Amigos, não se tratava de pressentimento, nem de saber mais do que o óbvio que todos sabem. Nem era necessário entender muito de futebol para perceber que a tragédia era uma questão de tempo. Perder ou ganhar faz parte do jogo. Mas estava na cara que esta seleção não foi à Alemanha para jogar a Copa. Foi lá por interesses pessoais mesquinhos. Teve gente que foi lá para bater recordes, para registrar nome em estatísticas da Fifa, para passear, fazer compras ou renovar contratos. Ganhar a Copa não estava nos planos. Nem mesmo os novatos escaparam. Robinho, por exemplo, poderia bem disputar o Triatlo agora. Afinal, ele corre, pedala e… nada!!
Sobraram algumas perguntas intrigantes. Por exemplo:
- Qual era mesmo a função do Zagallo? Ah, sim, claro. Levar o Santo Antonio para passear. De resto, ele parecia mais aquela estátua de Drummond na praia de Copacabana. “Hein? Quanto está o jogo? Contra quem estamos jogando? Moço, troca de camisa comigo, vai!!” – dizia o “amuleto” da seleção.
- Por que em 1994 o Cafu era o melhor lateral do Brasil, mas jogava o Jorginho? Por que no mesmo ano Roberto Carlos era o melhor lateral esquerdo do Brasil, mas nem foi convocado? Por que eles jogaram agora?
- Como poderia decolar um time cujo patrocinador oficial é a Varig?
- Por que só agora a Globo achou os defeitos do time, da preparação, da (falta de) treinamentos etc?
E também sobram algumas máximas e declarações para serem analisadas. Exemplos:
- Disse o Cafu que ele aprendeu uma grande lição: “nem sempre o melhor ganha”. Com certeza, ele estava falando da Argentina, porque no último sábado venceu o melhor, sim. Não há qualquer dúvida a respeito disso.
- Disse o Parreira que “todo mundo conhecia o Zidane, sabia como ele jogava, tinha 4 companheiros de clube no nosso time”. Que bom. Nada como conhecer os pontos fortes do adversário. Mas se tinham tanta informação, resta saber por que motivo deixaram o homem jogar do jeito que bem entendeu, sem marcação, sem nada.
- Disse o Parreira que “ele não estava preparado para perder”. Isso não foi o pior. O difícil mesmo foi que ele não estava preparado para ganhar.
- Disse o Cafu que se o próximo treinador quiser convocá-lo, ele estará à disposição. Sem comentários.
- Disse o Parreira que “a história não fala de quem jogou bonito, fala dos campeões”. Errado. Ela fala também dos que jogaram feio e que perderam. Como o Brasil de 2006.
Agora, de concreto mesmo ficam as lições já antigas. A primeira e mais importante é a que diz respeito à liderança. Quem mandava naquele time eram os tubarões. Cafu se escalou enquanto quis. Kaká era intocável. Ronaldo Gordômetro nem se fala. Não houve comando e quando a liderança é frouxa, os resultados são sempre desastrosos. Sempre. Não há exceção a esta regra, que por sinal é bíblica: “onde não há sábia liderança, cai o povo”. Isto explica tanta coisa neste mundo…
Depois, porque em nome da camaradagem e do bom relacionamento, o grupo deixou de se cobrar. Ninguém falava em campo, ninguém comandava esse time. Não havia alguém com a coragem de abrir a boca e dizer: “isso aqui está errado”. Eram todos amicíssimos. E morreram todos abraçadíssimos, vaiadíssimos e xingadíssimos. Uma das coisas mais detestáveis e deletérias para um grupo, seja ele a seleção brasileira, a equipe de vendas da empresa ou uma igreja, é a atitude de ficar sempre em cima do muro, não querer dizer a verdade com medo das reações, das caras feias. O segredo da vitória pode não existir, agora o da derrota é um só: tente agradar a todo mundo.
Acrescente-se a isso a teimosia, rabugice, prepotência e cinismo de um técnico que fica olhando para o jogo com uma passividade de dar raiva. Aquela cara de que não era com ele. Detesto essa atitude. E para minha tristeza e teste da minha carne, ela está muito mais presente e próxima do que a gente poderia desejar. É a atitude daqueles que se esquivam, não arriscam, não tentam, não se expõem, ou porque não sabem que esta é a responsabilidade deles (e neste caso são incompetentes – deveriam pegar o boné e cair fora para bem longe) ou sabem, mas não têm coragem para fazer o que precisa ser feito (e nesse caso são omissos e covardes – deveriam ter pelo menos vergonha de serem assim).
Finalmente, fica uma questão delicada, mas que tem que ser discutida: o papel da experiência para um grupo. Será mesmo que a experiência, o peso dos anos, a vivência, essas coisas são tão imprescindíveis que se tornam inquestionáveis? Será mesmo que basta a uma seleção ter um capitão que só de minuto de silêncio tenha umas duas semanas? Será que só porque alguém viveu mais do que o outro está por isso credenciado para o sucesso? E quando surge alguém que é melhor do que ele, não serve só porque é mais novo? Foi isso que fizeram com a geração nova que ficou no banco. E é isso que se faz em geral, sob a alegação das “minhas décadas de serviços prestados” ou do “precisam respeitar meu passado”. Como se o curso natural que a vida segue não tivesse um espaço honroso para a hora de parar e deixar que alguém continue o serviço.
Esse futebol! Sempre pregando peças e ensinando lições.
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Pensando bem:
“Você precisa saber a hora certa de parar. Pare quando estiver por cima, quando as pessoas estiverem te aplaudindo. Assim, elas nunca esquecerão você.” Dondinho, pai de Pelé – citado do filme “Pelé Eterno”





