"Naqueles dias, sendo Moisés já homem, saiu a seus irmãos, e viu os seus labores penosos; e viu que certo egípcio espancava um hebreu, um do seu povo. Olhou de uma e de outra banda, e vendo que não havia ali ninguém, matou o egípcio, e o escondeu na areia. Saiu no dia seguinte, e eis que dois hebreus estavam brigando; e disse ao culpado: Por que espancas a teu próximo?" Êxodo 2:1-3.
Leia também Atos 7:23-25 e Hebreus 11:24-26.
Moisés, o menino que veio das águas para os braços da filha do Faraó, agora já é um homem feito, e não um homem qualquer, mas um príncipe muito bem preparado em toda ciência dos egípcios, preparado para os maiores cargos políticos na corte do Faraó, herdeiro de uma riqueza de dar inveja aos capitalistas selvagens de nosso século e forte candidato a viver e desfrutar dos maiores prazeres que um filho de Adão poderia ter.
Pois é, mas isso não é nada para ele, pois quando mantém contato com o mundo real, logo percebe que os egípcios são mesmo é do mal, e, quando vê seu verdadeiro povo sendo tratado com crueldade e injustiça, fica muito chateado, afinal de contas, seu lema é: "Justiça para todos".
Ao continuar andando pelas ruas da cidade, avista um outro filho de Abraão, um verdadeiro irmão de sangue sendo tratado injustamente, e com um certo grau de violência. Moisés, então, acaba matando o egípcio.
Moisés, nesse tempo, já entendia que Deus queria livrar os hebreus por intermédio dele. Ele achava que, ao defender um do povo, seria aceito por todos, mas não foi isso que aconteceu, pois ainda não era chagada a sua hora dentro do projeto de Deus.
Como a "última" impressão é a que fica, o fato dele ter matado um homem acaba ofuscando o brilho e a grandeza de seu gesto. Ele só queria justiça para todos. Somente 40 anos mais tarde Moisés é aceito como líder do povo de Israel, mas essa é uma outra história que ainda vamos contar.
O que eu gostaria mesmo de destacar aqui é a grandeza de Moisés. Como foi escrito no livro aos hebreus, ele "preferiu ser maltratado junto com o povo de Deus, a usufruir prazeres transitórios do pecado", e mais, "pela fé, Moisés, quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de Faraó."
Quando Moisés vê o sofrimento do povo e um irmão, entre milhares, sendo espancado, ele escolhe o povo de Deus para ser o seu povo. Ele decide ser o seu libertador. Ele decide lutar para que haja justiça para todos.
Ainda teremos que falar muito sobre esse assunto, mas, por hora, paramos por aqui, e deixamos o exemplo de Moisés para que possamos pensar bem no mundo em que vivemos, quando irmãos estão sendo escravizados, espancados e tratados com injustiça, e eu me pergunto: Será que não devo ser como Moisés e desejar e, principalmente, lutar por justiça para todos?