E desde a hora sexta houve trevas sobre toda a terra,
até à hora nona. E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli,
Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
(Mateus 27:45-46)
Os
evangelhos não nos dizem como o Senhor Jesus sentiu os tormentos que os homens
ousaram lhe infligir. Porém, o Antigo Testamento o faz de maneira notável. Ele
foi crucificado por volta das 9 horas da manhã, tendo de suportar os escárnios
e o desprezo dos líderes religiosos e do populacho. Do meio-dia até às 3 da
tarde, Deus trouxe densas trevas sobre todo o mundo. Durante estas horas o
Senhor Jesus sofreu mais do que a compreensão humana é capaz de alcançar. E não
foi somente por causa da crueldade dos homens, mas sim pela assombrosa ira de
Deus contra o pecado. Ele que não conhecia o pecado foi feito pecado por nós.
Poderíamos pensar que, como Deus é Deus,
Ele diminuiria os sofrimentos, para que Cristo não os sentisse assim como nós
os sentiríamos? Com certeza não! Exatamente pelo fato dEle ser Deus, sendo o
pecado algo completamente alheio a Ele, é que o Senhor Jesus tinha que sentir o
peso do pecado mais profundamente que qualquer um nós o pudesse. O Seu clamor —
“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” — certamente há de penetrar
profundamente o coração de cada verdadeiro crente. Ele não conhecia a resposta?
Claro, que sim, mas esse Seu brado nos leva à profunda adoração.
Davi usou da mesma linguagem no Salmo 22:1,
quando ele se sentiu desamparado por Deus, mas não lhe dizia perfeitamente
respeito. O versículo 3 dá a resposta: “Porém tu és santo, tu que habitas entre
os louvores de Israel”. Ainda que o amor de Deus entregou o Seu Filho para que
morresse por nossos pecados, a Sua santidade não podia fazer compromisso algum.
Agradecemos infinitamente a Deus que o Seu amor e Sua santidade se uniram
perfeitamente naquela preciosa obra de redenção eterna.





