Defesa da Fé

Particularmente, não há versículo bíblico que tenha impactado minha vida em relação à Defesa da Fé como 1 Pedro 3.15:

“Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós.”

Para que possa dar o primeiro passo desta longa jornada, não posso deixar de examinar a riqueza deste texto das Sagradas Escrituras, por muitas vezes esquecido, ou lançado fora de seu propósito, sendo usado de modo automático, viciado ou mesmo morto. É preciso partir do ponto que, se Deus não está santificado em minha vida, nada do que farei para Ele refletirá Sua grandeza e nem irá glorificar o Seu nome. Sendo assim, com Ele em mim através do Espírito Santo (1 Coríntios 3.16; 1 Coríntios 6.19), e tendo mansidão e temor, posso prosseguir nesta jornada. A jornada da Apologética Cristã.

Não se preocupe, não vou lançar agora uma avalanche de terminologias que, por muitas vezes, assustam no primeiro contato, não quero te afastar, quero te aproximar. Vamos apenas entender o seguinte: fazer apologia, praticar a apologética cristã, é pura e simplesmente defender a fé (Judas 1.3). E atenção! Ao falarmos em defesa logo vem à mente uma batalha, uma guerra, morte e tristeza, mas não é isso que a genuína defesa da fé produz. Não a faremos com carros e canhões de guerra, não com ferro e fogo, mas com “mansidão e temor”. Nossa apologética deve gerar vida, não morte. Deve gerar (no mínimo) simpatia ao Cristianismo, e não repulsa ao mesmo. Cito as simples, porém profundas palavras do renomado defensor da fé, Dr. Norman Geisler:

“Apologética é simplesmente defender a fé e, portanto, destruir ‘argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus’ (2 Coríntios 10.5). É abrir a porta, livrar-se dos obstáculos, desobstruir o caminho, de modo que as pessoas posam se achegar a Cristo” [1].

Li recentemente as palavras do evangelista irlandês Gypsy Smith, onde este disse que “existem cinco Evangelhos. Mateus, Marcos, Lucas, João e o cristão, e algumas pessoas nunca lerão os quatro primeiros” [2]. Isso mexeu comigo e com meu modo de pensar e fazer apologética. O caráter do cristão não está separado do seu serviço na obra do Senhor, e se o Evangelho mudou minha vida como meus lábios confessam, minha obra precisa estar em sintonia com o Evangelho. Agindo conforme o Evangelho, terei a vida “mansa e temerosa” de 1 Pedro 3.15, fruto da fé, um baita presente que Deus nos concedeu (Efésios 2.8-9).

A segunda parte do texto de 1 Pedro 3.15 fala sobre a “razão da esperança que há em vós”, a esperança que há em você, amado irmão! A esperança de estar com o Senhor Deus por toda a eternidade, salvo por Jesus Cristo. E não se engane, fé e razão não são inimigos, não são opostos, são amigos, são complementos que andam de mãos dadas.

Falei há poucos dias com um irmão na fé sobre a importância de sabermos mais sobre nossa fé, não importando qual o chamado na obra, seja num ministério pastoral, de ensino, de louvor, de socorro, de conselho, de diaconato, de evangelismo, ou mesmo no banco da igreja, pois somos um corpo. Onde quer que seja somos chamados a conhecer o Senhor e fazê-Lo conhecido, e a apologética é uma ferramenta essencial para todos nós, para que tenhamos uma palavra temperada com sal, sabendo responder como convém (Colossenses 4.6).

Não sejamos paranóicos, pois ninguém terá todas as respostas em mãos para responder ateus, agnósticos e céticos, ou mesmo os religiosos, como Testemunhas de Jeová, Mórmons, Kardecistas ou qualquer outro grupo ou pessoa que divirja da fé cristã bíblica. Devemos sim ter dois objetivos em mente, que tomo com um desafio:

1) estudar a Bíblia com mais afinco dia a dia;

2) ter uma boa dose de ânimo para pesquisar obras diversas e organizar as idéias.

Fazendo isso, no mínimo saberemos onde achar as respostas que não tivermos em mãos, cumprindo assim com Tito 1.9.

E então? Vamos caminhar juntos? Será muito prazeroso e edificante fazer apologia contigo.

Toda honra e glória ao Senhor.

Notas:

[1] BECKWITH, Francis J. & CRAIG, William Lane & MORELAND, J.P. Ensaios apologéticos: um estudo para uma cosmovisão cristã. Hagnos. São Paulo, SP: 2006. p.9

[2] ZACHARIAS, Ravi & GEISLER, Norman. Sua igreja está preparada? CPAD. Rio de Janeiro, RJ: 2007. p.20