Não foi fácil encontrar o Jorginho e o Paulo Sérgio no meio de 65.000 espectadores na entrada do estádio de Dortmund. Graças à tecnologia do celular, acabamos nos achando e assistindo juntos o jogo contra o Japão, no meio da torcida brasileira.
Parreira fez suspense na escalação. Só quando vimos o nome dos atletas no telão é que nos tocamos que o time entrou em campo todo modificado e com mais dois dos atletas que freqüentam as reuniões tendo a chance de jogar, pela primeira vez, numa Copa do Mundo.
O time jogou muito mas tomamos um baita susto ao ver o Japão abrir o placar. Quando a torcida brasileira, em desespero, já ensaiava as vaias, Ronaldo desencantou, escorando de cabeça um cruzamento preciso do Cicinho para o fundo da rede japonesa. Todo mundo, inclusive nós, fomos ao delírio na geral.
No início do segundo tempo, Gilberto marcou um golaço, pavimentando o caminho para a goleada de 4 x 1. Daí pra frente, foi só alegria nesse jogo feliz.
Jocha, o craque mirim da casa que nos hospeda, queria ir ao jogo mas estava com tanto medo de se sentar sozinho nas arquibancadas, que desistiu. Anselmo e eu percebemos o seu drama e oramos com ele, convencendo-o a crer em Deus e aproveitar a grande chance. Jocha decidiu ir e deu tudo certo. Ele voltou tão empolgado com o Brasil, Ronaldo e a força da torcida, que mal pôde dormir naquela noite. A família ficou tão entusiasmada com o milagre que contou para todo mundo na igreja e isso acabou fortalecendo a fé de muita gente.
No dia seguinte tivemos que mudar de casa na mesma cidade já que duas famílias resolveram se revezar em nossa hospedagem. Sem saber o que fazer para nos agradar, elas nos enchem de comida o dia inteiro. Estou certo que traremos muitos quilos extras na nossa volta ao Brasil. Todos pertencem à mesma igreja e, juntos, assistimos Alemanha x Equador no telão montado no templo.
Tem sido uma experiência incrível fazer parte da família de Deus que nos hospeda durante essa Copa. Eles têm nos abençoado ricamente e nós também temos sido instrumento de bênção na vida deles.
Domingo fomos convidados a testemunhar no culto da manhã. Na saída, dois irmãos romenos, loucos por automobilismo, nos convidaram para uma corrida no Michael Shumacher Kart Center, em Köln, perto da sede da equipe Toyota de Fórmula 1.
Eles nos levaram de Porsche pelas autobans, para horror do Anselmo que morre de medo da velocidade. Participei de duas baterias: uma indoors e outra outdoors onde o pega foi interrompido por um toró que caiu logo na primeira volta, quando eu estava na ponta.
Voltamos correndo para Bergish Gladbach porque o Lucio telefonou convocando a reunião para aquela noite. Passamos em casa, trocamos de roupa e voamos para a concentração. No caminho, Lucio telefonou dizendo que a comissão técnica tinha anunciado uma nova programação que exigia a presença deles. A reunião foi transferida para o dia seguinte.
Ontem, quinze minutos antes da hora marcada, já estávamos instalados na sala de reuniões da concentração.
Falamos sobre os atributos de Deus. Lemos os 155 nomes pelos quais Ele é chamado na Bíblia. E baseado na história de Moisés, em Êxodo 3, estudamos como Deus nos convoca para sermos Seus parceiros no que Ele está fazendo no mundo ao nosso redor. Debatemos as crises de fé que isso gera, os ajustes que temos que fazer para obedecer a Deus e o privilégio de nos juntarmos a Ele para escrevermos o capítulo da história que justifica o propósito de nossa passagem por esse mundo.
Concluímos que só conhecemos Deus, de verdade, através das experiências que vivemos e o futebol é o laboratório onde Deus plantou esses atletas para exercitarem a sua obediência.
“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama. E aquele que me ama será amado de meu pai e eu também o amarei e me manifestarei ele. O pai e eu viremos para ele e faremos nele morada”, disse Jesus em João 14:21 e 23.
Deus tem respondido as nossas orações: o joelho de Zé Roberto e o tornozelo do Lucio estão legais e eles têm conseguido jogar sem problemas; Ronaldo desencantou e fez dois gols quando muitos pensavam que ele estava acabado; 70% dos atletas que vieram às reuniões já jogaram, e jogaram bem – 3 deles fizeram gols e um foi eleito The Man of the Meeting.
A nova família que nos hospeda contou empolgada que o papa dos ciganos da Romênia se converteu, o que deve facilitar a conversão de muita gente. Eles esperam que o testemunho dos atletas de Cristo da seleção tenha um grande impacto na vida desses que são considerados os ciganos mais pobres do mundo.
Por favor, orem por eles e por nós.
Servindo a Cristo na Copa,
Alex
Bergish Gladbach, 27 de junho