O ministro da Saúde, José Ramos Temporão, disse que o governo não vai desistir do programa de distribuição de anticoncepcionais e preservativos. A declaração do ministro é uma resposta à igreja católica, que é contra a atitude governamental. Para a religião, esse é um meio que atinge os preceitos bíblicos de que o sexo só deve ser feito após o casamento.
Apesar da opinião da igreja católica, Temporão afirmou que o governo não vai mudar de atitude. Em entrevista à agência de notícias BBC, o ministro também defendeu a mudança na legislação do aborto.
“A igreja que transmita aos seus fiéis os seus princípios; o Estado tem que cuidar da saúde pública. Não estou nem um pouco preocupado com isso. Para mim, isso não tem a menor importância”, declarou Temporão.
Com relação ao aborto, o ministro disse que “não se pode fechar os olhos e fingir que não está acontecendo nada”. “Aí surge a discussão de como se enfrenta isso. Um, através de uma política de planejamento familiar, democrática e acessível. Dois, através de mudanças na lei”, afirmou.
Na ocasião, o ministro sugeriu que o projeto de lei sobre o aborto, apresentado em 2005 pela ex-deputada Jandira Fegalli, seja desengavetado. “Está na hora de entrar na pauta de discussões”, completou.