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25/01/2012
Hominhos de plástico


por Paulinho Degaspari

Meu avô dizia que quando ele era criança nem tinha tempo para brincar pois aprendeu a trabalhar desde cedo. Meu pai, apesar de começar cedo também, diz que não dispensava um bom brinquedinho feito à mão. No meu tempo de infância as coisas já eram mais evoluídas. A gente não precisava fazer nossos brinquedos. Longe de termos ao alcance dos bolsos de nossos pais a alta tecnologia disponível hoje em dia, mas a gente não podia reclamar. Dava pra comprar aqueles pacotes de "hominhos de plástico" e fazer a festa com a imaginação.

Sempre gostei de brincar com os tais "hominhos". A maioria deles carregava armas e tinha uma base de plástico embaixo dos pés para poder parar em guarda. No auge do ataque inimigo alguém sempre dava a famosa ordem: "Largue a arma!", mas largar como se a arma e o homenzinho eram uma peça só? Tinha também aqueles que eram feitos só para montar nos cavalos. Os coitados eram legados à desgraça. Quando a molecada os desmontava, viravam motivo de piadas cruéis. De pernas arqueadas, só ficavam em pé quando encostados em algum lugar ou quando a gente os enterrava na areia.

Quando lembrei desses soldadinhos imediatamente me veio à mente uma triste realidade. Tem muito crente andando de perna arqueada por aí porque não consegue entender que não está mais "montado no cavalo". O tempo passou, a tecnologia evoluiu, e nada de se adequar à realidade. Charles R. Swindoll nos conta em seu livro Como Viver Acima da Mediocridade um caso que seria hilário se não fosse verdade:

Um de meus professores no seminário contou-nos sobre o dia em que pela primeira vez utilizou-se giz, numa palestra na igreja dele, há muitos anos. Muitos crentes franziram a testa e murmuraram: "Usam isso no mundo secular, não? Não adotamos giz nas palestras da igreja. Na próxima vez, saiba você, alguém vai usar um flanelógrafo."

Precisamos resguardar-nos da tentação de envolver o cristianismo do início do século vinte e um nas roupagens de 1960! Se não exercermos vigilância, ficaremos tão comprometidos "ao jeito como éramos" que tiraremos o foco das coisas realmente importantes, e deixaremos esta geração no pó.

Bons tempos aqueles... grande progresso! Como Deus operou grandes coisas! Certo. E hoje? As pessoas precisam saber como é que Jesus trata das questões de hoje, no mundo de hoje.

As organizações não mudam; as pessoas mudam. Os templos não são flexíveis; as pessoas são. Não há flexibilidade em paredes e madeiras. Nenhuma flexibilidade nas pedras, nas estruturas. A flexibilidade está em nós. Se temos alguma esperança de voar alto, precisamos dar um jeito na rigidez. Você não precisa mais andar com as pernas arqueadas!



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16 comentários

É verdade Paulinho!!!

Tem muito crente Gabriela: "Eu nasci assim, eu cresci assim, e sou mesmo assim, vou ser sempre assim", que infelizmente tem acabado com o crescimento das igrejas locais.
Creio que grande parte têm medo de ir contra algum preceito que aprenderam na infância cristã, mas outros acredito que pelo simples fato do orgulho muito grande.
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Lucas Alves Teles
Coronel Fabriciano
25/01/2012, 14:53:15

Eu entendo o Paulinho em relação a ferramentas e métodos a serem usados nas igrejas, ou seja lá onde for. Mas, por outro lado, existe o liberalismo exagerado nas Igrejas ou a falta do compromisso no ensino e perseverança na Palavra de Deus.
A propósito como poderemos definir o limite entre o que pode ser moderno e bom para as igrejas ou o que pode ser moderno e trazer efeitos resfriantes e desanimo para dentro das igrejas?
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Hebertty Vieira Dantas
João Pessoa
25/01/2012, 15:30:51

É pessoas, o triste é que esta rigidez está arraigada ao coração de muitos líderes. Por medo de perder a identidade de seus ministérios,eles rejeitam tudo o que é novo e consideram como " coisas do mundo".Precisamos aprender a “reter o que é bom” (1 Ts 5:21) e utilizar tudo que estiver ao nosso alcance para fazer o nome de Jesus conhecido.
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Kele Amaral
Belo Horizonte
25/01/2012, 17:56:02

Eu curtia muito esses hominhos de plástico, foi um dos meus brinquedos favoritos!

Concordo plenamente com esse texto, é o que o Apóstolo Paulo fala aos Colossenses que muitos religiosos vem com regras de "não toque", "não coma", mas as regras por si mesmas não tem poder nenhum contra o pecado.

