O deputado estadual Salvador Zimbaldi (PSB-SP) está travando uma guerra contra a exibição do filme O Código Da Vinci, de Ron Howard, baseado no romance do escritor Dan Brown. Depois de ter uma medida cautelar recusada na 2ª Vara Cível do Fórum Regional de Santo Amaro (SP), o deputado irá recorrer ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. O advogado de Zimbaldi, Affonso Pinheiro, disse ontem que estava preparando a apelação a ser apresentada nos próximos dias, com pedido de liminar para impedir a exibição.
A estréia do filme nos cinemas brasileiros está prevista para o próximo dia 19. O advogado apresentou a medida cautelar contra a produtora e distribuidora Sony Pictures no último dia 4. Mas ela foi recusada na 2ª Vara sob alegação de que não poderia ser atendida porque a exibição do filme não confronta normas constitucionais. Pinheiro defendeu, porém, que se baseia na Constituição para pedir que o filme não seja exibido.
“A Constituição determina que a liberdade de crença é inviolável e garante, na forma da lei, proteção aos locais de culto e às suas liturgias”, argumentou Pinheiro, alegando que o livro e o filme desrespeitam a liturgia católica. Ele afirma que a produção desrespeita ainda a Bíblia, “um patrimônio histórico-cultural”.
O advogado acrescentou que a obra agride fatos bíblicos e históricos que fazem parte da cultura desde a colonização do Brasil e que também são protegidos pela Constituição. “Várias normas constitucionais são desrespeitadas”, insistiu. Pinheiro negou que a tentativa de proibir a exibição do filme seja um ato de censura: “O deputado é democrata e cristão. Não suporta ouvir a palavra censura, é alérgico a ela”.
O advogado considerou, entretanto, que “existem limites para que as coisas aconteçam” e que a “liberdade termina onde começa a agredir o direito do outro”. Ele prometeu ir até “a última instância” para impedir a exibição do filme. E comentou que não é católico, “apenas cristão temente a Deus”. A produtora e distribuidora do filme, Sony Pictures, informou, por meio da assessoria de imprensa, que não se pronuncia sobre o assunto.
O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Odilo Pedro Scherer, apontou que falar sobre o filme é fazer propaganda dele. Ele destacou que se trata de uma obra de ficção. “Ficção não se discute, não são fatos verdadeiros”. Dom Odilo lamentou que o autor tenha misturado situações históricas reais a fictícias, “que confundem as pessoas”. Segundo ele, o livro “é desrespeitoso” em relação à fé e revela “decadência cultural”.





