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Vizinhos não querem Renascer de volta

Associação de Moradores se mobiliza para impedir reconstrução do templo-sede da igreja no Cambuci.

A vizinhança do antigo templo-sede da Igreja Renascer em Cristo não quer que a denominação volte a se instalar na Rua Lins de Vasconcelos, zona sul de São Paulo. A vice-presidente da Associação Preservação do Cambuci e Vila Deodoro, Ana Cláudia Cavalcante, disse que vai discutir com moradores quais providências tomar para evitar que o templo seja reconstruído na área onde ocorreu o desabamento no dia 18 de janeiro.Na tragédia, morreram nove pessoas e mais de cem ficaram feridas. “Há dez anos que a gente está querendo que eles saiam”, diz Ana. “Ali é uma zona residencial e as pessoas que moram em volta sempre foram muito prejudicadas com o barulho, acúmulo de veículos circulando e estacionados e a grande quantidade de gente circulando pela área. Esse desabamento agora foi a gota d’água”, desabafa.

Professora, Ana Cláudia mora há 25 anos na vila ao lado do prédio que era ocupado pela igreja, cujos restos estão sendo demolidos. Ela lembra que em 1998 o Ministério Público (MP) de São Paulo chegou a interditar o templo da Renascer por falta de segurança, já que não havia alvará de funcionamento. Desde essa época, os moradores pedem a saída da igreja. A vila em que Ana Cláudia mora, situada na Rua Robertson, 319, teve oito casas interditadas pela Defesa Civil por causa do desabamento. A moradora reclama do que chama de “constantes transtornos” acarretados pela igreja. Segundo ela, diversos de seus vizinhos tiveram que deixar suas casas durante os trabalhos de demolição “Como é que as pessoas conseguem viver assim? Não somos inimigos de ninguém; a única coisa que a gente quer é poder morar em paz”, argumenta.

Ainda segundo a vice-presidente da associação, a igreja teria também se apropriado de uma serventia da vila,que dá para os fundos do antigo templo-sede. Ali, a igreja construiu uma garagem e fechou o local com um portão. “O espaço é da vila e o transformaram em área de uso particular”, acrescenta a professora, informando ainda que o Ministério Público (MP) e o Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) já solicitaram à Renascer que a área seja restituída à coletividade. O vendedor Marassore Roberto Moregola, 66 anos, morador da vila há 45, diz que o portão era de acesso exclusivo dos líderes da igreja, o casal Estevam e Sônia Hernandes. O MP confirma que notificou a igreja para devolver a área ao espaço público.

Por meio de nota, a assessoria que presta serviços de comunicação à Renascer diz que a igreja não considera “séria” a afirmação de que a associação de moradores estaria se mobilizando para impedir sua volta à Rua Lins de Vasconcelos. No entender da denominação, tal atitude seria uma “óbvia mostra de perseguição religiosa”. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o laudo com as causas do desabamento do telhado da sede da Igreja Renascer deve ficar pronto em um prazo de 60 dias.