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01/11/2003 Simples mas verdadeira
Amadeu e Alda Mateus
Eu já estava com 18 anos e ainda não tinha um namorado. No ano anterior eu havia pedido o meu batismo e tinha a plena certeza de que Deus estava dirigindo a minha vida e dirigiria o meu futuro também.
Eu era uma jovem alegre, simpática, estava iniciando o Curso Normal numa escola tradicional, e também era assídua às reuniões na Igreja.
Um dia, minha mãe me disse: "Vamos visitar a Igreja Presbiteriana no domingo que vem..." Fiquei surpresa pois minha mãe amava a nossa igreja, meu pai era um dos fundadores e um dos líderes do trabalho onde congregávamos. Então perguntei por quê.
Ela respondeu que era porque eu ainda não namorava e lá na outra igreja havia muitos rapazes. Então eu disse: "Mãe, se Deus quiser que eu namore, Ele vai me mandar um namorado e eu vou conhecê-lo, nem que seja na porta da nossa igreja."
Aquele ano de 1960 foi muito cheio de novas experiências para mim. O Curso Normal me envolvia com as atividades escolares, passei a fazer parte do Orfeão da Escola e nos apresentávamos em diversos recitais. Chegou o mês de julho - férias. Nossa igreja programou uma série de Conferências por ocasião de mais um aniversário de organização e convidou o ex-padre Aníbal para falar num desses dias.
Naquela época eu tinha duas amigas e éramos inseparáveis. Sentávamos sempre no mesmo banco e, durante a reunião, notamos o jovem visitante que estava presente naquela noite. Combinamos que, ao final da reunião, iríamos cumprimentá-lo. Assim foi. Ele já estava fora, na calçada, próximo ao portão, quando nos aproximamos e o cumprimentamos. De repente, minhas duas amigas se afastaram e me deixaram sozinha com ele.
Conversamos por um bom tempo. Eu soube que ele era filho de crentes mas não batizado e que morava próximo à minha residência. Ele me disse que precisava voltar outra vezes àquela igreja e despediu-se.
Nem é preciso dizer que fiquei impressionada com ele. Só que durante os dois anos seguintes nunca mais o vi, apesar de estarmos separados por cerca de 400m apenas. Às vezes eu passava pela rua onde ele me disse morar e que era caminho para a casa da minha tia, mas não o encontrei durante esse tempo.
Dois anos depois, no mês de julho, novamente a igreja em conferências, numa noite, tive a surpresa de vê-lo chegar. Ao final da reunião, no mesmo lugar da outra vez, lá fora, perto do portão, fui cumprimentá-lo. Ao chamá-lo pelo nome ele se surpreendeu por eu ter lembrado. Dessa vez, quando prometeu que voltaria novamente, ele cumpriu e voltou: na terça, para o estudo bíblico, na sexta, para a reunião de oração, no domingo seguinte para o culto da noite e por dois anos de namoro e um ano e quatro meses de noivado, em raras ocasiões eu fui à igreja sozinha. Se a nossa União de Mocidade era convidada para intercâmbio com outras uniões, ou para passeios, encontro de corais, ou conferências em outras igrejas, nas festas do Abrigo Evangélico da Pedra, lá estávamos sempre juntos.
Em julho de 1964 ele foi batizado na Casa de Oração em Madureira.
Cinco anos e quatro meses depois do primeiro encontro "na porta da igreja", em seis de novembro de 1965, nós nos casamos na Igreja Evangélica Congregacional de Vicente Carvalho - a minha "igrejinha da infância" - e logo depois passei a reunir em Madureira, onde servimos até hoje ao Senhor com muita alegria.
Já deu tempo de fazer as contas? Isso mesmo! São quase 38 anos de casados que, se Deus quiser, completaremos no próximo novembro.
Temos tido muitas lutas e tristezas, doenças e perdas familiares, mas também temos recebido tantas bênçãos que só podemos dizer como o salmista: "Que darei ao Senhor por todos os Seus benefícios?"
Só tivemos um filho, o Marcos Henrique, e já temos um netinho, o Miguel, que veio alegrar mais ainda os nossos corações.
Desejamos aos nossos jovens uma vida na total dependência do Senhor. Vale a pena confiar e esperar!
Segue um poema que fiz ao final de uma caminhada na praia do Recreio dos Bandeirantes, onde residimos:
MÃO NA MÃO
Eu gosto de sentir a minha mão na tua,
ao caminharmos juntos, sempre, à beira-mar;
Eu gosto de sentir a tua mão na minha,
Forte, me protegendo, firme, a me amparar.
Que Deus conserve sempre a minha mão na tua,
É o que peço, de joelhos, quando estou a orar.
Que Deus conserve sempre a tua mão na minha,
Para que, assim, possamos juntos caminhar.