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Boletim da Copa: Nota 10 na derrota

A seleção brasileira evaporou-se tão rapidamente quanto a ilusão da vitória. No dia seguinte, todos tinham pressa de voltar para casa. Cada um tomou seu rumo na vida e todos partiram de Frankfurt em menos de 24 horas. Um grupo de torcedores inconformados com a maneira como perdemos foi protestar e xingar os atletas e o técnico na porta do hotel.

No fim da tarde fui levar Jorginho ao aeroporto de Frankfurt. Lá, ele conseguiu um assento para mim no vôo para São Paulo. Nove dos atletas da seleção estavam a bordo. Os outros foram para o Rio no vôo do Jorginho, enquanto os que moram na Europa preferiram por lá ficar.

No embarque pude bater um papo com Fred, Cafu, Cicinho, Luizão, Cris, Mineiro, Rogério Ceni, Prof. Moraci e Gilberto Silva. Eu estava tão exausto que “desmaiei” em minha poltrona antes mesmo da decolagem. Acordei em São Paulo às 5:30 da manhã de segunda- feira depois de 48 dias e 6000 km a serviço de nossos atletas na Copa.

No desembarque, centenas de fãs e um batalhão de fotógrafos e repórteres esperavam os nossos heróis. Nem todos tiveram coragem de enfrentá-los, preferindo sair direto pelo fundo do aeroporto. Os que saíram pela frente se deram bem.

No aeroporto, no táxi e nas ruas ouvi a voz da revolta e a indignação do povo. Uns, garantindo que a seleção se vendeu para entregar o jogo. Outros, dizendo que era falta de consideração com o torcedor brasileiro a maneira displicente como perdemos sem lutar.

As manchetes dos jornais gritavam: Vergonha, Time sem Vergonha. Faltou Vestir a Camisa e Merde Amarela! do periódico argentino Olé. Lucio foi o único poupado pelo jornal esportivo Lance, que lhe deu nota 10 e justificou: – Lucio terminou o jogo com a França com o mesmo espírito que entrou em campo na estréia com a Croácia. Para ele não teve uma só bola perdida. Criticado, foi sinônimo de raça, eficiência e amor à camisa. Um exemplo.

Na terça-feira, a Copa já começou a perder espaço nas manchetes para a corrupção, os maus políticos, a desigualdade social, a violência, e a ascensão do crime organizado. Ou seja, o Brasil começa a voltar ao normal. Os intelectuais afirmam que a derrota livra o país da calamidade que seria a ilusão da vitória nas mãos de um governo ilusionista.

Mas quem quer cair na real quando a realidade da nossa nação é tão triste? Meter o pau no governo ou na seleção é muito fácil. Mas o que nós estamos fazendo para transformar o Brasil em um país melhor?

Essa é uma pergunta que você e eu teremos que responder. Afinal de contas estamos aqui para fazer a diferença. Caso contrário o chefe não nos teria deixado essa ordem:

“Vocês são o sal para a humanidade; mas se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam. Vocês são a luz para o mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de um cesto. Pelo contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine todos os que estão na casa. Assim também deve brilhar a luz de vocês para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês que está nos céu.” – Jesus.

E nós Atletas de Cristo existimos para ajudar você e o corpo de Cristo a exercer, juntos, a nossa função de instrumentos de transformação social desta nação pelo poder de Deus e através do esporte. Tanto na vitória como na derrota…

Que Deus nos ajude a ganhar nota 10 no meio de nossas maiores derrotas como aconteceu com o Lucio em Frankfurt.

Em Cristo,

Alex

São Paulo, 5 de Julho

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