Mas Graças a Deus temos visto muitos cristãos saindo fora da caixa e usados pelo Espírito tem levado transformação de vida a muitos.
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Matheus Medeiros Soares
Campinas
25/01/2012, 18:44:10

Aceitei a Cristo como Salvador no último ano dos anos 80 e me vi proibida de assistir ou até possuir televisão. Meu guarda-roupa foi totalmente modificado. Hj mesmo pertencendo à mesma denominação vejo por quantas mudanças passamos. E o importante é que não me sinto menos "crente" com a abertura que desfrutamos agora.

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Stellamaris Thame Alves de Oliveira
Potiraguá
25/01/2012, 22:04:59

Stellamaris, eu congregava num lugar com essas regras, tinha muito crente que modificou bem o guarda-roupa, colocava a tv lá dentro. Hehe.
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Matheus Soares
Campinas
25/01/2012, 22:23:25

Muito bom texto Paulinho!
Retrata a triste realidade que ainda acontece em muuuuitos lugares.

Eu, mesmo com pouca idade, me lembro de tantas coisas que eram "mundanas" e que na época aceitávamos como verdade, mas hoje, assim como a Stellamaris temos vivido um tempo de renovação da mente (literalmente) com abertura pra muitas coisas que antes eram proibidas ou se fizéssemos o lugar mais provável "adequado" seria para o banco.

Porém entendo a preocupação do Hebertty e peço a Deus que os nossos líderes tenham a sabedoria pra discernir as coisas ( e nós também, é claro)!
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Luciano Valério
Belo Horizonte, Uai
26/01/2012, 08:43:06

Tema muito bacana Paulinho!!

eis um tema que durante algum tempo venho comentando com alguns irmãos locais, o simples fato de muitos lideres de igreja serem mais preocupados com "tradicionalismo" do que com "evangelismo" e isso sim, como Lucas comentou tem diminuído se não parado completamente o crescimento de igrejas.

Oro a Deus que possamos ter dia após dia uma mente voltada a crescimento espiritual de igrejas, de tal modo que almas sejam alcançadas por esse crescimento.
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Thiago Jorge
B. Hzonte
26/01/2012, 15:24:22

De um lado temos pessoas que buscam cegamente por novidades, do outro lado temos os que zelam pelas tradições.
O diálogo nessas horas nem sempre é fácil, e imagino a dificuldade em que vivem os que buscam usar as ferramentas que Deus colocou em nossas mãos.

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Meire Ferreira
Mauá
27/01/2012, 22:43:35

Como é difícil mudarmos, sempre falamos "por que no meu tempo...", mas o nosso tempo é agora!
Quebrar as algemas da tradição não é fácil, porém pelo amor a Obra de Deus devemos rompê-las.
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Daniel Novi Damo
Mauá
29/01/2012, 00:44:13

Com certeza o liberalismo exagerado é um perigo para o cristianismo, mas existem muitos argumentos conservadores que não passam de reflexos da ignorância de seus defensores. Cristo nos chamou para a liberdade, não para a libertinagem...
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Lucas Alonso
Penápolis
30/01/2012, 16:19:31

Texto bem escrito e muito objetivo, apenas lamento ver esse texto em pleno ano de 2012, pois ele apenas reflete a necessidade de muitas pessoas limitarem o poder do evangelho de acordo com suas preferências pessoais, o que engessa o vento e infelizmente afasta pessoas. Abs
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Fábio Milson
Mauá
30/01/2012, 23:52:31

Caro Paulo,
Acho que sua mensagem usou comparações não foi muito claras, mas mesmo assim entendi onde você quis chegar.

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Marcelo
Vitória
01/02/2012, 17:34:34

Incrível tbm quando voce é flexível e cai todo mundo em cima de vc, isso é normal entre as casas de oração. A única instituição do mundo que ainda usa bancos de madeira é a igreja.
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Lenilson Fraga
Rio de Janeiro
08/02/2012, 12:23:45

Achei o artigo fantástico e, infelizmente, retrata bem a realidade de algumas igrejas que vivem do passado, mas se esquecem que o Deus que operou no passado é o mesmo que opera hoje, mas as pessoas não são as mesmas do passado.
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Pétalah Morais
Itabuna
05/11/2012, 21:26:58

Eu também sou da época dos bichinhos de plástico e tive um exércitozinho como esse também. Posso ver que Deus usa os seus como são, mas ele mesmo molda os seus vasos de barro para que fiquem no ponto certo de serem úteis no reino. O endurecimento do coração faz que sejamos legalistas, frios e carnais. Uma frase de Paulo Brabo que ilustra o texto é: "Ser santo como Deus é santo, é ser singular como Jesus foi singular". Antes de cair do cavalo, o homem costuma confiar muito em sua própria montaria.

Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento.
Provérbios 3:5
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Ricardo Gabriel do Nascimento
Campina Grande
01/12/2012, 12:12:07

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