Análise: Dunkirk

Ontem tive o prazer em assistir Dunkirk no cinema bem no dia da sua estreia. Eu fui de refém do marido, já que eu não sabia absolutamente nada do filme. As únicas informações que eu tinha é que era um filme de guerra feito pelo Christopher Nolan, consagrado diretor da Trilogia Cavaleiro das Trevas e A Origem.

Sempre tive uma queda por filmes de guerra, mas parece que eles sempre apresentam uma fórmula pronta (assim como os filmes românticos, hehehe). A regra quase sempre é: Mostra-se o herói que ainda é mocinho dentre o grupo dos bonzinhos, depois mostra a jornada do herói, um confronto muito difícil e, no final, a vitória do grupo dos bonzinhos. Dunkirk pega essa fórmula e joga no lixo para fazer algo novo e sensacional.

A história se passa na Segunda Guerra Mundial e mostra o confronto na França entre os alemães e os aliados franceses e ingleses. Não há muitos detalhes sobre o exato contexto da guerra. O que sabemos já no início do filme é que os alemães encurralaram os aliados na praia de Dunkirk e a única coisa que eles podem fazer é esperar por um milagre.  É como se os argentinos descessem a baixada santista, conquistando Cubatão e São Vicente, deixando mais de 400 mil homens encurralados no porto de Santos.

O que mais atrai nesse contexto todo é o clima de tensão criado pela impotência dos solados encurralados e tentar imaginar quais decisões terão que ser tomadas por eles na luta pela sobrevivência. A forma como toda essa jornada é apresentada no filme nos deixa com falta de ar, aflitos e com lampejos de esperança. A direção do Christopher Nolan unida à música de Hans Zimmer nos leva ao Interestelar da Segunda Guerra Mundial. É tanta tensão que a adrenalina sobe no topo e depois a respiração sai como um sopro. Sim, elas se completam.

Dentre as muitas discussões apresentadas pelo filme, que passam pelo absurdo da guerra e a luta pela sobrevivência, a que mais me chamou atenção foi a dicotomia entre fazer o justo e honrável e o “salve-se quem puder”. Nunca vivi em uma guerra e agradeço a Deus por isso, mas em muitas cenas eu me colocava no meio deles e dizia pra mim mesma: eu me salvaria, esmurraria o malandrão e ainda dava uma de espertona. Mas muitas decisões tomadas por alguns personagens ecoaram o cristianismo e ainda fazem barulho na minha mente até agora. Como essa é uma análise honesta, sem spoilers, depois quero conversar com você sobre esse barulho.

Bom, sobre a história não vou falar mais, mas fica aqui minha dica para você assistir Dunkirk, de preferência num cinema de boa qualidade para sentir toda a emoção passada pela direção segura de Nolan e pela trilha perturbadora de Zimmer.

  • Erik de Oliveira

    Filmaço. “O Interstellar da Segunda Guerra” é uma comparação interessante. Embora os enredos não tenham nenhuma conexão, a sensação de impotência diante de algo muito superior e letal, e as decisões em meio ao desespero mostrando várias faces do ser humano estão peculiarmente presentes em ambas as obras. Já é um clássico.

  • Ronald Nascimento

    Já vi e revi Dunkirk. Na primeira vista, um misto de decepção e incredulidade diante que quão bom tecnicamente o filme é, mas faltando consistência de roteiro, afinal muita coisa não é explicada. A montagem é sensacional, pena que quando percebemos o relacionamento que há entre os três tempos diferentes, já “perdemos” praticamente 1/3 do filme… Adorei a sua comparação usando as praias do litoral paulista… Quando revi, já sabendo o segredo da montagem, tudo ficou muito mais claro e curti ainda mais o filme. Quero ouvir sobre esse barulho na sua mente…