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Bicho-papão

Eu sou a raiva do homem, eu sou a ira!
O fogo que consome o próximo da mira.
Eu cresço no escuro, na noite mal dormida.
Endureço o coração, cego a visão, ceifo a vida!

Eu sou o punho fechado, os dentes cerrados…
Os olhos vermelhos, o dedo apontado.
Eu sou a mãe da vingança, conheço-a de criança…
A vi crescer, sustentada pelo ódio, a inveja, a intolerância.

Eu sou a falta de amor, de ar, de Deus…
O vizinho que você não perdoou, o favor que você esqueceu.
Irmã da ingratidão; eu sou a faca que penetra o coração.
A cerca que divide, o muro que impede a comunhão.

Eu provoco choro, estrago a festa,
Depois do amor que se foi, a única coisa que resta.
Como um espinho que machuca, a cada vez que se respira,
Eu sou a sombra em torno dos seus olhos, eu sou a ira!

Eu vou te levar pro inferno, vou te matar; ninguém pode comigo!
Vou afastar você de todos os seus amigos!
Você vai morrer sufocado e sozinho, esmagado pelo peso do meu punho.
Quando acabar com você, a obra prima de Deus não passará de um rascunho!

Para ruminar vida afora:

“Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira, nem deis lugar ao diabo” Efésios 4:26,27.