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irmaos.com


07/08/2010, 23:08:06
irmaos.com é citado em matéria de capa da Revista Época!

Na edição desta semana da Revista Época, sites como irmaos.com, Pavablog e Cristianismo Criativo são citados como espaços que fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. A matéria também cita nomes como Ricardo Agreste, Valter Ravara e Ed René Kivitz, pastores que já participaram do Podcast irmaos.com.

A edição vai às bancas no dia 09/08. Confira reportagem na íntegra:

 

Inspirado no cristianismo primitivo e conectado à internet, um grupo crescente de religiosos critica a corrupção neopentecostal e tenta recriar o protestantismo à brasileira

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Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.

Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.

Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.

Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade” (leia o quadro abaixo). Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.

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SÍMBOLO O cirurgião Irani Rosique (sentado, de camisa branca, com aBíblia aberta no colo). Sem cargo de clérigo, ele mobiliza 2.500 pessoas no interior de Rondônia

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Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”

Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”

Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”

Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”

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“É lisonjeador saber que nos consideram ‘pensadores’. Mas o grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência. É de ética e honestidade” RICARDO AGRESTE, pastor da Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera, em Campinas, São Paulo

Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”

No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis. Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.

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“O que importa é buscar a essência do cristianismo, que acabou diluída porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas” MIGUEL UCHÔA, pastor anglicano (à esquerda na foto, ao lado do bispo Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife)

“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste, pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”

Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores’”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”

Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.

Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.

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“As pessoas não querem mais dogmas, elas querem autenticidade. Minha postura é, juntos, buscarmos algumas respostas satisfatórias a nossas inquietações” ED RENÉ KIVITZ, pastor da Igreja Batista da Água Branca, em São Paulo

O pastor Kivitz – que publicou pela Mundo Cristão seus livros Outra espiritualidade e O livro mais mal-humorado da Bíblia – distingue essa crítica interna daquela feita pela mídia tradicional aos neopentecostais “A mídia trata os evangélicos como um fenômeno social e cultural. Para fazer uma crítica assim, basta ter um pouco de bom-senso. Essa crítica o (programa) CQC já faz, porque essa igreja é mesmo um escracho”, diz ele. “Eu faço uma crítica diferente, visceral, passional, porque eu sou evangélico. E não sou isso que está na televisão, nas páginas policiais dos jornais. A gente fica sem dormir, a gente sofre e chora esse fenômeno religioso que pretende ser rotulado de cristianismo.”

A necessidade de se distinguir dos neopentecostais também levou essas igrejas a reconsiderar uma série de práticas e até seu vocabulário. Pastores e “leigos” passam a ocupar o mesmo nível hierárquico, e não há espaço para “ungidos” em especial. Grandes e imponentes catedrais e “cultos shows” dão lugar a reuniões informais, em pequenos grupos, nas casas, onde os líderes podem ser questionados, e as relações são mais próximas. O vocabulário herdado da teologia triunfalista do Antigo Testamento (vitória, vingança, peleja, guerra, maldição) é reconsiderado. Para superar o desgaste dos termos, algumas igrejas preferem ser chamadas de “comunidades”, os cultos são anunciados como “reuniões” ou “celebrações” e até a palavra “evangélico” tem sido preterida em favor de “cristão” – o termo mais radical. Nem todo mundo concorda, evidentemente. “Eles (os neopentecostais) é que não deveriam ser chamados de evangélicos”, afirma o bispo anglicano Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife. “Eles é que não têm laços históricos, teológicos ou éticos com os evangélicos.”

Um dos maiores estudiosos do fenômeno evangélico no Brasil, o sociólogo Ricardo Mariano (PUC-RS), vê como natural o embate entre neopentecostais e as lideranças de igrejas históricas. Ele lembra que, desde o final da década de 1980, quando o neopentecostalismo ganhou força no Brasil, os líderes das igrejas históricas se levantaram para desqualificar o movimento. “O problema é que não há nenhum órgão que regule ou fale em nome de todos os evangélicos, então ninguém tem autoridade para dizer o que é uma legítima igreja evangélica”, afirma.

Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.

O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”

A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”

Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”

O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis (lembre AQUI) condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.

Sites como Pavablog, Veshame Gospel, Irmãos.com, Púlpito Cristão, Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.

A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”

Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.

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“O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar. É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia” VALTER RAVARA, “ecocapelão”, criador do Instituto Gênesis 1.28 e da Bíblia verde

A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.

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DA WEB ÀS RUAS – Blogueiros que organizam a Marcha pela ética, um movimento de protesto incrustado dentro da Marcha para Jesus, promovida pela Renascer

O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”

A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.

Fonte: Revista Época / Pavablog

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27 comentários

que matéria espetacular!
Parabéns Irmãos.com pela citação,
me sinto honrado em estar diariamente
neste site. Voltemos ao evangelho simples
o $how tem que parar!
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Daniel Alves Freire
Montes Claros
07/08/2010, 23:46:36

Sem qualquer pretensão de entrar no mérito do assunto da matéria, quero parabenizar irmãos.com . Vcs, de fato, são representantes dessa nova geração de cristãos comprometidos com a verdade bíblica e com a aplicabilidade desses ensinos ao nosso cotidiano. Acompanho sempre os podcasts, os quais tem servido muito ao meu crescimento como um cristão que está no mundo. Abraços.
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Marcos Gomes
Rio de Janeiro
07/08/2010, 23:51:54

Muito boa essa matéria!!! Nao esperava algo assim da revista Época.
Fico feliz com esse movimento contra o neopentecostalismo....é mto bom ver gente que também pensa como eu, com aversão a essa teologia da prosperidade. :)

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Karen Malagoli
São Paulo
08/08/2010, 00:07:27

Nossa, essa matéria realmente me surpreendeu.
Visito com frequencia sites como o púlpito cristão e o irmãos.com e é muito bom saber que tem mais pessoas que estão sentindo a podridão que tem se espalhado pela igreja brasileira.

Esse final de semana é a festa da mocidade da igreja onde congrego, o nosso tema é
"Igreja Reformada, Sempre se Reformando" tivemos palavras muito abençoadas nos dois primeiros dias, nossa idéia é justamente atingir primeiramente os jovens de nossa igreja, para que possamos criar uma igreja mais sadia e que preze pela pregação do verdadeiro evangelho, mostrando a eles que o que está sendo pregado na grande mídia não é o evangelho do nosso senhor Jesus, mas sim um falso evangelho, que preza a satisfação pessoas e as riquezas materiais.
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Fábio Portugal de Assis
Rio de Janeiro
08/08/2010, 00:25:08

O que considero interessante é o fato de que não importa o que estamos fazendo ou quão pequeno isso pareça, pode ter certeza que tem muita gente vendo!
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Lenilson Fraga
Rio de Janeiro
08/08/2010, 01:10:54

Só me vem uma coisa a dizer agora...

"TOMA ESSA JV NA ESTRADA"

Hahahahaha
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Maicoln Deberaldini
Mococa
08/08/2010, 10:47:01

Muito legal!

Taí o atestado - dos que ainda não estão no Caminho - de que existem muitos que não se corromperam diante do mercantilismo gospel.

Fico feliz em ver irmãos.com sendo citado na revista e parabenizo cada um que dia-a-dia faz deste lugar mais que entretenimento, mas um portal e interação e crescimento cristão.

Avante gente, a "brincadeira" está apenas começando...

