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Atendimento O termo “crítica” tem sua origem na raiz grega “krino” (cortar, julgar), mais especialmente da forma adjetiva “kritikos” que significa “apto para julgar”, e, portanto, crítico no sentido de “decisivo”.
Segundo Payne o objetivo da crítica literária “é avaliar uma obra escrita pelo que ela é e julgá-la com base na avaliação feita” (Gleisler, 2007. p. 108). Entretanto quando aplicada à Bíblia, significa “apenas o exercício do discernimento” (Gleisler, 2002. p. 113), uma vez que ela possui uma dupla dimensão: humana e Divina. A Crítica da Bíblia é simplesmente um exame de sua composição, sua origem e processo de formação, abrangendo então a “baixa crítica” (“crítica textual” ou “documentária”) e a “alta crítica”.
O que é baixa crítica?
Também conhecida como “Crítica Textual” ou “Crítica Documental”, investiga primariamente a redação original do texto. A sua tarefa é a de reconstituir o texto de forma que seja o mais fiel possível ao original com base nos documentos textuais disponíveis. Portanto, sua preocupação principal é com os manuscritos e com a transmissão textual. Contrasta com a alta crítica por ter o foco na recuperação do texto em si, sem atentar para questões como autoria e contexto.
Payne, em nota, cita a conclusão de R. N. Soulen de que o termo é infeliz devido ao sentido pejorativo adquirido.
Esclarece ainda que o “fato de poucos estudiosos se ocuparem da baixa crítica é prova de que a crítica textual exige uma competência linguística e técnica mais avançada” (Gleiser, 2007, p. 108).
A necessidade da baixa crítica se faz pelo fato de não existirem mais os autógrafos dos escritos bíblicos, é preciso lançar mão de manuscritos, lecionários, citações nos antigos autores cristãos, óstracos e traduções posteriores. A partir de todas estas fontes, o crítico textual estabelece um "texto original", reconstruído, apoiado nas probabilidades e suposições estabelecidas a partir das testemunhas utilizadas.
O que é alta crítica?
"A alta crítica é consequência da crítica textual e seu objeto de análise é a investigação da fonte dos textos originais. Questiona-se as circunstâncias de composição dos escritos, tais como data, local, autoria, unidade, propósito, estilo literal, bem como a influência que os diferentes livros podem ter sido submetidos. Além disso, analisa também como se deu o reconhecimento de sua inspiração e o processo de seleção dos livros, ou seja, a formação do cânon" (Payne, 2007, p. 108).
Conforme Norman Geisler “a alta crítica pode ser dividida em negativa (destrutiva) e positiva (construtiva). A crítica negativa, como o próprio nome sugere, nega a autenticidade de grande parte dos registros bíblicos. Essa abordagem, em geral, emprega uma pressuposição anti-sobrenatural” (Gleisler, 2002. p. 113).
Danilo Rafael traça um desenvolvimento histórico da alta crítica:
“J. G. Eichhorn, um racionalista germânico dos fins do século 18, foi o primeiro a aplicar o termo “alta crítica” ao estudo da Bíblia. E, por esse motivo, ele tem sido chamado de “o pai da crítica do Antigo Testamento”. Segundo R. N. Champlin, “a ‘alta crítica’ aponta para o exame crítico da Bíblia, envolvendo qualquer coisa que vá além do próprio texto bíblico, isto é, questões que digam respeito à autoria, à data, à forma de composição, à integridade, à proveniência, às ideias envolvidas, às doutrinas ensinadas, etc. A alta crítica pode ser positiva ou negativa em sua abordagem, ou pode misturar ambos os pontos de vista”.6
Mas o que temos visto na prática é que esta forma de crítica tem negado as doutrinas centrais da fé cristã, em nome da ciência, da modernidade e da razão. O que fica evidente é que alguns críticos partem com o intuito de desacreditar a Bíblia, devido a alguns pressupostos naturalistas, chegando ao cúmulo de dizer que a Igreja inventou Jesus.”
Payne sumaria a alta crítica” ao escrever:
“A alta crítica é a arte de encarar a literatura pelo que ela é, avaliando-a igualmente por esse mesmo prisma. Tal crítica torna-se negativa e é descrita como “método histórico-crítico” no momento em que se julga no direito de avaliar de modo racional aquilo que dia a Escritura sobre sua composição e historicidade. Esse método pressupõe necessariamente que as declarações que a Bíblia faz de si mesma não são inerrantes. Por isso, desqualifica a si mesma como crítica científica verdadeira, uma vez que rejeita ver o objeto analisado de acordo com o seu caráter (divino) que lhe é próprio.” (Gleisler, 2007. p. 105).
Éder Lúcio
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