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Síndrome de Geazi

Certa vez uma mulher conhecida como Sunamita sofreu a perda de seu único filho. Por certo, uma perda grandiosa na vida daquela mulher, afinal a Bíblia nos relata que este filho era o fruto de uma promessa de Deus. Ao ver seu filho morrendo em seus braços, ela o colocou em um aposento de sua casa feito para hospedar o profeta Eliseu e, deixando seu corpo frio e sem vida na cama que havia naquele aposento, seguiu com amargura em direção ao monte Carmelo onde encontraria o profeta, aquele que uma dia havia sido usado por Deus para proclamação da promessa.

Quando encontrou o profeta, caiu aos seus pés e lamentou ali a morte de sua promessa (o filho). Geazi, ao ver aquela cena, pensou imediatamente em retirar a mulher dos pés de Eliseu, porém foi impedido por Eliseu de executar tal pensamento.

“Chegando ela ao monte, à presença do homem de Deus, apegou-se-lhe aos pés. Chegou-se Geazi para retirá-la, porém, o homem de Deus lhe disse: Deixa-a, porque a sua alma está em amargura, e o Senhor mo encobriu, e não mo manifestou.” (2 Reis 4:27).

Anos depois, Jesus entrou numa aldeia e uma mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Esta tinha dois irmãos de nome Lázaro e Maria e ambos estavam em casa naquele dia. Marta, como toda boa anfitriã, se preocupou em arrumar a casa e preparar, quem sabe, um bom almoço para Jesus e sua comitiva, afinal com ele também andavam seus doze discípulos, porém todos se sentaram aos pés de Jesus para ouvi-lo falar e Maria, irmã de Marta, não fez diferente pois também estava curiosa para saber as maravilhas que Jesus estava fazendo em prol dos enfermos, tanto no corpo como na alma. Maria estava alimentando sua alma. Marta, incomodada de estar fazendo tudo sozinha, reclamou com o mestre e pediu que retirasse Maria dali.

“Marta, porém, andava preocupada com muito serviço; e aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá que minha irmã me tenha deixado a servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude.” (Lucas 10.40).

Estava Marta naquele momento sofrendo com o que chamo de síndrome de Geazi. Fez ela o mesmo que Geazi queria fazer com a Sunamita, retirar o próximo dos pés do único que pode ajudá-lo.

Hoje também não é diferente, milhares pessoas já tentaram e tentarão nos tirar dos pés do nosso SENHOR. Pessoas que estão incomodadas com nossa postura de submissão e devoção ao nosso Deus. Pessoas que não se dobram e não querem ver ninguém dobrado diante de DEUS.

O inferno tem se utilizado de armadilhas sutis para nos afastar dos pés do grande Deus e fazer com que não tenhamos tempo para ouvir a voz dEle. Estratégias como as que foram utilizadas contra o povo que estava sendo escravizado no Egito (devo lhe informar que só o cenário mudou, porque a estratégia permanece a mesma).

“Naquele mesmo dia Faraó deu ordem aos exatores do povo e aos seus oficiais, dizendo: Não tornareis a dar, como dantes, palha ao povo, para fazer tijolos; vão eles mesmos, e colham palha para si. Também lhes imporeis a conta dos tijolos que dantes faziam; nada diminuireis dela; porque eles estão ociosos; por isso clamam, dizendo: Vamos, sacrifiquemos ao nosso Deus. Agrave-se o serviço sobre esses homens, para que se ocupem nele e não dêem ouvidos a palavras mentirosas.” (Êxodo 5.6-9).

Faraó utilizou-se do trabalho para tentar fazer o povo se esquecer das palavras, das promessas que estavam sendo lembradas por Moisés.

Faraó utilizou do trabalho, pois era sua arma de escravização, talvez se fosse hoje usaria a Internet, TV, DVD, Video Game, etc, que muitas vezes roubam tempos preciosos quando mal utilizados.

Quantos de nós, pressionados pela preocupação diária de ser alguém na vida, suprir as necessidades de nossa família, pressionados pelas contas mensais e tantos outros interesses, temos que trabalhar, trabalhar e trabalhaaaaaaaar e nos vemos afastados dos pés do Senhor, afinal, nos falta tempo para um devocional, nos falta ânimo e disposição pois estamos cansados até porque as horas, o dia, a semana, o mês, o ano foram de muito trabalho, muito esforço.

Claro que temos que trabalhar para viver uma vida digna e honesta, afinal temos que comer do suor do nosso rosto, mas devemos ter cuidado para que o trabalho não se torne algo sem freio em nossa vida e acabe por roubar o tempo que deveria ou poderia ser dado a Deus.

Não falo somente pelo que vejo, mas também pelo que tenho vivido pois, assim como você, também sofro com as estratégias infernais que querem me afastar dos pés do mestre, nosso SENHOR.

Não quero de modo algum dizer que Geazi e Marta tenham sido usados pelo inferno para retirar pessoas dos pés dos Senhor (Eliseu era um profeta, portanto “boca de Deus” no seu tempo). Quero apenas dizer que em algum momento a atitude de outros em estar aos pés de quem podia ajudar incomodou tanto a Geazi como a Marta por um motivo que não fica muito explícito nos textos. Quero usá-los como exemplos para lhe dizer que ainda hoje existem pessoas assim e infelizmente algumas ate convivem intimamente conosco, sejam elas crentes ou não.

Pense nisso e não deixe a síndrome de Geazi pegar você nem incomodá-lo!