Parabens Degaspari e Cia, é uma honra estar aqui...
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João Rodrigo Weronka
São José dos Pinhais
08/08/2010, 14:30:46

A luta é grande diante desse mercantilismo "gospel", mas, lendo essa matéria, devemos ter esperança. Parabéns irmaos.com!
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José Flávio de Souza David
Itaguaí
08/08/2010, 16:49:33

Primeiro lugar... quero parabenizar a todos que foram citados nessa materia..... parabenizar por dar a cara a tapa nessa sociedade..... parabenizar..pq sei que muitos choraram amargamente por tudo isso que tem ocorido em nosso meio....parabenizar... por deixar a preguiça de lado e buscar nas escrituras.... obrigada!!!! irmaos.com por se deixarem ser usados... por Deus e impactar geraçoes...assim como tem impactado minha vida....

abração a todos!!! envolvidos...!!! e tamo junto.... e misturado... bereanos!!! sempre...
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Francine Michelin Rodrigues
Piracicaba
08/08/2010, 17:32:38

sou feliz por ter conhecido o irmãos.com. que Deus continue abençoando este e outros tantos ministérios comprometidos com o evangelho genuíno!
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Johny de Souza Lima
Rio de Janeiro
08/08/2010, 23:35:04

Muito legal essa matéria!! Deus tem me abençoado muito através do ministério de vocês. Continuem firmes!! "Porque estou certo de que Aquele que começou uma boa obra em vocês irá completá-la até o dia de Cristo Jesus" Fp 1:6.
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Silvia Saron
Guarulhos
09/08/2010, 07:05:28

Sem dúvida o irmãos.com é o melhor na minha opinião.

Pena na entrevista da revista não ter aparecido meu perfil e fotos...rsrsrsrs
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Darlan
Bh (beverly Hills)
09/08/2010, 11:55:18

Grande matéria, pena que outros meios não espalham essa discussão. E fica a boa sensação de que tenho me informado com coisas atuais sobre a fé cristã...como podcast do irmãos.com e vídeos do Ed Renê Kivits ... espero estar agradando a Deus com o que tenho aprendindo nos pensamentos que vcs expõem. Aleluia.
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Charles Bamam
Natal
09/08/2010, 16:34:21

Com certeza uma das matérias mais interessantes que eu já li aqui... Mesmo o texto sendo gigante lemos lemos e quando notamos ja acabou!! rsrs Parabens irmaos.com pelo reconhecimento que tem alcançado e principalmente pela versatilidade e maneira abrangente com que fala do amor de Deus!!!
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Kaká
Teresópolis
09/08/2010, 17:35:04

muito bacana, ja tinha visto antes, mas li um comentario num blog de uns irmãos adventistas (criacionismo.com.br) la o editor disse algo bacana, temos que ser moderados, nem muito la nem muito ca (não confundam com ser mornos) ele fala que muitos estao jogando da banheiro junto com a agua suja o bebe tambem, é preciso cuidado para não começarmos a pregar uma teologia muito c ontextualizada e mundana. Gloria ao Senhor Sempre! e a Obra vai ser concluida com poder e Gloria!
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Deivid Ramon
Contagem
10/08/2010, 14:04:55

Época publicou o que os que acessam irmaos.com já sabém a muito tempo.

Mais que dá um gostinho bom, isso dá mesmo! Ainda mais quem acompanhou o site desde nenenzinho.

Mais o motivo para darmos graças a Deus, encorar o Paulinho e Cia continuarem firmes no chamado do Pai, e orarmos para que continuem dependendo da sabedoria e dicernimento dados por Deus.

Abração amados!

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Adalberto Guimaraes
Várzea Grande
10/08/2010, 17:58:21

Apresento protestos de estima e distinta consideração, posto que o site coopera com a instrução suscitando assunto oportunos de nosso cotidiano e de aplicações praticas, galera parabéns.
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Marcelo Albertassi
Londrina
12/08/2010, 14:58:30

Temos q nos mecher
para n deixarmos pessoas usarem o nome d Deus para ganhar algo. Uma verdadeira podridão q suja o nome do verdadeiro evangelho d Cristo.
Muito boa essa resportagem para tirar da cabeça d muitos a ideia d q " Toda igreja so q rouba seu dinheiro e q todo pastor é ladrão"

OBS: Gostaria d pedir oração pelo Pr. Miguel Uchoa (citado na reportagem). Ele passa por um problema d Saude.

