Segundo o Fundo das Nações Unidas para Infância e Adolescência (Unicef), para cada criança branca vítima de violência urbana no Brasil, duas outras negras são mortas. Para fazer o levantamento, divulgado nesta segunda-feira, 20/11, o Unicef utilizou dados do Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD) e concluiu que o racismo pode afetar gerações futuras de brasileiros.
De acordo com o PNDU, o índice de homicídios registrado entre negros foi o dobro da registrada entre brancos no passado. Segundo dados do Datasus, em 2000, cerca de 14 adolescentes com idades entre 15 e 18 anos morreram por dia no Brasil, sendo 70% destes negros.
Com o projeto, o Unicef também afirmou que 65% dos 2,6 milhões de adolescentes de 10 a 15 anos que trabalham no Brasil são negros. A oficial de projetos da agência, Helena Oliveira Silva, disse que, atualmente, 500 mil crianças e adolescentes trabalham como domésticas no país. Cerca de 400 mil são meninas e, destas, 98% são negras.
“As crianças negras são as que têm sofrido as conseqüências mais perversas do modelo de desenvolvimento brasileiro. Se seguirmos com uma proposta de desenvolvimento econômico e social que não reduza desigualdades – de raça, de gênero, de etnia – vamos perceber um impacto muito negativo no futuro”, disse Helena.
O estudo foi divulgado no dia em que se comemora em todo o Brasil o Dia da Consciência Negra. Em alguns Estados do país, como Rio de Janeiro, São Paulo e Mato Grosso, é até feriado. No mesmo dia, entidades de todo o mundo celebram o aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, adotada pelos 192 países da ONU.