em identificar pontos da essência do cristianismo que nos fazem unir e sermos chamados irmãos. Para a composição dos capítulos seguintes, convido-os a conhecer o pensamento de alguns irmãos como o Apóstolo Paulo, Agostinho, Lutero e Calvino, além dos contemporâneos C.S. Lewis, John Stott, Philip Yancey e Vincent Cheung a respeito do cristianismo. Como Leighton Ford disse corretamente, em 1959, no Congresso Americano sobre Evangelismo, em  Minneápolis: “Deus não está preso ao inglês do século dezessete, nem aos hinos do século dezoito, nem à arquitetura do século dezenove, nem aos clichês do século vinte” desta forma, precisamos também reavivar o conhecimento acerca das virtudes essenciais do cristianismo.

» Capítulo 1 - Exórdio</description>
				  <pubDate>07 Mar 2007 11:52:29 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=1434</link>
				  </item>

				  <item>
				  <title>Escola de Caráter: Os principais fatores na formação do caráter (2/2)</title>
				  <description>Submeter-se ao Senhorio de Cristo	 
  
O Senhorio de Cristo	 

Leia Romanos 10:8-9.

A palavra-chave na compreensão do Senhorio de Cristo em grego é Kyrios. Ela significa: chefe, dono, amo, autoridade máxima. 

Na Bíblia, a expressão “aceitar a Jesus como Salvador” simplesmente não existe. É certo que fora de Jesus não há salvação.[1]

A conversão verdadeira ocorre na vida do indivíduo quando ele reconhece que Jesus é o seu Senhor (Kyrios). Aceitar a Cristo meramente como Salvador, ignorando a sujeição ao Seu senhorio, seria como não receber a Cristo. Cristo nos salva e nos dá todos os benefícios da salvação, quando dobro meus joelhos diante dEle, reconhecendo-O como meu Senhor.

Esta condição indica o fim da rebelião e a aceitação incondicional de seu governo e autoridade sobre a nossa vida.

O Discípulo de Jesus Cristo	 

Em um sentido prático, um discípulo é um aluno, um aprendiz, alguém que tem um coração manso e humilde ante a instrução da Palavra de Deus. Tem avidez por aprender, por conhecer a Vontade de Seu Senhor para viver conforme ela. Um discípulo recebe com fé e mansidão o ensinamento. Aceita a correção, imita o bom exemplo, anela progredir. Tem um só objetivo em sua vida: ser como seu Mestre.

Viver cheio do poder que transforma	 
  
A condição humana	 

Leia Romanos 8:8.Por causa do pecado, o ser humano se envaideceu e perverteu. [2]
A ira de Deus se revela contra todo o pecado e injustiça dos homens. [3]
Todos os homens pecamos e estamos destituídos da glória de Deus. [4]
Todos estamos sob pecado e expostos a ira e ao juízo de Deus. [5] 
Por causa do pecado, fomos constituídos inimigos de Deus. [6]
Caímos espiritualmente mortos: Separados de Deus. [7] 
Vivíamos sob as potestades das trevas. [8]O Kerigma	 

Leia 1 Corintios 1:18; 1:21; 1:24.

Kerigma é a palavra grega traduzida como “pregação”. O verbo associado à esta palavra, traduzido por pregar, não significa simplesmente dar um sermão ou fazer uma exortação, mas “proclamar um feito”.

O Kerigma é a proclamação com autoridade e unção do testemunho de Deus que foi revelado aos apóstolos e profetas pelo Espírito. No Kerigma está a dynamis, o poder de Deus para a salvação e a transformação dos que crêem.

O Kerigma provoca e infunde fé, graça e experiência. Proclama que tudo já foi feito na morte e ressurreição de Jesus. E o que ouve com fé, experimenta o feito de Cristo na sua própria vida. Esta é a dinâmica do kerigma. [9]
 
A Obra do Espírito Santo em nós	 

Leia 1 Coríntios 6:17; Efésios 5:30.

Os crentes estão unidos a Cristo em uma união mais íntima e transcendente que a que podemos ter com qualquer de nossos contemporâneos.

O Espírito Santo é o contato vivo entre Jesus Cristo encarnado, morto e ressuscitado e nós mesmos. O Espírito é o ponto concreto de união com Cristo. 

É pela presença e poder do Espírito em nós que podemos experimentar o sangue regenerador de Cristo.

Leia Lucas 24:49 e Atos 1:4,8.

O Espírito Santo é quem efetivamente traz o poder (dynamis) do alto e nos conduz no processo de transformação do nosso caráter.

Disciplina pessoal	 

As ações reiteradas ao longo do tempo se transformam em hábitos. Existem hábitos que têm características ético-morais que constituem os diferentes traços de nosso caráter. De modo que a conduta vai forjando o caráter, e logo o caráter determina a conduta. 

Se vivemos segundo a carne, serão forjados em nós traços carnais. Mas se vivemos no Espírito, faremos morrer as obras da carne e manifestaremos as virtudes do caráter de Cristo. 

Necessitamos cultivar uma comunhão íntima, pessoal e secreta com Deus a cada dia. [10] 

Nossa máxima aspiração será “CONHECER” o Filho de Deus, o varão perfeito[11] . Não se trata de um conhecimento meramente intelectual (conceito grego), mas experimental e total (conceito hebreu), até que cheguemos à medida da estatura de Cristo. 

Este processo será gradual e tão intenso quanto o seu coração quiser que seja. Para ter sede é preciso caminhar. Certamente, quanto mais sede tivermos, mais água fluirá do nosso interior.

Que Deus nos abençoe!

Fim da série.</description>
				  <pubDate>26 Jan 2007 11:12:47 -0300</pubDate>
				  <link>http://www.irmaos.com/artigos/?id=1398</link>
				  </item>

				</channel></rss>