Q Deus nos Abençoe
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Marquinhos(marcus Antonio W. de Mendonça Sobrinho)
Jaboatão dos Guararapes
13/08/2010, 13:23:40

¡Qué bien, che! ¡Felicitaciones!
Sigan así.

Qué bom, ei! Parabéns!
Vocés sigam assim.
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Osvaldo Maccio
Lanús
15/08/2010, 09:41:47

Complicado...

Sou assembleiano, mas bastante mente aberta.

:D

Três coisas que devemos pedir à Deus, sabedoria, conhecimento e discernimento.

Num mundo com tanta informação, ainda sim existem pessoas desinformadas. Há Líderes e Líderes. Assim como existem pessoas com boas intenções; propagar o verdadeiro evangelhos aos sedentos, também existem pessoas com más intenções com a finalidade de criar MAIS UM movimento, levando pessoas à um caminho estranho.

Agora nós denominados cristãos, devemos pedir ao Senhor que abra as nossas mentes, e o mais importante, buscarmos intimidade com Ele através das orações, jejuns, et. enfim, consagrarmos nossas vidas para não sermos enganados por uma LEIVA de FALSAS doutrinas.

GOD BLESS
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Silas da Silva Santos
Guarulhos
15/08/2010, 13:12:34

Patores como Davi Lourenço- DF(glorificado), Caio fábio, Renê Kivitz, Ariovaldo Ramos, Neil Barreto (lógico que instrumentos usados pelo Espírito Santo)têm mostrado que transformação de vida só vem do Evangelho de Jesus Cristo, pois existem outros ev. por aí, estes não colocam mensagens na Palavra de Deus mas de Lá TIRAM A MENSAGEM, POIS A MENSAGEM NÃO É DELES NEM NOSSA É DE DEUS, e é isto que o cristão deve fazer, conferir na PALAVRA se a mensagem que ouvem é tirada ou é colocada no que lêem na bíblia.
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Domingos Piauhylino
Brasilia
19/08/2010, 10:31:29

É quase espantoso ver esta materia em uma revista de grande tiragem, mas é uma materia de se tirar o chapeu, fantastica, parabéns a todos os citados e todos os que não foram citados mas contribuem para a retomada do evangelho verdadeiro.
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Clebson Victor
Recife
24/08/2010, 15:20:10

Oro para que Qualquer mudança seja feita com convicção de que é algo bíblico e que Aquelas Igrejas que não estão de Acordo com a Bíblia voltem ao Evangelho Puro e Simples.

Peço aos irmãos que Vejam e espalhem o vídeo abaixo:

go.irmaos.com/m0r

Pr. Presidente da Igreja Batista falando sobre as eleições.
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Daivid José da Silva
Caruaru
07/09/2010, 17:47:40

Gostei da matéria.
Refoço o pedido para que assistam e divulguem o video mensionado no comentário anterior:
[go.irmaos.com/m0r]
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Alexsandre Vieira Farias
Rio de Janeiro
09/09/2010, 22:27:40

"alto nível de ousadia e Auto Crítica"... huum, que moral... :):) Nao tinha lido a matéria ainda...


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Cris Salles
Porto Alegre
21/10/2010, 20:34:21

Gostei muito da reportagem! Estão de parabéns!!!
Estou aqui em São Luís já há um tempinho tentando encontrar pessoas que queiram fazer uma igreja orgânica, como eu chamo. Já que estou já há um tempo sem me congregar e não me identifico mais com as igrejas tradicionais, por todos os motivos já citados.
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Steffi de Castro
São Luís
20/11/2011, 17:08:16

É pessoal do site, parabéns mesmo pela matéria, e ficamos no aguardo de uma matéria especial só sobre irmãos.com!
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Diego Rocha Chagas
Praia Grande
28/05/2012, 23:14:19

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