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Fugir de Deus, até quando?

Muito me espanta a ordem natural de algumas coisas que não são como deveriam ser. No princípio criou, Deus, a Terra e os céus, e eis que esta era sem forma e vazia, e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. Criou então o que nela há: luz, água, terra, flora, luminares nos céus, fauna e etc. Contudo o Deus supremo, detentor de todo o poder e glória ainda sentia falta de algo, sentia falta de alguém para ter intimidade. Criou Deus, então, o homem e a mulher, a sua imagem os criou.

Certa vez ao ouvir uma pregação de um conhecido pastor uma certa parte da mensagem me causou grande espanto, e momentaneamente até um pré-julgamento; digo isso pois não somos capacitados para julgar, haja vista que somente Deus conhece o coração do homem e, portanto, somente Ele conhece a essência de nosso ser. No mencionado trecho da mensagem o pastor disse que Deus é um Ser que anseia por uma relação de intimidade, em meio a toda glória celeste Deus procurava alguém a quem pudesse abençoar, alguém com quem pudesse conviver como AMIGO e não, tão somente, como um Rei todo Poderoso.

Após uma breve reflexão aquele estado de pré-julgamento no qual me encontrava se dissipou, pois comecei a recordar do que nos diz o livro de Gênesis:

Gênesis 2: 8 – “E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim.”

Fiquei imaginando o porquê de Deus, com toda a Sua Glória no céu, estar passeando pelo jardim do Éden na viração do dia, seria talvez para vigiar se o homem comeria do fruto proibido? Ou talvez, quem sabe, fazendo aquilo que hoje conhecemos através do dito popular como “o olho do dono é que engorda o gado”?? Não, não creio num Deus que simplesmente zelava pelo Éden, eu creio num Deus que passeava pelo jardim e estava com o homem todos os dias e bem próximo, podendo, o ser humano, sentir toda a Sua Glória a apenas alguns centímetros de seu corpo, que outrora era uma simples porção de barro.

Mas como todo bom estudante de Direito aprendi que a melhor defesa é aquela que nem mesmo você consegue derrubar, por isso me coloquei na defesa e no ataque ao mesmo tempo e perguntei pra mim mesmo: – Ah… mas isso era no início, Deus havia acabado de criar o homem e era tudo novidade! Então novamente voltei à parte defesa e reportei-me à história do livramento do povo de Israel do domínio egípcio, constatei, então, que talvez nunca tenha havido um povo tão chato, tiveram fome… reclamaram e murmuraram contra Deus, e Deus mandou maná para saciar a fome do povo. Depois reclamaram de sede e Deus fez brotar água da rocha para saciar a sede, se sentiam frio murmuravam e Deus os aquecia, se sentiam muito calor Deus os refrescava… enfim, tudo era problema para o povo de Israel, qualquer dificuldade já ensejava uma revolta do povo murmurador dizendo que se era para passar tais dificuldades, por que o Senhor havia lhes tirado do Egito, esquecendo-se de que a vida no Egito era muito pior, pois lá eram meros objetos, escravos, tratados muito pior do que os animais. Nesse momento foi inevitável comparar aquele povo conosco, quantas vezes na primeira dificuldade nós murmuramos e queremos desistir de tudo e voltar a ser escravos (escravos do pecado)?!!

Mesmo com toda essa chateação do povo de Israel, Deus, ainda sim, sentia falta de uma ralação mais próxima e amigável com o homem. Podemos observar isso na seguinte passagem bíblica:

Êxodo 25: 8 e 9 – “E me farão um santuário, e habitarei no meio deles. Conforme a tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo, e para modelo de todos os seus pertences, assim mesmo o fareis.”

Mesmo o homem não dando valor a todas as maravilhas feitas por Deus, Ele sentiu falta de uma relação mais íntima com o ser humano. Deus quis, e quer, sempre estar no meio do seu povo, abençoando-o e tendo um vinculo de amizade com cada um de nós. No decorrer da história a bíblia nos relata inúmeros lugares e ocasiões onde Deus fez de tudo para se aproximar de homem, até quando Deus se fez homem e habitou em humanidade entre nós, passou por todo aquele sofrimento aqui no mundo, Ele tinha o intuito de nos aproximar de Deus. No episódio da crucificação, quando cristo foi açoitado, cuspido, ofendido e carregou todo o pecado do mundo sobre seus ombros, até nesse momento Deus fez com que a morte de Seu filho limpasse os pecados do mundo, rasgando o véu do templo e fazendo com que o homem tivesse livre acesso ao Pai.

Mesmo assim o homem desde o Jardim do Éden foge da presença de Deus, sempre num ciclo vicioso, Deus se aproxima do homem tempo depois o homem se afasta de Deus, por diversos fatores, na maioria das vezes o pecado.

Por isso me pergunto… Por que mesmo com todas as investidas o homem insiste em estar distante de Deus??