É interessante analisar o modo como alguns cristãos pensam atualmente. Não sei de onde tiram tantas idéias. Muitas dão liberdade. Outras escravizam.
Poderia citar vários exemplos de crentes que afirmam poder fazer de tudo, porque Cristo os libertou. São pessoas que tentam arrumar meios e caminhos para que seus atos de maldade sejam justificados. Na faculdade, onde estudo, existem muitos que se dizem convertidos, tocam em igrejas, se orgulham de serem evangélicos, ou melhor, se orgulham de serem “gospels”, mas possuem vidas iguais, para não dizer piores, que as dos não crentes. Não me sinto no direito de julgar, mas tenho certeza de que não foi para tal motivo que Cristo me libertou.
Há o outro lado também. Pessoas que dizem que Cristo as libertou, não só do pecado, mas de tudo o que há no mundo. Este pensamento leva tais pessoas a acharem que jogar futebol e até dar risadas é pecado. Tudo o que lembre, mesmo que de longe, o que há no mundo, é pecado, portanto, o crente não deve assim proceder e ponto final.
Quem está certo nessa divisão? Ninguém!
A Bíblia trata dos dois ensinamentos: liberdade e escravidão. O cristão deve ter consciência de que ele foi liberto, mas para ser escravo. Será que há como ponderar esses dois aspectos? Unir a liberdade e a escravidão? Paulo nos diz em Romanos 6:18 que nós “fomos libertados do pecado para sermos escravos da justiça”.
No próprio texto, Paulo condena a primeira classe de pessoas, ao perguntar e responder, “e então, vamos pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De maneira nenhuma!”, e continua, “assim como vocês ofereceram seus membros às impurezas que levam à maldade, ofereçam agora em escravidão à justiça que leva à santidade” (Rm 6:15 e 19).
Quanto àqueles que dizem que tudo é pecado, o próprio Cristo pediu ao Pai para que não nos tirasse do mundo, mas que nos protegesse do Maligno (João 17:15). Se alguns crentes de hoje fossem daquela época, com certeza iriam condenar Jesus por ter ido a um casamento.
Talvez o que falte em nossos dias seja o equilíbrio. Não somos 100% livres, nem 100% escravos. Somos os dois, juntos, mas moderados. Quando estendermos isto, faremos a diferença neste mundo. Mostraremos que o cristão joga futebol, mas não briga nem se enraivece. Mostraremos que damos risadas sim, mas não pactuamos com malícias e piadas sujas. Mostraremos que não somos extraterrestres, mas também que somos passageiros neste mundo.
Libertos do pecado para sermos escravos do Senhor Jesus. Que honra!





