O Peregrino

“Quem é sábio, que entenda estas coisas; quem é prudente, que as saiba, porque os caminhos do SENHOR são retos, e os justos andarão neles, mas os transgressores neles cairão.” [1]

Recentemente li O Peregrino – clássico puritano de John Bunyan escrito no século XVII. Uma alegoria maravilhosa escrita por este sofrido pregador cristão ainda pelos idos de 1600 encena de forma mágica, porém extremamente clara, o caminho de Cristão até a Cidade Celestial. Preso por causa da Pregação do Evangelho por não ter autorização legal para ser pregador (na Inglaterra do século XVII os pregadores que não fossem autorizados pela igreja estatal eram considerados ilegais), o autor traça uma história em que um jovem chamado Cristão (sim, este é seu nome mesmo) decide deixar a cidade da perdição após conhecer um livro que lhe mostra um caminho sobremodo excelente. Cristão, ciente que não podia permanecer na cidade da perdição, empenha-se à caminho da Cidade Celestial.

Uma caminhada cheia de armadilhas é, então, iniciada por Cristão rumo à tão sonhada Cidade Celestial. Na alegoria de Bunyan, após passar pela Porta Estreita, deixando aos pés da cruz o pesado fardo que carregava, Cristão se vê forçado a optar em continuar sua caminhada rumo à Cidade Celestial seguindo por dois caminhos alegoricamente interessantes. Um deles é tortuoso, quem sabe, até mais curto. Outro em linha reta, imagino, que não se podia enxergar o fim da estrada ao longe do horizonte… Cristão lembra-se das palavras do Livro dizendo que os caminhos do Senhor são retos e resolve então seguir através da segunda trilha.

A alegoria do Peregrino me encanta não só pela clareza da parábola evangelística, como pelos vários apontamentos relativos ao viver cristão. Vivendo no século da velocidade, da comunicação instantânea, do mundo virtual (hoje existe virtualmente tudo, de lojas a bordéis, passando por hospitais e até mesmo igrejas virtuais), não me dei conta do quão tortuoso a senda do cristão tem se tornado. Simplicidade, Bondade, Benignidade, Domínio Próprio, Retidão, Amabilidade, Altruísmo e outras virtudes bíblicas não encontram tantos ouvintes como os que atendem às preleções sobre demônios, batalha espiritual, curas, exorcismos e libertação. Neste ponto, o virtuoso Peregrino de Bunyan também não decepciona. Cristão não deixou de experimentar batalha espiritual, tentações demoníacas, doença, frio, perigo de morte, perseguição e engano… No entanto, ele sabia que para andar no Caminho do Senhor, ele precisava trilhar pelo caminho da retidão e, portanto, não poderia deixar de caminhar tendo todo o seu tempo tomado pelas ciladas e suas conseqüências.

A maioria dos cristãos modernos não está disposta a ter o caráter provado. “Sonda-me” virou refrão, mas não virou ação. O profeta Oséias, ao falar dos caminhos retos do Senhor, completa dizendo que os justos andarão neles enquanto os trangressores escorregam quando tentam segui-lo. Que isto quer dizer? Todo o que se dispõe a seguir o caminho reto proposto por Deus precisa aprender a Vontade de Deus. A meditação na Palavra de Deus e o tempo gasto com oração não podem ser dispensados, nem seu limiar deve ser limitado ao intelecto. Ou sonda-me vira ação ou o refrão vira hipocrisia e o tentar caminhar em retidão termina em escorregão.

Gostaria de desafiá-lo a caminhar em um caminho reto ao lado do Senhor. Não finja caminhar nos caminhos de Deus – é impossível enganá-Lo. Vez por outra você encontrará pedras no caminho. Não as ignore. Aprenda com elas. Não sucumba à tentação de pegar atalhos – fugir do caminho da justa retidão é transgredir a Vontade do Senhor. Não pretendo contar mais da odisséia de Cristão até a Cidade Celestial, para estimulá-lo a ler este maravilhoso livro (à venda em diversas livrarias eletrônicas). Até mais.

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Notas:

[1] Oséias 14:9