Na seção Gente da Veja, de 18 de abril de 2007, há uma pequena entrevista com o esloveno Martin Strel, que passou 800 horas nadando no Rio Amazonas. Quero transcrever o trecho que mais me impressionou! É a última pergunta:
Como o senhor se sente agora que acabou?
Eu me sinto vazio, como se todas as minhas forças tivessem se esgotado. Não consegui ainda dormir um minuto. Leio, vejo televisão, mas nada me faz dormir. Meu corpo não está nadando, mas, na minha cabeça, é como se estivesse. Acho que vou levar uma semana, pelo menos, para ficar normal.
Achei muito interessante o relato desse homem, não apenas pela façanha que ele concretizou, mas principalmente por ver semelhanças com a vida cristã.
Podemos substituir o entrevistado, Martin Strel, por um crente que luta contra o pecado. Mantemos a mesma pergunta e a resposta será a mesma, apenas tendo em mente que a luta contra o pecado é uma constante. Mas temos alguns pecados em nossa vida que falamos para nós mesmos “acabou”, “não o cometerei mais”, “parei de nadar”! Nesse sentido entendemos que acabou, basta ficarmos em terra seca.
Porém, depois de tanto tempo nadando, isto é, pecando e cometendo os mesmos erros, o nosso corpo com eles se acostuma, e, mesmo não pecando mais, a nossa mente nos pede aquilo, e é como se ainda estivéssemos nadando. As memórias vêm como se fossem ontem coisas cometidas há muitos anos. Não queremos mais aquilo, mas as águas nos chamam para umas braçadinhas com o argumento de que “são apenas umas pequenas braçadas, uns poucos metros. E o que são poucos metros para quem durante toda a vida nadou tantos quilômetros no pecado?”. É a mesma e velha estratégia da serpente: mostrar o pecado como uma coisa sem importância, algo pequeno que pode ser cometido aqui e ali sem problema algum. Grande engano!
Tal como o nadador, nos sentimos muito cansados, por dias, meses, e para alguns, anos depois de se converter o sono de descanso ainda teima em não vir, pois, como dito, as memórias e dores “musculares” de uma vida de pecado, por mais que não as queiramos mais, vêm nos visitar, tirando-nos a paz. Lemos, conversamos, cantamos, oramos, pastoreamos, discipulamos, e fazemos tudo que um crente à vista de todos deve fazer, mas quando estamos sozinhos o sono, a paz de Deus não nos alcança…
É triste, mas é uma verdade que a muitos crentes toca.
E a solução?
Entendo que a solução tem dois estágios:
1) Sair das águas do pecado e jogar fora as nadadeiras. Deixar bem claro para si mesmo que a vida de pecador-nadador acabou!
2) Pedir a Deus a sua ajuda! Aqui está a grande diferença para o nosso “amigo-peixe” que a revista entrevistou. Nós podemos, e devemos, pedir a ajuda do Pai, até porque sem ela não temos força suficiente para nos manter longe do erro. E muitos sofrem acordados porque querem resolver sozinhos, acham que é meramente e somente uma questão de força de vontade, não entendem que “sem Ele nada podem fazer”.
Mas cabe sempre lembrar que é um processo: “de glória em glória”, Paulo já alertava. E podemos levar “uma semana para ficar normal”, mas não podemos nunca nos deixar levar de volta.





