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Banguela

Já não sorrio mais como antigamente…
Quebrei um dente da frente!
Os cacos do fundo doíam só em mim secretamente,
Agora, minha vergonha está a todos evidente!

Melhor é rir do que chorar? Depende
Se você é desdentado ou se tem dentes.
Não dá pra rir quando se pára pra pensar em quantos são assim, indiferentes!
Às janelas, às falhas, às necessidades da obra missionária tão carente.

Banguela, me sinto deficiente!
Sem recursos pra viver dignamente.
Mastigo no meu canto, ruminante, é claro, que metaforicamente!
Como pode a janela dum sorriso tão aberto, ser assim tão deprimente?

Preciso de um canal na alma, que me faça sorrir novamente!
Um sorriso aberto, largo, solto! Daqueles de comercial de pasta de dentes!
Sem ter que me conter, com a mão na frente,
Sendo só eu; cheio de falhas de repente.

Ser abraçado, mesmo que leproso, de um modo doce, meigo, amável, quente.
Pois quando digo que estou banguela, não digo isso só fisicamente.
O dente que me dói machuca a alma! Que sangra em mim assim, continuamente.
Não morro, mas não vivo mais contente.

Para ruminar vida afora:

“A ti Senhor, eleva minha alma. Deus meu, em Ti confio, não seja eu envergonhado, nem exultem sobre mim os meus inimigos. Volta-te para mim e tem compaixão, por que estou sozinho e aflito.” Salmo 25.1 e 2, 16.