Por Walter da Mata

Nos esportes de combate, jogar a toalha significa que se está solicitando que a luta seja interrompida, para preservar o atleta de um dano maior. Com isso, consolida-se a vitória do adversário.

O ministério pastoral na linguagem paulina, conforme a Primeira Carta aos Coríntios, é semelhante a uma luta na qual exige-se o máximo de esforço e versatilidade do atleta. Somente assim, ele será vencedor ao final do combate. Tendo o pódio como objetivo, o atleta precisará tomar algumas atitudes e evitar outras. Sua vitória dependerá de suas decisões.

No registro bíblico que relata a jornada do profeta Elias, encontramos o momento em que jogar a toalha parecia ser a melhor, senão a única opção. “Basta! Não quero mais ser profeta….  não quero nem mesmo viver! Desisto de lutar pelas coisas que sempre acreditei, pelas quais dei a minha vida”.  Assim, o profeta Elias, um campeão das batalhas do Senhor, desabafou exausto à sombra de um pequeno arvoredo, “jogando a toalha” nas areias quentes do deserto de Berseba.

Como um técnico à beira do ringue, Deus entra em cena e, com palavras de encorajamento, devolve Elias à arena da luta, para viver seu chamado de campeão.

O relato de 1Reis 19 mostra dez recursos usados por Deus para ajudar Elias a superar o esgotamento:

1º Repouso físico: Elias estava esgotado. Ele correu por 30km à frente dos cavalos do rei Acabe, do Carmelo a Jizreel, um feito digno dos melhores maratonistas. O descanso físico é fundamental ao processo de recuperação.

2º Alimentação adequada: Uma botija com água e pães assados foram servidos. Desde o enfrentamento com os profetas de baal, esse é o primeiro registro de uma refeição. Se juntarmos a falta de alimentação e a corrida com os cavalos, teremos um quadro de inanição. Boa nutrição e hidratação são essenciais no processo de colocar um homem de pé. Duas refeições foram servidas com intervalo de sono reparador.

3º Verbalização da dor: “Já basta. Não quero mais, não sou melhor do que meus pais, eu quero mesmo é morrer”. Deixar o profeta jogar para fora a dor é tirar o nó da garganta, liberando a tensão. Por três vezes no texto, Elias verbaliza sua angústia. Nesses momentos, é importante deixar a pessoa falar, mesmo que seja repetitivo, até que seja capaz de uma fala coerente. No esgotamento emocional, as ações e as conversas se revelam contraditórias: Elias foge para escapar da morte, mas, quando se vê fora do alcance, pede para morrer.

4º Palavras de afirmação: Para quem acredita que tudo acabou de forma melancólica, Deus traz uma declaração de confiança: “Levanta, pois mui longo será o teu caminho”. Declarações de confiança têm um alto poder de restauração. Um bom mentor conhece o valor das palavras de afirmação.

5º Tempo de reclusão: Um tempo de “caverna” é precioso para a recuperação do vigor. É um tempo do profeta consigo mesmo, tentando processar sua dor. Não se trata de isolamento, mas de afastar-se da agenda movimentada, clareando mente e a emoção.

6º Dar respostas sinceras a boas perguntas. Deus é o mentor por excelência: “Que fazes aqui, Elias?” Deus se revela o mentor ideal. Nenhuma cobrança, acusação ou reprimenda, pois tais tratamentos não são adequados a quem se sente desencorajado. Boas perguntas têm o poder de ajudar a pessoa que está sofrendo a conectar os fatos com a razão.

7º Remover os equívocos: Elias teve sua reação resultante de uma informação errada. “Mataram todos os teus profetas, e só eu fiquei”. Não era verdade. Para Elias, porém, isso era fato. Trazer a verdade no momento certo ajuda muito, pois ela pavimenta a construção de uma jornada vitoriosa.

8º Entrar na dimensão do sobrenatural: Deus se revela numa voz calma, em meio à brisa suave. Corpo restaurado, emoção centrada, informações corrigidas, agora é momento de reencontro na dimensão do sobrenatural. O ministério é uma atividade mística. Nele, o natural e o sobrenatural se encontram. É nesse encontro com Deus que os recomeços são possíveis.

9º Restaurar a missão: A demonstração de que a confiança foi restaurada é a entrega de uma nova missão a Elias: “Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco, vem e unge a Hazael rei sobre a Síria. Também a Jeú, filho de Ninsi, ungirás rei de Israel […]”. Deus lhe devolve o sentimento de que ainda era um líder de valor.

10º Formar uma equipe: O ministério não é uma jornada para solitários. Deus fala, e Elias treina Eliseu. Os dois caminharam por anos e, quando chegou a hora de finalizar seu trabalho, Elias não jogou a toalha de derrotado. Pelo contrário, o finalizou como um campeão.

O esgotamento e o desejo de desistir é uma realidade cada vez mais gritante na vida dos pastores e líderes nesse início de milênio. Os desafios são enormes e mutáveis a cada instante, o que torna a missão pastoral uma atividade muitas vezes frustrante, pois a resposta de hoje não atende às necessidades de amanhã.

Nessa brecha, surgem os Ministérios Homens Mentores e Mulheres Mentoras como catalizadores dos processos de capacitação contínua, pastoreio de pastores e discipulado. Atuamos nas denominações e igrejas locais oferecendo um espaço de cuidado intencional e de crescimento para os pastores e líderes que desejam superar os desafios inerentes ao ministério e encontrar um novo fôlego para cumprir o seu chamado com excelência.

Se você se sente desanimado, há algo a fazer! Busque ajuda, converse com alguém e conte conosco. Queremos estender-lhe a mão para que você não “jogue a toalha”, mas alcance a linha de chegada com satisfação, paz e contentamento. •

Walter da Mata
Missionário Sepal e integrante do Ministério Homens Mentores, foi pastor por trinta anos da Assembleia de Deus Manancial – Sobradinho (DF).