É estranho falar de morte, né?
Pensar nela já é algo que incomoda. Dá um aperto no peito, uma dor lá no fundo, que ninguém na verdade consegue explicar. Até hoje, nenhum cientista, biólogo, médico ou filosofo conseguiu definir o que nós, que ficamos, sentimos quando alguém, que está ao nosso lado, parte.
O chão parece desabar, a voz some, os olhos não param de arder, o nó na garganta é inevitável, e o aperto no peito é insuportável. Um segundo se transforma em uma longa e enfadonha eternidade, o tempo não passa e tudo perde o sentido.
Por que ou como tudo isso ocorre, eu não sei, pra falar a verdade, me perdoem, mas, nem faço idéia da fisiologia que envolve todos esses sinais e sintomas. Eu sei que inevitavelmente é isso que acontece, e dói, dói muito…
Dói porque sabemos que aquele que estava conosco, ontem, não estará mais, nem hoje e nem amanhã.
Dói porque sem a nossa permissão a nossa própria historia de vida vai ser escrita diferente.
Dói porque amigos, por mais distantes que sejam, fazem falta.
Dói porque, nós percebemos que não temos o mundo nas mãos, porque percebemos que não importa o quão inteligente nós sejamos jamais saberemos como será o nosso futuro, ou quando será a nossa vez. Dói, dói, dói.
É por isso que eu estou escrevendo hoje esta carta. Para termos forças para agüentar momentos difíceis. A perda inesperada de alguém deixa em nossos corações grandes marcas e uma enorme saudade. Porém, há um consolo, existe uma voz que fala suavemente “não vos entristeçais como os demais que não têm esperança… porque os que morreram em Cristo, ressuscitarão primeiro. Depois nós seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens a encontrar o Senhor e assim estaremos sempre com o Senhor” I Te 4:13-17.
Infelizmente nada que fizermos será o suficiente para trazer de volta à vida aquela pessoa que esteve presente em nosso dia-a-dia; nada irá ocupar o espaço que ela deixou, porém podemos nos consolar com a mensagem bíblica citada acima e com as lembranças guardadas em nosso coração, lembranças estas que o tempo jamais apagará.
Para terminar esta carta, eu gostaria de dizer que apesar da ausência de um ente querido ter deixado um grande vão em nossas vidas, é importante e confortante dizer que esta despedida não foi definitiva, por isso não podemos dizer que foi um “adeus” e sim devemos dizer que foi um singelo “até breve”, porque, como escreveu Abílio Varella, a vida não acaba aqui e nem termina assim, pois o nosso Deus nos prometeu vida eterna.





