Produzindo frutos
Na noite anterior ao jogo contra Gana recebemos a visita do Jorginho na casa da família que hospedava em Bergish Gladbach. Nossos anfitriões ficaram tão empolgados com a presença dele que conversamos até meia-noite sobre as coisas do reino de Deus.
No dia seguinte, viajamos juntos pra Köln para pegar os ingressos e fomos para Dortmund para assistir o jogo no meio da galera. Chegamos bem cedo e pudemos curtir o incrível folclore dos torcedores brasileiros e ganeses.
O Brasil entrou em campo com escalação convencional, abriu o placar logo de cara com um gol de Ronaldo e daí para frente tomou uma tremenda canseira de Gana que jogava com o coração na ponta da chuteira.
Acabou prevalecendo a experiência e o talento individual dos brasileiros e assim ganhamos de 3 x 0. Mas o jogo expôs a vulnerabilidade do time, o que fez com que a voz da galera alternasse a alegria pelos gols e o pavor de perdermos feio quando tivermos que encarar daqui para frente as fortes e bem estruturadas seleções européias.
Zé Roberto fez um golaço ao ficar mano a mano com o goleiro e foi eleito o melhor homem em campo outra vez. Na saída do estádio, Jorginho foi reconhecido por torcedores brasileiros e alemães que começaram a pedir autógrafos. Aí foi juntando gente que não acabava mais e acabamos imprensados por uma multidão enorme. Ficamos espremidos como sardinha em lata mas graças a Deus conseguimos escapar e sair correndo para salvar nossas vidas!
A homepage da FIFA publicou que os jogadores brasileiros que mais se destacaram na fase inicial da Copa são Lucio, Kaká e Zé Roberto, o que oficializa aquilo que a gente vinha percebendo como a mão de Deus sobre os Seus. Nas copas anteriores nossos atletas eram coadjuvantes. Agora estão virando destaque. Ore por eles pois essa é uma posição tão gloriosa quanto perigosa.
Um ilustre visitante veio na reunião de ontem, dia 30, em Frankfurt. Ele já tinha vindo na anterior e parece que está gostando. Anselmo começou pregando sobre Jesus como a videira e a importância da permanência na videira e da poda e para que produzamos mais frutos. Eu concluí falando sobre os frutos que Jesus espera que nossos atletas produzam em campo e fora deles. Ensinamos como produzir esses frutos através da proclamação do evangelho a fim de que muitos sejam alcançados pelo amor de Deus e que a Sua gloriosa natureza Se revele na vida desses atletas através de seus frutos como Jesus ensina em João 15:8.
Mineiro encerrou com uma oração pelo jogo de hoje contra França, e ungimos com azeite os joelhos e tornozelos feridos na batalha anterior, orando como a palavra de Deus nos ensina em Tiago 5:13 a 16.
De Frankfurt fui para Konigstein onde a família que nos hospedou no inicio da Copa me recebeu novamente. Juntos assistimos na TV a vitória da Alemanha sobre a Argentina.
Os alemães celebraram como se fossem brasileiros nas ruas de Konigstein.
No último jogo, o Lucio passou mais de 23 minutos sem fazer falta. Perguntado por um repórter se era candidato a bater o recorde mundial de zagueiros que não fazem falta, respondeu:
– Eu agradeço a Deus por ter conseguido jogar tanto tempo sem fazer falta mas não tenho pretensão de bater esse recorde. A falta técnica é um recurso do jogo e entre não fazer a falta e tomar um gol, eu não hesito em fazer a falta.
Vibrei com essa resposta! Ela está de acordo com o que temos ensinado a nossos zagueiros sobre sua responsabilidade de atuar em cima da linha fina que separa a violência da virilidade nesse jogo de tanto contato físico. Aprendemos isso com Davi, o homem segundo o coração de Deus que não dava moleza aos seus adversários…
Quero compartilhar um dos muitos e-mails que recebemos:
Meu filho de 13 anos acertou uma tacada firme que mandou uma bola para o espaço sideral no campeonato de basebol. Sem saber onde ela cairia, saiu correndo com os dois dedos apontados para o céu como os atletas de Cristo da seleção brasileira. Foi a primeira vez que ele teve a coragem de assumir publicamente sua fé. Que belo modelo são esses atletas de Cristo para as novas gerações!
Marry Jee – Inglaterra
Estou de saída para o jogo contra a França sem palpite nem previsão de resultado. Sei que ganhar ou perder faz parte de qualquer esporte. Sei também que outros países que tinham jogadores cristãos apoiados por seus capelães já foram eliminados.
Gostaria muito que continuássemos na competição para glorificar o nome do Senhor. Esse é o desejo do meu coração mas a vontade de Deus é soberana e só Ele sabe a melhor maneira de ser glorificado. De nossa parte fizemos o melhor que podíamos no preparo dos nossos atletas e confiamos o resultado nas mãos de Deus.
Servindo o Rei na Copa do Mundo,
Alex
Manhã de 01/07/2006