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A angústia que Ana não viveu

Alguém alguma vez conseguiu imaginar os sentimentos de Ana, esposa de Elcana, pela impossibilidade de ter um filho? Eu, sim… Aos 27 anos pensei que jamais poderia ser mãe. Não por questões físicas somente, mas por questões financeiras, familiares, e por um sem-fim de motivos que não vêm ao caso agora.

Mas naquele mesmo ano fui presenteada com a existência do Renato em meu ventre. E essa alegria só sabe quem já viveu ou a sensação de ter uma criança crescendo dentro de você ou quando alguém ligou para sua casa e anunciou que a espera havia terminado e seu(ua) filho(a) finalmente havia chegado (ao orfanato/ao educandário/à porta da sua casa…). A MATERNIDADE se dá com o exercício, e não com a gravidez!

Digo isso porque tenho vivido momentos de angústia como aqueles de Ana, que ao orar no templo deu a impressão a Eli que estava embriagada. O desespero de Ana em cogitar não ter a madre aberta pelo milagre de Deus fez com que ela se humilhasse na presença dEle. E ela foi atendida. Afinal, o pedido dela foi de encontro ao coração de Deus: dá-me um filho e eu o devolverei ao Senhor!

E assim aconteceu. Ana concebeu e deu à luz Samuel, o menino que falou com Deus, porque Ana cumprira seu propósito e o levou ao templo tão logo foi ele desmamado.

Pois bem. Ana sofreu a angústia de não gerar. Sofreu as humilhações de Penina. Sofreu o sentimento de fracasso que gerava em seu marido Elcana, que tanto a amava e não se importava que não lho desse ela um filho. E Deus se compadeceu desse sofrer, e a atendeu. Tanto que, nas palavras de Eli (conceda Deus conforme tua petição) ela já não era mais triste.

E Ana teve a alegria de amamentar! Teve a alegria das noites em claro com cólicas, adaptações, seios fissurados… Sim! Ana era uma mulher como eu e como outras tantas! Mas Ana não VIVENCIOU a maternidade, porque o CUMPRIR seu propósito fez com que seu filho fosse ainda muito pequeno (tão logo desmamou) entregue no templo aos cuidados de Eli.

Ana não vivenciou a angústia por cada erro, a sensação de fracasso por cada crítica recebida. Ana não precisou “educar seu filho com vara”, admoestá-lo, aconselhá-lo, como determinam as Escrituras. Não precisou passar noites em claro chorando por não saber qual decisão tomar, como agir, qual o limite da tolerância e da intolerância.

Mas eu creio, meus amados e minhas amadas, que Ana “tiraria de letra” essa angústia que ela não precisou viver… Ela já provara que não titubeava em se derramar aos pés do Senhor… Ela não se envergonhava de clamar ao único dono das respostas aos nossos corações! Mais que isso, essa angústia foi AFASTADA de Ana quando ela confiou seu filho aos cuidados do Senhor dos Exércitos!

Sejam TODAS as nossas angústias ali depositadas, em nome de Jesus, para que ali permaneçam, e sejam curadas, e tratadas, e superadas!